sábado, outubro 15, 2005

Rain and Warmth


No recorte transbordante de uma chama, num pavio de vela branca, inspira-se o sabor da luz e do calor. E, lá fora, bate a chuva na janela e sinto cada pingo tocar as telhas, escorregando por estas paredes frias. Ao longe, um rio de sussurros de aves, salpicando os ramos dos cedros, no jardim. E, cá dentro, um som reconfortante e calmo que soa, mais ou menos, assim...

quinta-feira, outubro 13, 2005

pirâmide

Que, por tão curva, encheu o espaço

Carreiros na Lua

As coisas que oiço de quem passa são versos soltos ao vento, acordes insofismáveis da alma em brancura. Reflexos do linho nos campos, que aguarda ser colhido e fiado e tecido.

Uma manta de malhas entrecruzadas no espaço de um lençol, o seu esvoaçar num estendal, sendo levada pelo vento e caindo no chão. Naquela erva verde, rebolando sobre si mesma, dobrando-se e amarrotando-se contra o seu próprio corpo, acariciando o pasto dos rebanhos.

É trabalho das mãos hábeis e frias de alguém que não lembra o dia em que nasceu. Aquela carcaça enrugada, presa em xailes que já se confundem com a pele. Levou os rebanhos vezes sem conta para os montes frescos e o vento cortou-lhe o rosto, cavou-lhe os traços dos olhos, cerrou-lhe as sobrancelhas, de tanto que franziu o cenho.

Não consegue contar em números de gente as horas, os dias, os meses. É a Lua que a rege, a Lua que lhe dita os jeitos do mundo, das árvores, das criações e do próprio cabelo, atado numa burleta preta.

Deita os ovos às galinhas quando a noite é mais escura, coisas de gente que não fala os dialectos do mundo. Lá, onde as noites iluminam o céu das nuvens em tons de fogueira, chamam-lhe, as pessoas, nova, à Lua. Mas, esses, não sabem aquele palavreado de gente, que é gente porque não lembra a idade.

Vive o mundo no que sente, incerta se aquele carreiro que percorre desemboca no mesmo sítio de dias anteriores. Os carreiros mal marcados e pouco vagueados têm destas coisas, mudam de noite os seus destinos, só para se divertirem quando as velhas cegas e decrépitas se perdem em lugar estranho. Elas, velhas carcomidas pelos anos que não contam, olham as árvores, baças, a seus olhos já vesgos, esperando reconhecer-lhes o tronco por alguma marca talhada a canivete, por algum resto de resina, por algum cheiro de outros tempos. Cheiro dos tempos de luz em que as terras lhes pareciam novas, ou novidade.

Rodopia, trémula, sobre si e bate com as costas num tronco, como numa parede que a ampare. Prostra-se com a cara gelando contra o manto de caruma e húmus daquele chão, lavado de chuvas novas. As mãos erguidas ao céu de um Deus que nunca viu mas sempre lhe disseram que existia. Solta-se-lhe uma lágrima que compreende a solidão onde se acha, o abandono a que se votou nos seus séculos de clausura. Está só em sangue e alma, num chão húmido e repleto de vida que a recebe e consome, perdida de si na irmandade de um mundo que lhe escapou entre os dedos.

World Press Photo 2005, 1st prize

quarta-feira, outubro 12, 2005

O Orgulho de Ser Português


«A Quinta da Regaleira constitui um dos mais surpreendes monumentos da Serra de Sintra. Situada no termo do centro histórico da Vila, foi construída entre 1904 e 1910, no derradeiro período da monarquia. Os domínios românticos outrora pertencentes à Viscondessa da Regaleira, foram adquiridos e ampliados pelo Dr. António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920) para fundar o seu lugar de eleição. Detentor de uma fortuna prodigiosa, que lhe valeu a alcunha de Monteiro dos Milhões, associou ao seu singular projecto de arquitectura e paisagem o génio criativo do arquitecto e cenógrafo italiano Luigi Manini (1848-1936) bem como a mestria dos escultores, canteiros e entalhadores que com este haviam trabalhado no Palace Hotel do Buçaco.

Homem de espírito científico, vastíssima cultura e rara sensibilidade, bibliófilo notável, coleccionador criterioso e grande filantropo, deixou impresso neste livro de pedra a visão de uma cosmologia, síntese de memória espiritual da humanidade, cujas raízes mergulham na Tradição Mítica Lusa e Universal.

A arquitectura e a arte do palácio, capela e demais construções foram cenicamente concebidas no contexto de um jardim edénico, salientando-se a predominância dos estilos neo-manuelino e renascentista.

O Jardim, representação do microcosmo, é revelado pela sucessão de lugares imbuídos de magia e mistério. O paraíso é materializado em coexistência com um inferius - um dantesco mundo subterrâneo - ao qual o neófito seria conduzido pelo fio de Ariadne da iniciação. Concretiza-se com estes cenários a representação de uma viagem iniciática, qual vera peregrinatio mundi, por um jardim simbólico onde podemos sentir a Harmonia das Esferas e perscrutar o alinhamento de uma ascese de consciência que viaja pelas grandes epopeias. Nele se vislumbram referências à mitologia, ao Olimpo, a Virgílio, a Dante, a Camões, à missão templária da Ordem de Cristo, a grandes místicos e taumaturgos, aos enigmas da Arte Real, à Magna Obra Alquímica.


Nesta sinfonia de pedra - cinzelada pelas mãos de construtores de Templos , imbuídos num verdadeiro espírito de Tradição - revela-se a dimensão poética e profética de uma Mansão Filosofal Lusa.

Aqui se fundem o Céu e a Terra numa realidade sensível, a mesma que presidiu à teoria do Belo, da Arquitectura e da Música, que a concha acústica o Terraço dos Mundos Celestes permite propagar pelo infinito.»

por ocasião da visita à quinta, hoje.

terça-feira, outubro 11, 2005

segunda-feira, outubro 10, 2005

Primeira Página...

«Feliz assim por teres tudo o que sou?
Feliz por perderes tudo o que sei?

Só não te dou o que não serei.
Não, a minha morte, não ta dou.

PEDRO TAMEN

1. Não basta morrer para conhecer o sorriso de Deus - mesmo que, como foi o meu caso, se tenha vivido abismada nele uma vida inteira. Quando o pior acontecia, aquele sorriso descia às minhas trevas com um soluço de baloiço, um gingar de gonzos arrancado às cordas da infância. Eu sentava-me nele e subia, balouçando até à luz. O pior aconteceu-me cedo, tive sorte. Deus procura primeiro os que sofrem antes do conhecimento específico da dor, talvez porque os outros sabem demasiado para poderem ser salvos.

Tu dizias que era ao contrário: que Deus nasce da ignorância própria dos sofrimentos prematuros. Mas tu, meu aluno dilecto, cedo te deixaste povoar pelo excesso do saber. Deus não sabia nada do Universo quando o criou. Imagino que se sentiria só. Imagino que num momento impreciso essa solidão se terá tornado maior do que Ele próprio, estourando numa gigantesca flor de luz. E imagino-O, depois, tentando dar um sentido particular a cada uma das pétalas dessa luz dispersa. Agora que saí do corpo que fui - para me tornar pólen, poeira nos teus olhos, pura imaginação de mim - imagino-o melhor ainda, ébrio de luz, lúcido, encandeado por um Lúcifer oculto e criador incrustado no seu próprio se, em estado de paixão com a história desencadeada pela sua omnipotente solidão. E balouço no Seu sorriso outra vez, a vez definitiva porque o meu corpo está lá em baixo, num caixão, contemplado e lembrado e chorado pela última vez.

Não me levantarei da cama amanhã depois de Lhe pedir em surdina que dê um impulso maior ao balouço, que o empurre com força até que os pés me voem para fora do calor aterrado dos lençóis. Ninguém mais vai estar à minha espera, não terei de me disfarçar de desculpas, não voltarei a iludir ou desiludir ninguém. Não voltarei a morrer no corpo do único homem que me abriu no corpo a passagem secreta para a morte. Não voltarei à desilusão do renascimento. Sobretudo não voltarei a desiludir-te a ti, o descrente que ensinou a crer melhor, o meu pequeno e velho Deus de algibeira, o meu amigo.

Despojada de corpo é-me mais fácil transformar-me no próprio balouço, na luz dançante de que ele é feito. Num murmúrio de vento peço-Lhe que não me empurre tão depressa para esse lugar iluminado que é a Sua Carne, peço-Lhe que me deixe matar saudades desse mundo que deixei tão de repente. Matar saudades de ti. Ou matar-te, como fazem as crianças, para recomeçar uma outra história, no balouço quotidiano do teu sorriso.

Só o teu riso dura. Mostrei-te o mar.
Mostrei-to antes e depois de morreres.

LUIS FILIPE CASTRO MENDES
»

Inês Pedrosa

sábado, outubro 08, 2005

Reminiscências

Fui transportado até aqui, como se viajasse numa nuvem alta, ao som da música dos Counting Crows. Era a isto que os antigos clássicos chamavam "reminiscência", parece-me. «Ao veres Símias, lembras-te de Cebes». O Fédon, Platão.














Serra da Estrela, 27/02/05

quinta-feira, outubro 06, 2005

Amigo

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill

segunda-feira, outubro 03, 2005

Luar

O luar enche a terra de miragens
E as coisas têm hoje uma alma virgem,
O vento acordou entre as folhagens
Uma vida secreta e fugitiva,
Feita de sombra e luz, terror e calma,
Que é o perfeito acorde da minha alma.

Sophia

sábado, outubro 01, 2005

sexta-feira, setembro 30, 2005

Paralelepípedo

curvei-me eu, também, nessa espera

quinta-feira, setembro 29, 2005

A última que aqui te deixarei



Soon the leaves will fall
I'll watch the lonely moon in the sky
And when the dawn breaks I'll listen for your heartbeat
But what I'll hear is your last goodbye
The saddest song of all.

We'll meet again, we'll stare and then
We'll smile and speak as strangers do
And all I'll be to you
Is someone you once knew.

I know every line
The way your eyes shine in the dark
You'll take your fire, your tenderness, your strenght
And the mem'ries here in my heart
Are all you'll leave behind

We'll meet again, we'll stare and then
You'll wave and as you turn to go I'll know it's true
All I can be to you
Is someone you once knew.

quarta-feira, setembro 21, 2005

A Facilidade...

Quero que fales para que te possa ouvir
Quero que me aconselhes sempre que perca o rumo
Quero que confies em mim para que confie em ti
Quero que me ajudes para que te possa ajudar
Quero que estejas presente quando mais precisar
Quero que olhes para mim e me vejas como sou
Quero que me abraces sempre que o desejares fazer
Quero que me dês um sorriso quando te puder animar
Quero que me perdoes quando não te conseguir valer
Quero que contes os teus segredos e me deixes escolher os que quero aceitar e os que não voltarei a lembrar
Quero que compreendas que sou só um rapaz a aprender a deixar o medo
Quero que saibas… que sempre contei contigo e que também quero que contes sempre comigo.


in me





terça-feira, setembro 20, 2005

I wish we were dreams,
sleepin' each other’s mind

I wish we were safe
from fears and pain

I wish we were right,
about the answers we give and take

I wish we were simple,
at mind and heart

I wish we were bold,
speakin’ it out loud

I wish we were nowhere
we didn’t want to be

I wish we weren’t just
blood and flesh

I wish we were cold
sand and glass, instead.

I wish we weren’t some
madness that hits and pass us by

I wish we were hope
walking a straight line

I wish we were glad
to meet once more

I wish we weren’t sorry

I haven’t wished this before.

cone

curvando o meu ser à vastidão eterna

Taipé

Edifício Taipei 101, em Taiwan, de 508 m

segunda-feira, setembro 19, 2005

esfera

curva é a luz que me sustem e ampara

The Offering


Angelica-Tatoo

domingo, setembro 18, 2005

cilindro

como curvo é o meu poema

sábado, setembro 17, 2005

Sequóia

Estas sombras que vejo longas, desabrochando atrás daquela cadeira, ao canto da memória de um velho, clamam o esquecimento das horas, de cada década, de cada século. Apelam àquela sensibilidade distante, das árvores milenares enraizadas nas terras, antes da chegada dos homens. Lançam um olhar escuro que intimida e atrai. Pergunto-lhes donde sai a luz que as alimenta... servas escuras do carvão. Irmãs do meio-dia. Não me respondem, visitam-se mutuamente, no silêncio da cadeira, que não baloiça, nem range. Pergunto-lhes quem são, de que se vestem... desprezadas de contornos definidos. Não percebo o que me dizem. Olho-as com atenção, são translúcidas, como o vento poeirento, mas escuras, negras, sem esse doirado que baila os jardins. Não escureci o suficiente para perceber a sua fala. Talvez o sol, seu irmão, me dê o tom negro à pele e, de tanto insistir, os seus braços me trespassem o corpo e, também eu, fique translúcido e as possa abraçar, finalmente.

cubo

o meu espaço é curvo
Deixei nas tuas mãos
Parte de mim que perdi,
Parte que de mim se perdeu.

Repousa agora em ti,
Repousa agora para ti,
O que disse, o que pensei,
Parte do que sonhei.

Sonho, meu sonho de ti,
Sonho que guardo em mim.
Sonho que por ti sonharei.

sexta-feira, setembro 16, 2005

É uma terra de ventos secos e quentes, onde existe uma seca de 30 anos, porque a sua localização semitropical coincide com a da formação das nuvens gasosas que levam a chuva até outras paragens. Parece que é um fenómeno familiar, em que a chuva, filha daquele arquipélago, recebe dele tudo o que de melhor ele lhe tem a dar, distribuindo-o por quem se vai apaixonando pelo caminho, esquecendo-se de onde vem. Mas tem sido assim ao longo dos séculos.


É uma terra seca, como os ventos sudões que a assolam, uma ilha velha, segundo os geólogos, que sofreu uma grande erosão, apresentando-se, por isso, maioritariamente plana. Esta sua forma potencia, ainda mais a existência da seca, porque a água não tem por onde se infiltrar, acabando no mar.

É uma terra de sol tórrido, como o sol africano, que se encontra numa posição mais vertical, mas suportável, com relativa facilidade, por nativos e turistas (após um período de um dia ou dois de habituação).



É uma terra salgada, de onde lhe advém o nome de Ilha do Sal, porque aí se exploravam, dentro da cratera do vulcão, já extinto, vastas salinas que permitem banhos em águas vermelhas de sulfatos, onde, como acontece no mar morto, os corpos são impulsionados até à tona pela imensa densidade da água, repleta de cloreto de sódio.



É uma terra de emigrantes de países costeiros, guineenses e senegaleses, que tentam a sobrevivência através da exploração dos turistas, a quem vendem os seus colares feitos com "pedras da ilha do fogo", "dentes e ossos de tubarão", pulseiras para dar sorte, ou evitar males maiores, dançarinas de "funaná", a dança tradicional, esculpidas em madeira de Ébano, os batuques, os quadros de areia, as trancinhas para o cabelo, as águas de coco, os lenços para a cabeça, e toda uma parafernalia de outras bugigangas e acessórios de, dita, beleza que, em muitas das vezes, acabam apreendidos e os seus vendedores presos, por um dia ou dois.

Não quer isto dizer que a polícia seja muito eficiente, tentando controlar este fluxo de emigrantes clandestinos, apenas se tornou mais um negócio. A polícia prende estes vendedores, que atacam as praias e os turistas, assediando as pessoas de 5 em 5 minutos para adquirirem os seus produtos a preços fantásticos, exigindo uma caução de 10.000$, cerca de 100 euros, mas não sem, antes, lhes dar umas valentes tareias de cacetete mesmo à frente de quem quer que esteja na praia. Vejam bem que até nas agressões gratuitas são honestos.


Os turistas, esses que vão assistindo a tudo, limitam-se a esconder, entre as espreguiçadeiras e as toalhas, os objectos da venda, que eles deixam para não serem apreendidos, e os próprios vendedores, enroscados no chão, protegidos por um escudo de corpos, meio avermelhados, dos portugueses, de coração mole, que os escondem da brutalidade policial.

Mesmo esses vendedores chatos são gente extremamente afável, simpática e simples, que fugiram dos seus países para, pelo menos conseguirem ter meio centímetro de carne entre a pele e os ossos.



Apresento-vos, de seguida, e como me foi apresentado a mim, o Luís Bamba. O Luís Bamba é guineense e está legalizado no país. Sei disto, não só porque ele mo disse, mas também porque nunca o vi a fugir quando a polícia aparecia. O Luís Bamba ganha a vida convidando os turistas a visitarem a "fábrica de artesanato" da sua família, no centro da vila de Santa Maria, dando, em troca, um pequeno colar esculpido em madeira, ou composto de pequenas pedras e búzios, como aliciante. No meu penúltimo dia, reconheceu os meus pais, que passeavam pela vila, sozinhos, sem que nunca tivesse estado com eles antes, e apresentou-se como "o Luís Bamba", amigo do Miguel, o que lhe logrou uma bela Coca-cola, à conta dos meus pais. Convém esclarecer que a amizade com o Luís Bamba se travou no dia da chegada, quando me dirigia sozinho à praia, e que a conversa durou 2 minutos, o tempo suficiente para receber o tal colar e ser convidado a visitar a tal "fábrica de artesanato". Depois disso só o encontrei no último dia.



A vila de Santa Maria é considerada a capital económica da ilha, não porque exista grande fonte de rendimento para as gentes locais, mas porque, aí, se encontram a maior parte dos complexos turísticos que existem na ilha e um porto de pesca, decadente, deixado por portugueses. Diariamente, percorrem a ilha cerca de 4.000 turistas, e nela residem a título permanente cerca de 15.000 pessoas, tendo duplicado comparativamente com os 5 anos anteriores. 5.000 em Santa Maria, 7.000 em Espargos, e os restantes 3.000 dividem-se pelas 2 restantes localidades que se chamam Palmeira e Pedra Lume. As praias de Pedra Lume são caracterizadas pela imensa quantidade de tubarões existentes nas águas mais quentes. Já Espargos, a capital política da ilha, onde existe o Liceu (do 7º ao 12º anos) e a Câmara Municipal (o órgão político mais baixo na hierarquia político-administrativa do país), recebe o nome de se relatar que, quando chovia, surgiam espargos naquela região. Como se pode ver, a própria toponímia é tão simples e singela nas suas origens, como os habitantes daquela ilha o são nos seus hábitos e na sua vida.


Vestem-se se tiverem roupa, comem se tiverem fome, ou algo para comer, tomam banho se têm calor, e riem e dançam independentemente do que têm ou não têm. É nesta alegria na pobreza que reside a verdadeira beleza de Cabo Verde, que conquista, não quem visitar o país, mas quem visitar as pessoas.



As pessoas que deixam entrar quem for a passar na rua simplesmente porque a porta da sua casa está aberta, e os recebem sempre com um sorriso.

Cabo Verde é, antes de tudo, o país das portas abertas para o coração dos homens.

Gente desta terra

Apresento-vos o Sténio, a pessoa mais brincalhona que já conheci.






A Dina












































Este é o Tiago e a sua mãe, que vende bolinhos a 10 cêntimos, junto ao pontão.

O "Titanic", que arruma as espreguiçadeiras, a esculpir um torso na areia.






quarta-feira, setembro 07, 2005

Farewell...

Deixo-vos, por breves dias, para dar execução ao programa de "Férias em Família - Parte II".

Saudações Cordiais.


terça-feira, setembro 06, 2005

«O silêncio é a mais perfeita forma de escrever. Nele eu me escondo, me encanto e pernoito as palavras que te irão encontrar. Eu sei que estás aí, que me ouves e percebes. Sei que sentes os meus silêncios. Eles são os teus também.»
in «Simplesmente Existo»

segunda-feira, setembro 05, 2005

Jacek Pomykalski

domingo, setembro 04, 2005

Quod scripsi, scripsi.

Desculpar-me-ão a insistência neste estilo de música, que teimosamente publico, mas faz bem, de vez em quando, para iluminar o espírito. lol



In my hands
A legacy of memories
I can hear you say my name
I can almost see your smile
Feel the warmth of your embrace
But there is nothing but silence now
Around the one I loved
Is this our farewell?

Sweet darling you worry too much, my child
See the sadness in your eyes
You are not alone in life
Although you might think that you are

Never thought
This day would come so soon
We had no time to say goodbye
How can the world just carry on?
I feel so lost when you are not at my side
But there is nothing but silence now
Around the one I loved
Is this our farewell?

Sweet darling you worry too much, my child
See the sadness in your eyes
You are not alone in life
Although you might think that you are

So sorry your world is tumbling down
I will watch you through these nights
Rest your head and go to sleep
Because my child, this is not our farewell.
This is not our farewell.

sábado, setembro 03, 2005

Memories


sexta-feira, setembro 02, 2005

Panos de Linho

Dá-me,
Na recordação
Daquele dia,
O teu sorriso,
Tão esperado,

Guardado
Na palma da mão,
Como um aroma
Perfumado de
Tília,

Tocando de
Mansinho a
Alma,

E envolvendo
O coração
Em frescos panos
Brancos de linho.

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quinta-feira, setembro 01, 2005

Tratado de Tordesilhas (7 de Junho de 1494)

Voltando de férias, nesta mesma tarde, não posso contrariar a vontade que tenho de dedilhar, um pouco mais, pelo teclado, actualizando este meu blog, às vezes, tão decrépito e abandonado. Mas como se sabe, nem sempre é fácil encontrar a inspiração e paciência necessárias, metendo ao caminho os cinco dedos, com os quais costumo escrever.

Apesar do, já, adiantado da hora, tive que vir escrever qualquer coisa, nem que fosse só para dizer que ainda não sucumbi às terríveis areias algarvias, ou, nem mesmo, àquela gulosa doçaria, de açúcares, amêndoas e doces de ovos, que caracterizam a região e engordam os turistas, mais ou menos, acidentais.

Já não me recordava, desde as últimas férias que passei fora de casa, durante o período das festividades pascais, também em terras de mouros, a falta que me fazia este estúpido aparelho a que me afeiçoo, mais até que à generalidade das pessoas. É mais um dos vícios que, bem vistas as coisas, só o é porque o podemos ter. Quero com isto dizer que, ao final do segundo dia de férias já passei tão bem sem computador como se nunca lhe tivesse mexido anteriormente, ignorando a sua completa existência. Se pensar bem no caso, reparo, até, que na maior parte das vezes, o que torna mais divertido um computador é premir o botão que o liga e desliga, porque nas restantes horas em que permanece ligado fico, impávido e sereno, olhando para o ecrã, observando quem entra e quem sai, sem dirigir palavra a ninguém, excepto aqueles casos raros, das pessoas com quem podemos sempre falar e dizer todos os disparates que quisermos, iniciando uma conversa sem dizer "olá" ou "oi".

São circunstancialismos castradores, parece-me, e que demonstram como não estamos tão descontraídos com determinadas pessoas como com outras. Na vida física, do dia a dia, por ventura, também sucede a mesma coisa. Contudo, na internet sempre temos a possibilidade de seleccionar os nossos contactos ou, pelo menos, decidir com quem queremos, ou nos apetece conversar de tudos e nadas.

Agora, que olho para a minha lista de contactos (muito mais pequena que o fora há algum tempo atrás), apercebo-me que, afinal, as pessoas com quem consigo começar uma conversa sem ser, imperativamente, por um "oi" ou por um "ola" se resumem aquelas mesmas pessoas com quem posso falar em qualquer instante, sem necessitar de internet para nada.

Isto leva-me a acreditar que os computadores, nestas funções corriqueiras no nosso dia-a-dia doméstico, mais não são que meros caprichos de uma necessidade de comunicação permanente e já satisfeita.

Por esse motivo, deu-me muito mais prazer pegar no telemóvel e conversar alegremente com uma boa amiga durante quase 20 minutos, arruinando metade do saldo disponível.

Agora, que voltei a embrenhar-me por este amontoado de rotinas cibernéticas, de onde me desprendi para dar execução às "Férias em Família - Parte I", começo aos poucos a pensar como terá sido possível afastar-me tanto tempo deste blog ranhoso e deste computador peçonhento, adereçado por um rato fedorento... (e assim se conservem por muitos e bons anos, devo acrescentar).

Falando, ainda, destas férias familiares, que correram melhor do que aquilo que estava à espera, interrogo-me se terei um espírito de mártir, de masoquista, como já me disseram, ou se serei, simplesmente, parvo por completo e desde a nascença. Sinceramente, não me consigo decidir. Quando me encontro em casa, num dos muitos fins-de-semana, durante o decurso das aulas, parece que me afogo num tédio e num desejo de me libertar da tutela do poder parental. Não que seja obrigado a fazer alguma coisa contra a minha vontade, porque isso nunca resultou em mim. Na verdade, a sensação de claustrofobia vem de todas as perguntas que me fazem, e de todos os cenários que traçam para tentar descobrir aquilo que eu não lhes quero contar. Não que se trate de algo grave ou importante, mas simplesmente, porque me reprime e lança num mundo tão só meu que mesmo quando quero mostrar um pouco dele a alguém não o consigo fazer.

É tão impenetrável essa solidão que os silêncios geram embaraços, em que ausência de sons precipita uma qualquer revelação involuntária. Adoro, por isso estar rodeado de pessoas, deixando-as falar, entre si, e intervindo, apenas, quando for seguro, evitando expor o que penso, evitando perguntas a que teria que dar respostas fundamentadas, à pressa, em coisas que não acredito, só para não revelar, verdadeiramente, as convicções que tenho, e que só partilho com quem tiver legítimo interesse em querer saber e se esforçar minimamente para isso. É uma forma, como qualquer outra, de me defender do resto do mundo. Preciso, talvez, de mais tempo que a maioria das pessoas para conseguir confiar nos outros, e confiar-lhes os segredos, que não são preciosos, mas que são meus. E para isso, reciprocamente, tenho que conseguir sentir, ou tenho que acreditar, que o interesse dos outros está em mim e não naquilo que digo, penso, mostro ou escondo.

As férias permitem-nos pensar em muitas coisas, porque o ócio é grande, e as ocupações são reduzidas e pouco desgastantes. Pelo que dá para nos deitarmos na cama, de barriga para o ar a pensar... pensar... pensar... e, na maioria das vezes, sem chegar a qualquer conclusão ou resultado - coisa que é normal em quem pensa muito e faz pouco.

Até que me apetecia continuar, mais um pouco, a escrever nesta carta aberta tudo o que me dá na telha, mas a verdade é que já tou nisto há mais de uma hora, e amanhã tenho que ir desenterrar a vaca da dentista que me esmifrou um dente há duas semanas, e me está a provocar uma dorzinha aguda, incomodativa e irritante que só pode derivar em asneirada delirante, que viria a publicar neste blog.

sábado, agosto 20, 2005

O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
in «Poesias Inéditas», Fernando Pessoa
O Amor é Uma Companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeeiro
Piscando o olho a quem passa.

sexta-feira, agosto 19, 2005

Those Sweet Words

What did you say?
I know I saw you singing
But my ears won't stop ringing
Long enough to hear
Those sweet words
What did you say?

End of the day
The hour hand has spun
But before the night is done
I just have to hear
Those sweet words
Spoken like a melody

All your love
Is a lost balloon
Rising up through the afternoon
'Til it could fit on the head of a pin
Come on in
Did you have a hard time sleeping?
Cuz the heavy moon was keeping
Me awake, and all I know is
I'm just glad to
See you again

See my love's
Like a lost balloon
Rising up
Through the afternoon, and
Then you appeared

What did you say?
I know what you were singing
But my ears won't stop ringing
Long enough to hear
Those sweet words
And your simple melody

I just have to hear
Those sweet words
Spoken like a melody

I just want to hear
Those sweet words

terça-feira, agosto 16, 2005

Há quanto tempo...

Há quanto tempo não assistia eu ao nascer de um novo dia. Agora, às 6 horas da manhã ainda é noite escura. Já se nota, por isso, que o mês de Agosto vai por meio, quando em meados de Julho já havia claridade por esse tempo.

A primeira luz surge, somente, por volta da 6 e 15 e como é bonito observar esse momento, em que ainda quase tudo dorme. Estar sozinho, numa janela e olhar para a rua em frente, onde as luzes permanecem acesas, ou para as nuvens, que começam, aos poucos, a ganhar contornos visíveis.

De noite só sabemos que elas estão no céu se a luz da lua, ou das cidades, incidir sobre aquele algodão aparente, ou se as estrelas estão desaparecidas, como se lhes tivesse sido cortado o abastecimento de electricidade.

É um momento especial, aquele em que também nós despertamos, com o vento que bate no rosto, arrefecido pela noite. Ao longo desse período nocturno, o vento vai, aos poucos, ficando mais frio, mais frio... até aquela hora. As 6 e 15, em que surge de novo o sol.

O último momento que antecede o despontar da primeira luz da aurora é para o vento o limite marginal; o último ápice em que ainda pode arrefecer um pouco mais.

Assim, como o vento que precede a luz da aurora, também eu sinto que vivemos, por vezes, momentos marginais em que ficamos o mais frio e gelado que alguma vez venhamos a ficar, perante aquelas mesmas circunstâncias. É o último momento que precede a fase em que luz recomeça a aquecer.

Todos os dias há novas auroras. Todos os dias o vento volta a gelar e volta a aquecer. É o ciclo natural das coisas. Não há muito por onde escolher. E felizmente, assim, que há coisas das quais não podemos tomar conta.

sexta-feira, agosto 12, 2005


A Ring Of Endless Light

«The World

I

I saw Eternity the other night like a great Ring of pure and endless light,
All calm, as it was bright, and round beneath it, time is hours, days, years
Driven by the spheres like a vast shadow moved, in which the world
And all her train were hurled; the doting lover in his quaintest strain
Did there complain, near him, his lute, his fancy, and his flights,
Wites sour delights, with gloves, and knots the silly snares of pleasure
Yet his dear treasure all scattered lay, while he his eyes did pour
Upon a flower.

II

The darksome statesman hung with weights and woe
Like a thick midnight fog moved there so slow
He did nor stay, nor go; condemning thoughts (like sad eclipses) scowl
Upon his soul, And clouds of crying witnesses without
Pursued him with one shout. Yet digged the mole,
and lest his ways be found
Worked under ground, where he did clutch his prey, but one did see
That policy, churches and altars fed him, perjuries
Were gnats and flies, it rained about him blood and tears, but he
Drank them as free.

III

The fearful miser on a heap of rust sat
pining all his life there, did scarce trust
His own hands with the dust,
but would not place one piece above, but lives
In fear of thieves. Thousands there were as frantic as himself
And hugged each one his pelf,
the downright epicure placed heaven in sense
And scorned pretnece while others slipt into a wide excess
Said little less; the weaker sort slight, trivial wares enslave
Who think them brave, and poor, despised truth sat counting by
Their victory.

IV

Yet some, who all this while did weep and sing,
And sing, and weep, soared up into the Ring,
But most would use no wing. O fools (said I,) thus to prefer dark night
Before true light, to live in grots, and caves, and hate the day
Because it shows the way, the way which from the dead and dark abode
Leads up to God, a way where you might tread the Sun, and be
More bright than he. But as I did their madness so discuss
One whispered thus, "This Ring the Bridegroom did for none provide
But for his bride."»
Henry Vaughn (1621-1695)

quinta-feira, agosto 11, 2005


«The past took lessons from the present,
reorganazing itself, to fit our needs in the present.»


terça-feira, agosto 09, 2005

A Estrada

Em cada pedra por que passo,
Em cada passo dado em frente e ao lado,
Recolho a lembrança por onde passei.

Por cada metro recuado,
Fica o sonho das terras
Por onde, perdido, te achei.

E por cada pedra, por cada passo
dado em frente e ao lado,
por cada metro avançado,
lembra-me a luz, com que te vi.

Aquele momento distante,
Tão estranho e vago,
Em que, por fim, me encontrei
E, de novo, me perdi.

domingo, agosto 07, 2005



Train-whistles, a sweet clementine
Blueberries, dancers in line
Cobwebs, a bakery sign

Ooooh - a sweet clementine
Ooooh - dancers in line
Ooooh ...If living is seeing
I'm holding my breath
In wonder - I wonder
What happens next?
A new world, a new day to see
I'm softly walking on air
Halfway to heaven from here
Sunlight unfolds in my hair

Ooooh - I'm walking on air
Ooooh - to heaven from here
Ooooh ...If living is seeing
I'm holding my breath
In wonder - I wonder
What happens next?
A new world, a new day to see
«New World», Bjork

Cem Anos de Solidão

«Só quando começou a desmontar a porta do quartinho é que Úrsula se atreveu a perguntar-lhe por que o fazia, e ele respondeu-lhe com uma certa amargura: «Já que ninguém se quer ir embora, vamos nós sozinhos.» Úrsula não se alterou.

- Não vamos - disse. - Ficamos aqui porque aqui tivemos um filho.
- Ainda não temos um morto - disse ele. - Não se é de parte nenhuma enquanto não se tiver um morto enterrado.»

Gabriel García Márquez

domingo, julho 31, 2005

«Vanilla Sky», Monet

sexta-feira, julho 29, 2005



Chuva

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
(...)

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade


Mariza,
letra de Jorge Fernando
O Olho de Hórus e a Flôr de Lotus



"Quando o sofrimento já quase a fazia transpor o limiar da loucura, Ísis vislumbrou diante de si uma mulher popular pelos seus dons de magia, que prontamente examinou o seu filho, proclamando Seth alheio ao mal que o atormentava. Na realidade, Hórus ( ou Harpócrates, Horpakhered- “Hórus menino/ criança”) havia sido simplesmente vítima da picada de um escorpião ou de uma serpente. Angustiada, Ísis verificou então a veracidade das suas palavras, decidindo-se, de imediato, e evocar as deusas Néftis e Selkis (a deusa- escorpião), que prontamente ocorreram ao local da tragédia, aconselhando-a a rogar a Ré que suspendesse o seu percurso usual até que Hórus convalescesse integralmente. Compadecido com as suplicas de uma mãe, o deus solar ordenou assim a Toth que salvasse a criança. Quando finalmente se viu diante de Hórus e Ísis, Toth declarou então: “ Nada temas, Ísis! Venho até ti, armado do sopro vital que curará a criança. Coragem, Hórus! Aquele que habita o disco solar protege-te e a protecção de que gozas é eterna. Veneno, ordeno-te que saias! Ré, o deus supremo, far-te-á desaparecer. A sua barca deteve-se e só prosseguirá o seu curso quando o doente estiver curado. Os poços secarão, as colheitas morrerão, os homens ficarão privados de pão enquanto Hórus não tiver recuperado as suas forças para ventura da sua mãe Ísis. Coragem, Hórus. O veneno está morto, ei- lo vencido.

No limiar da maturidade, Hórus tomou a resolução de vingar o assassinato de seu pai, reivindicando o seu legítimo direito ao trono do Egipto, usurpado por Seth. Ao convocar o tribunal dos deuses, presidido por Rá, Hórus afirmou o seu desejo de que seu tio deixasse, definitivamente, a regência do país, encontrando, ao ultimar os seus argumentos, o apoio de Toth, deus da sabedoria, e de Shu, deus do ar. Todavia, Ra contestou-os, veementemente, alegando que a força devastadora de Seth, talvez lhe concedesse melhores aptidões para reinar, uma vez que somente ele fora capaz de dominar o caos, sob a forma da serpente Apópis, que invadia, durante a noite, a barca do deus- sol, com o fito de extinguir, para toda a eternidade, a luz do dia.

Escoado algum tempo, Ísis foi incapaz de refrear a sua apreensão e criou um arpão, que lançou no local, onde ambos haviam desaparecido. Porém, ao golpear Seth, este apelou aos laços de fraternidade que os uniam, coagindo Ísis a sará-lo, logo em seguida. A sua intervenção enfureceu Hórus, que emergiu das águas, a fim de decapitar a sua mãe e, acto contíguo, levá-la consigo para as montanhas do deserto. Ao tomar conhecimento de tão hediondo acto, Rá, irado, vociferou que Hórus deveria ser encontrado e punido severamente. Prontamente, Seth voluntariou-se para capturá-lo. As suas buscas foram rapidamente coroadas de êxito, uma vez que este nem ápice se deparou com Hórus, que jazia, adormecido, junto a um oásis. Dominado pelo seu temperamento cruel, Seth arrancou ambos os olhos de Hórus, para enterrá-los algures, desconhecendo que estes floresceriam em botões de lótus. "
O Olho de Hórus, sempre representado no singular, torna-se mais poderoso, no limiar da perfeição, devido ao processo curativo, ao qual foi sujeito. Por esta razão, o Olho de Hórus surge na mitologia egípcia como um símbolo da vitória do bem contra o mal, que tomou a forma de um amuleto protector.
Esta flor, que nasce da lama e se eleva para o céu por meio de um caule compridíssimo, é o símbolo da pureza no Oriente.

Just I

«Tough, you think you've got the stuff
You're telling me and anyone
You're hard enough

You don't have to put up a fight
You don't have to always be right
Let me take some of the punches
For you tonight

Listen to me now
I need to let you know
You don't have to go it alone

And it's you when I look in the mirror
And it's you when I don't pick up the phone
Sometimes you can't make it on your own

We fight all the time
You and I...that's alright
We're the same soul
I don't need...I don't need to hear you say
That if we weren't so alike
You'd like me a whole lot more

Listen to me now
I need to let you know
You don't have to go it alone

And it's you when I look in the mirror
And it's you when I don't pick up the phone
Sometimes you can't make it on your own

I know that we don't talk
I'm sick of it all
Can - you - hear - me - when - I -
Sing, you're the reason I sing
You're the reason why the opera is in me...

Where are we now?
I've got to let you know
A house still doesn't make a home
Don't leave me here alone...

And it's you when I look in the mirror
And it's you that makes it hard to let go
Sometimes you can't make it on your own
Sometimes you can't make it
The best you can do is to fake it
Sometimes you can't make it on your own»

"Sometimes you can't make it on your own", U2

quinta-feira, julho 28, 2005

Ainda da Felicidade

«No mais fundo do nosso íntimo desejamos a felicidade, ambicionamos uma benfazeja harmonia com aquilo que nos é exterior. Essa harmonia é alterada logo que a nossa relação com qualquer coisa é outra que não seja de amor.
Não somos obrigados a amar; apenas existe a obrigação de ser feliz.
Essa é a única razão para a nossa presença no mundo.
E com toda essa obrigatoriedade, toda essa carga moral e todos esses mandamentos só raramente nos fazemos felizes uns aos outros, já que com tudo isso nem para nós somos capazes de obter felicidade. O ser humano só pode ser "bom" quando é feliz, quando há harmonia no seu interior: Ou seja, quando ama.»

Hermann Hesse

Zodíaco: Balança

«Balança é o sétimo signo, onde se inicia a segunda metade da roda zodiacal. Como tal representa uma mudança de enfoque do indivíduo, inicialmente voltado somente para si. Balança é o ponto de contacto com o outro. Trata-se de relações mais profundas. De Carneiro a Virgem, temos um processo de crescimento que se inicia no nascimento e desemboca no início da vida profissional. Cada signo comporta um simbolismo que reflecte primariamente uma determinada fase da vida. No caso de Balança, o significado dominante inclui o casamento, a divisão de tarefas, a necessidade de conciliação, a fundação da vida familiar.

A entrada do Sol neste signo corresponde à sua passagem pelo equinócio, e também com o meio do ano nos antigos calendários europeus. O signo possui assim o sentido de divisão e mediação. Na verdade, os balança adoram contactos sociais, festas e calor humano.

Ao tomar uma decisão, consideram demoradamente suas alternativas. O balança sabe, como poucos, o quanto a realidade comporta interpretações conflituantes e como é fácil deixar-se levar pelo preconceito e pelo pré-julgamento. A própria noção de antecipar um resultado com base em expectativas pessoais causa-lhes horror.

O símbolo mitológico é a balança, o instrumento usado para pesar e equiparar. É também o que os deuses de muitas mitologias usam na hora em que decidem se a alma de um mortal foi predominantemente boa ou má, e se merece a vida eterna ou não. O nativo deste signo estará a todo instante pondo as coisas na balança, e não dará um passo enquanto ela não pender claramente para um lado. Tanta preocupação assim traz suas desvantagens.

A busca pelo equilíbrio muitas vezes foge-lhes do controle. A vida pode trazer escolhas tão complicadas para a mente do balança, que ele vai ficar paralisado diante delas.
O balança não poderia viver sem a companhia de outras pessoas. Todo o sentido mesmo do seu senso de justiça parece voltar-se para a construção e manutenção de uma convivência pacífica com o próximo.»

quarta-feira, julho 27, 2005

"Carta Para Ti"

«Fico
Para ti
Como sou

Aqui espero
Desespero
Como era
Sou quem era

Foi assim
Foi no tempo que passou
Foi sentir o teu olhar
Por mim fica quem já me chamou
Assim

Era
Para ti
Como sou

É o tempo
Que lamento
Vou esperar
Não vou esquecer

Foi assim
Que o tempo parou
Num lugar em mim
Que p'ra ti ficou

Estou aqui
No desejo
Do que vi
Do que vejo

Quero saber de ti
P'ra voltar a ver
Em mim o que vi
E não vou esquecer

Estou aqui
No desejo
Do que vi
Do que vejo

Fico
Para ti
Como sou»

Madredeus

sábado, julho 23, 2005

Tudo aquilo por que passamos ajuda a compreender não só quem somos, mas, sobretudo, como nos comportamos diante de cada face da vida. E ficamos extremamente satisfeitos quando, ao olhar para trás, mantemos, sem qualquer esforço, um sorriso de tranquilidade, por não nos envergonharmos daquilo que fizemos. Poder seguir em frente, de cara erguida e corpo recto.

Não há arrogância em estarmos satisfeitos connosco mesmos, quando admitimos as nossas falhas e as entendemos como alicerces para o que nos espera. Certamente, não sou arrogante quando me orgulho de quem sou e reconheço que são as minhas raízes que me suportam e tornam forte mas, ao mesmo tempo, vulnerável.

Descobrir as nossas fraquezas, nos pequenos desvios de percurso, dá-nos a faculdade de recuperar, mais rapidamente, dos maiores rombos. Conhecê-las, e saber como são superadas, é uma arma mais eficiente que repelir o que nos afecta.

Por mais inseguro que seja nas atitudes que tome, tenho que garantir que não contrario a minha formação humana ensinada e aprendida. Até este momento, sinto que não tenho qualquer assunto inacabado, porque ponho todo o meu empenho em tudo o que acredito, em tudo o que me estimula e torna reactivo ao que me rodeia. Abraço a derrota em que me reconheço exausto de recursos.

O meu equilíbrio, a minha estabilidade, não pode estar dependente de alguma coisa perecível. Tem que viver dentro de mim próprio, ainda que, por vezes, seja preciso parar tudo à volta para redescobrir que é em cada fibra do que somos que se encontra toda a força, toda a paixão, que precisamos para agarrar a vida e nos levantarmos.

É naquilo que sou que encontro a certeza que vai correr tudo bem. E, nos momentos mais escuros, em que todas as luzes parece que se apagam, brilha, ainda, essa luz interior, nutrida pela esperança, que nos diz, exactamente, o que fazer para assegurar a nossa liberdade face à culpa, à desilusão e à angústia.

É no que somos que nos mantemos, mas é com a esperança que depositamos uns nos outros que evoluímos e nos tornamos melhores.

Miguel V.

quarta-feira, julho 20, 2005

«For the morning sun in all it's glory
greets the day with hope and comfort too
You fill my life with laughter
and somehow you make it better
ease my troubles that's what you do...»

terça-feira, julho 19, 2005

Knoc Knoc... Quem é?

Lava, lava... esfrega, esfrega... Com TIDE: Branco mais Branco não há!

Gatos

Pensamentos profundos

- É bom deixar a bebida. O mau é não saber onde!
- Mata-te a estudar e serás um cadáver culto!
- Não és completamente inútil... ao menos serves de mau exemplo.
- O importante não é saber, mas ter o telefone de quem sabe!
- Quem sabe sabe. Quem não sabe é...chefe!
- O homem que não tem sorte com as mulheres não sabe a sorte quem tem!
- Não leves a vida tão a sério, afinal nem sairás vivo dela!
- Se não és parte da solução és parte do problema!
- Há duas palavras que abrem muitas portas: puxe e empurre!

segunda-feira, julho 18, 2005

Salas de cinema portuguesas perdem 4.780 espectadores diários

"As salas de cinema portuguesas receberam a visita de 7.184.750 espectadores nos primeiros seis meses deste ano, uma quebra de 4.780 espectadores diários face a igual período em 2004, indicam os dados divulgados segunda-feira pelo Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimédia (ICAM)."

in DiárioDigital


De certeza que eu não fui um dos responsáveis.

sexta-feira, julho 15, 2005

Inevitável

Inevitável,
Em todo repetido,
Letra a letra,
Cada palavra, cada frase,
Momento inabalável,
Do silêncio feito grito.

Olhar ruidoso,
Tão perto que longe vais,
Escutei o teu e o tu o meu;
Tão próximo que estejas,
Será, para mim,
Ainda, longe demais.
Só + 1 frustração

Rotas são as mentes
Que só olham o que já conhecem.
Sempre o mesmo estilo, o mesmo tema;
Quem quer que inove no lema,
De nada vale se fugir ao tema.

E com rimas da tanga
Se impressionam os admirados da vida;
Vida sofrida – claro está.

Desesperados do amor que,
Sem sentimento,
Buscam no momento,
Numa escrita impressionista,
Nada mais que um sopro da juventude
Intelectualmente perdida.

Na maturidade e na razão
Desfrutam os que abordam
A singela natureza das coisas
E que por simples complexa se torna
Aos que teimosamente a ela se encerram!
26 de Julho de 2004

quarta-feira, julho 13, 2005

Pensamento do Dia


«A mediocridade refugia-se na padronização»

Frederick Crane

terça-feira, julho 12, 2005

Poesia

«Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.

Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.

Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos actos que vivi,

Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.»


Sophia

domingo, julho 10, 2005

Home


I don't know where I stand, although I may seem to know where I’m going. Though all lights turn out, when I’m just passing by, it’s as if I could see through the dark veil of my path. All the furniture's covered in white blankets waiting the moment when they’re uncovered, or threw away as garbage. But I still stand surrounded by the darkness blessing, looking through the veil to the white sheets covering my belongings. And I stand, as strong as I’ve always stood. I'll be home as long as I stand and I’ll always stand because I’m home. Home is where I stand.

sábado, julho 09, 2005

Completed and Finalized

...and I don't know what to do
'cause I'll never be with you.


quarta-feira, julho 06, 2005

Peço-te, do silêncio,
que me tires da escuridão,
porque tão pálido se foi o sol,
que nao lembro já a minha cor.

E de cada espaço no corpo é dor,
aquela que da ausência emana
lágrima de pó seco
em terra insana.

Deste chão me alimenta a noite,
desta pobreza se foi
a sorte.

terça-feira, julho 05, 2005

Old Souls...

Plato believed the souls had a beginning, but will not have an end. He claimed souls were created in a certain number and, in a classical way, come to the world to evolve and release themselves from which is not pure. The day the last soul would get perfect would be the day of the end of corporeal life.
I, somehow, share the basis of this theory. The physical world as a school for souls, not to get purified, but to learn to be happy, or, most likely, to recognize happiness; ultimate happiness.
I also believe to discover the true spiritual happiness people must have a minimum of material comfort; how can someone discover any happiness in life (a lower representation of the ideal happiness, IMO) when they have their children dieing with hunger? When they are suffering from having lost a leg in war? - I’m trying to be neither idealistic nor materialistic, but that is the truth. When people are suffering they cannot contemplate the wonder of the world. Of course there are some exception... there are those who can discover the real purpose of living even in the hardest moments. But those peoples have no common souls... their higher than the rest. Many times they become what we call "saints", "guardians"... .
In the most "advanced" (if we could call it to ourselves, which I doubt we can) civilizations there is a phenomenon taking place: with the improvement of the quality of life, normally, we should expect families to get larger because there is more wealth to sustain the family community. However, we can see the opposite is occurring. Every year there is a decrease in the number of births.
May we be going straight to the point Plato has referred? Are the souls progressively reaching the goal for which they have born in earth?
If that is so, I just can see one reason to exist the barrier between rich and poor people. Rich people, those who live in rich countries, who have a better material life and can more easily be satisfied, and therefore, can easily reach happiness, must help the opposite part... those who are poor, giving them what they need materially so they can no longer extreme needs who avoid them from discover the positive face of life.
This approach is probably too much moralistic for some people, but that is not what I intent to be. I just want to present the duality as an element for evolution. The balance is required or progress will stop.
I know there are other factors, like work, which are directly responsible for the decrease of births. But, I also think the main reason why this happens is because people don't feel the natural need to bring more souls to world (egoism... maybe! but where is it based on? - even the most egocentric societies have some kind of moral code).
Well... just a thought I have for some time.
I really think there are souls older than others... not because they have been created first, but because they have come to the world more times than others.

segunda-feira, julho 04, 2005

Pensamento do Dia

“Estuda como se fosses eterno e vive como se morresses amanhã!”

domingo, julho 03, 2005

Como gelo que derrete

Tens contigo o sol, a lua;
A seca, a chuva na tua mão;
O mundo inteiro concentrado
Em permanente contradição.

Adorar, ser adorado;
Ouvir cada grito num murmúrio,
Cada segredo mil vezes sussurrado.

Escutar o mundo...
Provar na língua aquele sabor!
Estender os braços e acreditar!
Inspirar fundo!
Gritar!

E no olhar trocado,
Num silêncio de entusiasmo e agonia,
Sentir aquele torpor na barriga,
De quando te sonho acordado.

Raio de luz,
Rasgando o espaço gelado,
Que, por ver-te, derretia.

Sol poente, sol nascente,
Aurora que inundas cada hora,
Cada pensamento do meu dia.

 
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