Sem remorsos. Só saudade. Um abraço.
domingo, maio 25, 2014
segunda-feira, abril 07, 2014
Não há rancor, há memória. Por isso tudo fica praticamente na mesma. Procurarei ser mais humilde e agradecer o que me é dado, bom e mau. E tomá-lo com toda a alegria, serenidade e compaixão que consiga reunir. Porque tudo tem a sua razão de ser, até o sofrimento, causado e recebido. Ele limpa-nos a alma, quando o aceitamos como necessário para uma vida mais plena. É nisto que acredito. E que durante toda a vida futura vamos ser melhores por causa do sofrimento do presente. É daqui que pessoalmente retiro conforto, gratidão e paz.
E isto faz-me sentido:
"Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, actua por meio de todos e em todos Se encontra."
E isto faz-me sentido:
"Há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, actua por meio de todos e em todos Se encontra."
sábado, abril 05, 2014
quarta-feira, abril 02, 2014
domingo, março 30, 2014
Esta noite sonhei ctg. Aliás, nas últimas 3 noites tenho sonhado contigo.
Esta noite foi diferente, porque foi continuamente sobre ti. Primeiro amigos com cautelas, dps deixaste de estar presente e mm no final do sonho, quando já estávamos mais velhos e o ginásio (e aquilo que representa) já não era a tua prioridade finalmente reencontrámo-no, já com alguns cabelos brancos. Conheceste e adoravas a minha filha bebé e apenas uma grande amizade permanecia, simples e sincera.
Um abraço.
Esta noite foi diferente, porque foi continuamente sobre ti. Primeiro amigos com cautelas, dps deixaste de estar presente e mm no final do sonho, quando já estávamos mais velhos e o ginásio (e aquilo que representa) já não era a tua prioridade finalmente reencontrámo-no, já com alguns cabelos brancos. Conheceste e adoravas a minha filha bebé e apenas uma grande amizade permanecia, simples e sincera.
Um abraço.
domingo, março 09, 2014
Há alguns males que nunca podem ser corrigidos. Algumas coisas do passado que não podem ser tornadas boas de novo. O número de vezes que se diz "Desculpa" ou "Por favor, perdoa-me" não faz qualquer diferença. Até parece que torna tudo pior.
Quando palavras zangadas foram ditas, quando a confiança foi quebrada, pode não haver uma maneira de tornar tudo melhor. Algumas pessoas apenas não querem saber mais de ti. Algumas pessoas apagam-te das suas vidas e de bom grado não olham para trás. Algumas simplesmente escolhem não perdoar, não deixar a pessoa "safar-se" com tanta facilidade. E algumas apenas não têm capacidade de deixar a dor desvanecer.
Qualquer que seja a razão, não importa. As pessoas têm direito em agarrar-se à mágoa pelo tempo que desejarem. A maior parte de nós fez algumas coisas terríveis e o perdão não é uma opção para aqueles que magoámos.
Quanto a nós, enquanto "malfeitores", não nos é concedida restituição pelos nossos erros, temos de o aceitar. Se fomos honestos quanto ao papel que desempenhámos nas faltas que cometemos, pedindo com humildade que nos desculpem e oferecemo-nos para fazer tudo o que pudermos para tornar as coisas melhores, fizemos tudo o que nos é possível fazer. Se a pessoa que amamos não pode ou não aceita o nosso pedido, não podemos ir mais além. Somos meras pessoas, não super-heróis.
A dor de não ser perdoado fere profundamente, por vezes muito mais profundamente que a razão original pela qual procuramos perdão. E talvez seja esse o motivo pelo qual aqueles que amamos não nos perdoam. Talvez queiram que soframos durante tanto tempo quanto possível. Querem escavar na ferida para o resto das nossas vidas como retaliação pela confusão em que os metemos. Talvez o amor e a confiança se tenham perdido para sempre e a relação esteja danificada além de qualquer reparação. Esta dor contínua pelos males infligidos no passado magoa tal como é desejado que magoe. É a nossa vez de vermos como é.
No processo de recuperação, crescem-nos corações; sentimos tudo. Deixamos de fugir da dor ou de proteger o nosso espírito das consequências. Mas também nos cresce uma coluna dorsal. Não podemos continuar a rastejar diante de alguém, mesmo diante daqueles de quem tanto gostamos e com quem tão desesperadamente queremos reparar ofensas, mas que não no-lo permitem.
Quando os destroços do nosso passado nos olham nos olhos e nenhuma restituição é concedida, então acabou. Não há absolutamente nada que possamos fazer. Voltar atrás e rescrever o passado é impossível.
A responsabilidade, agora, é para connosco próprios e para com quem nos acompanha. Pomos um pé à frente do outro, mantemos a cabeça erguida sabendo que nunca mais faríamos novamente algo parecido e tentamos ser para nós mesmos e para os outros a melhor pessoa que conseguirmos, um dia de cada vez.
Ausência de perdão não significa derrota. Não é uma desculpa para mergulharmos em mais autocomiseração. É uma oportunidade para reconhecermos que fomos pessoas nocivas e ganharmos controlo sobre esse lado de nós mesmos. No final, tudo o que podemos fazer é continuar em frente, aprender com a experiência e deixar partir.
Há rui
Quando palavras zangadas foram ditas, quando a confiança foi quebrada, pode não haver uma maneira de tornar tudo melhor. Algumas pessoas apenas não querem saber mais de ti. Algumas pessoas apagam-te das suas vidas e de bom grado não olham para trás. Algumas simplesmente escolhem não perdoar, não deixar a pessoa "safar-se" com tanta facilidade. E algumas apenas não têm capacidade de deixar a dor desvanecer.
Qualquer que seja a razão, não importa. As pessoas têm direito em agarrar-se à mágoa pelo tempo que desejarem. A maior parte de nós fez algumas coisas terríveis e o perdão não é uma opção para aqueles que magoámos.
Quanto a nós, enquanto "malfeitores", não nos é concedida restituição pelos nossos erros, temos de o aceitar. Se fomos honestos quanto ao papel que desempenhámos nas faltas que cometemos, pedindo com humildade que nos desculpem e oferecemo-nos para fazer tudo o que pudermos para tornar as coisas melhores, fizemos tudo o que nos é possível fazer. Se a pessoa que amamos não pode ou não aceita o nosso pedido, não podemos ir mais além. Somos meras pessoas, não super-heróis.
A dor de não ser perdoado fere profundamente, por vezes muito mais profundamente que a razão original pela qual procuramos perdão. E talvez seja esse o motivo pelo qual aqueles que amamos não nos perdoam. Talvez queiram que soframos durante tanto tempo quanto possível. Querem escavar na ferida para o resto das nossas vidas como retaliação pela confusão em que os metemos. Talvez o amor e a confiança se tenham perdido para sempre e a relação esteja danificada além de qualquer reparação. Esta dor contínua pelos males infligidos no passado magoa tal como é desejado que magoe. É a nossa vez de vermos como é.
No processo de recuperação, crescem-nos corações; sentimos tudo. Deixamos de fugir da dor ou de proteger o nosso espírito das consequências. Mas também nos cresce uma coluna dorsal. Não podemos continuar a rastejar diante de alguém, mesmo diante daqueles de quem tanto gostamos e com quem tão desesperadamente queremos reparar ofensas, mas que não no-lo permitem.
Quando os destroços do nosso passado nos olham nos olhos e nenhuma restituição é concedida, então acabou. Não há absolutamente nada que possamos fazer. Voltar atrás e rescrever o passado é impossível.
A responsabilidade, agora, é para connosco próprios e para com quem nos acompanha. Pomos um pé à frente do outro, mantemos a cabeça erguida sabendo que nunca mais faríamos novamente algo parecido e tentamos ser para nós mesmos e para os outros a melhor pessoa que conseguirmos, um dia de cada vez.
Ausência de perdão não significa derrota. Não é uma desculpa para mergulharmos em mais autocomiseração. É uma oportunidade para reconhecermos que fomos pessoas nocivas e ganharmos controlo sobre esse lado de nós mesmos. No final, tudo o que podemos fazer é continuar em frente, aprender com a experiência e deixar partir.
Há rui
sexta-feira, março 07, 2014
I have learned now that while those who speak about one's miseries usually hurt, those who keep silence hurt more.
C.S. Lewis
C.S. Lewis
quinta-feira, fevereiro 27, 2014
Chuva
As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera
A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade
segunda-feira, fevereiro 24, 2014
Eucatastrophe
Disse-te que peço perdão todos os dias por te ter magoado. Mas sobretudo também agradeço todos os dias por te ter conhecido.
Este sacrifício vai ser a minha e tua redenção. E no final ficaremos bem.
http://en.wikipedia.org/wiki/Eucatastrophe
Este sacrifício vai ser a minha e tua redenção. E no final ficaremos bem.
http://en.wikipedia.org/wiki/Eucatastrophe
domingo, fevereiro 23, 2014
Vou escrever uma coisa muito directa para ti.
Podes vir ao blog as vezes que quiseres, acedendo através dos computadores que quiseres e eu saberei sempre.
Podes vir à 2.ª, à 4.ª ou à 6.ª-feira.
Podes vir ao meio dia e meio ou às 7 da tarde. Ou às 6 da manhã, depois de chegares a casa de uma noitada.
Tu achas que não compreendo o que estás a fazer. Pensas que não te conheço.
Mas eu sei que achas que já passou muito tempo, que deves ser firme nas decisões tomadas, que houve um ciclo que se fechou e não há justificação para o retomar.
E de uma forma racional eu concordo contigo em tudo isto.
Mas pelo simples facto de concordar reconheço que mantemos uma sintonia de mentes, porque nesta postura somos demasiado parecidos um com o outro e não nos é difícil concordar com as razões um do outro.
E se assim é, racionalmente suponho que haja um acordo de espíritos que prevalece. Sabes o que é um acordo de espíritos? É a união de duas mentes para um propósito comum.
Não somos assim tão diferentes, nunca fomos. Nem nos objectivos que procuramos, nem na forma como o fazemos. E se não consegues reconhecer que isto é verdade, então tens de continuar a fazer uma autoanálise mais profunda.
Sabes por que é que digo que te conheço?
Não é por "adivinhar" a reacção que vais ter de seguida. É porque me revejo em ti e sei que faria o mesmo que tu.
Se estivesse no teu lugar, a minha reacção a este texto seria simplesmente deixar de vir ao blog para a minha presença deixar de ser notada. Não foi esse o teu primeiro instinto?
Mas no fundo, tanto tu como eu sabemos que não queremos perder a informação sobre o outro. Queremos saber o que se está a passar, mas mantendo o anonimato. Observar à distância.
E eu sei que também me conheces.
Sabes o que me magoa e sabes que tipo de pessoa sou. E parte do teu receio passa por acreditares que sou instável e que assim que cedas um milímetro eu aproveite a brecha para voltar a "invadir" a tua vida.
Tu sabes que vou ser sempre uma pessoa incómoda, no sentido em que vou sempre ser um chato moralista que te vai incomodar a consciência.
Mas achas que és muito diferente para mim?
Tu sempre me puxaste as orelhas quando as minhas atitudes fugiram ao que estava correcto.
Sabes por que te contei sempre tudo o que se passava comigo?
Porque nunca achei justo eu saber tanto sobre ti e não deixar-te ver que eu também tinha imperfeições graves.
Disseste-me que sabias tanta coisa que nunca contaste. E eu quis que as soubesses, porque era justo fazermos essa troca para te provar que não queria ter sobre ti nenhum ascendente nem vantagem. Assim como eu sabia coisas sobre ti, tu passaste a saber outras igualmente importantes e graves sobre mim.
E com isso tentei fazer com que não te sentisses só. Tentei demonstrar-te que todos temos lados negros que gostávamos de apagar do que somos e dos percursos que escolhemos.
Mas também queria mostrar-te que, ao mesmo tempo, são estas imperfeições que nos permitem corrigir o rumo, desafiar as consequências das nossas acções e redefinir um novo futuro mais ajustado ao projecto de vida que desejamos para nós mesmos.
E com esta troca queria que soubesses que comigo não era preciso teres vergonha nem arrependimentos de nada e que também não era preciso justificares nada.
E tu achaste que eu te estava a julgar. Mas não é verdade. Eu estive sempre a amar-te, como só um verdadeiro amigo pode fazer.
É verdade que no final me envolvi demais. Mas não te deixei mentir. Não podia fazê-lo.
Não só era uma herança muito pesada para eu guardar, mas também porque senti a obrigação de libertar-te de mais essa amarra em que te estavas a meter.
Mesmo que isso significasse que me irias odiar por muito tempo.
Pus a nossa amizade na balança e pesei-a contra a minha própria responsabilidade em guiar-te para uma libertação total dos segredos que te aprisionavam.
Pesei também o meu sofrimento face à perda da tua confiança e tentei avaliar a tua capacidade de perdoar.
E no final tomei a decisão que nos sacrificou.
Por estes motivos continuo a valorizar muito a tua amizade.
Porque se conseguires perdoar-me, não só fazes este sacrifício ter valido a pena, como descobrirás uma qualidade que possuis e tens dificuldade em assumir: compaixão (vontade de perdoar, mesmo quando racionalmente não vês motivos para o fazer).
É mais fácil os amigos verem em nós esta qualidade, pois apreciam a essência do que somos e dos gestos de amizade que fazemos. Eles conhecem o nosso projecto de vida, aquilo a que aspiramos e apoiam-nos incondicionalmente.
É mais fácil os amigos verem em nós esta qualidade, pois apreciam a essência do que somos e dos gestos de amizade que fazemos. Eles conhecem o nosso projecto de vida, aquilo a que aspiramos e apoiam-nos incondicionalmente.
Um abraço.
sábado, fevereiro 22, 2014
“This is how it works. I love the people in my life, and I do for my friends whatever they need me to do for them, again and again, as many times as is necessary. For example, in your case you always forgot who you are and how much you're loved. So what I do for you as your friend is remind you who you are and tell you how much I love you. And this isn't any kind of burden for me, because I love who you are very much. Every time I remind you, I get to remember with you, which is my pleasure.”
Todos os dias.
quarta-feira, fevereiro 19, 2014
Lamento, mas continuo à procura de razões para acreditar. Mais do que isso, procuro uma fórmula, uma sequência lógica que permita racionalizar o problema e tentar resolvê-lo. Tem de haver uma solução melhor. Isto não é sentimental, é lógico. Tem de haver uma maneira que nos liberte e não nos atire para pontas opostas da sala, de costas voltadas ou olhos no chão. Nada disto faz sentido. Tem de haver uma 3.ª via, porque desta maneira nenhum de nós cresce.
Ao longo destes últimos meses encontrei alguns artigos que me fizeram sentido, de muitas formas diferentes. Deixo-os para ti, em baixo.
Tudo o que se passou e a forma como tenho (temos) lidado com isto tem sido uma grande aprendizagem. Foi uma coisa nova para mim. E tenho tentado colocar-me no teu lugar. Tenho tentado ver as minhas acções pelos teus olhos e lembrar-me o contexto em que estavas.
http://friendship.about.com/od/Conflicts_With_Friends/tp/Reasons-For-Breaking-Up-With-A-Friend.htm
http://friendship.about.com/od/Keeping-Friendships-Strong/a/How-To-Forgive-A-Friend.htm
http://friendship.about.com/od/Conflicts_With_Friends/tp/Things-Preventing-You-From-Forgiveness.htm
http://friendship.about.com/od/Conflicts_With_Friends/a/How-To-Deal-With-A-Friend-Who-Has-Cheated.htm
Ao longo destes últimos meses encontrei alguns artigos que me fizeram sentido, de muitas formas diferentes. Deixo-os para ti, em baixo.
Tudo o que se passou e a forma como tenho (temos) lidado com isto tem sido uma grande aprendizagem. Foi uma coisa nova para mim. E tenho tentado colocar-me no teu lugar. Tenho tentado ver as minhas acções pelos teus olhos e lembrar-me o contexto em que estavas.
http://friendship.about.com/od/Conflicts_With_Friends/tp/Reasons-For-Breaking-Up-With-A-Friend.htm
http://friendship.about.com/od/Keeping-Friendships-Strong/a/How-To-Forgive-A-Friend.htm
http://friendship.about.com/od/Conflicts_With_Friends/tp/Things-Preventing-You-From-Forgiveness.htm
http://friendship.about.com/od/Conflicts_With_Friends/a/How-To-Deal-With-A-Friend-Who-Has-Cheated.htm
segunda-feira, fevereiro 17, 2014
Tantas vezes disse que parte do processo passava por perdoar a ti mesmo... e agora não consigo aplicar o conselho a mim próprio.
Tudo o que oiço na minha mente são as palavras "falhei falhei falhei falhei perdi perdi perdi perdi traí traí traí desiludi desiludi desiludi acabou acabou fim...".
E parte de tudo isto é verdade. E parte de tudo isto é mentira. E os meus pensamentos oscilam entre profunda tristeza, desespero, descrença, resignação.
Estou perdido, porque espero que respondam como eu responderia.
Sou egoísta e egocêntrico. Desrespeitador e cínico. Um arrogante com a presunção de ser superior, de ter sempre a perspectiva mais ampla e coordenada sobre tudo. Um falhado orgulhoso. Um asno romântico e um sentimentalista bacoco.
E mereço sofrer. Mereço mesmo. Mesmo.
Tudo o que oiço na minha mente são as palavras "falhei falhei falhei falhei perdi perdi perdi perdi traí traí traí desiludi desiludi desiludi acabou acabou fim...".
E parte de tudo isto é verdade. E parte de tudo isto é mentira. E os meus pensamentos oscilam entre profunda tristeza, desespero, descrença, resignação.
Estou perdido, porque espero que respondam como eu responderia.
Sou egoísta e egocêntrico. Desrespeitador e cínico. Um arrogante com a presunção de ser superior, de ter sempre a perspectiva mais ampla e coordenada sobre tudo. Um falhado orgulhoso. Um asno romântico e um sentimentalista bacoco.
E mereço sofrer. Mereço mesmo. Mesmo.
«Dialogar não é fácil», mas somente «com o diálogo podemos construir pontes de relação e não muros que nos afastam». E frisou — «para dialogar é necessária a humildade». A base do diálogo é formada por três elementos: humildade, mansidão e fazer-se tudo para todos. Depois, sugeriu um conselho prático: para iniciar o diálogo «é necessário não deixar passar muito tempo». De facto, os problemas devem ser enfrentados «o mais rápido possível, assim que a tempestade passar». É preciso «aproximar-se imediatamente do diálogo porque o tempo faz crescer o muro». E, concluiu, pedindo a intervenção de «são Francisco de Sales, doutor da doçura», que nos conceda «a graça de construir pontes com os outros, jamais muros».
domingo, fevereiro 16, 2014
hurt and harm
“Trust in someone means that we no longer have to protect ourselves. We believe we will not be hurt or harmed by the other, at least not deliberately. We trust his or her good intentions, though we know we might be hurt by the way circumstances play out between us. We might say that hurt happens; it’s a given of life. Harm is inflicted; it’s a choice some people make.”
― David Richo
― David Richo
Se nada dura mais que um instante e tudo é relativo, se as certezas não são mais que projectos, se os actos não são mais que consequências anunciadas, se as reparações não vão além de tentativas, se as palavras são só isso, então o mundo está doente, contaminado por uma cegueira que embrutece o espírito.
Queria acordar para um mundo novo, limpo e honesto. Onde os desejos nascem de sentimentos simples e cada gesto é uma forma de tocar uma alma.
Não sei que mundo é este que vejo em sonhos e desejos, quando me escapo para a ilusão. Mas é aí que pertenço e é essa realidade que quero tornar minha todos os dias.
Conversei há dias com um médico que me dizia assim: "Tudo se corrompeu quando começámos a falar de «transparência» em vez de «honestidade»".
Hoje fugimos da nossa condição e dimensão moral. Substituímos honestidade por transparência para não sermos forçados a fazer juízos de valor sobre as nossas acções e pensamentos, certos e errados.
Ao sermos transparentes desresponsabilizamo-nos. Ao sermos honestos tornamo-nos polícias de nós mesmos.
Queria acordar para um mundo novo, limpo e honesto. Onde os desejos nascem de sentimentos simples e cada gesto é uma forma de tocar uma alma.
Não sei que mundo é este que vejo em sonhos e desejos, quando me escapo para a ilusão. Mas é aí que pertenço e é essa realidade que quero tornar minha todos os dias.
Conversei há dias com um médico que me dizia assim: "Tudo se corrompeu quando começámos a falar de «transparência» em vez de «honestidade»".
Hoje fugimos da nossa condição e dimensão moral. Substituímos honestidade por transparência para não sermos forçados a fazer juízos de valor sobre as nossas acções e pensamentos, certos e errados.
Ao sermos transparentes desresponsabilizamo-nos. Ao sermos honestos tornamo-nos polícias de nós mesmos.
sábado, fevereiro 15, 2014
“Leaves will fall, cold will creep in
A circle of life that ends where it begins
It may take a thousand years and a thousand poems penned
But my hair will someday gray and my back will bend
Then my shadow will join my body in the earth once again.
I know not the way, or even the when
Or who chooses that day we’re called away to ascend
But you bathed me in your bravery and forgave me my sins
You made a home in your heart for mine to live in
And in return, my friend, this poem is my oath
that a river of love will run through it until the very end.”
A circle of life that ends where it begins
It may take a thousand years and a thousand poems penned
But my hair will someday gray and my back will bend
Then my shadow will join my body in the earth once again.
I know not the way, or even the when
Or who chooses that day we’re called away to ascend
But you bathed me in your bravery and forgave me my sins
You made a home in your heart for mine to live in
And in return, my friend, this poem is my oath
that a river of love will run through it until the very end.”
Tudo escrito, como em pedra: "o perigo de abrir demais as ameias do peito a invasões estrangeiras".
Era disto que falava.
http://macte-animo.blogspot.pt/2013/02/quem-acho-na-rua-guardo-dentro-de-cada.html
Era disto que falava.
http://macte-animo.blogspot.pt/2013/02/quem-acho-na-rua-guardo-dentro-de-cada.html
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
O que vale a pena espera. Aguarda em esperança. Reforça-se para acolher um filho, um pai, um amigo.
O que vale a pena nunca morre. Perdura através dos que ficam e daqueles que lembram.
A memória é ouro e um peso terrível. Através dela projectamos futuros alternativos. Intocáveis.
Como amar sempre e mais? Quando tanto falha e os joelhos caiem por terra, como amar sempre?
O que vale a pena nunca morre. Perdura através dos que ficam e daqueles que lembram.
A memória é ouro e um peso terrível. Através dela projectamos futuros alternativos. Intocáveis.
Como amar sempre e mais? Quando tanto falha e os joelhos caiem por terra, como amar sempre?
Se
Se podes conservar o teu bom senso e a calma
No mundo a delirar para quem o louco és tu...
Se podes crer em ti com toda a força de alma
Quando ninguém te crê...Se vais faminto e nu,
Trilhando sem revolta um rumo solitário...
Se à torva intolerância, à negra incompreensão,
Tu podes responder subindo o teu calvário
Com lágrimas de amor e bênçãos de perdão...
Se podes dizer bem de quem te calunia...
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor
(Mas sem a afectação de um santo que oficia
Nem pretensões de sábio a dar lições de amor)...
Se podes esperar sem fatigar a esperança...
Sonhar, mas conservar-te acima do teu sonho...
Fazer do pensamento um arco de aliança
Entre o clarão do inferno e a luz do céu risonho...
Se podes encarar com indiferença igual
O triunfo e a derrota, eternos impostores...
Se podes ver o bem oculto em todo o mal
E resignar sorrindo o amor dos teus amores...
Se podes resistir à raiva e à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega eivadas de peçonha
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste...
Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Vaiadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizeres palavra, e sem um termo agreste,
Voltares ao princípio, a construir de novo...
Se puderes obrigar o coração e os músculos
A renovar um esforço há muito vacilante,
Quando no teu corpo, já afogado em crepúsculos,
Só exista a vontade a comandar avante...
Se, vivendo entre o povo, és virtuoso e nobre...
Se, vivendo entre os reis, conservas a humildade...
Se inimigo ou amigo, o poderoso e o pobre
São iguais para ti à luz da eternidade...
Se quem conta contigo encontra mais que a conta...
Se podes empregar os sessenta segundos
Do minuto que passa em obra de tal monta
Que o minuto se espraia em séculos fecundos...
Então, ó ser sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os reis, os tempos, os espaços!...
Mas, ainda para além, um novo sol rompeu,
Abrindo o infinito ao rumo dos teus passos.
Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem receares jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,
Alegra-te, meu filho, então serás um homem!...
No mundo a delirar para quem o louco és tu...
Se podes crer em ti com toda a força de alma
Quando ninguém te crê...Se vais faminto e nu,
Trilhando sem revolta um rumo solitário...
Se à torva intolerância, à negra incompreensão,
Tu podes responder subindo o teu calvário
Com lágrimas de amor e bênçãos de perdão...
Se podes dizer bem de quem te calunia...
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor
(Mas sem a afectação de um santo que oficia
Nem pretensões de sábio a dar lições de amor)...
Se podes esperar sem fatigar a esperança...
Sonhar, mas conservar-te acima do teu sonho...
Fazer do pensamento um arco de aliança
Entre o clarão do inferno e a luz do céu risonho...
Se podes encarar com indiferença igual
O triunfo e a derrota, eternos impostores...
Se podes ver o bem oculto em todo o mal
E resignar sorrindo o amor dos teus amores...
Se podes resistir à raiva e à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega eivadas de peçonha
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste...
Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Vaiadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizeres palavra, e sem um termo agreste,
Voltares ao princípio, a construir de novo...
Se puderes obrigar o coração e os músculos
A renovar um esforço há muito vacilante,
Quando no teu corpo, já afogado em crepúsculos,
Só exista a vontade a comandar avante...
Se, vivendo entre o povo, és virtuoso e nobre...
Se, vivendo entre os reis, conservas a humildade...
Se inimigo ou amigo, o poderoso e o pobre
São iguais para ti à luz da eternidade...
Se quem conta contigo encontra mais que a conta...
Se podes empregar os sessenta segundos
Do minuto que passa em obra de tal monta
Que o minuto se espraia em séculos fecundos...
Então, ó ser sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os reis, os tempos, os espaços!...
Mas, ainda para além, um novo sol rompeu,
Abrindo o infinito ao rumo dos teus passos.
Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem receares jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,
Alegra-te, meu filho, então serás um homem!...
Rudyard Kipling
“The most beautiful people we have known are those who have known defeat, known suffering, known struggle, known loss, and have found their way out of the depths. These persons have an appreciation, a sensitivity, and an understanding of life that fills them with compassion, gentleness, and a deep loving concern. Beautiful people do not just happen.”
― Elisabeth Kübler-Ross
― Elisabeth Kübler-Ross
quinta-feira, fevereiro 13, 2014
Desejo que a vida te corra bem. Que os teus sonhos se realizem, que o trabalho abunde e que a tua família te ame incondicionalmente. E tu a ela.
Desejo que os bons momentos sejam longos e que os maus não deixem marcas.
Desejo que sejas feliz e que a tua vida seja plena e rica em todos os sentidos.
Deixar-te partir é a decisão mais difícil. Porque é difícil dizer adeus a um amigo que amo muito. É arrancar um bocado de mim e atira-lo fora.
Foste a pessoa que mais deixei entrar. Simplesmente porque te amei e confiei de uma maneira que nunca fiz com ninguém.
A tua partida é uma marca muito funda que fica comigo. Mais um adeus fora de tempo.
Mas onde fores, vai com a certeza que és muito amado.
Desejo que os bons momentos sejam longos e que os maus não deixem marcas.
Desejo que sejas feliz e que a tua vida seja plena e rica em todos os sentidos.
Deixar-te partir é a decisão mais difícil. Porque é difícil dizer adeus a um amigo que amo muito. É arrancar um bocado de mim e atira-lo fora.
Foste a pessoa que mais deixei entrar. Simplesmente porque te amei e confiei de uma maneira que nunca fiz com ninguém.
A tua partida é uma marca muito funda que fica comigo. Mais um adeus fora de tempo.
Mas onde fores, vai com a certeza que és muito amado.
terça-feira, fevereiro 11, 2014
«Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.»
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.»
Torga
Broken people get recycled, and I hope that I will
Sometimes we're thrown off our pathways
What I thought was my way home
Wasn't the place I know
I'm not afraid of changing, I'm certain nothing's certain
What we own becomes our prison
My possessions will be gone
Back to where they came from
Blame, no one is to blame
As natural as the rain that falls
See the rock that you hold onto, is it gonna save you?
When the earth begins to crumble
Why do you feel you have to hold on?
Imagine if you let go
Wash away the weight that pulls you down
Ride the waves that free you from the dusk
Don't trust your eyes, it's easy to believe them
Know in your heart that you can leave your prison
Don't trust your mind, it's not always listening
Turn on the lights, and feel the ancient rhythm
Don't trust your eyes, it's easy to believe them
Know in your heart that you can leave your prison
Blame, no one is to blame
As natural as the rain that falls
Here comes the flood again
Sometimes we're thrown off our pathways
What I thought was my way home
Wasn't the place I know
I'm not afraid of changing, I'm certain nothing's certain
What we own becomes our prison
My possessions will be gone
Back to where they came from
Blame, no one is to blame
As natural as the rain that falls
See the rock that you hold onto, is it gonna save you?
When the earth begins to crumble
Why do you feel you have to hold on?
Imagine if you let go
Wash away the weight that pulls you down
Ride the waves that free you from the dusk
Don't trust your eyes, it's easy to believe them
Know in your heart that you can leave your prison
Don't trust your mind, it's not always listening
Turn on the lights, and feel the ancient rhythm
Don't trust your eyes, it's easy to believe them
Know in your heart that you can leave your prison
Blame, no one is to blame
As natural as the rain that falls
Here comes the flood again
Eu não te traí.
Eu obriguei-te a fazer o que estava certo e que devias ter feito desde o início.
Contar a verdade. Sem curvas.
E à custa de nós dois, eu libertei-te para poderes começar de novo sem amarras.
Eu pus um fim ao teu drama pessoal que durava há um ano.
Eu sugeri-te dares um "motivo forte" que lhe fizesse sentido.
E no final não te deixei mentir.
Eu. Eu. Eu.
Eu dei-te o tempo que pediste para fazeres as coisas à tua maneira. Dei-te o tempo e os meios: o carro para passearem, a garagem para terem essa liberdade, os bilhetes de cinema para se divertirem, a ida ao algarve para se religarem.
E depois de descobrires que já não valia a pena, Eu obriguei-te a fazer o que devias ter tido coragem para fazer por ti próprio logo no início.
Por isso, odeia-me.
Mas odeia a sério. Com raiva. Com rancor.
Só assim é ódio de verdade.
Eu obriguei-te a fazer o que estava certo e que devias ter feito desde o início.
Contar a verdade. Sem curvas.
E à custa de nós dois, eu libertei-te para poderes começar de novo sem amarras.
Eu pus um fim ao teu drama pessoal que durava há um ano.
Eu sugeri-te dares um "motivo forte" que lhe fizesse sentido.
E no final não te deixei mentir.
Eu. Eu. Eu.
Eu dei-te o tempo que pediste para fazeres as coisas à tua maneira. Dei-te o tempo e os meios: o carro para passearem, a garagem para terem essa liberdade, os bilhetes de cinema para se divertirem, a ida ao algarve para se religarem.
E depois de descobrires que já não valia a pena, Eu obriguei-te a fazer o que devias ter tido coragem para fazer por ti próprio logo no início.
Por isso, odeia-me.
Mas odeia a sério. Com raiva. Com rancor.
Só assim é ódio de verdade.
«Há uma casa construída de pedra
Chão de madeira, parapeitos nos vidros
Mesas e cadeiras gastas pelo pó
Este é um sítio onde não me sinto só
É um sítio em que me sinto em casa.
Porque construí um lar
Para mim
Para ti
Até ele desaparecer
De mim
De ti
No jardim semeámos as sementes
Lá há uma árvore tão velha como eu
Ramos cortados pela cor verde
O chão levantado e raízes no ar
Pelas brechas da casca subi ao topo
Subi a árvore para ver o mundo
Quando as rajadas vieram para me derrubar
Segurei-me com tanta força como te agarras a mim
Com tanta força como a que te agarra a mim.
Porque construí um lar
Para mim
Para ti
Até ele desaparecer
De mim
De ti»
domingo, fevereiro 09, 2014
“Wisdom cannot be imparted. Wisdom that a wise man attempts to impart always sounds like foolishness to someone else... Knowledge can be communicated, but not wisdom. One can find it, live it, do wonders through it, but one cannot communicate and teach it.”
― Hermann Hesse, Siddhartha
Este é um dos meus erros, não só contigo. Mas, ultimamente, especialmente contigo. Não sou sábio, mas sei algumas coisas. Sei que perdoar é sempre o melhor caminho. Sei que reconciliar é sempre a melhor escolha. Sei que perseverar, é viver com esperança. E sei que nunca é tarde demais quando amamos.
Difícil é saber o que sentimos em cada momento.
Boa semana.
― Hermann Hesse, Siddhartha
Este é um dos meus erros, não só contigo. Mas, ultimamente, especialmente contigo. Não sou sábio, mas sei algumas coisas. Sei que perdoar é sempre o melhor caminho. Sei que reconciliar é sempre a melhor escolha. Sei que perseverar, é viver com esperança. E sei que nunca é tarde demais quando amamos.
Difícil é saber o que sentimos em cada momento.
Boa semana.
sábado, fevereiro 08, 2014
Jura, se puderes, que vais ser bom. Melhor que bom, apenas melhor. Que vais encontrar a coragem para escrever um conto, uma memória ou uma carta. Jura que vais tentar ser justo e alicerçares a tua casa numa utopia com sentido. Jura que vais ser o homem que conta verdades, que lê romances, que chora sozinho e ri em público. Jura que tudo muda, que nas pisadas que dás marcas o mundo com os teus pés. Jura que o sacrifício se gravou na memória. Jura que não esqueces. Jura que aprendeste que cada gesto traz uma gentileza ou um ferro em brasa. Jura. Jura a ti mesmo que nada é em vão.
«Por vezes o destino é como uma pequena tempestade no deserto que continua a mudar de direcção. Mudas de direcção mas ela continua a perseguir-te. Voltas a mudar, mas a tempestade continua a ajustar o seu curso. Fazes isto uma e outra vez, como numa dança prodigiosa com a morte anunciada para antes do amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é alguma coisa que tenha soprado de muito longe, algo que não tenha nada a ver contigo. Esta tempestade és tu. Alguma coisa dentro de ti. Por isso, a única coisa que podes fazer é renderes-te a ela, caminhar exactamente para o interior, fechar os olhos e tapar os ouvidos para a areia não entrar, e atravessá-la, passo a passo. Ali não há sol, lua, orientação, nem sentido do tempo. Apenas grãos finos de areia torneando-se no ar como ossos pulverizados. É este tipo de tempestade que precisas de imaginar.
E vais ter mesmo de conseguir ultrapassar essa tempestade violenta, metafísica e simbólica. Não importa, na verdade, quão metafísica ou simbólica possa ser, não te deixes enganar: vai cortar através da carne como mil lâminas. As pessoas sangram nela, e tu também vais sangrar. Sangue vermelho, quente. Vais apanhar esse sangue com as tuas mãos, o teu próprio sangue e o sangue de outros.
E quando a tempestade terminar não te vais recordar como a atravessaste, como conseguiste sobreviver. Nem vais ter certeza, de facto, se terminou realmente. Apenas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade não vais ser a mesma pessoa que nela entrou. Esta tempestade é exactamente sobre isso mesmo.»
E vais ter mesmo de conseguir ultrapassar essa tempestade violenta, metafísica e simbólica. Não importa, na verdade, quão metafísica ou simbólica possa ser, não te deixes enganar: vai cortar através da carne como mil lâminas. As pessoas sangram nela, e tu também vais sangrar. Sangue vermelho, quente. Vais apanhar esse sangue com as tuas mãos, o teu próprio sangue e o sangue de outros.
E quando a tempestade terminar não te vais recordar como a atravessaste, como conseguiste sobreviver. Nem vais ter certeza, de facto, se terminou realmente. Apenas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade não vais ser a mesma pessoa que nela entrou. Esta tempestade é exactamente sobre isso mesmo.»
“As I see it, you are living with something that you keep hidden deep inside. Something heavy. I felt it from the first time I met you. You have a strong gaze, as if you have made up your mind about something. To tell you the truth, I myself carry such things around inside. Heavy things. That is how I can see it in you.”
terça-feira, fevereiro 04, 2014
Disseste que devia procurar ajuda profissional, que devia deixar os meus pais e a Teresa ajudarem, mas para fazer o que achasse, porque afinal é sempre isso que acabo por fazer. Teimoso e não escuto.
E, do silêncio, dizes que acabou.
E sabes porquê? Sabes por que me humilho deliberadamente várias vezes por semana?
Porque se acreditar em ti e na tua versão, significa que tudo o que me motivou estava errado.
Ser inflexível, não dar uma oportunidade, ser radical nas escolhas.
Nada disto te faz mais forte, nem mais certo. Não descomplica relações, nem te faz crescer.
Torna-te mais solitário apenas, perdido dentro de ti próprio.
Disseste que não te caiu nada bem o que escrevi, que não era justo e que sempre deste o que podias, de boa vontade.
Disseste que não cumpri o que te prometi.
Disseste que não te dei a única coisa que tinhas pedido.
Disseste que tudo o que alguma vez te disse foram só palavras.
Disseste que te traí.
Disseste que falhei.
Disseste boa noite a um estranho.
Disseste que não tinhas tempo para conversar.
E, do silêncio, dizes que acabou.
Dizes que não sou digno.
Dizes que me desprezas.
Dizes que não tenho valor para ti.
Dizes que devo ser ignorado.
Dizes que não mereço.
E, no entanto, eu falo. Continuo a falar contigo. Continuo a escrever-te, a enviar-te e-mails e sms.
E sabes porquê? Sabes por que me humilho deliberadamente várias vezes por semana?
Porque se acreditar em ti e na tua versão, significa que tudo o que me motivou estava errado.
Significa que de facto te menti, enganei e traí. Significa que tens razão e que fui um péssimo amigo e uma pessoa nojenta, indigna da tua amizade.
E isso não é verdade.
Eu não te traí. Eu nunca traí a nossa amizade.
E por isso também não mereço o teu desprezo.
Desde que te conheci tentei ser o teu melhor e mais fiel amigo.
Eu não te traí. Eu nunca traí a nossa amizade.
E por isso também não mereço o teu desprezo.
Desde que te conheci tentei ser o teu melhor e mais fiel amigo.
Não fui o amigo mais assertivo. Dei-te dores de cabeça que podia ter evitado. Fui obsessivo.
Mas fui o teu amigo mais verdadeiro e também o mais incómodo. E continuo a sê-lo hoje.
E se calhar a verdade é que tu não queres uma pessoa assim na tua vida. O grilo, sem moral para dar lições.
E se calhar a verdade é que tu não queres uma pessoa assim na tua vida. O grilo, sem moral para dar lições.
Mas se esperares que apenas um santo seja digno de te dizer alguma verdade mais óbvia que te incomode a consciência, então vais continuar a vida toda a ouvir mentiras e a gostares do que estás a ouvir.
Ser inflexível, não dar uma oportunidade, ser radical nas escolhas.
Nada disto te faz mais forte, nem mais certo. Não descomplica relações, nem te faz crescer.
Torna-te mais solitário apenas, perdido dentro de ti próprio.
segunda-feira, fevereiro 03, 2014
quinta-feira, janeiro 30, 2014
O que procuras aqui?
Estou de luto. Por isso não escrevo tanto.
Perdi a tua amizade. O melhor amigo. E isso dói. Como se me arrancassem o coração pelas costas (mesmo).
Dói por ser uma reação e não um afastamento natural. Dói porque resultou de erros e de incapacidade de valorizar o melhor sobre o pior.
Dói muito. E isso não devia dar satisfação a nenhum de nós.
Faz hoje 1 ano. Abraço.
Estou de luto. Por isso não escrevo tanto.
Perdi a tua amizade. O melhor amigo. E isso dói. Como se me arrancassem o coração pelas costas (mesmo).
Dói por ser uma reação e não um afastamento natural. Dói porque resultou de erros e de incapacidade de valorizar o melhor sobre o pior.
Dói muito. E isso não devia dar satisfação a nenhum de nós.
Faz hoje 1 ano. Abraço.
quarta-feira, janeiro 29, 2014
segunda-feira, janeiro 27, 2014
Creon says to Oedipus,
“But do not charge me on obscure opinion without some proof to back it. It’s not just lightly to count your knaves as honest men, nor honest men as knaves. To throw away an honest friend is, as it were, to throw your life away, which a man loves the best.”
Full book
“But do not charge me on obscure opinion without some proof to back it. It’s not just lightly to count your knaves as honest men, nor honest men as knaves. To throw away an honest friend is, as it were, to throw your life away, which a man loves the best.”
Full book
domingo, janeiro 26, 2014
Há tão pouco que valha tanto. E tanto que vale tão pouco.
Escolher nunca é fácil. Por vezes é necessário. Outras vezes inevitável.
Há um direito natural à destruição. De nós, de quem está connosco, das memórias que criámos, do futuro que esperámos.
Há um direito natural à criação de uma nova mentalidade, de novos objetivos, de novas expectativas.
Deitar fora o velho e deixar espaço para o novo.
A escolha é um sacrifício. É um risco. Uma responsabilidade. Optar é sempre difícil e necessário, chegado o momento.
Escolher é inevitável. Errar também. Erro e escolha vêm juntos. Sem escolha não há erro. É natural. É lógico. E é trágico, porque todos os dias escolhemos e nem sempre acertamos.
Faz-me lembrar da 1.ª lei de Murphy: «Se alguma coisa puder correr mal, vai correr mal».
E nós somos evidência da 2.ª: «De todas as coisas que possam correr mal, a pior de todas é que vai ocorrer».
quarta-feira, janeiro 22, 2014
É hora
"- Sabes uma coisa?
- O quê?
- Mais dia, menos dia, vou suicidar-me.
- Obrigada por partilhares essa informação.
- Obrigado por não queres saber.
- Quem não quer ajuda não pode ser ajudado.
- Ok."
- O quê?
- Mais dia, menos dia, vou suicidar-me.
- Obrigada por partilhares essa informação.
- Obrigado por não queres saber.
- Quem não quer ajuda não pode ser ajudado.
- Ok."
terça-feira, janeiro 21, 2014
sábado, janeiro 18, 2014
segunda-feira, janeiro 13, 2014
domingo, janeiro 12, 2014
Que não atendas o telefone, que vires a cara qd passamos um pelo outro, que não desças para conversar. Tudo isso eu percebo.
Mas sabes o que me entristece? É ver-te sem saberes o que queres. Tentas eliminar a história que te transformou no que és hoje, quando há tantas coisas boas nela.
E depois, de madrugada, à noite, ou durante a tarde, ou durante uma hora de almoço, e por vezes logo ao acordar, vens aqui procurar algo familiar. Voltas sempre ao passado. Voltas sempre a mim e ao que escrevo. Parte por curiosidade, parte porque se tornou um hábito. Parte porque é uma forma de controlares o estado das coisas. E, sem falsa modéstia, parte porque eu sou importante para ti e porque tens sentimentos conflituantes quando pensas no percurso que seguimos lado a lado no último ano.
E se eu te fechasse a porta? Se deixasse de acreditar em ti e no bom que tens? Tinhas a desculpa que precisavas para virares completamente as costas. Tomava eu a decisão por ti.
Mas não o faço. Porque gosto de ti. Porque sei quem és de verdade. Porque conheço-te e sei que precisas de uma pausa e de uma oportunidade.
Adivinho que o trabalho te esteja a correr bem, mas que já procuras outra coisa. Suponho que já estás aborrecido, que não sentes ali grandes expectativas de evolução. Penso que estás a contactar com muita gente interessante e, no entanto, desejas trabalhar onde essas pessoas trabalham, mais do que no sítio onde estás. Por agora é conveniente, permite-te fazer o q gostas. Mas chega-te para o futuro? Acredito que a fiscalidade continue a parecer-te aliciante, mas tens dúvidas se é caminho certo. Mas, ao mesmo tempo, por que não? Aproveita este ano para fazeres um bom CV em fiscal, se o dinheiro te sobra. É preciso tomar riscos, fazer investimentos.
A carreira é algo fundamental para ti, que justifica vir em primeiro lugar, porque é algo que depende exclusivamente teu trabalho individual. É matemático, seguro e racional. Se trabalhas, colhes bons frutos. Tu és inteligente, competente e sabes que ter uma carreira de sucesso implica sacrifício. Tens razão, é essa a fórmula. Mas há muitos tipos de sacrifício e, infelizmente, a maioria não tem impacto para a carreira, apenas para a tua felicidade pessoal.
Como em todos os trabalhos, uma pessoa tem de mostrar-se forte e confiante. Por tanto acreditares nisto, achas que as tuas relações pessoais com colegas de trabalho e amigos são um caminho aberto para pareceres fraco e sujeito a ataques. Dessa forma, tentas mantê-los afastados e, com isso, perdes um pouco a confiança deles, ou pelo menos, trata-los como um meio para os teus fins. Isto seria tolerável se tu fosses um cabrão, mas felizmente tens uma consciência e, no final, é essa ética que acaba por pesar nas tuas escolhas e os teus objetivos desvanecem um pouco com o passar do tempo. Relativizam-se.
A parte antagónica nisto tudo é que tu precisas muito da validação externa - a mesma que procuras afastar do teu dia-a-dia e do teu raciocínio. A tua autoconfiança só é suficiente para lidar com uma certa área da tua vida. O que verdadeiramente te dá estabilidade para perseverar no trabalho e no resto são os reforços e os estímulos positivos que recebes de quem te acompanha e está em redor. E se eles te faltam entre quem te conhece bem, vais procura-los em desconhecidos. E novamente, volta a tua consciência a falar mais alto.
Reconheces aqui algum padrão? Soa-te de alguma maneira familiar relativamente às escolhas pessoais e profissionais que tens feito?
E eu falo-te nisto não para te expor, nem para demonstrar um lado teu que se calhar preferias manter guardado e certamente que não falo nisto para julgar-te.
Eu falo nisto para nos justificar aos dois e ao que se está a passar.
Tu sabes que eu vejo um pouco (bastante) através das tuas defesas. Achas que me deixaste entrar demais na tua vida, que me deste esse voto de confiança e que eu não o soube manter. Achas que, por isso, eu me tornei uma parte do problema, alguém que sabe demais, que te faz recordar coisas que preferes esquecer e que, na mesma linha de raciocínio, te vai manter preso a um momento e a um estado do qual te queres libertar.
Por outras palavras, enquanto te deres comigo não evoluis, não te distancias do que foste num determinado momento e a minha presença há-de levar-te sempre a reviver memórias pesadas e desilusão.
Mas eu não sou tudo isso. É verdade que sou uma testemunha. Mas não sou testemunha de um crime, nem de uma traição, nem de um assassinato.
Sou apenas testemunha de ti. Sou testemunha de momentos maus, mas também sou testemunha de momentos excelentes. Tu és testemunha de bons momentos meus, que partilhei contigo, e também dos mais negros que só a ti confessei.
Se somos alguma coisa um ao outro, somos apenas testemunhas das mudanças. Não podemos ser marcos do tempo. A história, a tua e a minha, não podem ser catalogadas numa cronologia "antes de MV-RJ" e "depois de RJ-MV". Nenhum de nós tem assim tanta importância, nem influenciou de tal forma a vida um do outro. O que estava para acontecer, ia acontecer de uma maneira ou outra, quer tu ou eu ou outra pessoa qualquer estivesse presente.
Tens direito a estar cansado, chateado e a quereres distância, assim como eu tenho direito a dizer-te que isso é uma forma de meter a cabeça na areia em vez de lidar com o problema de fundo: a incapacidade de nos ignorarmos completamente e os simultâneos sentimentos de raiva, desilusão, tolerância, ódio e amizade, todos metidos dentro do mesmo saco. Se há um ponto até ao qual conseguimos perceber por que o outro se comportou daquela maneira, por outro lado a expectativa que tínhamos relativamente ao outro foi frustrada e traz muito ressentimento.
E entristece-me que o que aconteceu entre nós possa contribuir para abraçares ideias e sentimentos que não são verdadeiros e não nos fazem bem. Fico triste porque sinto que uma parte de ti está presa a ressentimento e raiva (eu como objeto), quando uma simples conversa podia ser suficiente para limpar esse estado de espírito. Eu sei que estás zangado com muita coisa, incluíndo comigo. Mas também sei que uma parte de ti continua a gostar de mim.
Eu também tenho os mesmos sentimentos relativamente a ti e procuro desenleá-los uns dos outros, um a um. Procuro andar tranquilo e desejo acreditar que a amizade que temos um pelo outro não morra debaixo dos escombros. E durante todo o dia vou pedindo perdão, não sei bem a quem, por ter magoado a pessoa de quem mais gosto além da minha família.
Esta "conversa" que estou a ter, destina-se apenas a uma parte de ti, àquela que pensa a sério sobre todos os assuntos e não tem tabus; aquela que consegue reconhecer a amizade que subsiste e que só raramente vem ao de cima.
Não estou a falar para o teu Eu superficial, orgulhoso e teimoso.
É para o teu Eu mais profundo, sem barreiras mentais, que estou a falar, porque é aí que vive o meu amigo. E se para rever o meu amigo tenho que ser mordido pela outra fera, então que seja. Porque continuas a valer a pena.
Obrigado por leres.
Um abraço!
Mas sabes o que me entristece? É ver-te sem saberes o que queres. Tentas eliminar a história que te transformou no que és hoje, quando há tantas coisas boas nela.
E depois, de madrugada, à noite, ou durante a tarde, ou durante uma hora de almoço, e por vezes logo ao acordar, vens aqui procurar algo familiar. Voltas sempre ao passado. Voltas sempre a mim e ao que escrevo. Parte por curiosidade, parte porque se tornou um hábito. Parte porque é uma forma de controlares o estado das coisas. E, sem falsa modéstia, parte porque eu sou importante para ti e porque tens sentimentos conflituantes quando pensas no percurso que seguimos lado a lado no último ano.
E se eu te fechasse a porta? Se deixasse de acreditar em ti e no bom que tens? Tinhas a desculpa que precisavas para virares completamente as costas. Tomava eu a decisão por ti.
Mas não o faço. Porque gosto de ti. Porque sei quem és de verdade. Porque conheço-te e sei que precisas de uma pausa e de uma oportunidade.
Adivinho que o trabalho te esteja a correr bem, mas que já procuras outra coisa. Suponho que já estás aborrecido, que não sentes ali grandes expectativas de evolução. Penso que estás a contactar com muita gente interessante e, no entanto, desejas trabalhar onde essas pessoas trabalham, mais do que no sítio onde estás. Por agora é conveniente, permite-te fazer o q gostas. Mas chega-te para o futuro? Acredito que a fiscalidade continue a parecer-te aliciante, mas tens dúvidas se é caminho certo. Mas, ao mesmo tempo, por que não? Aproveita este ano para fazeres um bom CV em fiscal, se o dinheiro te sobra. É preciso tomar riscos, fazer investimentos.
A carreira é algo fundamental para ti, que justifica vir em primeiro lugar, porque é algo que depende exclusivamente teu trabalho individual. É matemático, seguro e racional. Se trabalhas, colhes bons frutos. Tu és inteligente, competente e sabes que ter uma carreira de sucesso implica sacrifício. Tens razão, é essa a fórmula. Mas há muitos tipos de sacrifício e, infelizmente, a maioria não tem impacto para a carreira, apenas para a tua felicidade pessoal.
Como em todos os trabalhos, uma pessoa tem de mostrar-se forte e confiante. Por tanto acreditares nisto, achas que as tuas relações pessoais com colegas de trabalho e amigos são um caminho aberto para pareceres fraco e sujeito a ataques. Dessa forma, tentas mantê-los afastados e, com isso, perdes um pouco a confiança deles, ou pelo menos, trata-los como um meio para os teus fins. Isto seria tolerável se tu fosses um cabrão, mas felizmente tens uma consciência e, no final, é essa ética que acaba por pesar nas tuas escolhas e os teus objetivos desvanecem um pouco com o passar do tempo. Relativizam-se.
A parte antagónica nisto tudo é que tu precisas muito da validação externa - a mesma que procuras afastar do teu dia-a-dia e do teu raciocínio. A tua autoconfiança só é suficiente para lidar com uma certa área da tua vida. O que verdadeiramente te dá estabilidade para perseverar no trabalho e no resto são os reforços e os estímulos positivos que recebes de quem te acompanha e está em redor. E se eles te faltam entre quem te conhece bem, vais procura-los em desconhecidos. E novamente, volta a tua consciência a falar mais alto.
Reconheces aqui algum padrão? Soa-te de alguma maneira familiar relativamente às escolhas pessoais e profissionais que tens feito?
E eu falo-te nisto não para te expor, nem para demonstrar um lado teu que se calhar preferias manter guardado e certamente que não falo nisto para julgar-te.
Eu falo nisto para nos justificar aos dois e ao que se está a passar.
Tu sabes que eu vejo um pouco (bastante) através das tuas defesas. Achas que me deixaste entrar demais na tua vida, que me deste esse voto de confiança e que eu não o soube manter. Achas que, por isso, eu me tornei uma parte do problema, alguém que sabe demais, que te faz recordar coisas que preferes esquecer e que, na mesma linha de raciocínio, te vai manter preso a um momento e a um estado do qual te queres libertar.
Por outras palavras, enquanto te deres comigo não evoluis, não te distancias do que foste num determinado momento e a minha presença há-de levar-te sempre a reviver memórias pesadas e desilusão.
Mas eu não sou tudo isso. É verdade que sou uma testemunha. Mas não sou testemunha de um crime, nem de uma traição, nem de um assassinato.
Sou apenas testemunha de ti. Sou testemunha de momentos maus, mas também sou testemunha de momentos excelentes. Tu és testemunha de bons momentos meus, que partilhei contigo, e também dos mais negros que só a ti confessei.
Se somos alguma coisa um ao outro, somos apenas testemunhas das mudanças. Não podemos ser marcos do tempo. A história, a tua e a minha, não podem ser catalogadas numa cronologia "antes de MV-RJ" e "depois de RJ-MV". Nenhum de nós tem assim tanta importância, nem influenciou de tal forma a vida um do outro. O que estava para acontecer, ia acontecer de uma maneira ou outra, quer tu ou eu ou outra pessoa qualquer estivesse presente.
Tens direito a estar cansado, chateado e a quereres distância, assim como eu tenho direito a dizer-te que isso é uma forma de meter a cabeça na areia em vez de lidar com o problema de fundo: a incapacidade de nos ignorarmos completamente e os simultâneos sentimentos de raiva, desilusão, tolerância, ódio e amizade, todos metidos dentro do mesmo saco. Se há um ponto até ao qual conseguimos perceber por que o outro se comportou daquela maneira, por outro lado a expectativa que tínhamos relativamente ao outro foi frustrada e traz muito ressentimento.
E entristece-me que o que aconteceu entre nós possa contribuir para abraçares ideias e sentimentos que não são verdadeiros e não nos fazem bem. Fico triste porque sinto que uma parte de ti está presa a ressentimento e raiva (eu como objeto), quando uma simples conversa podia ser suficiente para limpar esse estado de espírito. Eu sei que estás zangado com muita coisa, incluíndo comigo. Mas também sei que uma parte de ti continua a gostar de mim.
Eu também tenho os mesmos sentimentos relativamente a ti e procuro desenleá-los uns dos outros, um a um. Procuro andar tranquilo e desejo acreditar que a amizade que temos um pelo outro não morra debaixo dos escombros. E durante todo o dia vou pedindo perdão, não sei bem a quem, por ter magoado a pessoa de quem mais gosto além da minha família.
Esta "conversa" que estou a ter, destina-se apenas a uma parte de ti, àquela que pensa a sério sobre todos os assuntos e não tem tabus; aquela que consegue reconhecer a amizade que subsiste e que só raramente vem ao de cima.
Não estou a falar para o teu Eu superficial, orgulhoso e teimoso.
É para o teu Eu mais profundo, sem barreiras mentais, que estou a falar, porque é aí que vive o meu amigo. E se para rever o meu amigo tenho que ser mordido pela outra fera, então que seja. Porque continuas a valer a pena.
Obrigado por leres.
Um abraço!
sábado, janeiro 11, 2014
domingo, janeiro 05, 2014
Se conhecesses os lados mais tristes da vida, saberias o que é a vontade de dizer "olá" a um amigo e seres confrontado, de verdade, com a sua ausência irreversível. Conhecesses isto como eu, talvez te fizesse sentido pôr o orgulho e o ressentimento em suspenso, apenas pelo tempo que demore uma conversa.
sábado, janeiro 04, 2014
"Este livro que vos deixo"
«Queremos ver sempre à distância
O que não está descoberto,
Sem ligarmos importância
Ao que está à vista e perto.
És um rapaz instruído,
És um doutor; em resumo:
És um limão, que espremido,
Não dá caroços nem sumo.
Sem que o discurso eu pedisse,
Ele falou; e eu escutei.
Gostei do que ele não disse;
Do que disse não gostei.
Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias,
Hoje que podes – esqueceste
Tudo quanto prometias...
Diz que viver é sofrer...
Concordo. Mas não compreendo
Que ninguém ouse dizer
Quanto se aprende sofrendo!
Tanto da vida conheço
Que, ao ver o mundo tão torto,
Às vezes quando adormeço,
Desejava acordar morto.
Não sou esperto nem bruto,
Nem bem nem mal educado:
Sou simplesmente o produto
Do meio em que fui criado.
Se no sentir fui distinto,
Talvez, por essa razão,
Agora levo e não sinto,
Os pontapés que me dão...
Só quando sinceramente
Sentimos a dor de alguém,
Podemos descrever bem
A mágoa que esse alguém sente.
Até nas quadras que faço
Aos podres que o mundo tem,
Sinto que sou um pedaço
Do mesmo podre também.
Queria que o mundo soubesse
Que a dor que tortura a vida
É quase sempre sentida
Por quem menos a merece.
Oh! Quem me dera, sozinho,
E em quatro versos somente,
Contar ao mundo inteirinho
A mágoa de toda a gente.
Não sei o que de mim pensam
Quando me vêem chorar;
Mas quero que se convençam
Que a dor também faz cantar.
Se umas quadras são conselhos
Que vos dou de boa fé;
Outras são finos espelhos
Onde o leitor vê quem é.
À carta que me mandaste,
Em troca à minha, que leste,
Preferia o que pensaste
Àquilo que me escreveste.
Contigo em contradição
Pode estar um grande amigo;
Duvida mais dos que estão
Sempre de acordo contigo.
Fala!... Não te faças branco.
Não compreendes que, de resto,
Vale mais ser rude e franco
Que falsamente modesto?
Para que te não iludas
Com amigos, pensa nisto:
Foi com um beijo que Judas
Levou à cruz Jesus Cristo.
Para não fazeres ofensas
E teres dias felizes,
Não digas tudo o que pensas,
Mas pensa tudo o que dizes.
Quando algum bem tu fizeres,
Não o digas a ninguém,
Repara que, se o disseres,
Fazes mais mal do que bem.
Quando te vês mal, e dizes
Que preferias a morte,
Pensa que outros menos felizes
Invejam a tua sorte.
Nas tuas horas mais tristes,
De mágoas e desenganos,
Pensa que já não existes,
Que morreste há muitos anos.
Jesus disse que se amassem
Aos que cristãos se proclamam;
Não disse que se matassem,
E eles matam-se e não se amam.
Tu que queres ser alguém
Pelo que julgas valer
Não perdoas que ninguém
Seja o que tu queres ser.
Nos versos que se improvisem,
Os poetas sabem ler,
Para além do que eles dizem,
Tudo o que querem dizer.
Se já sofreste, não chores,
Que a vida passa depressa...
Vamos ter dias melhores
E o passado pouco interessa.
Para que tentas prender
Um pensador de talento?
Não vês que vais dar sem querer,
Liberdade ao pensamento.
Para veres o que merecias
Quando tu me fazes mal,
Pensa só no que farias
A quem te fizesse tal.
Neste mundo, onde sobejam
Os homens de pouco siso,
Talvez os malucos sejam
Os que têm mais juízo.
Vós podeis chamar-me louco;
Democrata; socialista...
E comunista também.
Que sou de tudo isso um pouco,
Pois sou uma coisa mista
Do bom que tudo isso tem!»
António Aleixo.
Os poetas sabem ler.
«Queremos ver sempre à distância
O que não está descoberto,
Sem ligarmos importância
Ao que está à vista e perto.
És um rapaz instruído,
És um doutor; em resumo:
És um limão, que espremido,
Não dá caroços nem sumo.
Sem que o discurso eu pedisse,
Ele falou; e eu escutei.
Gostei do que ele não disse;
Do que disse não gostei.
Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias,
Hoje que podes – esqueceste
Tudo quanto prometias...
Diz que viver é sofrer...
Concordo. Mas não compreendo
Que ninguém ouse dizer
Quanto se aprende sofrendo!
Tanto da vida conheço
Que, ao ver o mundo tão torto,
Às vezes quando adormeço,
Desejava acordar morto.
Não sou esperto nem bruto,
Nem bem nem mal educado:
Sou simplesmente o produto
Do meio em que fui criado.
Se no sentir fui distinto,
Talvez, por essa razão,
Agora levo e não sinto,
Os pontapés que me dão...
Só quando sinceramente
Sentimos a dor de alguém,
Podemos descrever bem
A mágoa que esse alguém sente.
Até nas quadras que faço
Aos podres que o mundo tem,
Sinto que sou um pedaço
Do mesmo podre também.
Queria que o mundo soubesse
Que a dor que tortura a vida
É quase sempre sentida
Por quem menos a merece.
Oh! Quem me dera, sozinho,
E em quatro versos somente,
Contar ao mundo inteirinho
A mágoa de toda a gente.
Não sei o que de mim pensam
Quando me vêem chorar;
Mas quero que se convençam
Que a dor também faz cantar.
Se umas quadras são conselhos
Que vos dou de boa fé;
Outras são finos espelhos
Onde o leitor vê quem é.
À carta que me mandaste,
Em troca à minha, que leste,
Preferia o que pensaste
Àquilo que me escreveste.
Contigo em contradição
Pode estar um grande amigo;
Duvida mais dos que estão
Sempre de acordo contigo.
Fala!... Não te faças branco.
Não compreendes que, de resto,
Vale mais ser rude e franco
Que falsamente modesto?
Para que te não iludas
Com amigos, pensa nisto:
Foi com um beijo que Judas
Levou à cruz Jesus Cristo.
Para não fazeres ofensas
E teres dias felizes,
Não digas tudo o que pensas,
Mas pensa tudo o que dizes.
Quando algum bem tu fizeres,
Não o digas a ninguém,
Repara que, se o disseres,
Fazes mais mal do que bem.
Quando te vês mal, e dizes
Que preferias a morte,
Pensa que outros menos felizes
Invejam a tua sorte.
Nas tuas horas mais tristes,
De mágoas e desenganos,
Pensa que já não existes,
Que morreste há muitos anos.
Jesus disse que se amassem
Aos que cristãos se proclamam;
Não disse que se matassem,
E eles matam-se e não se amam.
Tu que queres ser alguém
Pelo que julgas valer
Não perdoas que ninguém
Seja o que tu queres ser.
Nos versos que se improvisem,
Os poetas sabem ler,
Para além do que eles dizem,
Tudo o que querem dizer.
Se já sofreste, não chores,
Que a vida passa depressa...
Vamos ter dias melhores
E o passado pouco interessa.
Para que tentas prender
Um pensador de talento?
Não vês que vais dar sem querer,
Liberdade ao pensamento.
Para veres o que merecias
Quando tu me fazes mal,
Pensa só no que farias
A quem te fizesse tal.
Neste mundo, onde sobejam
Os homens de pouco siso,
Talvez os malucos sejam
Os que têm mais juízo.
Vós podeis chamar-me louco;
Democrata; socialista...
E comunista também.
Que sou de tudo isso um pouco,
Pois sou uma coisa mista
Do bom que tudo isso tem!»
António Aleixo.
Os poetas sabem ler.
quinta-feira, janeiro 02, 2014
A regra de ouro
Ouvi falar da «Regra de Ouro» sob muitos nomes e formas ao longo da vida, desde os tempos do catecismo católico até às conversas mais banais que se possam escutar num café.
Contudo, apenas no 5.º ano de licenciatura, em 2007, a conheci com mais pormenor, ao estudar Filosofia do Direito - uma disciplina grandemente desvalorizada pelos alunos e ainda mais rapidamente esquecida assim que se abraça na prática qualquer profissão (não só as jurídicas).
A Regra de Ouro pode ser sumariada através de dois postulados éticos elementares:
1. Faz aos outros o que queres que te façam a ti;
2. Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.
Há poucos ensinamentos tão simples, tão óbvios e tão universalmente aceites.
Sendo assim, por que razão tantas vezes as pessoas que mais amamos e que também nos amam optam por um caminho de renovação interior que envolve uma vã tentativa de se esquecerem de quem são, de quem as ama incondicionalmente, de punição radical... de afastamento da Regra de Ouro?
A Regra de Ouro é um fundamento para o entendimento das mentes e dos corações e é tantas vezes atropelada.
Um amigo e eu perdemos-nos ambos um do outro. E isso levou-me a repensar o que sou e quem vou ser. Levou-me a olhar novamente para tudo o que soube e esqueci, sobre mim, sobre a história, sobre as relações humanas.
Faltou-nos compreensão, capacidade de perdão, e sobejou-nos fraqueza para falar sem armas apontadas ao outro.
O que nos faz falta é aplicar a regra de ouro à vida individual de cada um, em todos os momentos, e trazê-la para junto de nós quando for o tempo destinado.
No que toca às amizades, a Regra de Ouro faculta um guia sobre como ser amigo. Se queres alguém que se ria contigo, que se preocupe contigo e que esteja presente para ti, então tens de fazer e ser tudo isto para essa pessoa. E por que razão será isto tão difícil de alcançar? Se todos se guiassem por esta regra, não haveria conflito ou sentimentos magoados entre amigos.
Uma razão possível é que aquela pessoa nem sempre sabe como se tratar a si própria e, como resultado, trata os outros de forma pobre também. Talvez tenha tido provações grandes com a sua autoestima, ou faltou-lhe o amor e atenção incondicionais num momento essencial. Aprender a utilizar a Regra de Ouro já em adulto pode demorar e uma ou duas amizades podem acabar devido a comportamentos também eles pobres. Quando uma pessoa compreende o que é preciso para ser um verdadeiro amigo, o seu comportamento muda e fortes amizades podem ser construídas.
Uma outra razão pela qual a Regra de Ouro é ignorada é que a outra pessoa, muitas vezes, não vê o benefício em "dar" a outro alguém. Olha a generosidade do espírito como um custo emocional que não acredita que possa alguma vez ser pago de volta. Esta pessoa normalmente prefere ficar na posição de recebedor, mas não é recíproca.
E até quando dois amigos olham para argumentos ou para uma discussão sob o ponto de vista da Regra de Ouro, isso significa que tratas o teu amigo com respeito, mesmo quando estás zangado com ele. Não lhe envias um e-mail agressivo, nem tão pouco o expões em frente de outros amigos; mas antes esperas até que os dois estejam sozinhos e possam falar dos assuntos com calma ou, pelo menos, de forma privada.
Por vezes a pessoa tenta e manipula outros não envolvidos na discussão para tomarem o seu lado na querela com um amigo. Podem contar a sua versão dos factos num esforço para lograr simpatia e podem envolver outros sem que o amigo tenha hipótese de responder. Comportamentos deste tipo podem criar um ponto de foco para qualquer que fosse a contenda original e podem servir como um catalisador para terminar a amizade. Quando um amigo não consegue aplicar a Regra de Ouro à discussão, o outro amigo pode simplesmente afastar-se da relação por esta carecer de respeito.
Pára, antes de "rebentares" com um amigo ou do comprometeres com as tuas opções, e pensa sobre como gostarias que as coisas acontecessem se estivessem sentados no lugar um do outro. Gostavas que o teu amigo gritasse ou explodisse contigo online, num e-mail, ou até mesmo em pessoa? Pondera nisto por um momento enquanto aguardas, e pode ser que a resposta a que chegues seja suficientemente temperada para permitir-vos a ambos resolver as vossas questões.
O mesmo é verdade para combinar encontros ou escolher atividades. Gostarias de esperar por um amigo que chega sempre atrasado? Alguém que não pode nunca encontrar-se contigo a meio caminho? Ou que insiste em ser sempre ele a escolher a atividade? Quando o teu amigo está a passar por uma situação difícil, genuinamente rezas ou desejas do fundo do coração que os problemas dele se resolvam? Ou secretamente tiras algum prazer desse sofrimento ou, pelo menos, desejas que resolva os seus problemas apenas para não teres que aborrecer-te com eles?
No que toca à amizade, é preciso conseguir pensar sobre as vezes em que somos descuidados com as palavras que dizemos, com as ações que tomamos ou que podíamos ter tomado para ajudar genuinamente o amigo.
Não seria melhor se tudo decorresse desta forma?
Contudo, apenas no 5.º ano de licenciatura, em 2007, a conheci com mais pormenor, ao estudar Filosofia do Direito - uma disciplina grandemente desvalorizada pelos alunos e ainda mais rapidamente esquecida assim que se abraça na prática qualquer profissão (não só as jurídicas).
A Regra de Ouro pode ser sumariada através de dois postulados éticos elementares:
1. Faz aos outros o que queres que te façam a ti;
2. Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.
Há poucos ensinamentos tão simples, tão óbvios e tão universalmente aceites.
Sendo assim, por que razão tantas vezes as pessoas que mais amamos e que também nos amam optam por um caminho de renovação interior que envolve uma vã tentativa de se esquecerem de quem são, de quem as ama incondicionalmente, de punição radical... de afastamento da Regra de Ouro?
A Regra de Ouro é um fundamento para o entendimento das mentes e dos corações e é tantas vezes atropelada.
Um amigo e eu perdemos-nos ambos um do outro. E isso levou-me a repensar o que sou e quem vou ser. Levou-me a olhar novamente para tudo o que soube e esqueci, sobre mim, sobre a história, sobre as relações humanas.
Faltou-nos compreensão, capacidade de perdão, e sobejou-nos fraqueza para falar sem armas apontadas ao outro.
O que nos faz falta é aplicar a regra de ouro à vida individual de cada um, em todos os momentos, e trazê-la para junto de nós quando for o tempo destinado.
No que toca às amizades, a Regra de Ouro faculta um guia sobre como ser amigo. Se queres alguém que se ria contigo, que se preocupe contigo e que esteja presente para ti, então tens de fazer e ser tudo isto para essa pessoa. E por que razão será isto tão difícil de alcançar? Se todos se guiassem por esta regra, não haveria conflito ou sentimentos magoados entre amigos.
Uma razão possível é que aquela pessoa nem sempre sabe como se tratar a si própria e, como resultado, trata os outros de forma pobre também. Talvez tenha tido provações grandes com a sua autoestima, ou faltou-lhe o amor e atenção incondicionais num momento essencial. Aprender a utilizar a Regra de Ouro já em adulto pode demorar e uma ou duas amizades podem acabar devido a comportamentos também eles pobres. Quando uma pessoa compreende o que é preciso para ser um verdadeiro amigo, o seu comportamento muda e fortes amizades podem ser construídas.
Uma outra razão pela qual a Regra de Ouro é ignorada é que a outra pessoa, muitas vezes, não vê o benefício em "dar" a outro alguém. Olha a generosidade do espírito como um custo emocional que não acredita que possa alguma vez ser pago de volta. Esta pessoa normalmente prefere ficar na posição de recebedor, mas não é recíproca.
E até quando dois amigos olham para argumentos ou para uma discussão sob o ponto de vista da Regra de Ouro, isso significa que tratas o teu amigo com respeito, mesmo quando estás zangado com ele. Não lhe envias um e-mail agressivo, nem tão pouco o expões em frente de outros amigos; mas antes esperas até que os dois estejam sozinhos e possam falar dos assuntos com calma ou, pelo menos, de forma privada.
Por vezes a pessoa tenta e manipula outros não envolvidos na discussão para tomarem o seu lado na querela com um amigo. Podem contar a sua versão dos factos num esforço para lograr simpatia e podem envolver outros sem que o amigo tenha hipótese de responder. Comportamentos deste tipo podem criar um ponto de foco para qualquer que fosse a contenda original e podem servir como um catalisador para terminar a amizade. Quando um amigo não consegue aplicar a Regra de Ouro à discussão, o outro amigo pode simplesmente afastar-se da relação por esta carecer de respeito.
Pára, antes de "rebentares" com um amigo ou do comprometeres com as tuas opções, e pensa sobre como gostarias que as coisas acontecessem se estivessem sentados no lugar um do outro. Gostavas que o teu amigo gritasse ou explodisse contigo online, num e-mail, ou até mesmo em pessoa? Pondera nisto por um momento enquanto aguardas, e pode ser que a resposta a que chegues seja suficientemente temperada para permitir-vos a ambos resolver as vossas questões.
O mesmo é verdade para combinar encontros ou escolher atividades. Gostarias de esperar por um amigo que chega sempre atrasado? Alguém que não pode nunca encontrar-se contigo a meio caminho? Ou que insiste em ser sempre ele a escolher a atividade? Quando o teu amigo está a passar por uma situação difícil, genuinamente rezas ou desejas do fundo do coração que os problemas dele se resolvam? Ou secretamente tiras algum prazer desse sofrimento ou, pelo menos, desejas que resolva os seus problemas apenas para não teres que aborrecer-te com eles?
No que toca à amizade, é preciso conseguir pensar sobre as vezes em que somos descuidados com as palavras que dizemos, com as ações que tomamos ou que podíamos ter tomado para ajudar genuinamente o amigo.
Não seria melhor se tudo decorresse desta forma?
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