quinta-feira, fevereiro 27, 2014

Chuva



As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera
A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade

parabéns

27-2-1981  -   9-1-2006

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Eucatastrophe

Disse-te que peço perdão todos os dias por te ter magoado. Mas sobretudo também agradeço todos os dias por te ter conhecido.

Este sacrifício vai ser a minha e tua redenção. E no final ficaremos bem.

http://en.wikipedia.org/wiki/Eucatastrophe

domingo, fevereiro 23, 2014

Vou escrever uma coisa muito directa para ti.

Podes vir ao blog as vezes que quiseres, acedendo através dos computadores que quiseres e eu saberei sempre.

Podes vir à 2.ª, à 4.ª ou à 6.ª-feira.

Podes vir ao meio dia e meio ou às 7 da tarde. Ou às 6 da manhã, depois de chegares a casa de uma noitada.

Tu achas que não compreendo o que estás a fazer. Pensas que não te conheço. 

Mas eu sei que achas que já passou muito tempo, que deves ser firme nas decisões tomadas, que houve um ciclo que se fechou e não há justificação para o retomar.

E de uma forma racional eu concordo contigo em tudo isto.

Mas pelo simples facto de concordar reconheço que mantemos uma sintonia de mentes, porque nesta postura somos demasiado parecidos um com o outro e não nos é difícil concordar com as razões um do outro.

E se assim é, racionalmente suponho que haja um acordo de espíritos que prevalece. Sabes o que é um acordo de espíritos? É a união de duas mentes para um propósito comum. 

Não somos assim tão diferentes, nunca fomos. Nem nos objectivos que procuramos, nem na forma como o fazemos. E se não consegues reconhecer que isto é verdade, então tens de continuar a fazer uma autoanálise mais profunda.

Sabes por que é que digo que te conheço?

Não é por "adivinhar" a reacção que vais ter de seguida. É porque me revejo em ti e sei que faria o mesmo que tu.

Se estivesse no teu lugar, a minha reacção a este texto seria simplesmente deixar de vir ao blog para a minha presença deixar de ser notada. Não foi esse o teu primeiro instinto?

Mas no fundo, tanto tu como eu sabemos que não queremos perder a informação sobre o outro. Queremos saber o que se está a passar, mas mantendo o anonimato. Observar à distância. 

E eu sei que também me conheces.

Sabes o que me magoa e sabes que tipo de pessoa sou. E parte do teu receio passa por acreditares que sou instável e que assim que cedas um milímetro eu aproveite a brecha para voltar a "invadir" a tua vida.

Tu sabes que vou ser sempre uma pessoa incómoda, no sentido em que vou sempre ser um chato moralista que te vai incomodar a consciência. 

Mas achas que és muito diferente para mim? 

Tu sempre me puxaste as orelhas quando as minhas atitudes fugiram ao que estava correcto.

Sabes por que te contei sempre tudo o que se passava comigo?

Porque nunca achei justo eu saber tanto sobre ti e não deixar-te ver que eu também tinha imperfeições graves.

Disseste-me que sabias tanta coisa que nunca contaste. E eu quis que as soubesses, porque era justo fazermos essa troca para te provar que não queria ter sobre ti nenhum ascendente nem vantagem. Assim como eu sabia coisas sobre ti, tu passaste a saber outras igualmente importantes e graves sobre mim.

E com isso tentei fazer com que não te sentisses só. Tentei demonstrar-te que todos temos lados negros que gostávamos de apagar do que somos e dos percursos que escolhemos.

Mas também queria mostrar-te que, ao mesmo tempo, são estas imperfeições que nos permitem corrigir o rumo, desafiar as consequências das nossas acções e redefinir um novo futuro mais ajustado ao projecto de vida que desejamos para nós mesmos.

E com esta troca queria que soubesses que comigo não era preciso teres vergonha nem arrependimentos de nada e que também não era preciso justificares nada.

E tu achaste que eu te estava a julgar. Mas não é verdade. Eu estive sempre a amar-te, como só um verdadeiro amigo pode fazer. 

É verdade que no final me envolvi demais. Mas não te deixei mentir. Não podia fazê-lo. 

Não só era uma herança muito pesada para eu guardar, mas também porque senti a obrigação de libertar-te de mais essa amarra em que te estavas a meter. 

Mesmo que isso significasse que me irias odiar por muito tempo.

Pus a nossa amizade na balança e pesei-a contra a minha própria responsabilidade em guiar-te para uma libertação total dos segredos que te aprisionavam.

Pesei também o meu sofrimento face à perda da tua confiança e tentei avaliar a tua capacidade de perdoar.

E no final tomei a decisão que nos sacrificou.

Por estes motivos continuo a valorizar muito a tua amizade.

Porque se conseguires perdoar-me, não só fazes este sacrifício ter valido a pena, como descobrirás uma qualidade que possuis e tens dificuldade em assumir: compaixão (vontade de perdoar, mesmo quando racionalmente não vês motivos para o fazer).

É mais fácil os amigos verem em nós esta qualidade, pois apreciam a essência do que somos e dos gestos de amizade que fazemos. Eles conhecem o nosso projecto de vida, aquilo a que aspiramos e apoiam-nos incondicionalmente.


Um abraço.





sábado, fevereiro 22, 2014

This is how it works. I love the people in my life, and I do for my friends whatever they need me to do for them, again and again, as many times as is necessary. For example, in your case you always forgot who you are and how much you're loved. So what I do for you as your friend is remind you who you are and tell you how much I love you. And this isn't any kind of burden for me, because I love who you are very much. Every time I remind you, I get to remember with you, which is my pleasure.” 

Todos os dias. 

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Lamento, mas continuo à procura de razões para acreditar. Mais do que isso, procuro uma fórmula, uma sequência lógica que permita racionalizar o problema e tentar resolvê-lo. Tem de haver uma solução melhor. Isto não é sentimental, é lógico. Tem de haver uma maneira que nos liberte e não nos atire para pontas opostas da sala, de costas voltadas ou olhos no chão. Nada disto faz sentido. Tem de haver uma 3.ª via, porque desta maneira nenhum de nós cresce.

Ao longo destes últimos meses encontrei alguns artigos que me fizeram sentido, de muitas formas diferentes. Deixo-os para ti, em baixo.

Tudo o que se passou e a forma como tenho (temos) lidado com isto tem sido uma grande aprendizagem. Foi uma coisa nova para mim. E tenho tentado colocar-me no teu lugar. Tenho tentado ver as minhas acções pelos teus olhos e lembrar-me o contexto em que estavas.



http://friendship.about.com/od/Conflicts_With_Friends/tp/Reasons-For-Breaking-Up-With-A-Friend.htm

http://friendship.about.com/od/Keeping-Friendships-Strong/a/How-To-Forgive-A-Friend.htm

http://friendship.about.com/od/Conflicts_With_Friends/tp/Things-Preventing-You-From-Forgiveness.htm

http://friendship.about.com/od/Conflicts_With_Friends/a/How-To-Deal-With-A-Friend-Who-Has-Cheated.htm


Se ao menos o meu peito fosse transparente.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Tantas vezes disse que parte do processo passava por perdoar a ti mesmo... e agora não consigo aplicar o conselho a mim próprio.

Tudo o que oiço na minha mente são as palavras "falhei falhei falhei falhei perdi perdi perdi perdi traí traí traí desiludi desiludi desiludi acabou acabou fim...".

E parte de tudo isto é verdade. E parte de tudo isto é mentira. E os meus pensamentos oscilam entre profunda tristeza, desespero, descrença, resignação.

Estou perdido, porque espero que respondam como eu responderia.

Sou egoísta e egocêntrico. Desrespeitador e cínico. Um arrogante com a presunção de ser superior, de ter sempre a perspectiva mais ampla e coordenada sobre tudo. Um falhado orgulhoso. Um asno romântico e um sentimentalista bacoco.

E mereço sofrer. Mereço mesmo. Mesmo.
«Dialogar não é fácil», mas somente «com o diálogo podemos construir pontes de relação e não muros que nos afastam». E frisou — «para dialogar é necessária a humildade». A base do diálogo é formada por três elementos: humildade, mansidão e fazer-se tudo para todos. Depois, sugeriu um conselho prático: para iniciar o diálogo «é necessário não deixar passar muito tempo». De facto, os problemas devem ser enfrentados «o mais rápido possível, assim que a tempestade passar». É preciso «aproximar-se imediatamente do diálogo porque o tempo faz crescer o muro». E, concluiu, pedindo a intervenção de «são Francisco de Sales, doutor da doçura», que nos conceda «a graça de construir pontes com os outros, jamais muros».

domingo, fevereiro 16, 2014

hurt and harm

Trust in someone means that we no longer have to protect ourselves. We believe we will not be hurt or harmed by the other, at least not deliberately. We trust his or her good intentions, though we know we might be hurt by the way circumstances play out between us. We might say that hurt happens; it’s a given of life. Harm is inflicted; it’s a choice some people make.” 
― David Richo
Acreditar, sem ver
Saber, sem conhecer
Desejar, sem querer
Amar, sem prometer
Perdoar, sem esquecer
Ganhar, sem receber
Recomeçar, sem temer

Se nada dura mais que um instante e tudo é relativo, se as certezas não são mais que projectos, se os actos não são mais que consequências anunciadas, se as reparações não vão além de tentativas, se as palavras são só isso, então o mundo está doente, contaminado por uma cegueira que embrutece o espírito.

Queria acordar para um mundo novo, limpo e honesto. Onde os desejos nascem de sentimentos simples e cada gesto é uma forma de tocar uma alma.

Não sei que mundo é este que vejo em sonhos e desejos, quando me escapo para a ilusão. Mas é aí que pertenço e é essa realidade que quero tornar minha todos os dias.

Conversei há dias com um médico que me dizia assim: "Tudo se corrompeu quando começámos a falar de «transparência» em vez de «honestidade»".

Hoje fugimos da nossa condição e dimensão moral. Substituímos honestidade por transparência para não sermos forçados a fazer juízos de valor sobre as nossas acções e pensamentos, certos e errados.

Ao sermos transparentes desresponsabilizamo-nos. Ao sermos honestos tornamo-nos polícias de nós mesmos.


My love for you is no longer mine.
Gave it to someone else, more caring than I could ever be.
And now he is your best friend and will take care of you.
Figured the source of my suffering was not pain afterall, but love.
So gave it away and I suffer no more.
Now I can rest at last, for all is well. 

sábado, fevereiro 15, 2014

“Friendship gives us satisfaction and happiness which are visible, but motives are invisible. So true friendship should be without motives....”
― Fawad
“Leaves will fall, cold will creep in
A circle of life that ends where it begins
It may take a thousand years and a thousand poems penned
But my hair will someday gray and my back will bend
Then my shadow will join my body in the earth once again.

I know not the way, or even the when
Or who chooses that day we’re called away to ascend
But you bathed me in your bravery and forgave me my sins
You made a home in your heart for mine to live in
And in return, my friend, this poem is my oath
that a river of love will run through it until the very end.” 
Tudo escrito, como em pedra: "o perigo de abrir demais as ameias do peito a invasões estrangeiras".

Era disto que falava.

http://macte-animo.blogspot.pt/2013/02/quem-acho-na-rua-guardo-dentro-de-cada.html


sexta-feira, fevereiro 14, 2014

O que vale a pena espera. Aguarda em esperança. Reforça-se para acolher um filho, um pai, um amigo.

O que vale a pena nunca morre. Perdura através dos que ficam e daqueles que lembram.

A memória é ouro e um peso terrível. Através dela projectamos futuros alternativos. Intocáveis.

Como amar sempre e mais? Quando tanto falha e os joelhos caiem por terra, como amar sempre?

Se

Se podes conservar o teu bom senso e a calma
No mundo a delirar para quem o louco és tu...
Se podes crer em ti com toda a força de alma
Quando ninguém te crê...Se vais faminto e nu,
Trilhando sem revolta um rumo solitário...
Se à torva intolerância, à negra incompreensão,
Tu podes responder subindo o teu calvário
Com lágrimas de amor e bênçãos de perdão...

Se podes dizer bem de quem te calunia...
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor
(Mas sem a afectação de um santo que oficia
Nem pretensões de sábio a dar lições de amor)...
Se podes esperar sem fatigar a esperança...
Sonhar, mas conservar-te acima do teu sonho...
Fazer do pensamento um arco de aliança
Entre o clarão do inferno e a luz do céu risonho...

Se podes encarar com indiferença igual
O triunfo e a derrota, eternos impostores...
Se podes ver o bem oculto em todo o mal
E resignar sorrindo o amor dos teus amores...
Se podes resistir à raiva e à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega eivadas de peçonha
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste...

Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Vaiadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizeres palavra, e sem um termo agreste,
Voltares ao princípio, a construir de novo...
Se puderes obrigar o coração e os músculos
A renovar um esforço há muito vacilante,
Quando no teu corpo, já afogado em crepúsculos,
Só exista a vontade a comandar avante...

Se, vivendo entre o povo, és virtuoso e nobre...
Se, vivendo entre os reis, conservas a humildade...
Se inimigo ou amigo, o poderoso e o pobre
São iguais para ti à luz da eternidade...
Se quem conta contigo encontra mais que a conta...
Se podes empregar os sessenta segundos
Do minuto que passa em obra de tal monta
Que o minuto se espraia em séculos fecundos...

Então, ó ser sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os reis, os tempos, os espaços!...
Mas, ainda para além, um novo sol rompeu,
Abrindo o infinito ao rumo dos teus passos.
Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem receares jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,
Alegra-te, meu filho, então serás um homem!...

Hold fast to dreams
For if dreams die
Life is a broken-winged bird
That cannot fly.
Hold fast to dreams
For when dreams go
Life is a barren field
Frozen with snow.

Langston Hughes
“The most beautiful people we have known are those who have known defeat, known suffering, known struggle, known loss, and have found their way out of the depths. These persons have an appreciation, a sensitivity, and an understanding of life that fills them with compassion, gentleness, and a deep loving concern. Beautiful people do not just happen.”
― Elisabeth Kübler-Ross

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

Desejo que a vida te corra bem. Que os teus sonhos se realizem, que o trabalho abunde e que a tua família te ame incondicionalmente. E tu a ela.

Desejo que os bons momentos sejam longos e que os maus não deixem marcas.

Desejo que sejas feliz e que a tua vida seja plena e rica em todos os sentidos.

Deixar-te partir é a decisão mais difícil. Porque é difícil dizer adeus a um amigo que amo muito. É arrancar um bocado de mim e atira-lo fora.

Foste a pessoa que mais deixei entrar. Simplesmente porque te amei e confiei de uma maneira que nunca fiz com ninguém.

A tua partida é uma marca muito funda que fica comigo. Mais um adeus fora de tempo.

Mas onde fores, vai com a certeza que és muito amado.


terça-feira, fevereiro 11, 2014

«Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.»

Torga
Broken people get recycled, and I hope that I will
Sometimes we're thrown off our pathways
What I thought was my way home
Wasn't the place I know

I'm not afraid of changing, I'm certain nothing's certain
What we own becomes our prison
My possessions will be gone
Back to where they came from

Blame, no one is to blame
As natural as the rain that falls

See the rock that you hold onto, is it gonna save you?
When the earth begins to crumble
Why do you feel you have to hold on?
Imagine if you let go

Wash away the weight that pulls you down
Ride the waves that free you from the dusk

Don't trust your eyes, it's easy to believe them
Know in your heart that you can leave your prison
Don't trust your mind, it's not always listening
Turn on the lights, and feel the ancient rhythm

Don't trust your eyes, it's easy to believe them
Know in your heart that you can leave your prison

Blame, no one is to blame
As natural as the rain that falls
Here comes the flood again

Eu não te traí.

Eu obriguei-te a fazer o que estava certo e que devias ter feito desde o início.

Contar a verdade. Sem curvas.

E à custa de nós dois, eu libertei-te para poderes começar de novo sem amarras.

Eu pus um fim ao teu drama pessoal que durava há um ano.

Eu sugeri-te dares um "motivo forte" que lhe fizesse sentido.

E no final não te deixei mentir.

Eu. Eu. Eu.

Eu dei-te o tempo que pediste para fazeres as coisas à tua maneira. Dei-te o tempo e os meios: o carro para passearem, a garagem para terem essa liberdade, os bilhetes de cinema para se divertirem, a ida ao algarve para se religarem.

E depois de descobrires que já não valia a pena, Eu obriguei-te a fazer o que devias ter tido coragem para fazer por ti próprio logo no início.

Por isso, odeia-me.

Mas odeia a sério. Com raiva. Com rancor.

Só assim é ódio de verdade.
«Há uma casa construída de pedra
Chão de madeira, parapeitos nos vidros 
Mesas e cadeiras gastas pelo pó
Este é um sítio onde não me sinto só
É um sítio em que me sinto em casa.

Porque construí um lar
Para mim
Para ti

Até ele desaparecer
De mim
De ti

E agora é o momento, é altura de partir e voltar ao pó

No jardim semeámos as sementes
Lá há uma árvore tão velha como eu
Ramos cortados pela cor verde
O chão levantado e raízes no ar

Pelas brechas da casca subi ao topo
Subi a árvore para ver o mundo
Quando as rajadas vieram para me derrubar
Segurei-me com tanta força como te agarras a mim
Com tanta força como a que te agarra a mim.

Porque construí um lar
Para mim
Para ti

Até ele desaparecer
De mim
De ti»

domingo, fevereiro 09, 2014

“Wisdom cannot be imparted. Wisdom that a wise man attempts to impart always sounds like foolishness to someone else... Knowledge can be communicated, but not wisdom. One can find it, live it, do wonders through it, but one cannot communicate and teach it.” 
― Hermann Hesse, Siddhartha

Este é um dos meus erros, não só contigo. Mas, ultimamente, especialmente contigo. Não sou sábio, mas sei algumas coisas. Sei que perdoar é sempre o melhor caminho. Sei que reconciliar é sempre a melhor escolha. Sei que perseverar, é viver com esperança. E sei que nunca é tarde demais quando amamos. 

Difícil é saber o que sentimos em cada momento.

Boa semana.

sábado, fevereiro 08, 2014

Jura, se puderes, que vais ser bom. Melhor que bom, apenas melhor. Que vais encontrar a coragem para escrever um conto, uma memória ou uma carta. Jura que vais tentar ser justo e alicerçares a tua casa numa utopia com sentido. Jura que vais ser o homem que conta verdades, que lê romances, que chora sozinho e ri em público. Jura que tudo muda, que nas pisadas que dás marcas o mundo com os teus pés. Jura que o sacrifício se gravou na memória. Jura que não esqueces. Jura que aprendeste que cada gesto traz uma gentileza ou um ferro em brasa. Jura. Jura a ti mesmo que nada é em vão.
«Por vezes o destino é como uma pequena tempestade no deserto que continua a mudar de direcção. Mudas de direcção mas ela continua a perseguir-te. Voltas a mudar, mas a tempestade continua a ajustar o seu curso. Fazes isto uma e outra vez, como numa dança prodigiosa com a morte anunciada para antes do amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é alguma coisa que tenha soprado de muito longe, algo que não tenha nada a ver contigo. Esta tempestade és tu. Alguma coisa dentro de ti. Por isso, a única coisa que podes fazer é renderes-te a ela, caminhar exactamente para o interior, fechar os olhos e tapar os ouvidos para a areia não entrar, e atravessá-la, passo a passo. Ali não há sol, lua, orientação, nem sentido do tempo. Apenas grãos finos de areia torneando-se no ar como ossos pulverizados. É este tipo de tempestade que precisas de imaginar.

E vais ter mesmo de conseguir ultrapassar essa tempestade violenta, metafísica e simbólica. Não importa, na verdade, quão metafísica ou simbólica possa ser, não te deixes enganar: vai cortar através da carne como mil lâminas. As pessoas sangram nela, e tu também vais sangrar. Sangue vermelho, quente. Vais apanhar esse sangue com as tuas mãos, o teu próprio sangue e o sangue de outros.

E quando a tempestade terminar não te vais recordar como a atravessaste, como conseguiste sobreviver. Nem vais ter certeza, de facto, se terminou realmente. Apenas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade não vais ser a mesma pessoa que nela entrou. Esta tempestade é exactamente sobre isso mesmo.»
“As I see it, you are living with something that you keep hidden deep inside. Something heavy. I felt it from the first time I met you. You have a strong gaze, as if you have made up your mind about something. To tell you the truth, I myself carry such things around inside. Heavy things. That is how I can see it in you.” 

terça-feira, fevereiro 04, 2014

“Break what must be broken, once for all, that's all, and take the suffering on oneself. Pain and suffering are always inevitable for a large intelligence and a deep heart. The really great men must, I think, have great sadness on earth.”

― Fyodor Dostoyevsky, Crime and Punishment
Disseste que devia procurar ajuda profissional, que devia deixar os meus pais e a Teresa ajudarem, mas para fazer o que achasse, porque afinal é sempre isso que acabo por fazer. Teimoso e não escuto.
Disseste que não te caiu nada bem o que escrevi, que não era justo e que sempre deste o que podias, de boa vontade.
Disseste que não cumpri o que te prometi. 
Disseste que não te dei a única coisa que tinhas pedido.
Disseste que tudo o que alguma vez te disse foram só palavras.
Disseste que te traí.
Disseste que falhei.
Disseste boa noite a um estranho.
Disseste que não tinhas tempo para conversar.

E, do silêncio, dizes que acabou.
Dizes que não sou digno.
Dizes que me desprezas.
Dizes que não tenho valor para ti.
Dizes que devo ser ignorado.
Dizes que não mereço.

E, no entanto, eu falo. Continuo a falar contigo. Continuo a escrever-te, a enviar-te e-mails e sms.

E sabes porquê? Sabes por que me humilho deliberadamente várias vezes por semana?

Porque se acreditar em ti e na tua versão, significa que tudo o que me motivou estava errado.
Significa que de facto te menti, enganei e traí. Significa que tens razão e que fui um péssimo amigo e uma pessoa nojenta, indigna da tua amizade.

E isso não é verdade.
Eu não te traí. Eu nunca traí a nossa amizade.
E por isso também não mereço o teu desprezo.
Desde que te conheci tentei ser o teu melhor e mais fiel amigo.
Não fui o amigo mais assertivo. Dei-te dores de cabeça que podia ter evitado. Fui obsessivo.
Mas fui o teu amigo mais verdadeiro e também o mais incómodo. E continuo a sê-lo hoje.

E se calhar a verdade é que tu não queres uma pessoa assim na tua vida. O grilo, sem moral para dar lições.
Mas se esperares que apenas um santo seja digno de te dizer alguma verdade mais óbvia que te incomode a consciência, então vais continuar a vida toda a ouvir mentiras e a gostares do que estás a ouvir.

Ser inflexível, não dar uma oportunidade, ser radical nas escolhas.
Nada disto te faz mais forte, nem mais certo. Não descomplica relações, nem te faz crescer.
Torna-te mais solitário apenas, perdido dentro de ti próprio.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

 
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