terça-feira, fevereiro 26, 2013

Se desta vida imperfeita eliminássemos tudo o que é inútil, a imperfeição deixaria ela própria de fazer sentido

Haruki Murakami

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

ó tempo que me deixas atrás
de grades e muralhas tão valentes.
tão de repente me vejo só
quanto de amor a transbordar

tempo que não te deixas ficar
nem um segundo, nem por um piscar
de olhos lacrimejando compaixão

tempo que libertas o mundo
da prisão do sentimento,
que amenizas a solidão

parte sempre, sempre, sempre,
porque ficando nunca se sente
de novo toda a gente
guardadas eternamente
neste pequeno coração



Quem acho na rua guardo, dentro de cada olhar, de cada gesto e palavra leio um pensamento, uma melodia interior, que ora toca em desafino ora em perfeita harmonia.

Resguardo entre as memórias os sentidos que me guiam, as linhas invisíveis que orientam as minhas mãos. Nos momentos raros e preciosos que reconheço, de tantos que deixo passar incólumes e intocados, encontro amigos surpreendentes, reencontro sensações.

Temperos de alma, inundações de vida que preenchem o peito e exigem ao coração que salte e se faça anunciar. Rebenta todas as amarras rochosas em que descansa, reergue-se em vermelho sangue, respira energia, contrapõe verdades, vence-se cansado e feliz.

Duas caras, dois pratos, duas vidas, duas distâncias, dois percursos, dois destinos, dois caminhos iniciados, dois tempos interrompidos e duas pessoas tão próximas, também duas tão distantes.

Há sopro de novidade, como o vento que percorre as margens do rio na madrugada. Uma mistura de novo, névoa, sonho e medo. E o perigo de abrir demais as ameias do peito a invasões estrangeiras. Estranhas, acutilantes, pulsantes de vida e juventude.

Quem nos acha perdidos, conduz-nos. Quem nos perde, encontra-nos mais tarde. Porque tudo o que somos flui incessantemente até ao céu e volta a nós em bênção ou maldição. Porque o sangue que nos percorre carrega história e muita gente, valor de tantas paixões físicas e mentais.

A harmonia de mentes clama sempre e não se deixa rebater. É hercúleo o esforço para conter o mar, sustentar ao alto a fantasia e a realidade alinhadas em perfeito equilíbrio. Perder um pouco é, por vezes, ganhar a vida que se escapava sem que dela nos déssemos conta.

Nos dias anteriores caminhei em curvas apertadas e estradas íngremes. Nos dias de hoje procuro linhas retas, caminhos trucidados de detritos que vou afastando. Atrás de cada pedra uma surpresa, um amigo ou um precipício escondidos.

Pela fé que me mova espero uma nova vida, de harmonia e paz. Mas os génios malignos atormentam-me, a alma enegrece sem razão e perco amor por ingratidão e devassa violência.




 
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