terça-feira, março 21, 2006

Ando sem tempo para sonhar durante a noite. Ela parece passar num ápice em que consigo descansar o corpo apenas o suficiente. Como se deixasse de existir porque não dou pelo passar da noite. Quando estou a domir, às vezes sinto que durmo. Porém, actualmente, o hoje é como uma continuação do ontem, como se nunca me lembrasse de ter parado. O dia segue na sequência de tarefas, de obrigações, de deveres e de satisfação de direitos, mas esse dia é como a noite. E as manhãs já só nascem nos momentos em que me sinto adormecer.

domingo, março 19, 2006

Este ser de amar quem já não é, como se o mundo desprendesse dos rios o grito de quem bate a si próprio, no peito, onde as lembranças causam abanões à consciência, e onde, afinal, todos somos mártires de alguém.

Pedimos todos os dias que a vida nos corra bem, porque precaver o corpo dalguma enxurrada que por aí fora nos leve é a arte natural de passear por este chão tropeço.

Aos aleijões perdemos o tempo entre coisas estúpidas e supérfluas, que também elas acabarão por apodrecer nalgum canto da casa que habitamos, porque o próprio lixo se torna uma bênção pelo alívio de o podermos deitar fora.

Reparos fazem-se a toda a gente, e a nós também, que não somos excepção de nada senão de nós mesmos e das ideias que temos, já que a vida é um mar brando, onde até as mais violentas tempestades têm uma razão de ser, quer as aceitemos quer não.

E os olhos cansam-se igualmente de ver todos os dias as mesmas cores e formas, as mesmas pessoas, que nunca conhecemos, afinal.

As armas dos nossos vícios apetrecham-nos de desculpas para evitar a realidade, por ser, talvez, demasiado dura para uma couraça demasiado mole, que se desfaz à mais pequena pinga de chuva.

Dreams are all we have


«Sonhos são tudo o que nos resta.»

Between Strangers

sábado, março 18, 2006

E, de repente, sou uma pessoa triste. Tão triste cá dentro, tão grande esta tristeza que sinto, que dela não consigo distinguir-me. Somos uma e a mesma coisa. Só quem observa por fora não dá conta. Só quem não conhece, nem tenta conhecer, não nota. Acho que estas coisas marcam os olhos, os tornam baços e com pouca vida. Outros distanciam-se o suficiente, apenas, para não se sentirem afectados, porque o desconforto que esta tristeza provoca ainda é grande. Deixam-se ficar junto à linha de água, suficientemente perto para que possam socorrer. São os braços dos pais a 4 centímtros do tronco do filho que começa a dar os primeiros passos. Longe o suficente para que faça por si próprio o caminho, perto o suficiente para não o deixar cair. Como se não cair fosse mais importante, como se a derrota fosse a pior consequência.

sexta-feira, março 17, 2006

Ohana

A família, e tudo o quanto dela faz parte e a ergue, é a única coisa que está acima de todas as outras, sem as substituir.

E, para mim, a razão pela qual existirmos.

domingo, março 12, 2006

Império do Silêncio

O mundo, vejo-o através de um véu, que não é nem puro, nem branco, nem de cor alguma. É rasgado junto ao chão, encardido de sujidade seca, pó da aragem que o faz balouçar para trás e por diante.

O silêncio é uma dádiva pesada de simbolismo, de sentido e significados e para que exista pede o sacrifício de alguma coisa, que dantes o apagava; sons de pessoas e, até mesmo, de ideias claras e organizadas que oscilavam, com alguma segurança, entre o sentido prático da vida e o idealismo da perfeição.

Hoje, as ideias estão tão indefinidas como a tal cortina que deturpa o sentido do mundo em meu redor. E lembram-se apenas de fragmentos de uma vida passada, em que o sentido era viver, porque isso era bom, isso bastava para ser feliz.

Agora impõem-se os sentidos e os sentimentos, baloiçando ao vento, entre o idealismo da felicidade, ou de mais alguns momentos de felicidade que ainda podem vir e o descrédito que a mágoa e o sofrimento gravam na memória do peito.

As mãos sobem ao rosto, cobrindo-o, com muito maior frequência, sem se saber bem se o quero esconder, ou arrancar dele a frustração e vergonha de não ser capaz de o fazer. A razão de ser do nunca mais, que tranca à serenidade a necessidade de estar presente nos entretantos.

Tantos são os momentos, em que desperto para o mundo, como se toda a minha vida fosse um segredo sem propósito, por não haver ninguém de quem o esconder. As pessoas, ao mesmo tempo que recuperam, aos meus olhos, uma dignidade superior por cada batalha que travam, parecem estar cada vez mais distantes.

A música repetida, vezes e vezes sem conta, embalada numa noite de calor de Verão, trazem até aqui histórias perdidas, do tempo em que ainda não desejava voltar ao tempo dessas histórias.

Esses sons chegam e abrem-me ao meio, tirando para fora tudo o que o dia me leva a enraizar profundamente.

E a solidão, a solidão que chama todos os nomes daqueles que a podiam resgatar, a esta alma que me habita, enrouquece no soluçar de não ser ouvida, de não se conseguir ouvir sequer a si mesma. E adormece a chorar.

sábado, março 11, 2006

Goodbye my lover



Did I disappoint you or let you down?
Should I be feeling guilty or let the judges frown?
'Cause I saw the end before we'd begun,
Yes I saw you were blinded and I knew I had won.
So I took what's mine by eternal right.
Took your soul out into the night.
It may be over but it won't stop there,
I am here for you if you'd only care.
You touched my heart you touched my soul.
You changed my life and all my goals.
And love is blind and that I knew when,
My heart was blinded by you.
I've kissed your lips and held your head.
Shared your dreams and shared your bed.
I know you well, I know your smell.
I've been addicted to you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

I am a dreamer but when I wake,
You can't break my spirit - it's my dreams you take.
And as you move on, remember me,
Remember us and all we used to be
I've seen you cry, I've seen you smile.
I've watched you sleeping for a while.
I'd be the father of your child.
I'd spend a lifetime with you.
I know your fears and you know mine.
We've had our doubts but now we're fine,
And I love you, I swear that's true.
I cannot live without you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

And I still hold your hand in mine.
In mine when I'm asleep.
And I will bear my soul in time,
When I'm kneeling at your feet.
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.
I'm so hollow, baby, I'm so hollow.
I'm so, I'm so, I'm so hollow.

segunda-feira, março 06, 2006

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.


Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.


E se vires que pode merecer-te
Algua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,


Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

quarta-feira, março 01, 2006

Though dreams remain like a secret
though stars are no longer so bright
when silence became the answer to me
I just knew you were no longer mine.

Gone all the mystery around you
Gone all the stories we lived
And silence remains instead
as the answer I no longer need.

And if heavens keep love so far
Will my lips keep telling your name?
Will your light fill this empty space?
May your love mend this soul once again?
 
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