
sábado, outubro 15, 2005
Rain and Warmth

quinta-feira, outubro 13, 2005
Carreiros na Lua
Uma manta de malhas entrecruzadas no espaço de um lençol, o seu esvoaçar num estendal, sendo levada pelo vento e caindo no chão. Naquela erva verde, rebolando sobre si mesma, dobrando-se e amarrotando-se contra o seu próprio corpo, acariciando o pasto dos rebanhos.
É trabalho das mãos hábeis e frias de alguém que não lembra o dia em que nasceu. Aquela carcaça enrugada, presa em xailes que já se confundem com a pele. Levou os rebanhos vezes sem conta para os montes frescos e o vento cortou-lhe o rosto, cavou-lhe os traços dos olhos, cerrou-lhe as sobrancelhas, de tanto que franziu o cenho.
Não consegue contar em números de gente as horas, os dias, os meses. É a Lua que a rege, a Lua que lhe dita os jeitos do mundo, das árvores, das criações e do próprio cabelo, atado numa burleta preta.
Deita os ovos às galinhas quando a noite é mais escura, coisas de gente que não fala os dialectos do mundo. Lá, onde as noites iluminam o céu das nuvens em tons de fogueira, chamam-lhe, as pessoas, nova, à Lua. Mas, esses, não sabem aquele palavreado de gente, que é gente porque não lembra a idade.
Vive o mundo no que sente, incerta se aquele carreiro que percorre desemboca no mesmo sítio de dias anteriores. Os carreiros mal marcados e pouco vagueados têm destas coisas, mudam de noite os seus destinos, só para se divertirem quando as velhas cegas e decrépitas se perdem em lugar estranho. Elas, velhas carcomidas pelos anos que não contam, olham as árvores, baças, a seus olhos já vesgos, esperando reconhecer-lhes o tronco por alguma marca talhada a canivete, por algum resto de resina, por algum cheiro de outros tempos. Cheiro dos tempos de luz em que as terras lhes pareciam novas, ou novidade.
Rodopia, trémula, sobre si e bate com as costas num tronco, como numa parede que a ampare. Prostra-se com a cara gelando contra o manto de caruma e húmus daquele chão, lavado de chuvas novas. As mãos erguidas ao céu de um Deus que nunca viu mas sempre lhe disseram que existia. Solta-se-lhe uma lágrima que compreende a solidão onde se acha, o abandono a que se votou nos seus séculos de clausura. Está só em sangue e alma, num chão húmido e repleto de vida que a recebe e consome, perdida de si na irmandade de um mundo que lhe escapou entre os dedos.

World Press Photo 2005, 1st prize
quarta-feira, outubro 12, 2005
O Orgulho de Ser Português

Homem de espírito científico, vastíssima cultura e rara sensibilidade, bibliófilo notável, coleccionador criterioso e grande filantropo, deixou impresso neste livro de pedra a visão de uma cosmologia, síntese de memória espiritual da humanidade, cujas raízes mergulham na Tradição Mítica Lusa e Universal.
A arquitectura e a arte do palácio, capela e demais construções foram cenicamente concebidas no contexto de um jardim edénico, salientando-se a predominância dos estilos neo-manuelino e renascentista.
O Jardim, representação do microcosmo, é revelado pela sucessão de lugares imbuídos de magia e mistério. O paraíso é materializado em coexistência com um inferius - um dantesco mundo subterrâneo - ao qual o neófito seria conduzido pelo fio de Ariadne da iniciação. Concretiza-se com estes cenários a representação de uma viagem iniciática, qual vera peregrinatio mundi, por um jardim simbólico onde podemos sentir a Harmonia das Esferas e perscrutar o alinhamento de uma ascese de consciência que viaja pelas grandes epopeias. Nele se vislumbram referências à mitologia, ao Olimpo, a Virgílio, a Dante, a Camões, à missão templária da Ordem de Cristo, a grandes místicos e taumaturgos, aos enigmas da Arte Real, à Magna Obra Alquímica.

Nesta sinfonia de pedra - cinzelada pelas mãos de construtores de Templos , imbuídos num verdadeiro espírito de Tradição - revela-se a dimensão poética e profética de uma Mansão Filosofal Lusa.
Aqui se fundem o Céu e a Terra numa realidade sensível, a mesma que presidiu à teoria do Belo, da Arquitectura e da Música, que a concha acústica o Terraço dos Mundos Celestes permite propagar pelo infinito.»
terça-feira, outubro 11, 2005
segunda-feira, outubro 10, 2005
Primeira Página...
Só não te dou o que não serei.
PEDRO TAMEN
1. Não basta morrer para conhecer o sorriso de Deus - mesmo que, como foi o meu caso, se tenha vivido abismada nele uma vida inteira. Quando o pior acontecia, aquele sorriso descia às minhas trevas com um soluço de baloiço, um gingar de gonzos arrancado às cordas da infância. Eu sentava-me nele e subia, balouçando até à luz. O pior aconteceu-me cedo, tive sorte. Deus procura primeiro os que sofrem antes do conhecimento específico da dor, talvez porque os outros sabem demasiado para poderem ser salvos.
Tu dizias que era ao contrário: que Deus nasce da ignorância própria dos sofrimentos prematuros. Mas tu, meu aluno dilecto, cedo te deixaste povoar pelo excesso do saber. Deus não sabia nada do Universo quando o criou. Imagino que se sentiria só. Imagino que num momento impreciso essa solidão se terá tornado maior do que Ele próprio, estourando numa gigantesca flor de luz. E imagino-O, depois, tentando dar um sentido particular a cada uma das pétalas dessa luz dispersa. Agora que saí do corpo que fui - para me tornar pólen, poeira nos teus olhos, pura imaginação de mim - imagino-o melhor ainda, ébrio de luz, lúcido, encandeado por um Lúcifer oculto e criador incrustado no seu próprio se, em estado de paixão com a história desencadeada pela sua omnipotente solidão. E balouço no Seu sorriso outra vez, a vez definitiva porque o meu corpo está lá em baixo, num caixão, contemplado e lembrado e chorado pela última vez.
Não me levantarei da cama amanhã depois de Lhe pedir em surdina que dê um impulso maior ao balouço, que o empurre com força até que os pés me voem para fora do calor aterrado dos lençóis. Ninguém mais vai estar à minha espera, não terei de me disfarçar de desculpas, não voltarei a iludir ou desiludir ninguém. Não voltarei a morrer no corpo do único homem que me abriu no corpo a passagem secreta para a morte. Não voltarei à desilusão do renascimento. Sobretudo não voltarei a desiludir-te a ti, o descrente que ensinou a crer melhor, o meu pequeno e velho Deus de algibeira, o meu amigo.
Despojada de corpo é-me mais fácil transformar-me no próprio balouço, na luz dançante de que ele é feito. Num murmúrio de vento peço-Lhe que não me empurre tão depressa para esse lugar iluminado que é a Sua Carne, peço-Lhe que me deixe matar saudades desse mundo que deixei tão de repente. Matar saudades de ti. Ou matar-te, como fazem as crianças, para recomeçar uma outra história, no balouço quotidiano do teu sorriso.
Só o teu riso dura. Mostrei-te o mar.
LUIS FILIPE CASTRO MENDES»
Inês Pedrosa
sábado, outubro 08, 2005
Reminiscências
Fui transportado até aqui, como se viajasse numa nuvem alta, ao som da música dos Counting Crows. Era a isto que os antigos clássicos chamavam "reminiscência", parece-me. «Ao veres Símias, lembras-te de Cebes». O Fédon, Platão.
Serra da Estrela, 27/02/05
quinta-feira, outubro 06, 2005
Amigo
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
segunda-feira, outubro 03, 2005
Luar
sábado, outubro 01, 2005
sexta-feira, setembro 30, 2005
quinta-feira, setembro 29, 2005
A última que aqui te deixarei
Soon the leaves will fall
I'll watch the lonely moon in the sky
And when the dawn breaks I'll listen for your heartbeat
But what I'll hear is your last goodbye
The saddest song of all.
We'll meet again, we'll stare and then
We'll smile and speak as strangers do
And all I'll be to you
Is someone you once knew.
I know every line
The way your eyes shine in the dark
You'll take your fire, your tenderness, your strenght
And the mem'ries here in my heart
Are all you'll leave behind
We'll meet again, we'll stare and then
You'll wave and as you turn to go I'll know it's true
All I can be to you
Is someone you once knew.
quarta-feira, setembro 21, 2005
A Facilidade...
Quero que me aconselhes sempre que perca o rumo
Quero que confies em mim para que confie em ti
Quero que me ajudes para que te possa ajudar
Quero que estejas presente quando mais precisar
Quero que olhes para mim e me vejas como sou
Quero que me abraces sempre que o desejares fazer
Quero que me dês um sorriso quando te puder animar
Quero que me perdoes quando não te conseguir valer
Quero que contes os teus segredos e me deixes escolher os que quero aceitar e os que não voltarei a lembrar
Quero que compreendas que sou só um rapaz a aprender a deixar o medo
Quero que saibas… que sempre contei contigo e que também quero que contes sempre comigo.
in me
terça-feira, setembro 20, 2005
sleepin' each other’s mind
I wish we were safe
from fears and pain
I wish we were right,
about the answers we give and take
I wish we were simple,
at mind and heart
I wish we were bold,
speakin’ it out loud
I wish we were nowhere
we didn’t want to be
I wish we weren’t just
blood and flesh
I wish we were cold
sand and glass, instead.
I wish we weren’t some
madness that hits and pass us by
I wish we were hope
walking a straight line
I wish we were glad
to meet once more
I wish we weren’t sorry
I haven’t wished this before.
segunda-feira, setembro 19, 2005
domingo, setembro 18, 2005
sábado, setembro 17, 2005
Sequóia
sexta-feira, setembro 16, 2005

É uma terra seca, como os ventos sudões que a assolam, uma ilha velha, segundo os geólogos, que sofreu uma grande erosão, apresentando-se, por isso, maioritariamente plana. Esta sua forma potencia, ainda mais a existência da seca, porque a água não tem por onde se infiltrar, acabando no mar.
É uma terra de sol tórrido, como o sol africano, que se encontra numa posição mais vertical, mas suportável, com relativa facilidade, por nativos e turistas (após um período de um dia ou dois de habituação).
É uma terra salgada, de onde lhe advém o nome de Ilha do Sal, porque aí se exploravam, dentro da cratera do vulcão, já extinto, vastas salinas que permitem banhos em águas vermelhas de sulfatos, onde, como acontece no mar morto, os corpos são impulsionados até à tona pela imensa densidade da água, repleta de cloreto de sódio.

É uma terra de emigrantes de países costeiros, guineenses e senegaleses, que tentam a sobrevivência através da exploração dos turistas, a quem vendem os seus colares feitos com "pedras da ilha do fogo", "dentes e ossos de tubarão", pulseiras para dar sorte, ou evitar males maiores, dançarinas de "funaná", a dança tradicional, esculpidas em madeira de Ébano, os batuques, os quadros de areia, as trancinhas para o cabelo, as águas de coco, os lenços para a cabeça, e toda uma parafernalia de outras bugigangas e acessórios de, dita, beleza que, em muitas das vezes, acabam apreendidos e os seus vendedores presos, por um dia ou dois.
Não quer isto dizer que a polícia seja muito eficiente, tentando controlar este fluxo de emigrantes clandestinos, apenas se tornou mais um negócio. A polícia prende estes vendedores, que atacam as praias e os turistas, assediando as pessoas de 5 em 5 minutos para adquirirem os seus produtos a preços fantásticos, exigindo uma caução de 10.000$, cerca de 100 euros, mas não sem, antes, lhes dar umas valentes tareias de cacetete mesmo à frente de quem quer que esteja na praia. Vejam bem que até nas agressões gratuitas são honestos.
Os turistas, esses que vão assistindo a tudo, limitam-se a esconder, entre as espreguiçadeiras e as toalhas, os objectos da venda, que eles deixam para não serem apreendidos, e os próprios vendedores, enroscados no chão, protegidos por um escudo de corpos, meio avermelhados, dos portugueses, de coração mole, que os escondem da brutalidade policial.
Mesmo esses vendedores chatos são gente extremamente afável, simpática e simples, que fugiram dos seus países para, pelo menos conseguirem ter meio centímetro de carne entre a pele e os ossos.
Apresento-vos, de seguida, e como me foi apresentado a mim, o Luís Bamba. O Luís Bamba é guineense e está legalizado no país. Sei disto, não só porque ele mo disse, mas também porque nunca o vi a fugir quando a polícia aparecia. O Luís Bamba ganha a vida convidando os turistas a visitarem a "fábrica de artesanato" da sua família, no centro da vila de Santa Maria, dando, em troca, um pequeno colar esculpido em madeira, ou composto de pequenas pedras e búzios, como aliciante. No meu penúltimo dia, reconheceu os meus pais, que passeavam pela vila, sozinhos, sem que nunca tivesse estado com eles antes, e apresentou-se como "o Luís Bamba", amigo do Miguel, o que lhe logrou uma bela Coca-cola, à conta dos meus pais. Convém esclarecer que a amizade com o Luís Bamba se travou no dia da chegada, quando me dirigia sozinho à praia, e que a conversa durou 2 minutos, o tempo suficiente para receber o tal colar e ser convidado a visitar a tal "fábrica de artesanato". Depois disso só o encontrei no último dia.

A vila de Santa Maria é considerada a capital económica da ilha, não porque exista grande fonte de rendimento para as gentes locais, mas porque, aí, se encontram a maior parte dos complexos turísticos que existem na ilha e um porto de pesca, decadente, deixado por portugueses. Diariamente, percorrem a ilha cerca de 4.000 turistas, e nela residem a título permanente cerca de 15.000 pessoas, tendo duplicado comparativamente com os 5 anos anteriores. 5.000 em Santa Maria, 7.000 em Espargos, e os restantes 3.000 dividem-se pelas 2 restantes localidades que se chamam Palmeira e Pedra Lume. As praias de Pedra Lume são caracterizadas pela imensa quantidade de tubarões existentes nas águas mais quentes. Já Espargos, a capital política da ilha, onde existe o Liceu (do 7º ao 12º anos) e a Câmara Municipal (o órgão político mais baixo na hierarquia político-administrativa do país), recebe o nome de se relatar que, quando chovia, surgiam espargos naquela região. Como se pode ver, a própria toponímia é tão simples e singela nas suas origens, como os habitantes daquela ilha o são nos seus hábitos e na sua vida.
Vestem-se se tiverem roupa, comem se tiverem fome, ou algo para comer, tomam banho se têm calor, e riem e dançam independentemente do que têm ou não têm. É nesta alegria na pobreza que reside a verdadeira beleza de Cabo Verde, que conquista, não quem visitar o país, mas quem visitar as pessoas.

As pessoas que deixam entrar quem for a passar na rua simplesmente porque a porta da sua casa está aberta, e os recebem sempre com um sorriso.
Cabo Verde é, antes de tudo, o país das portas abertas para o coração dos homens.
Gente desta terra
quarta-feira, setembro 07, 2005
terça-feira, setembro 06, 2005
segunda-feira, setembro 05, 2005
domingo, setembro 04, 2005
Desculpar-me-ão a insistência neste estilo de música, que teimosamente publico, mas faz bem, de vez em quando, para iluminar o espírito. lol
In my hands
A legacy of memories
I can hear you say my name
I can almost see your smile
Feel the warmth of your embrace
But there is nothing but silence now
Around the one I loved
Is this our farewell?
Sweet darling you worry too much, my child
See the sadness in your eyes
You are not alone in life
Although you might think that you are
Never thought
This day would come so soon
We had no time to say goodbye
How can the world just carry on?
I feel so lost when you are not at my side
But there is nothing but silence now
Around the one I loved
Is this our farewell?
Sweet darling you worry too much, my child
See the sadness in your eyes
You are not alone in life
Although you might think that you are
So sorry your world is tumbling down
I will watch you through these nights
Rest your head and go to sleep
Because my child, this is not our farewell.
This is not our farewell.
sábado, setembro 03, 2005
sexta-feira, setembro 02, 2005
quinta-feira, setembro 01, 2005
Voltando de férias, nesta mesma tarde, não posso contrariar a vontade que tenho de dedilhar, um pouco mais, pelo teclado, actualizando este meu blog, às vezes, tão decrépito e abandonado. Mas como se sabe, nem sempre é fácil encontrar a inspiração e paciência necessárias, metendo ao caminho os cinco dedos, com os quais costumo escrever.
Apesar do, já, adiantado da hora, tive que vir escrever qualquer coisa, nem que fosse só para dizer que ainda não sucumbi às terríveis areias algarvias, ou, nem mesmo, àquela gulosa doçaria, de açúcares, amêndoas e doces de ovos, que caracterizam a região e engordam os turistas, mais ou menos, acidentais.
Já não me recordava, desde as últimas férias que passei fora de casa, durante o período das festividades pascais, também em terras de mouros, a falta que me fazia este estúpido aparelho a que me afeiçoo, mais até que à generalidade das pessoas. É mais um dos vícios que, bem vistas as coisas, só o é porque o podemos ter. Quero com isto dizer que, ao final do segundo dia de férias já passei tão bem sem computador como se nunca lhe tivesse mexido anteriormente, ignorando a sua completa existência. Se pensar bem no caso, reparo, até, que na maior parte das vezes, o que torna mais divertido um computador é premir o botão que o liga e desliga, porque nas restantes horas em que permanece ligado fico, impávido e sereno, olhando para o ecrã, observando quem entra e quem sai, sem dirigir palavra a ninguém, excepto aqueles casos raros, das pessoas com quem podemos sempre falar e dizer todos os disparates que quisermos, iniciando uma conversa sem dizer "olá" ou "oi".
São circunstancialismos castradores, parece-me, e que demonstram como não estamos tão descontraídos com determinadas pessoas como com outras. Na vida física, do dia a dia, por ventura, também sucede a mesma coisa. Contudo, na internet sempre temos a possibilidade de seleccionar os nossos contactos ou, pelo menos, decidir com quem queremos, ou nos apetece conversar de tudos e nadas.
Agora, que olho para a minha lista de contactos (muito mais pequena que o fora há algum tempo atrás), apercebo-me que, afinal, as pessoas com quem consigo começar uma conversa sem ser, imperativamente, por um "oi" ou por um "ola" se resumem aquelas mesmas pessoas com quem posso falar em qualquer instante, sem necessitar de internet para nada.
Isto leva-me a acreditar que os computadores, nestas funções corriqueiras no nosso dia-a-dia doméstico, mais não são que meros caprichos de uma necessidade de comunicação permanente e já satisfeita.
Por esse motivo, deu-me muito mais prazer pegar no telemóvel e conversar alegremente com uma boa amiga durante quase 20 minutos, arruinando metade do saldo disponível.
Agora, que voltei a embrenhar-me por este amontoado de rotinas cibernéticas, de onde me desprendi para dar execução às "Férias em Família - Parte I", começo aos poucos a pensar como terá sido possível afastar-me tanto tempo deste blog ranhoso e deste computador peçonhento, adereçado por um rato fedorento... (e assim se conservem por muitos e bons anos, devo acrescentar).
Falando, ainda, destas férias familiares, que correram melhor do que aquilo que estava à espera, interrogo-me se terei um espírito de mártir, de masoquista, como já me disseram, ou se serei, simplesmente, parvo por completo e desde a nascença. Sinceramente, não me consigo decidir. Quando me encontro em casa, num dos muitos fins-de-semana, durante o decurso das aulas, parece que me afogo num tédio e num desejo de me libertar da tutela do poder parental. Não que seja obrigado a fazer alguma coisa contra a minha vontade, porque isso nunca resultou em mim. Na verdade, a sensação de claustrofobia vem de todas as perguntas que me fazem, e de todos os cenários que traçam para tentar descobrir aquilo que eu não lhes quero contar. Não que se trate de algo grave ou importante, mas simplesmente, porque me reprime e lança num mundo tão só meu que mesmo quando quero mostrar um pouco dele a alguém não o consigo fazer.
É tão impenetrável essa solidão que os silêncios geram embaraços, em que ausência de sons precipita uma qualquer revelação involuntária. Adoro, por isso estar rodeado de pessoas, deixando-as falar, entre si, e intervindo, apenas, quando for seguro, evitando expor o que penso, evitando perguntas a que teria que dar respostas fundamentadas, à pressa, em coisas que não acredito, só para não revelar, verdadeiramente, as convicções que tenho, e que só partilho com quem tiver legítimo interesse em querer saber e se esforçar minimamente para isso. É uma forma, como qualquer outra, de me defender do resto do mundo. Preciso, talvez, de mais tempo que a maioria das pessoas para conseguir confiar nos outros, e confiar-lhes os segredos, que não são preciosos, mas que são meus. E para isso, reciprocamente, tenho que conseguir sentir, ou tenho que acreditar, que o interesse dos outros está em mim e não naquilo que digo, penso, mostro ou escondo.
As férias permitem-nos pensar em muitas coisas, porque o ócio é grande, e as ocupações são reduzidas e pouco desgastantes. Pelo que dá para nos deitarmos na cama, de barriga para o ar a pensar... pensar... pensar... e, na maioria das vezes, sem chegar a qualquer conclusão ou resultado - coisa que é normal em quem pensa muito e faz pouco.
Até que me apetecia continuar, mais um pouco, a escrever nesta carta aberta tudo o que me dá na telha, mas a verdade é que já tou nisto há mais de uma hora, e amanhã tenho que ir desenterrar a vaca da dentista que me esmifrou um dente há duas semanas, e me está a provocar uma dorzinha aguda, incomodativa e irritante que só pode derivar em asneirada delirante, que viria a publicar neste blog.
sábado, agosto 20, 2005
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
sexta-feira, agosto 19, 2005
What did you say?
I know I saw you singing
But my ears won't stop ringing
Long enough to hear
Those sweet words
What did you say?
End of the day
The hour hand has spun
But before the night is done
I just have to hear
Those sweet words
Spoken like a melody
All your love
Is a lost balloon
Rising up through the afternoon
'Til it could fit on the head of a pin
Come on in
Did you have a hard time sleeping?
Cuz the heavy moon was keeping
Me awake, and all I know is
I'm just glad to
See you again
See my love's
Like a lost balloon
Rising up
Through the afternoon, and
Then you appeared
What did you say?
I know what you were singing
But my ears won't stop ringing
Long enough to hear
Those sweet words
And your simple melody
I just have to hear
Those sweet words
Spoken like a melody
I just want to hear
Those sweet words
terça-feira, agosto 16, 2005
Há quanto tempo não assistia eu ao nascer de um novo dia. Agora, às 6 horas da manhã ainda é noite escura. Já se nota, por isso, que o mês de Agosto vai por meio, quando em meados de Julho já havia claridade por esse tempo.
A primeira luz surge, somente, por volta da 6 e 15 e como é bonito observar esse momento, em que ainda quase tudo dorme. Estar sozinho, numa janela e olhar para a rua em frente, onde as luzes permanecem acesas, ou para as nuvens, que começam, aos poucos, a ganhar contornos visíveis.
De noite só sabemos que elas estão no céu se a luz da lua, ou das cidades, incidir sobre aquele algodão aparente, ou se as estrelas estão desaparecidas, como se lhes tivesse sido cortado o abastecimento de electricidade.
É um momento especial, aquele em que também nós despertamos, com o vento que bate no rosto, arrefecido pela noite. Ao longo desse período nocturno, o vento vai, aos poucos, ficando mais frio, mais frio... até aquela hora. As 6 e 15, em que surge de novo o sol.
O último momento que antecede o despontar da primeira luz da aurora é para o vento o limite marginal; o último ápice em que ainda pode arrefecer um pouco mais.
Assim, como o vento que precede a luz da aurora, também eu sinto que vivemos, por vezes, momentos marginais em que ficamos o mais frio e gelado que alguma vez venhamos a ficar, perante aquelas mesmas circunstâncias. É o último momento que precede a fase em que luz recomeça a aquecer.
Todos os dias há novas auroras. Todos os dias o vento volta a gelar e volta a aquecer. É o ciclo natural das coisas. Não há muito por onde escolher. E felizmente, assim, que há coisas das quais não podemos tomar conta.
sexta-feira, agosto 12, 2005
A Ring Of Endless Light
«The World
I
I saw Eternity the other night like a great Ring of pure and endless light,
II
The darksome statesman hung with weights and woe
III
The fearful miser on a heap of rust sat
IV
Yet some, who all this while did weep and sing,
terça-feira, agosto 09, 2005
Em cada pedra por que passo,
Em cada passo dado em frente e ao lado,
Recolho a lembrança por onde passei.
Por cada metro recuado,
Fica o sonho das terras
Por onde, perdido, te achei.
E por cada pedra, por cada passo
dado em frente e ao lado,
por cada metro avançado,
lembra-me a luz, com que te vi.
Aquele momento distante,
Tão estranho e vago,
Em que, por fim, me encontrei
E, de novo, me perdi.
domingo, agosto 07, 2005
Train-whistles, a sweet clementine
Blueberries, dancers in line
Cobwebs, a bakery sign
Ooooh - a sweet clementine
Ooooh - dancers in line
Ooooh ...If living is seeing
I'm holding my breath
In wonder - I wonder
What happens next?
A new world, a new day to see
I'm softly walking on air
Halfway to heaven from here
Sunlight unfolds in my hair
Ooooh - I'm walking on air
Ooooh - to heaven from here
Ooooh ...If living is seeing
I'm holding my breath
In wonder - I wonder
What happens next?
A new world, a new day to see
Cem Anos de Solidão
- Não vamos - disse. - Ficamos aqui porque aqui tivemos um filho.
- Ainda não temos um morto - disse ele. - Não se é de parte nenhuma enquanto não se tiver um morto enterrado.»
domingo, julho 31, 2005
sexta-feira, julho 29, 2005
Chuva
As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
(...)
A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade

"Quando o sofrimento já quase a fazia transpor o limiar da loucura, Ísis vislumbrou diante de si uma mulher popular pelos seus dons de magia, que prontamente examinou o seu filho, proclamando Seth alheio ao mal que o atormentava. Na realidade, Hórus ( ou Harpócrates, Horpakhered- “Hórus menino/ criança”) havia sido simplesmente vítima da picada de um escorpião ou de uma serpente. Angustiada, Ísis verificou então a veracidade das suas palavras, decidindo-se, de imediato, e evocar as deusas Néftis e Selkis (a deusa- escorpião), que prontamente ocorreram ao local da tragédia, aconselhando-a a rogar a Ré que suspendesse o seu percurso usual até que Hórus convalescesse integralmente. Compadecido com as suplicas de uma mãe, o deus solar ordenou assim a Toth que salvasse a criança. Quando finalmente se viu diante de Hórus e Ísis, Toth declarou então: “ Nada temas, Ísis! Venho até ti, armado do sopro vital que curará a criança. Coragem, Hórus! Aquele que habita o disco solar protege-te e a protecção de que gozas é eterna. Veneno, ordeno-te que saias! Ré, o deus supremo, far-te-á desaparecer. A sua barca deteve-se e só prosseguirá o seu curso quando o doente estiver curado. Os poços secarão, as colheitas morrerão, os homens ficarão privados de pão enquanto Hórus não tiver recuperado as suas forças para ventura da sua mãe Ísis. Coragem, Hórus. O veneno está morto, ei- lo vencido.
No limiar da maturidade, Hórus tomou a resolução de vingar o assassinato de seu pai, reivindicando o seu legítimo direito ao trono do Egipto, usurpado por Seth. Ao convocar o tribunal dos deuses, presidido por Rá, Hórus afirmou o seu desejo de que seu tio deixasse, definitivamente, a regência do país, encontrando, ao ultimar os seus argumentos, o apoio de Toth, deus da sabedoria, e de Shu, deus do ar. Todavia, Ra contestou-os, veementemente, alegando que a força devastadora de Seth, talvez lhe concedesse melhores aptidões para reinar, uma vez que somente ele fora capaz de dominar o caos, sob a forma da serpente Apópis, que invadia, durante a noite, a barca do deus- sol, com o fito de extinguir, para toda a eternidade, a luz do dia.
Escoado algum tempo, Ísis foi incapaz de refrear a sua apreensão e criou um arpão, que lançou no local, onde ambos haviam desaparecido. Porém, ao golpear Seth, este apelou aos laços de fraternidade que os uniam, coagindo Ísis a sará-lo, logo em seguida. A sua intervenção enfureceu Hórus, que emergiu das águas, a fim de decapitar a sua mãe e, acto contíguo, levá-la consigo para as montanhas do deserto. Ao tomar conhecimento de tão hediondo acto, Rá, irado, vociferou que Hórus deveria ser encontrado e punido severamente. Prontamente, Seth voluntariou-se para capturá-lo. As suas buscas foram rapidamente coroadas de êxito, uma vez que este nem ápice se deparou com Hórus, que jazia, adormecido, junto a um oásis. Dominado pelo seu temperamento cruel, Seth arrancou ambos os olhos de Hórus, para enterrá-los algures, desconhecendo que estes floresceriam em botões de lótus. "

Just I
You're telling me and anyone
You're hard enough
You don't have to put up a fight
You don't have to always be right
Let me take some of the punches
For you tonight
Listen to me now
I need to let you know
You don't have to go it alone
And it's you when I look in the mirror
And it's you when I don't pick up the phone
Sometimes you can't make it on your own
We fight all the time
You and I...that's alright
We're the same soul
I don't need...I don't need to hear you say
That if we weren't so alike
You'd like me a whole lot more
Listen to me now
I need to let you know
You don't have to go it alone
And it's you when I look in the mirror
And it's you when I don't pick up the phone
Sometimes you can't make it on your own
I know that we don't talk
I'm sick of it all
Can - you - hear - me - when - I -
Sing, you're the reason I sing
You're the reason why the opera is in me...
Where are we now?
I've got to let you know
A house still doesn't make a home
Don't leave me here alone...
And it's you when I look in the mirror
And it's you that makes it hard to let go
Sometimes you can't make it on your own
Sometimes you can't make it
The best you can do is to fake it
Sometimes you can't make it on your own»
quinta-feira, julho 28, 2005
Não somos obrigados a amar; apenas existe a obrigação de ser feliz.
Essa é a única razão para a nossa presença no mundo. E com toda essa obrigatoriedade, toda essa carga moral e todos esses mandamentos só raramente nos fazemos felizes uns aos outros, já que com tudo isso nem para nós somos capazes de obter felicidade. O ser humano só pode ser "bom" quando é feliz, quando há harmonia no seu interior: Ou seja, quando ama.»
Zodíaco: Balança
A entrada do Sol neste signo corresponde à sua passagem pelo equinócio, e também com o meio do ano nos antigos calendários europeus. O signo possui assim o sentido de divisão e mediação. Na verdade, os balança adoram contactos sociais, festas e calor humano.
Ao tomar uma decisão, consideram demoradamente suas alternativas. O balança sabe, como poucos, o quanto a realidade comporta interpretações conflituantes e como é fácil deixar-se levar pelo preconceito e pelo pré-julgamento. A própria noção de antecipar um resultado com base em expectativas pessoais causa-lhes horror.
O símbolo mitológico é a balança, o instrumento usado para pesar e equiparar. É também o que os deuses de muitas mitologias usam na hora em que decidem se a alma de um mortal foi predominantemente boa ou má, e se merece a vida eterna ou não. O nativo deste signo estará a todo instante pondo as coisas na balança, e não dará um passo enquanto ela não pender claramente para um lado. Tanta preocupação assim traz suas desvantagens.
A busca pelo equilíbrio muitas vezes foge-lhes do controle. A vida pode trazer escolhas tão complicadas para a mente do balança, que ele vai ficar paralisado diante delas.
quarta-feira, julho 27, 2005
«Fico
Para ti
Como sou
Aqui espero
Desespero
Como era
Sou quem era
Foi assim
Foi no tempo que passou
Foi sentir o teu olhar
Por mim fica quem já me chamou
Assim
Era
Para ti
Como sou
É o tempo
Que lamento
Vou esperar
Não vou esquecer
Foi assim
Que o tempo parou
Num lugar em mim
Que p'ra ti ficou
Estou aqui
No desejo
Do que vi
Do que vejo
Quero saber de ti
P'ra voltar a ver
Em mim o que vi
E não vou esquecer
Estou aqui
No desejo
Do que vi
Do que vejo
Fico
Para ti
Como sou»
sábado, julho 23, 2005
Não há arrogância em estarmos satisfeitos connosco mesmos, quando admitimos as nossas falhas e as entendemos como alicerces para o que nos espera. Certamente, não sou arrogante quando me orgulho de quem sou e reconheço que são as minhas raízes que me suportam e tornam forte mas, ao mesmo tempo, vulnerável.
Descobrir as nossas fraquezas, nos pequenos desvios de percurso, dá-nos a faculdade de recuperar, mais rapidamente, dos maiores rombos. Conhecê-las, e saber como são superadas, é uma arma mais eficiente que repelir o que nos afecta.
Por mais inseguro que seja nas atitudes que tome, tenho que garantir que não contrario a minha formação humana ensinada e aprendida. Até este momento, sinto que não tenho qualquer assunto inacabado, porque ponho todo o meu empenho em tudo o que acredito, em tudo o que me estimula e torna reactivo ao que me rodeia. Abraço a derrota em que me reconheço exausto de recursos.
O meu equilíbrio, a minha estabilidade, não pode estar dependente de alguma coisa perecível. Tem que viver dentro de mim próprio, ainda que, por vezes, seja preciso parar tudo à volta para redescobrir que é em cada fibra do que somos que se encontra toda a força, toda a paixão, que precisamos para agarrar a vida e nos levantarmos.
É naquilo que sou que encontro a certeza que vai correr tudo bem. E, nos momentos mais escuros, em que todas as luzes parece que se apagam, brilha, ainda, essa luz interior, nutrida pela esperança, que nos diz, exactamente, o que fazer para assegurar a nossa liberdade face à culpa, à desilusão e à angústia.
É no que somos que nos mantemos, mas é com a esperança que depositamos uns nos outros que evoluímos e nos tornamos melhores.
quarta-feira, julho 20, 2005
terça-feira, julho 19, 2005
Pensamentos profundos
- Mata-te a estudar e serás um cadáver culto!
- Não és completamente inútil... ao menos serves de mau exemplo.
- O importante não é saber, mas ter o telefone de quem sabe!
- Quem sabe sabe. Quem não sabe é...chefe!
- O homem que não tem sorte com as mulheres não sabe a sorte quem tem!
- Não leves a vida tão a sério, afinal nem sairás vivo dela!
- Se não és parte da solução és parte do problema!
- Há duas palavras que abrem muitas portas: puxe e empurre!
segunda-feira, julho 18, 2005
Salas de cinema portuguesas perdem 4.780 espectadores diários
De certeza que eu não fui um dos responsáveis.
sexta-feira, julho 15, 2005
Rotas são as mentes
Que só olham o que já conhecem.
Sempre o mesmo estilo, o mesmo tema;
Quem quer que inove no lema,
De nada vale se fugir ao tema.
E com rimas da tanga
Se impressionam os admirados da vida;
Vida sofrida – claro está.
Desesperados do amor que,
Sem sentimento,
Buscam no momento,
Numa escrita impressionista,
Nada mais que um sopro da juventude
Intelectualmente perdida.
Na maturidade e na razão
Desfrutam os que abordam
A singela natureza das coisas
E que por simples complexa se torna
Aos que teimosamente a ela se encerram!
quarta-feira, julho 13, 2005
terça-feira, julho 12, 2005
«Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos actos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.»
domingo, julho 10, 2005
Home

sábado, julho 09, 2005
quarta-feira, julho 06, 2005
terça-feira, julho 05, 2005
Old Souls...
segunda-feira, julho 04, 2005
domingo, julho 03, 2005
Como gelo que derrete
A seca, a chuva na tua mão;
O mundo inteiro concentrado
Em permanente contradição.
Adorar, ser adorado;
Ouvir cada grito num murmúrio,
Cada segredo mil vezes sussurrado.
Escutar o mundo...
Provar na língua aquele sabor!
Estender os braços e acreditar!
Inspirar fundo!
Gritar!
E no olhar trocado,
Num silêncio de entusiasmo e agonia,
Sentir aquele torpor na barriga,
De quando te sonho acordado.
Raio de luz,
Rasgando o espaço gelado,
Que, por ver-te, derretia.
Sol poente, sol nascente,
Aurora que inundas cada hora,
Cada pensamento do meu dia.



























