terça-feira, novembro 29, 2005

We do not fear to have nothing to give when someone needs it, but to have it by the time we are asked for.

By the lake

Encontrei, uma vez, à beira de um lago um seixo cinzento. Era ligeiramente oval e plano e macio ao toque. O seu deslizar pelas mãos era um toque de lábios beijando de mansinho a pele, suavizando os calos, naqueles pequenos montes na raiz dos dedos.
Quando o vi parecia-me só mais um, entre tantos outros que dormiam ali perto. Descobri aos poucos, que não tinha a brancura de uns, nem o musgo de outros. Não era muito bicudo, ou demasiado redondo. Uns estavam molhados e escorregadios, outros tão ressequidos que se esfarelavam com uma simples passagem do olhar.
Ele esteve ali tanto tempo. Tanto tempo que nem suspeitei que me chamava, para que o levasse na palma daquela mão, pendida ao lado da anca. Aos poucos, debrucei-me sobre aquela pedrinha, moldada por aluviões e secas. Por rios e lamas. Há quanto tempo ali estaria? Quanto tempo e trabalho lhe tinham dado as ninfas e os zéfiros, para que estivesse ali, assim, diante os meus pés, tão fácil de calcar e passar por cima.
Aquela pedra, oval e macia, carente do toque da minha mão, mais não queria que passar despercebida, enquanto as eras lhe passavam acima do rosto. Inócua ao tempo, que parecia corroer as árvores e as águas em seu redor, e não a preocupava. Queria apenas ser uma pedra, pequena e viva, por dentro, e bastava-lhe saber que podia ancorar um barco, ou afundá-lo. Deixar que o amarrassem a si, ou atirar-se do seu mastro de veleiro com pavilhão índigo arrombando-lhe o casco.
E no entanto ali estava, apenas, sentada, junto ao lago, a olhar as águas paradas, a sonhar os dias em que se desprendeu da alta montanha e rolou, rolou e rolou, até se cansar de rolar. Cheia de sede, abeirou-se de uma levada da neve que descongelava no cume, e caiu. E deixou-se levar. E a levada foi um regato, e o regato um ribeiro que cresceu em rio. Precipitada entre o fundo e os leitos, parou ali, à tona, na margem entre a terra, o céu e a água, onde eu a encontrei.
Olhei-a de todos os lados. Pensei as suas propriedades geológicas. Não sedimentar, nem basáltica. Nem porosa. Era apenas macia e lisa, oval e cinzenta. E falava. Disso lembro-me perfeitamente. Falava, mas sem sons. Trauteava uma música que me era familiar, como se já a tivesse encontrado antes, e me tivesse cantado aquela mesma canção.
A letra não eram palavras, eram imagens e estórias que viveram muitos anos depois de si. As imagens eram contos, de estórias passadas há muitos anos atrás, um dia em que, ainda criança, visitei pela primeira vez aquele lago sem suspeitar que brincavas, escondida, nas suas margens. À espera. Simplesmente, à espera.

domingo, novembro 27, 2005

Quebrando promessas

A única que amo,
A única que amei,
A única que me ergueu e destruiu,
A única que olhou,
A única em que pensei,
A única que sentiu,
A única que a vida escolheu,
A única que sem chegar partiu,
A única que não abracei,
A única morte que vivi,
Essa de te perder sem te ter
E encontrar-te ainda em mim.
One ship sails East,
And another West,
By the self-same winds that blow,
Tis the set of the sails
And not the gales,
That tells the way we go.

Like the winds of the sea
Are the waves of time,
As we journey along through life,
Tis the set of the soul,
That determines the goal,
And not the calm or the strife.
Ella Wheeler Wilcox

Non

Os meus sonhos? Um olá e um adeus.

Uno

Agora estava a tentar escrever algo sobre a humanidade, sobre a inspiração que a humanidade necessita para que se possa realizar, mas resolvi apagar a breve linha que tinha escrito. Quando um texto não começa a sair escorreito na primeira sucessão de ideias é preferível parar e voltar ao início, ou parar, mesmo, simplesmente.
Certas vezes, nasce uma vontade súbita de expor em letras alguma ideia que nos preenche. No meu caso não sinto tanto o nascimento de um pensamento, mas, antes, encontro-me irrequieto por dentro, como se o meu corpo não conseguisse digerir uma refeição mais pesada, que durante horas, dias e semanas, circula no organismo. Nem sempre sei muito bem o que dizer, como agora, só me apetece escrever sem parar, letra após letra, após palavra, após frase. Enquanto o faço, vou alimentando o meu espírito de música, os meus olhos tornam-se pesados e o raciocínio lento. A passagem ao estado catatónico desperta-me, porém, a mente que desabrocha visualmente como uma flor de inverno. Passam em corrida a vastidão de imagens sobre os meus olhos semicerrados. Imagens de espaços e formas que reconheço, de pessoas que me acompanham e que não lembro de alguma vez ter conhecido. Sensações de estar ainda presente em locais onde já não me encontro, em que sinto os cheiros e, mais que isso, relembro as associações mentais de todo um ambiente físico e psicológico, preso ao momento em que o vivi.
Conhecem esta sensação que vos descrevo? É semelhante àquela de escutar uma música marcante. Uma música que nos transporta a um tempo que não é. Uma música que por si não significa muito, mas que está ligada a um momento psicológico que engloba um tempo, um espaço, uma causa-efeito, uma temperatura, uma reacção emocional. E em fracções de tempo revivemo-nos como a impressão que somos em nós mesmos.
É isso, creio. Somos num instante a impressão do que fomos, como se uma parte extradimensional de cada um se desdobrasse num infinito de si próprio perpetuáveis no tempo.
A quântica aceita, em parte, esta formulação da existência de uma pluralidade da universalidade, que se divide a cada passagem de tempo numa realidade efectiva.

Enquanto escrevia isto, iniciei uma conversa com um amigo meu que me dizia estar deprimido. Eu compreendo bem esse estado, e notei que a melhor forma de recuperarmos alguém dessa situação é mostrarmo-nos também assim. Foi algo que eu não soube fazer, em tempos, juntar-me onde quer que outro esteja, porque só assim acabamos com a diferença que nos faz sentir mal. Conseguir juntarmo-nos a alguém no sítio onde se encontra é fazermos com que deixe de estar só e a única forma de lhe demonstrar que não tem que continuar a esperar. Tentei explicar-lhe esta teoria, sob a minha própria perspectiva, e ele acabou por sentir-se melhor, achando que eu me encontro num estado mais preocupante que o seu.

Explico-lhe que nos somos unos, mas em cada fracção temporal divimo-nos no infinito das possibilidades existentes, gerando um novo universo real para cada um, o qual se torna também uno, e assim por diante. Ele questiona-me sobre as minhas bases para esboçar esta tentativa e quando pergunto se compreendeu alguma coisa, responde-me “mais ou menos”. O mais ou menos aparece-me como a medida do nada.
A realidade que vivemos é, não só aquela que resulta dos factos que ocorreram, mas também dos factos que não ocorreram, ou seja a inexistência desses factos cria-lhes uma universalidade própria que só pode derivar da existência do eu que não existe conjuntamente comigo, mas que existe em paralelo a mim e que, partilhando de parte daquilo que vivi e não vivi, tem a sua génese no afunilamento retroactivo da árvore genealógica da unidade absoluta. O que quero dizer? Talvez seja mais simples, quando o desmonte ao contrário.
Imagina uma árvore genealógica em que, a cada nascimento, surge um novo ramo que resulta de tudo aquilo que concorreu para lá se encontrar, e de tudo o que não concorreu, porque se tivesse concorrido não seria aquele ramo que ali se encontraria, mas outro com características diferentes, ou até com as mesmas, mas necessariamente outro.
Agora pensa que em cada unidade fraccional de tempo surge um novo rebento algures na arvore, pelo simples facto que pode surgir, por tudo o que concorreu para que pudesse surgir e para que não pudesse. Imagina que tu és 300º rebento. Imagina que além de teres surgido tu, surgiram simultaneamente uma infinidade de outros rebentos número 300, pelo simples facto de também poderem surgir, assim como contigo aconteceu. E agora imagina que num novo salto do tempo tu das origem a uma outra infinidade de rebentos 301º. Todos resultam de um mesmo tronco comum, e todos são expressão de uma existência em função da simples possibilidade de existir, e não da probabilidade da existência potencial. No mundo científico há uma corrente mais “liberal”, que costuma dizer que «se é possível, alguém o há-de vir a fazer, se não o tiver já feito.».

Onde quero chegar? Ao ponto de onde parti. A realidade que vivemos é não só aquela que resulta dos factos que ocorreram, mas também a que resulta dos factos que não ocorreram, ou seja a inexistência desses factos cria-lhes uma universalidade própria que só pode derivar da existência do eu que não existe conjuntamente comigo, mas que existe paralelamente comigo.
Nos somos unos, mas em cada fracção temporal divimo-nos no infinito das possibilidades existentes, gerando um novo universo real para cada um, o qual se torna também uno.

sexta-feira, novembro 25, 2005

Quando a tua própria vida te quer lixar, faz um favor a ti mesmo e lixa-a antes!

quinta-feira, novembro 24, 2005

Art. 133º, CP - Homicídio Privilegiado

Às vezes, à força de tanto o negarmos acabamos por matá-lo, só para que já não possamos negá-lo mais à luz da verdade daquilo que era.

Pena

Sentir pena é inevitável, quando a desorientação e a insegurança são por demais evidentes, tapadas por detrás da robustez.

Espelho

Aqui há uns meses, escrevi algo sobre os vícios que ganhamos, sobre a habituação a certas rotinas e pessoas, e como eles se mantêm, mesmo quando as suas causas já se desvaneceram no tempo que passou e passa.
Hoje já não tenho aquela necessidade de remexer o frigorífico, ou o sofá, à procura de alguém que costumava estar disponível. Hoje já sei que remexer o frigorífico, ou o sofá, são gestos inúteis. Hoje já sei que esta própria escrita é um gesto inútil. Não me interpretem mal, que não desejo que deixem de ler o que tenho vindo a partilhar convosco. Tenho uma noção precisa de quem visita este espaço. Ou são conhecidos, ou são desconhecidos. Os desconhecidos são bem vindos porque se interessam, um pouco, por alguém que nunca viram na vida, e mesmo assim lhes dão o seu tempo. Não me tomem por ingénuo, que também sei que se passam os olhos por estes textos, o fazem porque buscam aqui algo que identifiquem como vosso e consiga expressar em palavras aquilo que sentem, deixando, por momentos, à parte a solidão que é sermos donos únicos das nossas vidas, no seu sentido mais íntimo e intrincado da personalidade de cada um.
Os conhecidos, esses, eu sei quem são, quando lêem, quando ouvem, quantas vezes lêem e ouvem o que nos deixo. Digo "nos" porque o faço para mim. É um exercício de catarse, este de escrever. Muitas vezes, não exponho as coisas exactamente como gostava que fossem sentidas, simplesmente porque o medo mo impede de fazer, ou porque a forma como o fizer pode criar na mente dos que me são mais queridos uma imagem calculista.
É a mais pura verdade, que eu pondero cuidadosamente aquilo que publico tendo sempre em mente, não os desconhecidos, mas aqueles que sei quem são. E, como tudo aquilo que fazemos em conjunto com outros, para uma acção espera-se sempre um efeito. E, por vezes, ele tarda em chegar. Os efeitos que quero surtir? São aqueles que cada um lê nestas linhas. E cada um dos conhecidos o vai sentir como se eu falasse especialmente para si.
E falo. Falo sobre mim, sobre os outros; sobre as semanas em que me sinto bem, sobre as semanas que me sinto em baixo; falo sobre o que quero e não quero, sobre aquilo que não gosto e, sobretudo, sobre o que gosto. E quando gosto, gosto. E se gosto, gosto de falar sobre isso. Gosto de dizer que "sim", que "gosto" disto ou daquilo, daquela pessoa ou da outra. E não peçam para que vos dê razões para gostar, porque quando se gosta de alguma coisa não se gosta só de uma parte, é o conjunto que nos dá prazer observar, o bom e o mau, o bonito e o feio, o saudável e o prejudicial, o alegre e o triste, porque nada, nem ninguém, é só yin ou yang.
O que digo está tão certo e tão errado, conforme vocês assim o queiram, e o meu único papel é fazer-vos pensar, classificar e seleccionar a quota parte de verdade, a quota parte de mentira, a quota parte do que se refere a mim, a quota parte do que se refere a outra pessoa, a quota parte do que se refere a ti. A "quota parte" de tudo, é a quota parte da importância que damos às coisas, quer sejam nossas, de alguém, ou de ninguém.
A minha quota parte de responsabilidade é fazer-vos acreditar que conseguem saber aquilo que estou a dizer, quando nem eu sei o que digo. Ou talvez saiba, mas prefira acreditar que não sei.

Quote


«Quando a letra se prolonga, o espírito se perde.»

E.G.S.

terça-feira, novembro 22, 2005

Quotation Mood I

«Our lives begin to end the day we become silent about things that matter.»

M.L.K.

Quotation Mood II

«The most basic and powerful way to connect to another person is to listen. Just listen. Perhaps the most important thing we ever give each other is our attention…. A loving silence often has far more power to heal and to connect than the most well-intentioned words.»

Rachel Naomi Remen

Quote Mood

«Have you even been in love? Horrible, isn't it? It makes you so vulnerable. It opens your chest and it opens your heart and it means someone can get inside you and mess you up. You build up all these defences. You build up this whole armour, for years, so nothing can hurt you, then one stupid person, no different from any other stupid person, wanders into your stupid life...

You give them a piece of you. They don't ask for it. They do something dumb one day like kiss you, or smile at you, and then your life isn't your own anymore. Love takes hostages. It gets inside you. It eats you out and leaves you crying in the darkness, so a simple phrase like "maybe we should just be friends" or "how very perceptive" turns into a glass splinter working its way into your heart. It hurts. Not just in the imagination. Not just in the mind. It's a soul-hurt, a body-hurt, a real gets-inside-you-and-rips-you-apart pain. I hate love.»
Rose Walker

The second crossed

«Every great mistake has a halfway moment, a split second when it can be recalled and perhaps remedied.»

Pearl S. Buck

Vinda de Insbruck...

O que nós gostámos de Voorchoten.... e as obras magníficas que lá existem!!!!!

segunda-feira, novembro 21, 2005

"O frio é psicológico e a chuva não molha!!"


Acabadinho de regressar, não haverá, à partida, muito que contar sobre mais um país que, por pertencer à união europeia, se quer europeu. A Holanda, contudo, é um fenómeno raro em que, embora estejamos em solo europeu, parece que nos encontramos numa realidade autónoma, com regras e costumes extremamente diferentes daqueles a que estamos habituados nos restantes países da União.
Não sei muito bem como explicar, mas parece que o padrão de vida da Europa ocidental-central é desajustado ao estilo de vida holandês.


Comecemos por aquilo que salta à vista de imediato. Circulação rodoviária. Os carros são pouquíssimos, quando comparando com os que circulam nas principais cidades de cada país. A rede de transportes é extremamente coerente com as necessidades sociais e bem organizada, ainda que com um custo elevado. A bicicleta prolifera como se de uma praga se tratasse. Não há holandês que não tenha sua querida bicicleta pasteleira e que não a leve de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Hierarquicamente têm prioridade: as bicicletas sobre os tram (eléctricos), os tram sobre os carros, os carros sobre os peões. Se somos peões, o melhor a fazer é atravessar depressa antes que sejamos atropelados por um ciclista em sprint, ou calcinados por um tram. Nunca cedem passagem aos peões. Atravessar uma rua releva-se, por isso, uma tarefa complexa que envolve um elevado grau de risco, visto que as passadeiras são escassas, e uma qualquer estrada ou rua é composta na seguinte ordem: ciclovia, via para automóveis, carris de tram, via para automóveis, ciclovia. Isto implica, por isso, olhar para cada lado da rua uma média de 10 vezes, antes que se consiga atingir a outra margem.


Quanto aos horários, estes são bizarros e com certas nuanças dificilmente explicáveis. O comércio, serviços e todo o resto do conjunto de actividades citadinas (à excepção dos transportes) começam às 10 horas da manhã e terminam às 18 horas da tarde. Impreterivelmente. A partir das 18 horas as ruas (que já durante o dia têm pouquíssima gente) ficam completamente desertas. Duas excepções: Às 5ªs-Feiras, por algum motivo que não consegui apreender, mas que deve existir, as lojas fecham apenas às 21 horas; aos Domingos, os restaurantes (apenas) abrem às 13 horas.


Outra coisa um tanto bizarra é o sistema de recolha do lixo, que só é realizado 1 vez por semana, o que implica guardar em casa (devido à inexistência, prática, de contentores de rua) o lixo que se vai acumulando ao longo de uma semana.
Um ponto positivo... toda a gente fala inglês fluentemente. Desde o pessoal do aeroporto, ao simples varredor de ruas (que não me consta que existam por lá, a julgar pela quantidade de dejectos canídeos e pastilhas que atapetam o chão).


Arquitectura. Tradicionalmente, existem casas revestidas a tijolo tipo burro, uma espécie de tijoleira vermelha, com telhados inclinados. As janelas são amplas e ocupam uma grande área das paredes exteriores, não tendo estores, mas apenas cortinas. Quase todas as casas estão equipadas com bons sistemas de aquecimento, que contrastam com as temperaturas baixas que se fazem sentir nas ruas. O planeamento urbanístico é excelente e rege-se por um critério de funcionalidade, tentando eliminar ao máximo a permanência fora de casa. Por este motivos, as cidades holandesas são cidades desoladoras e sem vida, em que um planeamento tão rigoroso faz delas autênticas maquetas - cidades-modelo, mas que não se destinam preferencialmente ao encontro dos cidadão em sede de re publica. As cidades tornam-se meras fontes de rendimento para as pessoas, em vez de espaços de vida e convívio.


Os holandeses, como sociedade, são extremamente racistas, ainda que parte do consumo interno e consequente taxação seja realizado pelas extensas comunidades árabes e negras do país. Costumávamos dizer, a título de (alguma, mas não total) brincadeira que os holandeses são uma minoria que está em casa.
A língua... não é bem uma língua... como alguém que conheço costuma dizer.... «Dutch is not a language... it's a throat disease.»
As cidades são megalómanas. Na construção, na decoração e na instrumentalização. Um exemplo dito é Roterdão. Destruída com a II Guerra Mundial, as linhas de reconstrução fundaram-se num estilo vanguardista, característico das grandes metrópoles americanas. Edifícios altíssimos com um planeamento milimétrico de espaços e funções disponibilizadas aos transeuntes. Roterdão tem o maior porto náutico do mundo, com um tráfego anual de cerca de 40.000 mil navios, e cuja área será cerca de 10 vezes superior à da cidade terrestre de Roterdão (que é já a 2ª maior da Holanda, após Amsterdão).


A alimentação é pobre em diversidade. Alimentam-se diariamente de pé, nas ruas, às horas de almoço, e quase exclusivamente à base de fritos e pão. O pequeno-almoço comum de um holandês, parece-nos, a nós, adeptos da torradita e do iogurte, que se esbate num único alimento - batatas fritas. Assim como o almoço, o lanche e o jantar. E elas existem de todas as formas, tamanhos e feitios. Existem pequenas, média e grandes, compridas e curtas, em palitos, em espiral, em rodelas, em círculos, em bolas, etc etc etc.. Proliferam os McDonalds, os Burger King, e os KFC, sempre cheios de gente, e em quantidades de 3 e 4 restaurantes por rua.
O clima é húmido nas zonas baixas, onde chove de cerca de meia em meia hora, durante cerca de 10 minutos, uma espécie de chuva que não molha. As temperaturas são baixas, mas suportáveis. Por isso, acabámos por concluir que naquelas terras estranhas "O frio é psicológico, e a chuva não molha!". Foi a nossa máxima. O que eles não fariam se tivessem metade do nosso sol.
Não obstante tudo isto, têm das melhores colecções de arte (sobretudo pintura) da europa e alguns dos nomes mais sonantes da história das artes têm aquela nacionalidade e estão nos seus museus.


Ali ao lado, Bruxelas, e novamente entramos na europa a que estamos habituados.

domingo, novembro 20, 2005


"Don't try so hard and the good things will come when you least expect them."

sábado, novembro 12, 2005

Nightswimming




Nightswimming deserves a quiet night.
The photograph on the dashboard, taken years ago,
Turned around backwards so the windshield shows.
Every streetlight reveals the picture in reverse.
Still, it's so much clearer.
I forgot my shirt at the water's edge.
The moon is low tonight.

Nightswimming deserves a quiet night.
I'm not sure all these people understand.
It's not like years ago,
The fear of getting caught,
Of recklessness and water.
They cannot see me naked.
These things, they go away,
Replaced by everyday.

Nightswimming, remembering that night.
September's coming soon.
I'm pining for the moon.
And what if there were two
Side by side in orbit
Around the fairest sun?
That bright, tight forever drum
Could not describe nightswimming.

You, I thought I knew you.
You I cannot judge.
You, I thought you knew me,
this one laughing quietly underneath my breath.
Nightswimming.

The photograph reflects,
Every streetlight a reminder.
Nightswimming deserves a quiet night, deserves a quiet night
.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Vela

quinta-feira, novembro 10, 2005

Medianidade

Houve um dia que me senti feliz, porque me pareceu que tinha tudo o que alguma vez ia querer. E se esse instante passou foi porque ambicionei mais que aquilo com o que a minha felicidade me tinha decidido contemplar. Zangou-se e partiu. Às vezes ainda a vejo em alguém, outras não. Mas não voltou, ainda.

Monólogos a duas vozes

- (F)
- sim
- sim o quê?
- uma flor
- tens boa vista, portanto... SIM À FLOR!!!!
- :)

"O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde

Apaguem da memória o meu rosto, que não o reconhecerão mais. Pensem em mim como se de um estranho se tratasse. Alguém que em tempos conheceram e foi levado para longe, nos desterros da consciência. Não vos fará falta, garanto-vos, porque também eu acabarei por me esquecer da aparência que já tive. Um qualquer Dorian Gray consumido até ao tutano, sem mácula física de velhice. Isto que lêem é o meu retrato. O meu retrato envelhecido, enegrecido, que suporta o flagelo dos meus actos, para que nada se reflicta no meu gesto, e que, aos poucos, consumirá o que resta da lucidez do meu espírito.

Chá preto

Dar-te-ia a beber da minha caneca de chá fumegante, que seguro, com as mãos em concha, como se quisesse que esse calor aquecesse esta alma desumana. E das letras do meu nome teceria um novo som que me lembrasse das cores que costumavamos saber. Desbotei-as da lembrança afastada da minha fantasia e, delas, apenas consigo dizer que existiam e as consegui, alguma vez, tocar.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Turvos

Chego ao final de cada dia com a vontade intacta de não ter chegado a sair da cama. Não sei porque ainda o vou fazendo. Talvez, apenas, para não dar o braço a torcer «tão» cedo. Talvez porque ir para a faculdade seja o único estímulo para me manter reactivo. Talvez porque não quero decepcionar aqueles que me colocam no pedestal, de onde rezo para que me derrubem. Se me atirarem uma pedra, se conseguir arranjar um motivo, mesmo que não seja verdadeiro, sobretudo se não for verdadeiro, eu vou poder deixar-me cair. E, assim, não vou deixar que me ergam acima dos outros, não vou deixar que me dêem a benção da excepcionalidade. Ser considerado excepcional esgota-me, tira-me a energia e a espontaneidade, mesmo que não o seja e que apenas iluda quem me olhe com olhos turvos de outra coisa qualquer que desconheço. Dêem-me um motivo, só vos peço uma desculpa para que me deixem cair. Não têm que fazer um grande esforço, esse será o meu último trabalho. A demonstração final da minha arte, a prova final da excepcionalidade que me exigem. E depois acabou. Acabou o frenesim na minha mente. Acabaram as perguntas e receios. E estou livre. Livre de todos, excepto do fracasso de mim mesmo. Vivendo sem a esperança de ninguém, sem a esperança de mim mesmo. Enrolado no meu mundo letárgico e sem vida.

Forma de gesso

No sítio onde todos nos esperam, só há espaço para uma pessoa. E lá encontro o meu lugar, feito especialmente só para mim. No sítio onde por todos esperamos, só há sempre lugar para uma pessoa, que podes, ou não, ser tu. Agora que lá estou, por todos espero, para que ocupem aquele lugar, feito especialmente só para um. E, enquanto não chegam, vou guardando aquele um lugar, feito especialmente para quem nunca o há-de ocupar.

Uma frase fantástica...

«Dir-se-ia uma face serena nuns olhos de sobressalto.»

by Miss Alirka Von Stoors
http://pescada.blogspot.com

Quarta-feira

Amanhã (hoje) é quarta-feira, e as quartas-feiras são sempre dias terríveis. Mas todas as semanas há uma, portanto, é de presumir que façam falta e devam servir para alguma coisa.

Despeito

A linha do respeito tem duas medidas e em nenhuma delas é fácil descobrir e traçar onde fica essa divisão. É difícil saber o que é medo e o que é respeito, é difícil saber o que é respeito e o que é humilhação. O que está em causa são os sujeitos. No primeiro caso, o sujeito é uma outra pessoa. No segundo caso, somos nós mesmos. Hoje em dia, é-me materialmente impossível determinar onde acaba o respeito por mim mesmo e onde começa a humilhação, e a minha melhor hipótese é, ainda, rir-me da humilhação, para conseguir um mínimo de respeito por mim próprio.

Apêndice (adicionado às 3.16 AM): Vendo bem, penso que os sujeitos possam ser os mesmos para ambas.

Tributo a quem não fala para paredes

Ultimamente, so me apetece escrever... escrever... escrever... e esquecer-me sobre o que escrevo. Nunca fui adepto de manter diários em papel. São muito pouco práticos e há sempre o risco, e a consumação do risco, de que alguém os venha a ler, sem que o queiramos. Há sempre alguém que acabará por ler aquilo que la escrevermos. Não há segredos eternos e, um dia, alguém acabará sempre por descobri-los. Ou são revelados, ou o seu conteúdo já é conhecido, mesmo que se finja que não se sabe, mesmo que se finja que não se sabe que se sabe. Após certa revelação, já ela feita com pouco ar de revelação, porque eu já sabia o que ainda não me tinha sido contado e porque a outra pessoa já sabia que eu sabia, essa pessoa perguntou-me, ou antes, afirmou: "- Já sabias, não é?". Respondi: "Sim, claro. Como é que era possível não saber?". "- Eu sei que sabias, foi por isso que resolvi acabar com isto e contar de uma vez.", disse. "Pois, eu também sabia que sabias, mas não tinhas que contar. Eu nunca to ia perguntar, nem pedir que o fizesses, porque não tinhas que mo dizer.", respondi. "- Eu não sabia como ias reajir. Mas tirei um peso imenso das minhas costas.". Limitei-me a encolher os ombros. Eu não tinha o direito de reajir, porque não tive, também, a necessidade de perguntar ou conseguir, pela pressão, que me contasse aquilo que eu estava careca de saber. Acabei por compreender que esta foi das decisões mais acertadas que tomei na minha vida, até hoje. Não lhe amputei, aliás, nenhum dos que são seus verdadeiros amigos o fez, o tempo que, pela sua omissão, nos pedia que lhe dessemos. E no momento em que falou, ainda que com receio, fê-lo para quem, na sua ideia, mereceu ouvi-lo, e garantiu, assim, que não falava para paredes surdas. Fê-lo para quem lhe dá o valor que sabe que merece. E conseguiu-o, revitalizou as suas amizades e encurtou uma distância que se tornava assombrosa entre nós, porque rodeou-se das pessoas de quem gostava e que gostavam de si. Essa deve ser a parte mais difícil de todo o trabalho, encontrar a verdadeira reciprocidade de aceitar e ser aceite, tal como cada um é, ou tenta ser.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Dunno

It’s droll to have fun
When the mirth echo
Faraway, and the dreams,
Sleeping in my mind,
Awake from the simplest sound at all,
And the lights and dimness
Will no longer be my lane,
As I stroll through those
Ethereal revered grounds,
Laying on the meadow,
Embracing the sky and the earth.

Entrelinhas

Já não brilho como costumava brilhar. Os que hoje me olham não podem compreender onde estou. Dias há em que me sinto uma candeia sem azeite. Olham para mim em busca daquilo a que os habituei, em busca de uma serenidade que perdi. Procuram um resto do que dantes lhes podia dar, o alento e o exemplo de paz interior a seguir. Já não a tenho. Gastei-a. Eu não me costumo queixar às pessoas que me rodeiam. Em casa, sou acusado de ninguém saber o que faço, ou quem sou. Deve ser estranho, para os pais, ter alguém debaixo do mesmo tecto que não conhecem. Deixei de poder confiar neles. Deixei de confiar em quem quer que seja no momento em que criam expectativas sobre o que faço, ou não faço, sobre o que penso, ou não penso. Tentam adivinhar, por tentativas, quem eu sou, na esperança do cansaço me fazer revelar o que não me sinto preparado para dizer. Sinto-me apartado das pessoas. Não percebo nada de gente. Porque gente sente, não pensa. E eu penso na gente que parece que não pensa e vejo-me só. Afasto-me do mundo porque nunca lhe pertenci. Não sou parte de maiorias, nem de minorias. Olho para mim e vejo as minhas qualidades e os meus defeitos, e deixo uma ampla margem de dúvida para tudo o que sei que a minha visão não abarca. Eliminei as expectativas e, consequentemente, eliminei as surpresas. Por isso quando me deparo com algo que não espero, não me surpreendo, e como não tenho qualquer resposta preparada para dar ao que não espero, simplesmente, também, não reajo. E vejo as situações passar, ao meu largo, incapaz de tomar uma posição e uma atitude. E, mais uma vez, fico só com os meus pensamentos, que não interessam a ninguém. E a outra pessoa segue, porque eu a ignorei, ou desprezei. Vejo-me tão vazio neste momento que não me interesso muito se lêem o que escrevo. Escrevo, porque um mundo de desconhecidos que por aqui passa consegue dar mais importância ao meu pedido de socorro que os que estão junto a mim, ou comigo se cruzam diariamente. Erro, Erro, Erro, Erro. Eu sei que erro. Eu vejo que erro. Eu admito-te que erro e errei e continuarei a errar. Não o consigo evitar. E eu quero corrigir o que erro, quero, pelo menos, tentar fazê-lo. Mas não sei como. Não sei onde estou, ou como vim aqui parar. Não sei como sair. E ninguém percebe, ninguém ouve. Eu preciso da mesma atenção que vos dou, mesmo quando pensam que não vejo. Que não ouço. Que não sinto. Eu nunca escrevi um texto com tantos "eus". Eu nunca precisei de o fazer. Agora preciso. Sinto-me desamparado, desajustado, frustrado, recriminado, enganado, humilhado, perdido, desfeito, enclausurado, estraçalhado, esgotado. Preso dentro de mim mesmo, à rigidez de carácter que me preserve a sanidade mental, que sinto escapar-me aos poucos. O meu equilíbrio mantinha-me e foi quebrado. E o meu equilíbrio vivia não na materialidade dos meus dias, não numa qualquer escola ou instituição. Não no que tinha ou podia comprar para mim ou para outros. Mas numa habituação a um estado de solidão com que toda a vida convivi e pelo qual nunca me permiti afectar. E o que escrevo, neste momento, são novas descobertas a que chego só agora, enquanto as ponho na escrita, à medida que penso sobre mim. E esse estado foi afectado e essa lacuna aparentemente preenchida. E o que temo, nesta hora, pensar que tudo tenha assentado no preenchimento de um buraco na minha personalidade e, consequentemente, no medo de o voltar a abrir. A injustiça que vislumbro assombra-me ainda mais que este meu estado de confissão depressiva. E a ideia do meu medo, de voltar a uma situação que não me satisfazia, ainda que não me torturasse, parece-me tão mesquinha e pequenina, que me vejo indigno de qualquer afectividade. E ainda assim não a consigo evitar, nem a quero evitar. Vai e vem, simplesmente. E quando vem, o mundo parece-me melhor e cheio de esperança. Como agora. E quando vai, encerro-me sobre mim mesmo e soluço compulsivamente as incertezas e inseguranças da minha vida. Como agora. Eu já li, que estes são os sintomas de uma depressão, cito: "Perda de energia ou interesse, humor deprimido, ou oscilações injustificáveis de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, alterações do apetite e do sono, lentificação das actividades físicas e mentais, sentimento de pesar ou fracasso, chorar à toa, dificuldade para chorar, sentimento de pena de si mesmo, sentimentos de culpa injustificáveis, insónia", etc. Mas nem isso me assusta. Só me entristece ainda mais, porque sempre achei que era mais forte que isso. Afinal não sou. Mesmo que não esteja deprimido, na sua acepção técnico-patológica, estou-o no seu sentido corriqueiro. E ninguém sabe. E ninguém quer saber. E eu já não quero saber que não saibam, porque as pessoas que o sabiam preferiram ignorar, ou porque acreditavam que eu havia de ser sempre capaz de superar tudo, ou porque desvalorizaram o sofrimento contínuo por que passo, como forma de se precaverem do mal que lhes possa causar. Encontrei, por fim, o estado final a que me reconduzo: abandono. Abandonado pelos outros, que só querem o que tenho de bom e fogem do resto, e por mim próprio, em quem já não acredito.

domingo, novembro 06, 2005

Vela

sábado, novembro 05, 2005

Depré mood

Hoje, a pensar na construção de uma estrada, apercebi-me que, enquanto para uns, este é um mundo de possibilidades, o meu mundo, que não pode, de certo, ser o mesmo que o vosso, é um mundo de impossibilidades.

Nunca pensem na construção de uma estrada, não vão ter também uma revelação destas...

sexta-feira, novembro 04, 2005

Um Lugar no Bosque

«Esta histórica fala-nos de um famoso rabino hassídico: Baal Shem Tov.

Baal Shem Tov era muito conhecido no seio da sua comunidade, porque todos o diziam que era um homem tão piedoso, tão bondoso, tão casto e tão puro que Deus escutava as suas palavras quando ele falava.
Tinha-se criado uma tradição naquele povoado: todos aqueles que tinham um desejo insatisfeito ou precisavam de alguma coisa que não tinha podido conseguir, iam ver o rabino.
Baal Shem Tov reunia-se com eles uma vez por ano, num dia especial que ele escolhia. E levava-os a todos a um lugar único que ele conhecia, no meio do bosque.
E, uma vez ali, conta a lenda, Baal Shem Tov acendia com ramos uma fogueira de uma maneira muito particular e muito bonita, e entoava depois uma oração em voz muito baixa, como se fosse para si próprio.

E dizem...
Que agradavam tanto a Deus aquelas palavras que Baal Shem Tov dizia, encantava-O tanto aquela fogueira acesa daquela maneira, gostava tanto daquela reunião de pessoas, naquele lugar do bosque... que não podia resistir ao pedido de Baal Shem Tov e concedia os desejos de todas as pessoas que ali estavam.

Quando o rabino morreu, as pessoas deram-se conta de que ninguém conhecia as palavras que Baal Shem Tov dizia quando iam todos juntos pedir alguma coisa.
Mas conheciam o lugar do bosque e sabiam como acender a fogueira.
Uma vez por ano, seguindo a tradição que Baal Shem Tov tinha instituído, todos aqueles que tinham necessidades e desejos insatisfeitos reuniam-se naquele mesmo lugar do bosque, acendiam a fogueira da maneira que tinham aprendido com o velho rabino e, como não conheciam as suas palavras, cantavam qualquer canção ou recitavam um salmo, ou olhavam apenas uns para os outros e falavam de qualquer coisa naquele mesmo lugar à volta da fogueira.

E dizem...
Que agradava tanto a Deus a fogueira acesa, gostava tanto daquele lugar no bosque e daquela gente reunida... que, embora ninguém dissesse as palavras adequadas, satisfazia igualmente os desejos a todos os que ali estavam.
O tempo passou e, de geração em geração, a sabedoria foi-se perdendo...

E aqui estamos nós.

Nós não sabemos qual é o lugar no bosque.

Não sabemos quais são as palavras...

Nem sequer sabemos como acender a fogueira como o fazia Baal Shem Tov...

No entanto, há uma coisa que sabemos.

Sabemos esta história.

Sabemos este conto...

E dizem...

Que Deus adora tanto este conto,
gosta tanto desta história,
que basta que alguém a conte
e que alguém a escute
para que Ele, complacente,
satisfaça qualquer necessidade
e conceda qualquer desejo
a todos os que estão a partilhar este momento...

Assim seja...
»
in «contos para pensar», Jorge Bucay

O medo

O medo da vida suplanta mil vezes o da morte.

Sobre o controlo...

Há livros que são um conjunto de muitas pontas soltas das nossas vidas. Conseguem chegar perto do que somos, ou de onde estamos, mas só raramente o conseguem tocar, de leve. E quantas vezes não ficamos a desejar que uma determinada expressão, uma determinada ideia, estivesse naquele lugar, daquele texto, em vez daquilo que lá vem escrito. É uma injustiça para os autores, será, praticamente, uma asfixia do mundo de cada escritor, e uma violentação do seu espírito. A verdade é que cada um escreve por si, vive por si, sente por si. E quando um estranho entra nesse mundo tão pessoal só tem duas opções: ou aceita, de onde decorre alguma identificação, ou frustra-se. Pode não se frustrar na globalidade, pode identificar-se na generalidade. Mas sempre que não se identificar com o mais pequeno pormenor ou se insurge, ou ignora, ou despreza. E quantas vezes não dou por mim a desejar que tivesse sido eu a escrever o que leio, para que pudesse apenas ter mudado uma palavra. E tudo faria sentido. E tudo seria o meu sentido.
acerca de «contos para pensar».

Primeira Página...

«No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrários às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóvel tão frequentes em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar. A passagem do ano não tinha deixado atrás de si o habitual e calamitosos regueiro de óbitos, como se a velha átropos da dentuça arreganhada tivesse resolvido embainhar a tesoura por um dia. Sangue, porém, houve-o, e não pouco. Desvairados, confusos, aflitos, dominando a custo as náuseas, os bombeiros extraíam da amálgama dos destroços míseros corpos humanos que, de acordo com a lógica matemática das colisões, deveriam estar mortos e bem mortos, mas que, apesar da gravidade dos ferimentos e dos traumatismos sofridos, se mantinham vivos e assim eram transportados aos hospitais, ao som das dilacerantes sereias das ambulâncias.»
in «Intermitências da Morte», José Saramago

Maybe I have!!!

You're ordinarily so considerate, compromising and accommodating when you speak that your friends and family are actually beginning to wonder if you haven't been abducted by an alien.

http://astrology.yahoo.com/astrology/general/dailyoverview/libra/20051104

quinta-feira, novembro 03, 2005

Pela mão...


“Dreams are my inspiration. My one true destination."

SuAnne Sexton

Sinopse

Maggie (Cameron Diaz) e Rose (Toni Collette) são duas irmãs que não têm nada em comum. Apesar de melhores amigas, estão em pólos opostos quando toca a valores, objectivos e estilos pessoais.
Maggie é divertida e irresponsável, mal terminou o ensino secundário e troca de empregos como quem muda de meias. Para ela, o seu maior dom é a beleza e a arte de escolher os acessórios e roupa perfeitos para qualquer ocasião.
Rose é licenciada em Princeton e advogada numa das maiores firmas de Filadélfia, que luta constantemente para manter o peso e tem uma vida social inexistente devido à sua baixa auto-estima.
Quando Maggie vai viver para o apartamento de Rose, as duas irmãs entram numa estrada calamitosa de conflitos, que só tem salvação graças à ligação com a avó que pensavam já ter falecido: Ella (Shirley MacLaine).
Baseado num livro de Jennifer Weiner.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Hugging

Às potenciais mamãs do mundo...



Este é o resultado final... vejam aqui o processo.

terça-feira, novembro 01, 2005

Pink mood

Quando acordares uma manhã e sentires que o mundo é perfeito na sua imperfeição, porque respira ao mesmo compasso a que bate o coração, estás em sintonia com o teu próprio universo. E o pestanejar dos teus olhos será mais lento e doce acompanhando essa dança elementar. E os gestos que desferires no ar do teu quarto serão o perfeito acorde de uma musicalidade primordial. Provarás o café na ponta da língua e sentirás viva a terra. O seu aroma envolver-te-á nas suas memórias e sentes que fazes parte de uma grande festa, feita especialmente para ti. És só tu num abraço de ternura infinda.

Preparando o Diwali


Uma mulher da comunidade Hindu acende "diyas", lamparinas de azeite em barro, preparando o "Diwali", conhecido pelo festival das luzes, em Bangladore. De acordo com a mitologia Hindu, a celebração do Diwali marca o regresso de Rama, da sua mulher Sita e do seu irmão Laxman, de 14 anos de exílio.

From Darkness Into Light

Take my hand and I'll lead you home
I'm right here beside you, you're not alone
Now darkness surrounds you, as the smoke billows up
But soon you'll see clearly, and drink from my cup
So be not afraid, this promise I've made before
That I'm the way, the truth, and the life
You'll need nothing more
Right now the world is watching you, in shock and disbelief
Their hearts are filled with fear, with pain, anger and grief
But I will bear their burden and lighten their load
Though the journey for peace, will be a long winding road
And for your family whom you love, your concern is so high
How will they handle this, how will they get by?
The answer to this question, lies within me
It will take time, but I'll set their hearts free
I'll send all the angels to be by their side
To watch over them, protect them, and act as their guide
So struggle no more, with concerns of this life
For where you are going, there's no worry or strife
It's time to come home now, your last breath you have taken
As you lay down in peace, your soul I will awaken
It's then you'll bear witness, to a truly amazing sight
It's then you'll know I've taken you,
From darkness into light.

Sean O'Brien

Not sure...

«There is nothing enlightened about shrinking so that other people won't feel insecure around you. We are all meant to shine, as children do.(...) And as we let our own light shine, we unconsciously give other people permission to do the same.»

Jack Johnson - 13 Março, Pavilhão Atlântico


 
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