estou num mundo aflito
onde tudo vende e tudo compra
e já nada faz sentido
vivo segundo a lei maldita,
escravidão desumana e desleal,
onde cada sonho gravita
ao sabor do mercado cambial
tempos duros e incertos,
desígnios de pobreza e ingratidão,
desespero desmedido e renegado
às euforias da eleição
deste país que deixamos,
pouco resta que aceitar
esconder que não se tem para comer
mostrar o jaguar que não se pode pagar
valham-nos as migalhas de pão
compradas com a pensão dos avós:
do pouco sobra-lhes sempre tostão,
pela reza multiplica-se-lhes os dons
são tempos curtos, espera-se,
estes de infortúnio e sofreguidão:
vá-se depressa o raio da crise,
venha de lá, de novo,
mais crédito ao cartão
sexta-feira, janeiro 02, 2009
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