sexta-feira, abril 23, 2010

Crio e recrio, pois não sei ser sem o fazer. Porque da minha criação nasce nova ideia, inspiração, num processo interminável onde o tempo não tem poder. O mundo que habito é meu e único, criado e recriado vezes e vezes sem fim, como sem fim vivo eternamente sem apego ou gratidão pela vida que me é dada no silencioso fulgor da emoção.
Ao prelúdio insofismável da manhã, luz e cor, azul e prata, vida e ar, são telas brancas aguardando a tinta da tua e minha criação. E o horizonte declinante, abaixo, muito abaixo das ondas revoltas e brandas do mar, acorda-te no sonho que traz a alma, para sempre suspensa por fios etéreos e ondulantes, feitos de pó das estrelas e luar

segunda-feira, abril 19, 2010

Tempo e Direcção

Entre os aromas de laranjeira no quintal, recordações de infância e juventude comparam aos ouvidos de quase-adulto como uma interrogação incessante do que motiva e conduz cada passo por entre canteiros e desabafos de olhos aflitos.

Como responder sem desprezar? Como ensinar sem subjogar? Quanto mais tolera o homem-velho a condescendência do homem-novo a seu lado, olhando a esperança como uma promessa e o futuro como uma esperança?

Perdido fica o homem que segue sempre sem saber que se deixou para trás. O corredor ultrapassado pela própria sombra, perdido para o reflexo de si sem saber que por mais rápido que corra chega sempre em segundo lugar. Onde falte a direcção, precipita-se o não-devir pela lei da velocidade.

Ir contra o sol oculta o caminho, mas a sombra do que se é fica sempre para trás.


 
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