domingo, outubro 30, 2011

Lamparina

Lamparina, que danças
perdida uma chama de fogo
sangue e amor.

Iluminas esta vida vazia,
Pelo desespero entrecurtada
consumindo na tua luz um segredo

No teu regaço,
o calor de um beijo
No teu azeite,
uma só alma deixada.

Ao encontro do teu desejo,
A chama reluzente adorna
dois corpos inanimados

Lamparina antiga, deixada em oração,
Iluminaste quanto podias,
Mas nunca tão negro coração.


a epopeia dos sonhos leva-me longe, onde não há mestre ou estrela guia, numa perseguição infalível do que nunca posso agarrar

cerro os dentos e avanço, despedaço estilhaços e faço da terra chão circulante. das manhãs às noites, rios de gente que esperam, aguardam, reclamam e pedem um pouco de tom, um pouco de atenção, alarmantes as vozes que vagueiam entre choros e gargalhadas.

a minha atenção divide-se em mil pedaços, escoados entre vastos lagos de tempo e razão, amores perdidos e vontades conquistadas pela força do punho fechado.

não sou o monstro que me apareço, nem o anjo de asas desfraldadas.

há um pouco do que leva cada um, em mim, como em nós, um sopro de expectativa que ao longe, trazida por ecos, nos desperta em silêncio.

regressando hoje um dia a antes de ontem, as escolhas tomadas, incoerentes e certas, serão calhaus e pedras certeiras com a mira cega entre os olhos.

a manhã é assim mesmo, como a noite. o céu como a terra, a gente como a solidão. perpétuos ciclos elípticos, ilusórios como reais. e, de repente, não sei mais em que confiar.

no que vejo? no que sinto? no que ouço? no que espero? no que lembro? no que desconheço? no que sei e não mostro?
 
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