segunda-feira, maio 27, 2013

Quotation mood

«Being deeply loved by someone gives you strength, while loving someone deeply gives you courage.»
Lao Tzu



«We're born alone, we live alone, we die alone. Only through our love and friendship can we create the illusion for the moment that we're not alone.» Orson Welles «A man reserves his true and deepest love not for the species of woman in whose company he finds himself electrified and enkindled, but for that one in whose company he may feel tenderly drowsy.» George Jean Nathan

domingo, maio 26, 2013

"Desculpa onde te meti" (?!)

Como pedir que façam cessar um sofrimento que nem sabem causar?

De repente sou deixado só, porque há caminhos que não posso partilhar.

Há momentos que nunca se poderão repetir e esperanças de vivência que definham e secam.

Porque na inocência temos liberdade para acreditar na melhor versão, no mais alto valor.

No conhecimento não temos desculpa nem justificação: ou recusamos participar ou pactuamos cumplicemente.

Não há meio-termo.

E, sem palavras, é-nos atirada uma responsabilidade que somos forçados a aceitar ou, em contrapartida, rejeitamos toda uma pessoa.

Ouvir sem intervir? Testemunhar no silêncio? Partir?

Que raio de espécie de amigos é esta que atira outro para o inferno da consciência, por escolhas que não são suas?

E ninguém parece incomodado com isso, como se tudo fosse normal e a equação ainda se mantivesse bilateral.

Mas agora é quadrada. E isso importa a alguém senão ao ignorante atirado para o meio?


Recalling

«Every great mistake has a halfway moment, a split second when it can be recalled and perhaps remedied.»

Sophia

Esgotei o meu mal, agora
Queria tudo esquecer, tudo abandonar,
Caminhar pela noite fora
Num barco em pleno mar.

Mergulhar as mãos nas ondas escuras
Até que elas fossem essas mãos
Solitárias e puras
Que eu sonhei ter.

Sophia

sábado, maio 18, 2013

Sentei-me um pouco para pensar. De quando em vez uma caminhada permite arejar as ideias, deixar repousar o velho e concentrar no novo.
Por entre bêbados e drogados amontoados à beira das ruas, passeando como quem saboreia uma prisão de onde não podem fugir, eu e eles, acometo-me a escutar e observar.
Casais que se beijam nos recantos mais escuros, colegas de faculdade, hoje juízes e juízas que frequentam, afinal, com a mesma sofreguidão, os lugares da maior juventude.
Também ouço o casal ao lado, entre silêncio mudo e planos de viagem e escapadelas (muitas delas incumpridas). A mulher toca-lhe o braço, estende a outra mão sobre a mesa, agora afaga-lhe os pêlos junto ao punho.
Claramente quer conquistá-lo... ou reconquistar a cumplicidade que outrora partilhavam.
Ele não se move. Não reage ao toque, nem tão pouco àquela carícia prolongada sobre o antebraço.
Ela sente saudades. Ele também, mas não creio que seja dela.
Quando alguém pede "olha para mim", não está verdadeiramente a pedir, mas a suplicar.
Olhar para ela devia ser involuntário, livre, desejado e, acima de tudo, incontrolável.
Ele só quer cumprir o papel e sair. Muito jovem de aspecto, comparando com o do seu par.
Ela está pronta para avançar, pronta para mais. Para dar-lhe tudo, um filho, um futuro, uma continuação. Não é isso o mais importante? Semear-se para o futuro?
Mas ele é e sente-se jovem, preocupado com o devir. Quer acertar. Desta vez quer fazer tudo certo e não errar. Mas está cansado, do dia de trabalho, da conversa que acabou de presenciar e não recorda mais.
Hoje é sexta-feira e ele quer apenas chegar a casa, cumprir e dormir.

segunda-feira, maio 13, 2013

Hoje

Hoje deixei-me voltar a desanimar.

Atirei-me para o lado mais negro da alma, em que o desespero aguarda todas as ocasiões para dar estocadas ferozes em todos ao nosso redor e, especialmente, em nós mesmo.

Do suicídio certo à dúvida, pensamentos antes tão distantes regressam de novo ao dia-a-dia.

E a vontade permanece... de desaparecer para sempre. Mas a violência do acto, para com todos à minha volta, acaba sempre por prender-me o gesto.

Quem comigo fala não entende. Não se apercebe do negrume imenso em que me deixo arrastar. Pensam que está a ter um dia de cansaço, ou desânimo. Mas não...

Estes meus dias são sempre sempre a regra, e todos os outros são fruto de um esforço sobrehumano que ninguém consegue sempre suportar, a todas as horas, a todos os dias.

Perco o sentido das amizades e do respeito. Perco o valor das pessoas e da sua sinceridade. Torno-me egoísta e solitário.

Mais solitário.

A solidão é uma constante. Essa não é invenção.

Só. Sempre só. Para sempre só, mesmo que rodeado de conhecidos e queridos. ´É uma solidão absoluta, escudada atrás de uma face nobre e altiva, mas que aos pouco deixo cair.

Hoje abro a mente nestas palavras para as duas únicas pessoas em quem confio. Não para que se preocupem, mas para que saibam e tomem as suas escolhas. Ficar ou seguir. Ajudar ou partir. Ignorar ou desvalorizar.

Essa escolha não é minha. A minha depressão e angústia são os vossos testes individuais sobre a Fé e sentido mais profundo de amar alguém - como eu vos amo.

segunda-feira, maio 06, 2013

sentido

hoje a noite inspira-me a escrever,
a deixar passar os dedos e
simplesmente pairar em sonho e pensamento

há dias assim, onde a realidade se deixa tão distante
do mundo inteiro, guardado no mais profundo recanto

meditação catártica, escrita irracional que me transporta 

entre nuvens passadas, presentes e anunciadas

e ao fundo, docemente, oiço-te dizer,
com uma voz que embala o próprio mar:

- deixa passar o momento, deixa-te sentir simplesmente

e acorda mais tarde... 

- sonha com o que é, o que foi e o que virá

- acorda lentamente, de olhos bem fechados
sem pressa para os abrir

- sente a paz em redor, o silêncio, a confusão
do pensamento, que atordoa e envolve a mente,
tão racional e descrente durante todo o teu dia

- acorda de mansinho e tenta segurar a ti a
sensação do despertar

- transporta-a para o dia, trazida dos teus sonhos noturnos
e deixa que te guie, sem preocupações ou terrores,
porque tu és inquebrável enquanto o desejares

Se tanto me dói que as coisas passem


Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem

                     Sophia de Mello Breyner Andresen
 
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