Hoje acordei com aquela sensação de que nos estamos a esquecer de alguma coisa e por mais voltas que dê-mos à cabeça, já farta de pensar e ainda nem o dia vai na sua primeira hora, não consigo descobrir o que me falta. Stones taught me to fly... oiço, nesta música que toca repetidamente, como se me tentasse fazer lembrar.
Há coisas que se apagam da memória. Mas,apenas nos seus contornos visíveis, aqueles que lhes davam uma forma e que mais facilmente poderiamos convocar ao centro das nossas memórias. Resta, porém, um sentir, um conteúdo, uma alma sem forma - ideias sem possibilidade de expressão, sem possbilidade de contemplação.
Por vezes, paro, simplesmente. Olho para os dedos das mãos, para o pulso e vejo salientes as veias, os tendões. Enquanto as olho, não vejo o que são, nem penso nelas, só admiro a forma e o aspecto que têm sob a pele.
Dava cem vezes a minha vida para saber a razão que nos faz parar de pensar, de sentir, de viver. E quando não nos sentimos vivos, até essa própria vida vale pouco, como se os anos que passam sobre nós não tivessem importância e os dias fossem só uma sequência de acontecimentos que presenciamos, sem nos envolvermos nas suas rotinas e problemas, que são as rotinas e problemas de todas as outras pessoas - mortas, elas também, sem saberem que o estão.

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