há quanto tempo não ganhavas tu tanta vida, meu velho amigo, por vezes apagado, abandonado, desertado de mim...
velho companheiro de anos passados, momentos passados, histórias escritas, desenhadas e vividas pelo que por nós passou e sempre regressa de novo e de novo como eternas folhas caídas, estação após estação, desejo após desejo, vontade após vontade.
e onde guardas uma língua que é a minha e que tão poucos conhecem, tão poucos eruditos, instruídos a sabem ler, reconhecer e pronunciar sílaba a sílaba nos seus significados e sentidos tão diversos, dispersos e dissimulados.
por ela liberto-me de novo das amarras de quem te lê, porque só verão este amontoar de palavras disformes a seus olhos. para a maioria assim serás, mas não para mim. não para aqueles para quem posso escrever sem tabús, na minha própria língua que soa tão doce, tão doce...
não podes imaginar a falta que faz, a frustração que é nunca poder dizer um "amo-te" na vida; um "amo-te" que seja entendido, reconhecido e querido por quem o ouve. não sabes como é horrível usar palavras frias como "i love you" ou "s´agapo" que não têm a mínima força de expressão, porque não te custa dizê-las nessas línguas estranhas, porque não te causam dor, sofrimento e agonia antes de as articulares em som.
di-las como se dissesses "até já" ou "até breve" e soam a menos que ocas, soam a indiferentes que as digas ou não digas. talvez assim o não seja para quem as ouve, porque o impacto é maior, a própria tensão é maior porque ficam vinculados pela força da reacção que se espera... mas para quem as pronuncia numa língua que não é a sua, parecem fracas demais, simples demais, incoerentes demais...
sábado, setembro 23, 2006
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