quinta-feira, setembro 21, 2006

onde estiveres...



et je veux dire:

"ne t'inquiète pas... tout sera bien à la fin de la journée, car nous t'écoutons parmi les silences, car nous serons toujours là... là, où tu te crois la plus seule de toutes les personnes au monde entier… là, quand toutes tes paroles se ressemblent nues de la valeur…

...et nous serons là aussi, comme tes pensées seront à moi, n’importe où."


segunda-feira, setembro 18, 2006

So alive



I don't know the secrets the universe hides, and all I show vanishes away at the same speed as you seem to depart, far from my mind, far from my heart. And silence remains once again as the breathing air I keep inspiring inside out.

All around becomes unmovable, untouchable, almost unbearable... and soon enough I hear that song, that one song who makes me remember you, so clear once again in my mind. And all those moments we've been through resound again to my heart, just one more time.

And a new and bright light keeps shinning at some place I forgot to look up with my soul. Somewhere we used to know by heart, while we kept walking around in December's cold night. Can you remember, from there, from that place where you keep the recollections from what we've been?

My heart and my soul, my ruin and my guide, my angel and my fair despair alone in the dark.

You, who came once again, just to make me fall, so I could learn how to walk. The way as I reborn when I see you heading near... Cannot even describe all you meant, all the promises of eternity forever kept inside this one chest I cannot open. Not then, not even now.

You You You, just you can make me feel this way, as if we became touched by fairness and rightful grace.

You You You, you alone in the past, forever shinning over me, shinning all over my unkown path.

'Cause you are really my destiny and my soul, my one goal to get closer and closer to where you stand.

Will you wait a little longer? Just a few more days, a few more years, a few more people going through my life. Let me try... please, let me try to understand them, to help them, to take them as you took me. Let me learn from your memories, from the wisdom you left behind.

And maybe one day, when my task match yours, when I get from where you left, may we reunite once again and, for one more moment in time, may I look upon you. May you see me as before. May we find each other and never let go again.


thank you for inspiring me one more time.

domingo, setembro 17, 2006

"Tu me manques, tu me manques..."

...and I don't even know what to do.

Where to turn as my face goes red and the tears stream down to hit my dark, dark, dark shirt.

And I see you guys down, so close and so far, somewhere I cannot reach.

Do you even feel anything? Can you at least remember how we were?

What have we done to deserve such faith?

Can you see the irony all around us three?

You, both... you, who can reach each other in no time, with no effort at all, must hold up a fight to remain away 'cause loving is at the same point too much and, even so, not enough...

...and I, who wanted to be near, just to hang around only for one more day... I am stuck to the laws of distance, economy and time, and even the laws of memory trying to keep us apart.

Can any of you even consider the test these walls have become? To love some people and don't be able to feel them, touch them and reach them at least once in a day, or a week, or a month, or a lifetime...

And if we hadn't met, not there, not now... but somewhere before what all we have individually been through, do you even think we would care about each other?

Do you even think we could have ever met the way we do?

quinta-feira, agosto 24, 2006

não esquecerei esse momento
que eternizei para mim:
o teu olhar tão intenso,
brilhante como és afinal,
de tanta vida a transbordar,
tão feliz que me pareces irreal...

...e chama-me um dia louco,
que irrisório ou infantil,
seria ainda tão pouco,
por não perder esta imagem:
os contornos do teu rosto,

sob luz fugidia em que o vi,
esbatidos na memória
no que resta dessa miragem...


...e deixa-me só, assim,
perdendo para todos a razão,
porque não ver-te de novo
sabe tão menos que a pouco...

e por tentar,
por tentar, ainda que em vão,
fazer de ti este meu sonho,
tão impossível e medonho,
haverei até de parecer,
dos loucos, o mais louco
se não és, afinal, ilusão.

sábado, agosto 12, 2006

for a special friend

for miss Pateraki... one of the kindest people I've ever met!!

With a kiss...


sábado, agosto 05, 2006

segunda-feira, julho 31, 2006

back for a while

tenho andado - talvez ainda ande - afastado destes sítios já tão antigos e perdidos dentro de mim. reconduzem-me às saudades incontroláveis, àquelas que aparecem do nada, onde quer que esteja, seja a ler um livro ou no intervalo do cinema.

tenho estado estes dias em casa, na casa dos meus pais - corrijo, porque casa, lar, foi algo que deixei para trás no dia em que parti para estudar fora. O meu lar abandonou-me, como me abandonei eu próprio a viver sem ele, sem lhe sentir a falta, mas desejando regressar a um lar meu, por mim construído, comigo nascido, comigo envelhecido. A miragem de uma conquista que não se consegue sozinho, à sombra de uma linha paralela criada à imagem e à mesma velocidade do mundo real.

ainda me vejo preso entre esse equilíbrio desigual do que vou criando e do que espero criar, que em perspectiva é o que presentemente possuo e as marcas que deixo à medida que sigo em frente. como se um dos mundos vivesse indexado ao outro e ainda assim se mantivesse dele apartado.

* * *

penso muito mais agora antes de escrever, que quando o fazia meses atrás e por meses sucessivos. tento pesar as palavras e o sentido das frases a ver se soam a verdades ou a romances novelísticos ditados para e pela minha memória, como uma estória que contasse repetidamente a mim próprio, para me forçar a acreditar.

sinto que é verdade que depois de Janeiro nem o melhor é tão bom, ou que até o pior já não custa tanto a suportar. uma perna de cada um dos lados de uma ribanceira íngreme que se vai abrindo sob mim, como se se afastassem os continentes deixando lugar ao mar, ondulante logo abaixo.

vejo o pouco que me é dado a conhecer e imagino como será o resto, como seria nunca sentir a falta de alguém, deixar cair as esperanças de que existiria sempre alguém à espera de mim nalgum sítio de onde não sou. De onde já não sou.

oiço falar daquele lar que me desertou, viajando nas bocas de tantos em meu redor, bons conhecedores dos costumes e do que é suposto ser correcto, sensato ou ousado, veneráveis detentores do saber de tudo o que não lhes diga directamente respeito, perdidos, sem saberem que também têm direito a um lar que deles lhes foi também, extorquido, abandonado ou dizimado.

* * *

pequenos encontrões que o tempo me dá, para me chamar à razão, como se desejasse claramente que não nos deixemos falhar por pouco, errar indefinidamente pela juventude, estagnados na insatisfação, cosendo remendos a panos já gastos, à espera que o melhor apareça, trazido pela sorte ou pela mudança natural do estado das coisas.

deixa-te tu aí parar, detido pelo que não podes ter, se assim quiseres, se esse for o rumo que escolheres com medo que te possas magoar, ou magoar ainda mais. gente presa entre comparações insolucionáveis, como a história dos infernos do irreconhemento eterno da tua própria imagem. Conversas infinitas contra o reflexo no espelho, batida a tua inteligência por si mesma.

eu cá seguirei, aos tombos, entre erros e tropeções, em dores e alegrias diminuidas se necessário. só não quero ficar.

quarta-feira, julho 12, 2006

isto é so um teste!!!

terça-feira, julho 04, 2006

Do you have a Bonny Portmore, the one place you can't return anymore?



Oh Bonny Portmore I am sorry to see
Such a woeful destruction of your ornament tree
For it stood on your shore for many's the long day
Till the long boats from Antrim came to float it away.

Oh Bonny Portmore, you shine where you stand
And the more I think on you the more I think long
If I had you now as I had once before
All the Lords in Old England would not purchase Portmore.

All the birds in the forest they bitterly weep
Saying, "Where shall we shelter or where shall we sleep?"
For the oak and the ash they are all cutten down
And the walls of Bonny Portmore are all down to the ground.

Oh Bonny Portmore, you shine where you stand
And the more I think on you the more I think long
If I had you now as I had once before
All the Lords of Old England would not purchase Portmore.

quinta-feira, junho 15, 2006

mi mancherai

sentirei a tua ausência se partires
faltar-me-á a tua serenidade
a tua voz espalhada no ar
e o amor que por ti sentia

sentirei a ausência se partires
perderei a minha vida.
e a alegria, querida amiga,
irá contigo onde fores

sentirei a tua ausência, a tua falta
por que partes?
por que se exingue o amor em ti?
porquê? porquê?
sei que nunca nada mudará
e sinto-te sempre em mim

sentirei a tua ausência, a tua falta
por que partes?
por que se exingue o amor em ti?
porquê? porquê?
sei que nunca nada mudará
e cá dentro sinto que...

faltar-me-á a imensidão
das nossas noites, dos nossos dias
e o teu sorriso no entardecer
o teu brilho de infância

sentirei a tua falta, doce amor
e encontro em mim este vazio...

porque a alegria, querida amiga,
irá contigo onde fores.
Josh Groban

sábado, junho 10, 2006

segunda-feira, maio 22, 2006

Um dia sonhei com um anjo que chorou comigo,
num lugar além das minhas memórias e das minhas dores,
sofri por ti e por mim, busquei a felicidade de todos,

vi-os infelizes e segui infeliz até agora e mais um pouco...
manda-me uma mensagem, se puderes,

tenho tantas coisas que quero perguntar e entender
que não sou o único louco neste mundo de misérias bem pagas
e de onde se tem sede num mar de lágrimas...


the greatest story ever told



percorro os dias entre lembranças distantes e o trabalho fatigante que me deixa descansar dessas memórias. aprendi a pôr no trabalho toda a energia que possuo, para conseguir chegar ao fim com tão pouco tempo que não possa pensar em mim e nas coisas que perdi, nas pessoas que passaram ao lado e que nunca mais conseguirei tocar.
resta-me tão pouco que já não consigo escrever com tanta frequência como costumava fazer. perco a lógica do mundo entre as contínuas viagens de carro, entre casa e a faculdade, cruzando sempre as mesmas ruas, dia após dia, hora após hora, noite após noite.
quando saio com os meus amigos não me consigo divertir. eles não percebem, nem têm que o perceber, mas sinto que quantas mais pessoas estão em meu redor mais só me sinto.
rio e digo disparates, entro nas conversas dos outros, que não conheço, na esperança de conseguir reencontrar a parte de mim que perdi. e sinto-me frustrado. sinto-me tão frustrado como quando não recebemos a resposta que gostavamos de ouvir, áquela pergunta que durante dias e noites infinitas ensaiamos algures dentro de nós, entre a cabeça e a garganta, e que nunca conseguimos dizer.
as palavras certas, que nunca sairam completamente, por medo de perder o que não temos, e nos fizeram falhar. será que terei falhado a minha vida? quantas vezes não me obrigo a despertar de sonhos feitos em suposições sem fundo de verdade, com raízes nos desejos do mundo ideal por onde vagueio, só para não ouvir a resposta. enquanto ao longe as conversas entrecruzadas dos amigos enchem a sala.
entre uma e outra gargalhada, sorrisos pouco sinceros de quem se gostava de rever em pequenos gestos dos outros, sem perder a integridade que conquistou por si. perderemos a nossa identidade quando nos damos a alguém? também não sei quanto perdi, do quanto dei.
às vezes desejo em segredo apenas desaparecer, deixar de existir por breves momentos, em que não teria que pensar e forçar-me a não lembrar. a amnésia, pensamos que é uma cura para muitas recordações mas, na verdade, é um analgésico de efeito breve. e imagino como deve ser bom sentir as luzes à nossa volta apagarem-se, dissolvendo-se no ar até não restar nada a que possa chamar meu. não há mais o meu corpo, a minha vida, o meu espírito, a minha consciência, ou os meus sonhos, sequer.
perco-me só mais um pouco, desejo ficar por lá uns tempos, e depois voltar, sem consciência de ter ido. e o lugar também não importa.
outras vezes, gostava de poder falar de ti, de como eras perfeita aos meus olhos, de todos as histórias que partilhámos. queria apenas que me ouvissem, sem se sentirem incomodados, chocados ou constrangidos. não queria que me tentassem compreender, ou sentir aquilo que sinto. só que me ouvissem, me deixassem contar tudo, de um fôlego, e depois me deixassem chorar, como se fossem pedras, sem sentimentos ou compaixão.

quarta-feira, maio 03, 2006

a tudo a quanto amar

a tudo a quanto amar
dou de mim o que tenho,
e, não chegando o que sou,
darei tudo o quanto amei,
e, chegando ao fim da vida
com nada mais que possa dar,
perdoem-me todos a quantos amei
tudo aquilo que não sou,
por tudo o que não dei,
é que, afinal, só mantenho
o que não vos posso mostrar,
mas lembrem-se, algum dia...
...após desvios dessa vida,
há sempre alguém a quem dar
este amor com que eu próprio
vos lembrei.

terça-feira, abril 25, 2006

Buenas noches!

acabadinho de regressar de terras de nuestros hermanos... prometo a reportagem para breve.

hasta mañana!

segunda-feira, abril 17, 2006

a cada passo

em cada passo que deres
a cada lugar onde fores
onde quer que estiveres
eu estou contigo

a cada dia que viver
a cada ano que passar
a cada pensamento que tiver
tu estás comigo

e quando o mundo esquecer
o amor guardado para depois
quando a memória falhar
então vens me buscar
e viveremos os dois

obrigado

segunda-feira, abril 10, 2006

por que me fazes sofrer, de uma forma tão profunda e desumana? por que a solidão me arrebata o peito, e me enche o vazio cada pequeno espaço que abriste em mim?

apareces de repente, destróis-me por dentro, em cada crença e defesa que construí, tornas tudo confuso e irreal, tudo tão intenso como a dor que agora me fere a alma, e vais-te embora, de repente, deixando a meio tudo o que estava iniciado, e deixando-me a mim, entregue a tudo o que levaste contigo e já não volto a ter.

qual a melhor maneira de viver, depois de destruídos das esperanças jovens que tínhamos? agarrados à ilusão de uma partida com um regresso prometido, ou à incerteza de reencontros eternamente adiados e suspensos numa espera infinita?

ainda seremos de novo tudo aquilo que deixamos passar? são as marcas que ficam que ainda dizem que foi verdadeiro. fotografias, lugares, ideias de conversas que tivemos e que inocentemente mostramos a outras pessoas, como se fossem coisas simples e com significado nulo.

dizem que dura um ano até que o tempo cure ou adormeça em nós as melhores lembranças, que são também as que mais doem e fazem sofrer. porque elas são as testemunhas do melhor e do pior, e fazem-nos sempre pensar sobre o que foi, o que era e o que é. obrigam-nos a comparar o que temos e o que já tivemos. E o que foi parece sempre ser mais doce e puro.

hoje não há nada para dar, nada para receber. e se não damos apercebemo-nos da dimensão eterna da nossa própria pobreza. e se não recebemos passamos a medir os dias e a vida pela infinita solidão que somos.

e no meio disto esqueço-me dos motivos pelos quais caí, pelos quais me ergueste. e esqueço a própria necessidade de sonhar, e os nossos bem ditos sonhos que nos guiaram pela mão até ao lugar onde pertencemos.
minha mc

Secretamente


domingo, abril 02, 2006

Tudo o mais é ruído.

Quando era miúdo e me sentavam no 2º lugar, da 3ª fila de bancos, na igreja, a ouvir a missa, desejava apenas que aquela hora passasse o mais depressa possível. Aqueles bancos eram duros, faziam doer e não havia outra posição para estar sentado senão aquela, de costas direitas, porque a mãe e a avó, de cada um dos meus lados, não permitiam que traçasse a perna por baixo do rabo, ou que me levantasse de vez em quando, e passeasse pelos corredores para desentorpecer as pernas, e a cabeça. Os breves momentos em que a oração se dizia de pé não chegavam para descansar de estar sentado. Também não percebia o que as velhas diziam, umas murmurando, outras gritando, naqueles momentos chave, como quando o padre, do cimo do altar, ergue a hóstia ao ar, para que todos pudessem testemunhar que o padeiro as sabia fazer redondinhas.

Havia alturas mais chatas que outras. Um delas era quando começavam as leituras, intercaladas por umas canções aborrecidas e sempre no mesmo ritmo, entoadas numa voz esganiçada, de quem parece acreditar que é mais importante lançar contra os nossos ouvidos uma nota aguda, do que articular convenientemente a letra, escarrapachada no livro à sua frente, de modo a que todos compreendessem o que ali era gritado. Nessas alturas, e até ao momento em que terminava a homilia, escapava de mim e via-me a pairar entre o tecto da igreja e as cabeças na assembleia. Pelo Natal penduravam uma grande estrela, suspensa sobre o altar, presa numa das traves do tecto, e eu, sonhando, imaginava-me a fazê-la passar por essa trave, enquanto flutuava lá no alto, sentindo cá em baixo, os olhares de admiração pousados em mim. Enquanto isto, remexia os dedos nas costas do banco da frente, arrancando pequenas gotas de cera seca, deixadas aí, caídas das velas da última procissão ou festa da 1ª comunhão.

Mais tarde, descobri que estar junto ao coro era muito mais interessante. Em primeiro lugar porque não tinha que fixar a minha atenção no padre, no centro da cerimónia, junto ao altar. O coro ficava de lado e o órgão escondia-nos atrás de si, onde não podíamos ver o altar e, de lá, não me podiam ver a mim. Em segundo lugar, porque dali - um ponto mais alto na igreja e de frente para a assembleia - podia olhar para as caras das pessoas e ver as expressões que faziam nas diferentes fases da missa. Podia ver quem chorava, quem ia limpando os macacos do nariz, os miúdos que brincavam sossegadamente, por detrás das pernas do pai, quando este se levantava do banco, para dizer alguma oração. Podia ver aquelas caras de dor, de pessoas que fora da igreja só viviam para chatear e aborrecer os outros, criando problemas e conflitos, mas ali eram o rosto da virtude e do arrependimento. Vi tudo isto, e assimilei, e sintetizei, e categorizei, e tirei conclusões próprias (como mandam as regras do raciocínio lógico e coerente). Todos os domingos o processo e os procedimentos eram os mesmos, e todas as semanas os resultados se repetiam.

Cheguei, cedo, à conclusão - um tanto ou quanto de índole protestante (mas, também, quem não protesta é porque não pensa e, como tal, não tem capacidade de se indignar) - que nenhuma das pessoas que ali estavam o faziam porque acreditavam nas orações que diziam, ou no espírito de fraternidade apregoado. Umas, a maior parte, iam ali porque a tradição familiar a isso o obrigava, quase como dever moral e, seguramente, como dever social, não fosse a pessoa ficar mal falada na terrinha de onde era. Os restantes iam lá porque são egoístas e egocêntricos, e por algum desaire na sua vida, acreditam no seu sofrimento como o único que, de facto, é aflitivo. Porque a missa é lugar, por tradição, onde se devem sentir melhor e colocar todos os fardos que carregam no chão. Porque aí o Amor maior alivia tudo, e os faz lembrar que há-de haver Amor nas suas vidas, ou nas daqueles por quem vão rezar, para se sentirem melhor consigo mesmas.

Quem não vai lá por alguma destas razões, fá-lo porque não encontra razão para ir. As missas tornaram-se baús para os Homens guardarem amarguras, porque para os momentos de felicidade há outros nomes, e outras celebrações. É, apenas, mais um espaço no horário forçando as pessoas a reflectir sobre si, ainda que em correlação com o mundo em volta. É uma hora egoísta, para alívio interno.

Para quem, como eu, olha para isto do lado de fora da janela, o sentido e o significado são poucos. E o verdadeiro conforto vem, antes, da lucidez de ver as coisas, e da luta por ganhar e manter essa lucidez, que nos assola por vezes, e de novo nos abandona, ao longo da vida. Tudo o mais, tudo o que a missa é, torna-se apenas ruído e uma maneira banal de inculcar, pela via da repetição e ingresso na tradição, a ideia de que existem certos valores, ainda que só os consigamos compreender através do encontro com as faces mais profundas de nós mesmos.

terça-feira, março 21, 2006

Ando sem tempo para sonhar durante a noite. Ela parece passar num ápice em que consigo descansar o corpo apenas o suficiente. Como se deixasse de existir porque não dou pelo passar da noite. Quando estou a domir, às vezes sinto que durmo. Porém, actualmente, o hoje é como uma continuação do ontem, como se nunca me lembrasse de ter parado. O dia segue na sequência de tarefas, de obrigações, de deveres e de satisfação de direitos, mas esse dia é como a noite. E as manhãs já só nascem nos momentos em que me sinto adormecer.

domingo, março 19, 2006

Este ser de amar quem já não é, como se o mundo desprendesse dos rios o grito de quem bate a si próprio, no peito, onde as lembranças causam abanões à consciência, e onde, afinal, todos somos mártires de alguém.

Pedimos todos os dias que a vida nos corra bem, porque precaver o corpo dalguma enxurrada que por aí fora nos leve é a arte natural de passear por este chão tropeço.

Aos aleijões perdemos o tempo entre coisas estúpidas e supérfluas, que também elas acabarão por apodrecer nalgum canto da casa que habitamos, porque o próprio lixo se torna uma bênção pelo alívio de o podermos deitar fora.

Reparos fazem-se a toda a gente, e a nós também, que não somos excepção de nada senão de nós mesmos e das ideias que temos, já que a vida é um mar brando, onde até as mais violentas tempestades têm uma razão de ser, quer as aceitemos quer não.

E os olhos cansam-se igualmente de ver todos os dias as mesmas cores e formas, as mesmas pessoas, que nunca conhecemos, afinal.

As armas dos nossos vícios apetrecham-nos de desculpas para evitar a realidade, por ser, talvez, demasiado dura para uma couraça demasiado mole, que se desfaz à mais pequena pinga de chuva.

Dreams are all we have


«Sonhos são tudo o que nos resta.»

Between Strangers

sábado, março 18, 2006

E, de repente, sou uma pessoa triste. Tão triste cá dentro, tão grande esta tristeza que sinto, que dela não consigo distinguir-me. Somos uma e a mesma coisa. Só quem observa por fora não dá conta. Só quem não conhece, nem tenta conhecer, não nota. Acho que estas coisas marcam os olhos, os tornam baços e com pouca vida. Outros distanciam-se o suficiente, apenas, para não se sentirem afectados, porque o desconforto que esta tristeza provoca ainda é grande. Deixam-se ficar junto à linha de água, suficientemente perto para que possam socorrer. São os braços dos pais a 4 centímtros do tronco do filho que começa a dar os primeiros passos. Longe o suficente para que faça por si próprio o caminho, perto o suficiente para não o deixar cair. Como se não cair fosse mais importante, como se a derrota fosse a pior consequência.

sexta-feira, março 17, 2006

Ohana

A família, e tudo o quanto dela faz parte e a ergue, é a única coisa que está acima de todas as outras, sem as substituir.

E, para mim, a razão pela qual existirmos.

domingo, março 12, 2006

Império do Silêncio

O mundo, vejo-o através de um véu, que não é nem puro, nem branco, nem de cor alguma. É rasgado junto ao chão, encardido de sujidade seca, pó da aragem que o faz balouçar para trás e por diante.

O silêncio é uma dádiva pesada de simbolismo, de sentido e significados e para que exista pede o sacrifício de alguma coisa, que dantes o apagava; sons de pessoas e, até mesmo, de ideias claras e organizadas que oscilavam, com alguma segurança, entre o sentido prático da vida e o idealismo da perfeição.

Hoje, as ideias estão tão indefinidas como a tal cortina que deturpa o sentido do mundo em meu redor. E lembram-se apenas de fragmentos de uma vida passada, em que o sentido era viver, porque isso era bom, isso bastava para ser feliz.

Agora impõem-se os sentidos e os sentimentos, baloiçando ao vento, entre o idealismo da felicidade, ou de mais alguns momentos de felicidade que ainda podem vir e o descrédito que a mágoa e o sofrimento gravam na memória do peito.

As mãos sobem ao rosto, cobrindo-o, com muito maior frequência, sem se saber bem se o quero esconder, ou arrancar dele a frustração e vergonha de não ser capaz de o fazer. A razão de ser do nunca mais, que tranca à serenidade a necessidade de estar presente nos entretantos.

Tantos são os momentos, em que desperto para o mundo, como se toda a minha vida fosse um segredo sem propósito, por não haver ninguém de quem o esconder. As pessoas, ao mesmo tempo que recuperam, aos meus olhos, uma dignidade superior por cada batalha que travam, parecem estar cada vez mais distantes.

A música repetida, vezes e vezes sem conta, embalada numa noite de calor de Verão, trazem até aqui histórias perdidas, do tempo em que ainda não desejava voltar ao tempo dessas histórias.

Esses sons chegam e abrem-me ao meio, tirando para fora tudo o que o dia me leva a enraizar profundamente.

E a solidão, a solidão que chama todos os nomes daqueles que a podiam resgatar, a esta alma que me habita, enrouquece no soluçar de não ser ouvida, de não se conseguir ouvir sequer a si mesma. E adormece a chorar.

sábado, março 11, 2006

Goodbye my lover



Did I disappoint you or let you down?
Should I be feeling guilty or let the judges frown?
'Cause I saw the end before we'd begun,
Yes I saw you were blinded and I knew I had won.
So I took what's mine by eternal right.
Took your soul out into the night.
It may be over but it won't stop there,
I am here for you if you'd only care.
You touched my heart you touched my soul.
You changed my life and all my goals.
And love is blind and that I knew when,
My heart was blinded by you.
I've kissed your lips and held your head.
Shared your dreams and shared your bed.
I know you well, I know your smell.
I've been addicted to you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

I am a dreamer but when I wake,
You can't break my spirit - it's my dreams you take.
And as you move on, remember me,
Remember us and all we used to be
I've seen you cry, I've seen you smile.
I've watched you sleeping for a while.
I'd be the father of your child.
I'd spend a lifetime with you.
I know your fears and you know mine.
We've had our doubts but now we're fine,
And I love you, I swear that's true.
I cannot live without you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

And I still hold your hand in mine.
In mine when I'm asleep.
And I will bear my soul in time,
When I'm kneeling at your feet.
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.
I'm so hollow, baby, I'm so hollow.
I'm so, I'm so, I'm so hollow.

segunda-feira, março 06, 2006

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.


Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.


E se vires que pode merecer-te
Algua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,


Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

quarta-feira, março 01, 2006

Though dreams remain like a secret
though stars are no longer so bright
when silence became the answer to me
I just knew you were no longer mine.

Gone all the mystery around you
Gone all the stories we lived
And silence remains instead
as the answer I no longer need.

And if heavens keep love so far
Will my lips keep telling your name?
Will your light fill this empty space?
May your love mend this soul once again?

terça-feira, fevereiro 28, 2006



The Blower's Daughter

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new

sábado, fevereiro 25, 2006

Enquanto as pessoas correm de um lado para o outro, vamos passando por elas, como se fossem apenas fantasmas, onde encontramos pequenos pedaços de nós, mas que não conseguirão nunca preencher-nos. Sentimo-nos tão especiais, isolados dos desejos do que somos, que perdemos uma parte da própria vontade.

Sento-me, assim, numa cadeira em frente a este ecrã, penso no frio lá fora, sentindo a mão direita enregelada, arrefecida pela movimento do rato.

De quantos meses, anos, décadas se fará a espera? Este aguardar em silêncio doloroso, pontualmente interrompido no choro convulso das lágrimas, que umas vezes caem, outras não.

***

Através da escuridão consigo ver a tua luz
e hás-de para sempre brilhar,
e posso sentir no meu o teu coração.
Na memória esse teu rosto,
o único que quero ainda adorar.

Olho para cima, para tudo o que és,
que aos meus olhos és apenas perfeição,
e este meu amor tanto durou
que depois das palavras e dos gestos,
afinal, tu és apenas tu;
tu és, ainda, apenas tu.

Tu que passas por mim,
deixas-me só com a tua dor,
e o tempo que tudo muda,
deixa porém uma certeza,
afinal, tu és apenas tu;
tu és, ainda, apenas tu.

Olho para cima, para tudo o que és,
que aos meus olhos és apenas perfeição,
e eu acredito ainda em ti,
e nunca a tua boca mo pediu,
e a ti vou-te lembrar,
e ao que vida te fez passar.

e neste mundo cinzento e frio,
encontrei por fim um amor,
porque afinal, tu és apenas tu;
tu és, ainda, apenas tu.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

kinder surpresa

Às vezes entro em cada embrulhada, que não sei com muita certeza se vou chegar a sair dela com vida, ou, no mínimo, ainda com alguma qualidade de vida.

Este ano, que para mim apenas começou no dia 13 de Fevereiro, de modo a deixar em 2005 tudo o que não é possível lembrar constantemente, sob pena de comprometermos seriamente a nossa sanidade mental, inscrevi-me em 11 cadeiras diferentes. Convém, porém, advertir que, destas 11, apenas 9 se protelam pela totalidade do semestre. E o que fazer com estas 9?

Aí está o meu verdadeiro problema. Não sei minimamente o que me passou pela cabeça no dia das inscrições - estaria com toda a certeza nalgum estado alterado de consciência, induzido por algum psicotrópico que infiltraram, à socapa, nas minhas doses diárias de iogurte. É a única explicação plausível! E mais me convenço que não apenas foi administrada à época naquelas doses, mas que ainda hoje o continua a ser. Caso contrário, não se explicaria que, após uma reflexão toldada pelas incertezas e pelo medo do fracasso académico, me tenha hoje vindo a inscrever em mais uma cadeira, que eu mesmo apelido de "suplementar", para me convencer que a tenho que "tomar", a bem da minha própria vitalidade, como se de uma receita médica de vitaminas se tratasse.

A patologia é severa; o tratamento moroso, doloroso e manifestamente insuficiente e ineficaz. Deste estado de descocamento cerebral ensaio um adeus a quem passa sorridente, de férias, como se o mundo fosse um lugar alegre, onde habitar se converte num enorme prazer, em lugar de um permanente estado de luta, para que nos consigamos manter vivos.

Em boa verdade, não sei muito bem se é isso que quero - manter-me vivo - mas, porém, a outra alternativa - que é não estar vivo, pelo simples facto de não dar importância - parece que já não me satisfaz como até agora. Há coisas pelas quais vale a pena estar presente, mais que não seja para lhes dar-mos a oportunidade de nos surpreenderem, e para que, nós mesmos, também tenhamos a oportunidade de nos deixarmos surpreender.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

c***** do sapo

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

na pobreza peregrina da abundância,
daria de mim a própria alma,
num abraço terno e calmo
regressado inocente da infância

miguel esteves cardoso

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.

Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.
Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.

Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e é mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.

O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.

Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra.

O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos.Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.

O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.

O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.

O amor é uma coisa, a vida é outra.A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.

Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra.

A vida dura a Vida inteira, o amor não.

Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
As pessoas são coisas. E, pior, são coisas estranhas. É com o mesmo rosto, com a mesma facilidade com que dão um sorriso, que esboçam um ar de tristeza. Tudo num mesmo dia, numa mesma hora, até, por vezes.

Hoje encontrei uma pessoa que já não via há algumas semanas. Na realidade, nunca tinha falado com ela antes. Da última vez que a vi, chorava compulsivamente, como se toda a melancolia lhe desaguasse no coração. Parecia que os olhos dela eram as únicas fontes de verdadeiras lágrimas, sem que as pudesse, quisesse, ou conseguisse controlar. Tive pena dela nesse dia e vergonha de mim mesmo. Há reacções que não conseguimos dominar e o choro é uma que está para além da minha capacidade. E não chorei tanto quanto devia, e se calhar a quantidade de lágrimas que devia ter chorado era a mesma que a vi chorar a ela.

Hoje encontrei-a, de novo, e fomos apresentados, pela primeira vez. E confirmei o que já muitas vezes me tinha interrogado. É mais uma daquelas raras pessoas de alma mais acima de todas as que estão à sua volta. Ou possivelmente, serás assim apenas aos meus olhos, que me obrigam a querer acreditar que se ela te tinha escolhido como amiga era porque devias ser especial de algum modo. É preciso que uma alma seja especial para que possa reconhecer outra também especial. Isto reconforta-me, pensar que, apesar da solidão em que se sentia, construira um mundo harmónico e perfeito de pessoas que verdadeiramente lhe reconheciam a chama e luz que só os génios da humanidade têm.

Qual é o preço que se paga pela genialidade de carácter? Um preço tão alto que só pode ser suportado por todas as pessoas em seu redor? Para que sobre nós recaia suportá-lo? O preço de ensinar, até e sobretudo, em todos os momentos marcados por uma ausência?

Agora já não nos vai ser possível dizer, nem eu, nem ela, como tinhas razão em viver da maneira que vivias, e que o tempo que nos davas parecia ser limitado, sempre, por algo que ainda estava para vir. Que esse tempo era o teu próprio tempo.

Será que o paralelismo das nossas vidas se mantém até na morte? Tenho-me feito esta pergunta vezes sem conta, lembrando-me o espelho que a minha vida foi da tua, até hoje. Brincámos uma vez com isso, porque parecia que eu te tinha imitado, mesmo sem que nos tivessemos ainda conhecido.

Tu tinhas consciência disso, por isso me proibiste de desistir de lutar fosse pelo que fosse. Creio eu, lembraste-te de algo que te fez parar um ano na tua vida - nunca mo disseste, apenas o adivinho - e não quiseste isso para mim. Se a minha intuição para as coisas estranhas de nós não me engana, como não me costumava enganar, isso fez-nos aproximar uns anos, funcionando como um atalho para chegar às conclusões a que chegaste, sem que tenha que passar pelo que passaste.

Será que também a tua morte terá evitado a morte do meu pai, ou da minha mãe? Este paralelismo deixa-me curioso, porque quase que sugere, antes, um fatalismo. Mas não me assusta. De facto, quase que desejo que assim fosse e não apenas um impulso para estabelecer como meta o reencontro de ti.

sábado, fevereiro 11, 2006

Hoje acordei com aquela sensação de que nos estamos a esquecer de alguma coisa e por mais voltas que dê-mos à cabeça, já farta de pensar e ainda nem o dia vai na sua primeira hora, não consigo descobrir o que me falta. Stones taught me to fly... oiço, nesta música que toca repetidamente, como se me tentasse fazer lembrar.

Há coisas que se apagam da memória. Mas,apenas nos seus contornos visíveis, aqueles que lhes davam uma forma e que mais facilmente poderiamos convocar ao centro das nossas memórias. Resta, porém, um sentir, um conteúdo, uma alma sem forma - ideias sem possibilidade de expressão, sem possbilidade de contemplação.

Por vezes, paro, simplesmente. Olho para os dedos das mãos, para o pulso e vejo salientes as veias, os tendões. Enquanto as olho, não vejo o que são, nem penso nelas, só admiro a forma e o aspecto que têm sob a pele.

Dava cem vezes a minha vida para saber a razão que nos faz parar de pensar, de sentir, de viver. E quando não nos sentimos vivos, até essa própria vida vale pouco, como se os anos que passam sobre nós não tivessem importância e os dias fossem só uma sequência de acontecimentos que presenciamos, sem nos envolvermos nas suas rotinas e problemas, que são as rotinas e problemas de todas as outras pessoas - mortas, elas também, sem saberem que o estão.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006



Through the darkness
I can see your light
And you will always shine
And I can feel your heart in mine
Your face I've memorized
I idolize just you

I look up to
Everything you are
In my eyes you do no wrong
I've loved you for so long
And after all is said and done
You're still you
After all
You're still you

You walk past me
I can feel your pain
Time changes everything
One truth always stays the same
You're still you
After all
You're still you

I look up to
Everything you are
In my eyes you do no wrong
And I believe in you
Although you never asked me to
I will remember you
And what life put you through

And in this cruel and lonely world
I found one love
You're still you
After all
You're still you

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

alma vazia que carrego,
vazia da luz que perdi,
vazio este mar sem reflexo
mar vazio, incompleto,
vazio, eu, sem ti.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Centelhas, apenas

É a minha alma imortal que escreve e denuncia a pobreza e fragilidade do que sou. É a minha imoral presença que me faz contrariar os impulsos com a sensibilidade, com a saudade, com a esperança, com a meiguice, com o amor.

Fecharmos as portas do que somos é desiludir quem confia, quem vive em cada letra do que escrevemos, quem nunca haveria de querer despedidas e finais com a sua ida. Promessas essas que fiz, promessas que quero honrar. Promessas de retorno, de regresso, de partilha. Promessas que não nos deixam sós, nunca. Por mais rios de lágrimas salgadas que corram no meu rosto, por mais cegados por elas que estejam os meus olhos e pensamentos, restam ainda as promessas que nos erguem sobre nós.

E as durezas, os calos nas mãos e no espírito, as cicatrizes que não fecham, serão de nós a marca da vida que nos cabe viver. São a minha fraqueza e também a minha fortaleza. A fortaleza de todos nós, que podemos ainda cumprir as razões que nos fazem estar onde estamos, ser quem somos. Centelhas divinas que umas vezes brilham e outras se deixam apagar. Imortais, eternizadas pela diferença que marcamos nas vidas dos outros, pela diferença com que, também eles, marcam as nossas próprias vidas.

este texto, sim, a ti... Marta

sábado, janeiro 07, 2006

«havia de ter sido o mais embaraçoso, o mais engraçado, o mais ridículo, o mais infantil, o mais natural...»

...e foi.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

há coisas que corroem mais que o desgosto.
sinto-me um pouco corroído. se falasse em inglês diria... I'm trying to keep myself together in one piece, so I won't fall apart once more.

...e se cada ponta do meu olhar se convertesse em palavras...
...e se os sons encravados na garganta se articulassem ao dizê-los...

e que importa, afinal?
que importa que não diga?
que salte por cima do que pense, do que sinta,
não vás tu por telepatia... empatia... sei lá que mais... ouvi-lo mais alto que eu o deseje?... e, no entanto, havia de ter sido o mais embaraçoso, o mais engraçado, o mais ridículo, o mais infantil, o mais natural... acho que me fico mesmo por "o mais". porque "o mais" é, afinal, o que melhor sabes de mim e eu de ti.

este não é um texto de lamentos, nem de embaraços.
é só uma pincelada de melancolia castanha, de afastamento cinzento, de recordação amarela e laranja, de paz branca, de saudade vermelha, de sentimento violeta, de beleza rosa, de vulnerabilidade azul-bebé...

hoje, nem cores nas letras, nem músicas, nem fotografias.
são várias as que fui deixando e sei porque parecem belas... parecem-no porque se encadeiam numa história; mais que isso... parecem-no porque elas são autores, narradores e personagens desta história e, nas linhas que escreveram, diziam para quem eram... diziam que eram para quem havia de as achar belas. e se as achas belas...

ao fundo desta página está um pôr-do-sol.
e é esse o meu desejo... que um dia o vamos espreitar. nada a mais, nem nada a menos. e até sou capaz de acreditar que seja possível. porque ele é, seguramente, a melhor parte de mim... a única que há-de valer a pena guardar.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

encontrei ao mar profundo,
azul cobalto,
ouro puro,
oceano meu,
este sol entardecido:
- Toma. É teu. - digo-te;
voz de quem dá
tudo aquilo que não tem,
mas, se o guardasse,
menor seria, ainda, o sentido
que tomar para mim
o que é de todos
e oferecê-lo, exclusivamente,
a alguém


quarta-feira, janeiro 04, 2006

olhos da alma

Ao sul de cada um há uma estrela à espera que a olhemos com os nossos verdadeiros olhos para que comece a brilhar.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Sentidos


Todos desempenhamos um qualquer personagem na vida. Ou vivemos a vida daquele sujeito que gostávamos de ser, ou a vida do vizinho do lado, ou, ainda, interpretamos o nosso próprio personagem, da maneira mais próxima da imagem que temos de nós mesmos.

Mas, mais das vezes, parece que fazemos uma amálgama de todos os personagens da nossa história, tirando de cada um aquilo que melhor se ajuste às nossas próprias necessidades e as preencha, tentando moldar uma personalidade em função dos objectivos que queremos alcançar na vida, adoptando-a como nossa.

Fazêmo-lo, umas vezes, como reacção à sociedade, ao meio onde nos encontramos, procurando encontrar nela uma certa elasticidade que permita adequarmo-nos às exigências exteriores e à agressividade que lhes é inerente.

Passou por mim, há poucas horas, um ensinamento índio onde se dizia que, dentro de cada um, existem dois cães - um manso e um agressivo - que se mantêm numa luta constante. E quando se pergunta qual dos dois sairá vencedor, a resposta é que será aquele a que dermos comida.

A simplicidade aparente deste pensamento contrasta com a profundidade a que vai descerrar algumas sombras do nosso espírito. Há uma responsabilidade exclusivamente nossa de nutrirmos em nós mesmos o melhor, ou o pior, ou o nada. É uma escolha própria e indelegável, onde a motivação não pode vir de fora, sob pena de se extinguir facilmente.

Agora que penso bem, todo o meu dia esteve repleto de pequenas indicações que me conduziram até ao sentido deste texto. Há pouco, deparei-me, igualmente, com uma crónica, de Maria Costa Félix, sobre o sentido da vida, onde podia ler-se:

«Enquanto esperarmos por alguma ajuda exterior, limitamo-nos a ir vivendo. Sem encarar o facto de estarmos vivos como um, por cujo pleno aproveitamento somos responsáveis.».

A tónica desse artigo assentava nos conflitos entre «aquilo que somos e o que fazemos». Seremos, possivelmente, muito mais que aquilo que fazemos, e o nosso valor irá mais além das nossas próprias acções, ou estados de não-acção. E o medo, aí, teria como função indicar um caminho a seguir, porque motiva uma reflexão sobre cada um e nos leva a uma «relação de autenticidade connosco próprios, que nos faz sentir "validados"».

É este o impulso que todos procuramos, intimamente, dentro de nós, porque,

«em geral, o que mais nos incomoda é aquilo que, naquele momento, mais nos pode ajudar a descobrir o que é que nos dá sentido à vida.».

domingo, janeiro 01, 2006

Réveillon 2006 - Santarém

O que sabe bem com o frio...

Biscoitos de Canela

Ingredientes:
200 g de açúcar amarelo
150 g de margarina
1 colher de sopa de canela
2 ovos
400 g de farinha
sal e cravinho

Preparação: Bata o açúcar com a margarina derretida, até obter um creme.Junte a canela, uma pitada de sal e um pouco de cravinho. Adicione os ovos e bata muito bem. Junte a farinha peneirada e misture até obter uma massa bem ligada. Coloque colheres desta massa num tabuleiro polvilhado de farinha, leve ao forno a cozer em lume moderado (220ºC) durante 20 minutos.

:)

sábado, dezembro 31, 2005

FELIZ 2006 !!!



Diário à margem de um sonho



Esta noite sonhei contigo. Tinha havido uma grande festa, mas agora estavamos sozinhos, sentados no chão da sala, em frente à lareira e o calor que vinha dela era aconchegante. Tu um pouco mais à frente, eu ao lado esquerdo, ligeiramente mais atrás. Abracei-te pela cintura, pousei o queixo sobre o teu ombro e ficámos assim, a olhar para o lume que crepitava. Nunca consegui ver-te o rosto, mas sabia que eras tu. Lá fora fazia frio, sei que nevava, embora também não me lembre de ver a neve.
A minha linda foz no seu melhor...

quarta-feira, dezembro 28, 2005


Realmente... isto de se gostar muito de uma coisa é uma tristeza! Ontem alguém me falou em Mousse de Chocolate e hoje todo o santo dia pensei nela! lolol

...e na mousse também.

A never-ending bedtime story shushes the heart down. And quietly it remains, too afraid to pump so loud it may be heard outside his chest. One single beat at one single time, and shush. Another beat once in a while must be enough so life keeps flowing on and on. The gentle frailty of a simple mind, the soft touch of a finger over the back of his hand shakes away its strength, revealing its weakness, its unknown fears and froze him to a second-split eternal death.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Ai, as azevias...

sábado, dezembro 24, 2005

E VIVA O NATAL

Este ano o Natal deixou-me preguiçoso... não é bem preguiçoso, é mais "pachorrento", como um são bernardo da serra! lool E este ano ele chegou mais cedo, espero que não parta mais cedo, também.

Sabe bem estar aqui por casa... um aquecedor aos pés, outro pelas costas, uma vela acesa, as luzes apagadas e música a tocar. Uma conversa descomprometida pelo messenger, onde só dizemos disparates, e onde só devemos dizer disparates para a conversa fazer sentido e nos entreter alegremente o espírito. eheh

Estas conversas de ocasião, do princípio ao fim, com pessoas que são de todas as ocasiões, fazem de facto todo o sentido, mais que não seja para nos rirmos com os projectos para a caravana das farturas em que vamos percorrer as feiras e romarias do país, apregoando a bela da "mine e o pires do tramoço", enquanto ao lado vendem as rifas para as "cármeces", onde saem penicos, carrinhos de linhas e ventosas.

O Natal é mesmo uma bênção para os diletantes... ficam com a melhor desculpa para não fazer nada! LOL


FELIZ NATAL

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Encontrei-me junto ao mar
e nas ondas espraiadas
naveguei cada sonho
e deixei-me embalar.

O único planeta que os portugueses descobriram. . .



by missinggirl

quarta-feira, dezembro 21, 2005

sábado, dezembro 17, 2005

What are you made of?

Sou feito de música, de ar, de cor, de dor, de sacrifício, de derrotas,
de vitórias, de luz, de sombras, de perfume,
de calor, de frio, de beleza, de tristeza, de esperança, de vida,
de ilusão, de alegria, de dúvidas, de certezas, de forças, de fraquezas,
de solidão, de amizade, de desgosto, de firmeza, de orgulhos,
de vaidades, de preconceitos, de perdão, de compreensão, de aceitação,
de negação, de ideias, de ideais, de moral, de prazer, de sentidos,
de ridículo, de perguiça, de amor, de fidelidade, de pessoas,
de inveja, de tormento, de paz, de exaltação, de serenidade, de saúde, de doença,
de perdas, de ganhos, de livros, de estórias, de histórias, de silêncio,
de ruído, de afectos, de toques, de erros, de família, de festa,
de desconhecido, de memória, de amnésia, de rudez,
de estupidez, de delicadeza, de sensatez, de ódio, de rancor, de paixão,
de reestablecimento, de recaída, de tudo, de nada,
de sim, de não, de talvez, de esforço, de suor, de relaxamento,
de angústia, de impotência, de espera, de realização,
de acção, de espírito, de sangue, de sorte, de azar,
de meio-termo, de exagero, de sorrisos, de lágrimas, de abraços.
Sou feito daquilo que te faz.


sexta-feira, dezembro 16, 2005

Poemas

Poemas são letras desapegadas de preconceitos
que se juntam umas às outras numa hora ideal.
Poemas são gestos sem que a ética dite a estética,
sem que a razão os conforme a trejeitos.
Poemas são o caos arrumado em sons perfeitos,
a palavra dita, a rima falhada, o ponto final.

Poemas são gente, como nós que chora e ri,
são sonhos rabiscados às margens de um caderno.
Poemas são a vitória conquistada, a batalha travada
às ameias do coração que bate em ti.
Poemas são restos das estórias que ouvi,
os planos últimos de um rumo incerto.

Poemas são o estar lá antes da partida,
são uma caneta, um lápis ali à mão
Poemas são a verdade sem “mas” nem “porquês”
são a própria chegada sem ida.
Poemas são as nossas lágrimas em vão,

as promessas de um regresso na despedida.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Carvão

A olhar para o infinito e mais além... quiçá, talvez para Voorchoten...

sabem cm é q eles diziam...

«tudo isto existe... tudo isto é triste... tudo isto é fado»

LOL :D


TU SABES MISS... A. VON STOORS

AHAHAHAH

quarta-feira, dezembro 14, 2005






três pedaços

de história

e uma rosa

(Um daqueles mails em cadeia) Sabias que...

Sabias que quando invejas alguém, é porque na verdade gostas dessa pessoa?

Sabias que aqueles que parecem ter um coração muito forte, são na verdade fracos e mais susceptiveis?

Sabias que aqueles que passam o seu tempo protegendo os outros são aqueles que na verdade precisam que alguém os proteja a eles?

Sabias que as três coisas mais difíceis de dizer são: amo-te, desculpa e ajuda-me?

As pessoas que dizem isso realmente sentem necessidade disso ou sentem-no, e são aqueles que realmente precisas de valorizar, porque o disseram.

Sabias que aquelas pessoas que se ocupam servindo de companhia para alguém ou ajudando os outros, são aqueles que realmente precisam de companhia e ajuda?

Sabias que aqueles que se vestem de vermelho são os que têm mais confiança em si próprios?

Sabias que aqueles que se vestem de amarelo são aqueles que apreciam a sua própria beleza?

Sabias que aqueles que se vestem de preto, são aqueles que querem passar desapercebidos e precisam da tua ajuda e compreensão?

Sabias que quando ajudas alguém, que a ajuda retorna a ti a duplicar?

Sabias que aqueles que necessitam mais da tua ajuda são aqueles que menos o mencionam?

Sabias que é mais fácil dizeres o que sentes escrevendo do que dizê-lo cara a cara? Mas sabias que tem mais valor quando o dizes na cara?

Sabias que o mais difícil para ti fazeres ou dizeres é mais valioso de que algo que vale muito dinheiro?

Sabias que se pedires algo com muita fé, os teus desejos estão garantidos?

Sabias que podes tornar os teus sonhos realidade, tal como apaixonares-te, tornares-te rico, saudável, se o pedires com fé, e se realmente souberes, ficarás surpreso com aquilo que consegues fazer?

Mas não acredites em tudo que te digo, até que o tentes por ti mesmo, se souberes de alguém que precisa de algo que mencionei, e souberes que podes ajudar, verás que serás recompensado a duplicar.

Sabias que poderás sempre contar comigo??? ... No momento, tempo e lugar que precisares, eu estarei lá para ti!!!!!

"Um dia, nós mudaremos o mundo... ou já o estamos a fazer"
Se o mundo acabasse daqui a 24horas, todas as linhas telefónicas, chat rooms e e-mails estariam
saturados de pessoas enviando mensagens aos outros, dizendo "Arrependo-me de te
ter magoado", "Perdoa-me", "Amo-te", "Tenho-te em grande estima", "Toma conta de ti" e também, "Eu sempre te amei, mas nunca to disse".

Hoje, a bola da AMIZADE está no teu campo, manda isto para aqueles que são realmente teus amigos ( incluindo a mim, se sou um deles). Não te sintas mal, se ninguém te reenviar isto, saberás que terás de guardar a bola para as pessoas que mais a querem..
Promessa

«Na clara paisagem essencial e pobre
Viverei segundo a lei da liberdade
Segundo a lei da exacta eternidade.»


Sophia

And the night goes by, and the work remains

São tantas as coisas de que gosto e tão poucas as que me satisfazem. Quanto mais trabalho, quanto mais embrenhado vou entrando nesse labor, menos penso, menos sinto, porque menos espaço me deixo para sentir. E o que preencho com aquela actividade deixa-me tão vazio como se, por dentro, o meu peito fosse feito de ar, preso entre paredes de chumbo.

Há momentos em que as coisas deixam de fazer muito sentido. Quando estamos cansados, quando queremos estar num outro lugar qualquer, sozinhos ou acompanhados. Quando queremos estar a fazer outra coisa qualquer, noutro lugar qualquer, sozinhos ou acompanhados. Mas nos mantemos onde estamos, com quem estamos. Regra geral sozinhos, porque estes pensamentos nunca surgem quando estamos embebedados pela promessa efémora da companhia dos outros, que acabam por ir a algum lado, como também nós vamos para o nosso lado e os desacompanhamos.

Quando se pensa onde estamos e como estamos, nunca haveremos de estar satisfeitos. Enquanto o vazio preencher o maior espaço que temos, havemos de sentir sempre que somos de outro lugar. O trabalho é como as companhias dos amigos, da família. Sabemos que estão lá sempre para nós. A diferença é que nunca estão exactamente aqui, no sítio onde precisamos mesmo deles. E a sua presença... a sua presença, por mais reconfortante que seja, não nos toca a alma, ou seja, não nos toca a sério.


segunda-feira, dezembro 12, 2005

Avocações

Enquanto saltitava pela internet, de site para site, encontrei por acaso uma fotografia que me era familiar. Uma fotografia que tirei há algum tempo atrás, na qual não apareço. E lembrei-me de algo que costumava saber, mas que o passar dos dias substituiu a esse conhecimento.

Há pessoas que devem ficar à frente das câmaras. É esse o seu principal papel, é essa a sua matéria-prima, a essência daquilo que são. Seguir à frente, desbravar os trilhos, mostrar o caminho a seguir. A elas desce a clarividência do rumo a tomar, ou delas se espalha aos olhos dos outros, mesmo que se sintam internamente inseguras, ou mesmo, perdidas.

Há outras pessoas que devem ficar do lado de trás das câmaras. Não porque sejam inferiores, ou porque tenham medo de dar a cara por alguma coisa. Mas porque aquele é, na verdade, o seu papel naquele pedaço de história. Aquele é o seu melhor contributo. E quem estiver por fora nunca suspeitará sequer da existência dessa pessoa escondida, que mora na face oculta da lua. E a única prova de que lá se encontra é o seu reflexo, absorvido, multiplicado e transfigurado na imagem captada. E isto aparece como o melhor gesto de agradecimento que podia ser dado a quem está desse outro lado do espelho.

Porque, no final, também sou eu quem lá se encontra, na frente da objectiva, ainda que não apareça, ainda que mais ninguém o saiba. Porque, afinal, há pequenos detalhes que apenas eu posso notar, pequenas histórias que são ali contadas, pequenas razões e consequências. Porque mais ninguém pode saber o momento, evocar as sensações, ou conhecer o lugar. Mas eu sei. Mas eu posso evocá-lo. E isso há-de sempre permanecer, indelevelmente, naquela imagem.

sábado, dezembro 10, 2005

Desejo um lugar sentado,
À beira-mar,
No alto da falésia escarpada,
De onde possa,
Em vista desafogada,
Apenas, contemplar...
A linha imaginária
Que vos separa:
Teus reinos de água,
Meus reinos de ar.

Desejo um lugar alto,
Acima da praia deserta,
Em que o cheiro dos oceanos,
Trazido de parte incerta,
Num ar nocturno rarefeito,
Adorne os sonhos da alma inquieta,
Sossegando esse sobressalto.

Sobressalto de quem vai mais além,
De quem voa mais alto,
Que os próprios sonhos
Em que adormeça.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Felicidade

Enquanto a felicidade almejares
Pronto para ser feliz não estarás,
Mesmo se teu fosse tudo o que satisfaz.

Enquanto o que está perdido lastimares,
Traçares objectivos e não tiveres descanso,
Jamais saberás o que é afinal o remanso.

Só quando a cada desejo renunciares,
Prescindires de qualquer meta ou ambição,
de conhecer a felicidade como a palma da mão,

Só então a tua alma poderá descansar,
Quando no teu íntimo o turbilhão cessar.

«Ainda da Felicidade», Hermann Hesse

segunda-feira, dezembro 05, 2005




Os novos começos fazem bem à alma e devolvem-nos à liberdade.
 
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