sexta-feira, novembro 04, 2005

Sobre o controlo...

Há livros que são um conjunto de muitas pontas soltas das nossas vidas. Conseguem chegar perto do que somos, ou de onde estamos, mas só raramente o conseguem tocar, de leve. E quantas vezes não ficamos a desejar que uma determinada expressão, uma determinada ideia, estivesse naquele lugar, daquele texto, em vez daquilo que lá vem escrito. É uma injustiça para os autores, será, praticamente, uma asfixia do mundo de cada escritor, e uma violentação do seu espírito. A verdade é que cada um escreve por si, vive por si, sente por si. E quando um estranho entra nesse mundo tão pessoal só tem duas opções: ou aceita, de onde decorre alguma identificação, ou frustra-se. Pode não se frustrar na globalidade, pode identificar-se na generalidade. Mas sempre que não se identificar com o mais pequeno pormenor ou se insurge, ou ignora, ou despreza. E quantas vezes não dou por mim a desejar que tivesse sido eu a escrever o que leio, para que pudesse apenas ter mudado uma palavra. E tudo faria sentido. E tudo seria o meu sentido.
acerca de «contos para pensar».

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