terça-feira, agosto 16, 2005

Há quanto tempo...

Há quanto tempo não assistia eu ao nascer de um novo dia. Agora, às 6 horas da manhã ainda é noite escura. Já se nota, por isso, que o mês de Agosto vai por meio, quando em meados de Julho já havia claridade por esse tempo.

A primeira luz surge, somente, por volta da 6 e 15 e como é bonito observar esse momento, em que ainda quase tudo dorme. Estar sozinho, numa janela e olhar para a rua em frente, onde as luzes permanecem acesas, ou para as nuvens, que começam, aos poucos, a ganhar contornos visíveis.

De noite só sabemos que elas estão no céu se a luz da lua, ou das cidades, incidir sobre aquele algodão aparente, ou se as estrelas estão desaparecidas, como se lhes tivesse sido cortado o abastecimento de electricidade.

É um momento especial, aquele em que também nós despertamos, com o vento que bate no rosto, arrefecido pela noite. Ao longo desse período nocturno, o vento vai, aos poucos, ficando mais frio, mais frio... até aquela hora. As 6 e 15, em que surge de novo o sol.

O último momento que antecede o despontar da primeira luz da aurora é para o vento o limite marginal; o último ápice em que ainda pode arrefecer um pouco mais.

Assim, como o vento que precede a luz da aurora, também eu sinto que vivemos, por vezes, momentos marginais em que ficamos o mais frio e gelado que alguma vez venhamos a ficar, perante aquelas mesmas circunstâncias. É o último momento que precede a fase em que luz recomeça a aquecer.

Todos os dias há novas auroras. Todos os dias o vento volta a gelar e volta a aquecer. É o ciclo natural das coisas. Não há muito por onde escolher. E felizmente, assim, que há coisas das quais não podemos tomar conta.

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