sexta-feira, abril 05, 2013

desculpem-me todos,
mas esta morte é só minha.
não a partilho com ninguém.

terça-feira, abril 02, 2013

- Não dás ponto sem nó...
- Dou... mas tenho de estar distraído.

terça-feira, março 19, 2013

Gostava de ouvir-te, amigo, falar sobre a amizade, sobre o amor que une, o respeito, a admiração e o sentido metafísico que te leva a gostar de alguém.

Há um acordo de mentes, uma sintonia de vontades, uma inexperiência do outro que assusta, fustiga e vicia.

Não quero perder-te. Quero contar contigo e, acima de tudo, que me deixes tomar conta de ti como a um irmão. Conta comigo. Inspira-me com o que és, o teu testemunho tão diferente e original.

Guia-me na descoberta de ti. Abandona-te à confiança e não te deixarei nunca cair sozinho. Fala comigo como a um amigo sincero, porque há um sentido para tudo e se hoje aqui estamos é para tocarmos as vidas mútuas.

São camadas enevoadas que procuro afastar, cortinas de teias que descerro para olhar, nem que apenas por um segundo, a tua luz, a tua chama.

Sinto uma promessa de gratidão que incita o atrevimento. Desculpa a ousadia. Mas tenho de entrar e trazer-te comigo.

Há uma estima, uma vocação, um chamamento, uma alegria interior tão repentina e intensa. Tem de ser uma paixão. Não pela carne, mas pela mente, pelo espírito.

«É este o equívoco das paixões que oscilam entre o sublime e o grotesco».

E o que recebo afinal? Algo de ti, imperceptível?

O abismo desemboca aos meus pés como um teste à gravidade e ao equilíbrio. Paixão e obsessão. Cara e coroa da mesma moeda.

E humilhação? Apago-me perante ti, como que desprovido de virtude, orgulho ou estima própria?

Não é esse o propósito. Nem tão pouco justificável para que haja aceitação.

É antes um braço que estendo em primeiro lugar, para que a tua mão o possa agarrar - assim o queira.

Porque, como em Sartre, a minha aspiração é simples, o meu sonho também: o de um «tratado das paixões que se inspirasse nesta verdade tão simples e tão profundamente desconhecida [...]: se amamos, é porque é agradável».

Se te amo, é porque és agradável. Nada mais. Pois este é o maior elogio que podes receber. O maior que te posso dar. Para mim, tu és agradável.

Procuro descobrir o valor da paixão e, no entanto, sou insensivelmente levado a julgá-la. Julgar a paixão é julgar-te a ti. E julgar-te é colocar-me acima e não a par.

Quero ser par, não supra.

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Se desta vida imperfeita eliminássemos tudo o que é inútil, a imperfeição deixaria ela própria de fazer sentido

Haruki Murakami

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

ó tempo que me deixas atrás
de grades e muralhas tão valentes.
tão de repente me vejo só
quanto de amor a transbordar

tempo que não te deixas ficar
nem um segundo, nem por um piscar
de olhos lacrimejando compaixão

tempo que libertas o mundo
da prisão do sentimento,
que amenizas a solidão

parte sempre, sempre, sempre,
porque ficando nunca se sente
de novo toda a gente
guardadas eternamente
neste pequeno coração



Quem acho na rua guardo, dentro de cada olhar, de cada gesto e palavra leio um pensamento, uma melodia interior, que ora toca em desafino ora em perfeita harmonia.

Resguardo entre as memórias os sentidos que me guiam, as linhas invisíveis que orientam as minhas mãos. Nos momentos raros e preciosos que reconheço, de tantos que deixo passar incólumes e intocados, encontro amigos surpreendentes, reencontro sensações.

Temperos de alma, inundações de vida que preenchem o peito e exigem ao coração que salte e se faça anunciar. Rebenta todas as amarras rochosas em que descansa, reergue-se em vermelho sangue, respira energia, contrapõe verdades, vence-se cansado e feliz.

Duas caras, dois pratos, duas vidas, duas distâncias, dois percursos, dois destinos, dois caminhos iniciados, dois tempos interrompidos e duas pessoas tão próximas, também duas tão distantes.

Há sopro de novidade, como o vento que percorre as margens do rio na madrugada. Uma mistura de novo, névoa, sonho e medo. E o perigo de abrir demais as ameias do peito a invasões estrangeiras. Estranhas, acutilantes, pulsantes de vida e juventude.

Quem nos acha perdidos, conduz-nos. Quem nos perde, encontra-nos mais tarde. Porque tudo o que somos flui incessantemente até ao céu e volta a nós em bênção ou maldição. Porque o sangue que nos percorre carrega história e muita gente, valor de tantas paixões físicas e mentais.

A harmonia de mentes clama sempre e não se deixa rebater. É hercúleo o esforço para conter o mar, sustentar ao alto a fantasia e a realidade alinhadas em perfeito equilíbrio. Perder um pouco é, por vezes, ganhar a vida que se escapava sem que dela nos déssemos conta.

Nos dias anteriores caminhei em curvas apertadas e estradas íngremes. Nos dias de hoje procuro linhas retas, caminhos trucidados de detritos que vou afastando. Atrás de cada pedra uma surpresa, um amigo ou um precipício escondidos.

Pela fé que me mova espero uma nova vida, de harmonia e paz. Mas os génios malignos atormentam-me, a alma enegrece sem razão e perco amor por ingratidão e devassa violência.




sábado, dezembro 15, 2012

segunda-feira, maio 07, 2012

Ain't no memories left
Ain't anymore rest
Your love's fading last
As my life's plugin' in

Never Let Me Go

sexta-feira, novembro 04, 2011

Define-nos a antítese, ou a verdade do que somos exige uma contraparte, nivelada pelo que temos e manifestamos?

Há um anjo que me agarra,
No poeiral do terreno
Que abraçando me ampara
Suspenso sobre o abismo

Há um anjo negro e branco,
Preso na sombra que me embala
Terno lamento
E de novo sem intento
Caio em desamparo.

Anjo branco, luz e sombra
Que me entonteces a mente louca
Acordas o sonho, a quimera negra
Que tão de certo
No meu antro rebaixado
Me agoniza a pena lestra
Que me leva ao teu regaço.

Altura enorme e crua que pede,
Anjo de terna morte
Que nada vive onde te enlaças.

Numa vingança tão violenta
Tão estupre e ansiosa
Anjo negro e anjo branco
Ao recanto esperando,
À coca, o tropeço derradeiro
Do servo errante.

o Mestre

Existe uma procura incessante, por um achado tão raro e distante do qual apenas rezam os livros de história, os contos bíblicos, Homero e os clássicos nas suas epopeias, os fascinados da nova era, da nova ordem, do novo despertar.

Há muitos nomes para o que se procura, muitas expectativas sobre o que se irá encontrar, e muita tinta, muitas ideias discorridas sobre os métodos, a preparação interior e exterior para atingir tal epifania do ser, como se a própria existência de quem procura estivesse ameaçada de morte, em perigo de extinção.
Entre livros de auto-ajuda, relatos de tradições ocultistas perdidas no tempo, na memória de ordens secretas com fins obscuros ou, pelo menos, cuja revelação esteja sujeita à prática iniciática, todos mais ou menos confluem na sua génese, naquilo que os moveu ao encontro de um despertar, de um conhecimento mais profundo.

O Homem dos dias de hoje – nele me incluo, ou doutro modo nunca disto me daria conta – procura o que tantos outros procuraram na antiguidade clássica, na idade medieval, no renascimento, no iluminismo, no modernismo, na contemporaneidade.

Procura-se um caminho, é certo, mas algo mais além do caminho. O caminho é o alvo fácil. Conhecer a existência do caminho e até os detalhes do percurso em nada acalmam os que têm sede de nele se aventurarem. Por vezes três passos são suficientes para satisfazer a curiosidade. Outras vezes, ascender a escadaria até aos últimos degraus da iluminação, do conhecimento último é suficiente para preencher o vazio, mas insuficiente para encontrar respostas contundentes.

Alguns apaziguam a sua natureza inquisitiva com a companhia de outros ambulantes, perdem-se na magia dos rakings e das iniciações, apresentam-se e auto-integram-se numa hierarquia imperfeita, reflexo da ordem cabalística dos céus. Criam-se cursos, conferem-se graus, iniciam-se e reiniciam-se praticantes e curiosos na esperança de apaziguamento intelectual muito além do espiritual, muito além do mental.

Há enraizada na humanidade uma amnésia colectiva, uma necessidade de redescoberta na ordem inversa da progressão do tempo. Um passado histórico da humanidade, esquecido e enterrado em eras, séculos e décadas, correntes doutrinais e académicas, escolas e confissões, dogmas e rejuvenescimentos.
Mas tudo busca, todos procuram um Mestre que lhes diga o que foram, o que são e o que serão.
O Mestre é quem falta no caminho percorrido e a percorrer, o último degrau na hierarquia. É a quem recorrer, o guia maior do templo que guarda os melhores indícios para as respostas às perguntas mais difíceis de formular.

Para o discípulo, o Mestre é aquele que conhece a pergunta verdadeira que reorienta a busca e é a certeza de companhia no meio da solidão.

O Mestre para muitos apresenta-se como o próprio caminho ou, vice-versa, o caminho é o próprio Mestre.
A mestria magistral, aquela que ensina sem ser pedida, a que está presente sem se revelar, a que se releva sem ofuscar; é esta a busca incessante do homem inquieto e cobarde.

A cobardia aqui é boa. Não me tomem por arrogante. Cobarde sou eu também que vivo na imensa busca de um saber transcendente, na esperança de encontrar alguém que me mostre o caminho para lá chegar.
A cobardia, sinto-a todos os dias quando sigo o caminho mais fácil para o trabalho, o que me leva em linha recta, sem desvios, e que me transporta, talvez pela parte mais feia da cidade, quando na rua ao lado existe um belo jardim pronto a ser atravessado.

Hoje procuro o Mestre dos mestres, na história, no presente, no futuro, como se a dimensão do tempo de nada importasse. E tenho para comigo, como tese que proponho explorar, que tal Mestre é uma ilusão se o julgarmos uno, indivisível, presente, omnisciente.

Os muitos que procuram um Mestre procuram um Deus em disfarce, um peregrino que resgate S. Martinho debaixo do intenso aluvião.

Chamam-lhe Mestre porque a palavra Deus soa, na Europa e em geral na ocidentalidade, como algo desconfiável, uma ideia sem sustentação científica como se a sustentação científica fosse pressuposto da fé e não, talvez, parte da sua antítese necessária e imutável.

Não me lanço na procura de Deus. Muitos tentaram e continuam a tentar, com bastante mais displicência, conhecimento e sabedoria que aquela que eu posso oferecer a tão imensa tarefa. Aos teólogos e ateus deixarei esse labor; aos primeiros a prova da existência, aos segundos a sua refutação.

Mas um Mestre é diferente de um Deus. A procura de um Mestre é menos pretensiosa, é mais pessoal.

Como próprio caminho, o Mestre é individual, fala ao coração e à razão de uma forma tão clara e directa que se torna incontestável a verdade relativa e absoluta do que afirma.

Tenho convivido com alguns mestres: uns autoproclamados, com mérito e sem mérito, outros aos quais reconheço mestria na sua dimensão humana e intelectual profunda – o que não deixa de ser a minha percepção, ajustada em função meu próprio mapa mental –, outros são mestres nas artes da escrita, da política, da associação comunicativa e de gentes.

Como pressuposto de teste, assumo que a todos estes a mestria acorra como uma dimensão, uma parte de um todo maior, uma inspiração, uma dádiva, uma canalização, um reflexo de um espírito, de um cérebro e de uma mente activa, toldada pelas vivências, pelas paixões, pelas lições apreendidas e dadas.

Conversarei com alguns destes pequenos mestres, com homens e mulheres insuspeitos mas que apresentem alguma das características puramente indiciáticas, suspeitas, incomuns ou meramente extraordinárias que nos propomos deslindar.

O objectivo desta obra é encontrar ou reencontrar esse Mestre natural, consensual, essa trave-mestra que temos presente ou da qual sentimos falta. Em boa verdade, um desafio não menos exigente que a própria procura da afirmação ou negação irrefutáveis de Deus.

Uma diferença impera, contudo. Procura-se o Mestre não para saber se é existente ou inexistente, apenas para o conseguir identificar quando um dia, verídico ou hipotético, estejamos na sua presença.

domingo, outubro 30, 2011

Lamparina

Lamparina, que danças
perdida uma chama de fogo
sangue e amor.

Iluminas esta vida vazia,
Pelo desespero entrecurtada
consumindo na tua luz um segredo

No teu regaço,
o calor de um beijo
No teu azeite,
uma só alma deixada.

Ao encontro do teu desejo,
A chama reluzente adorna
dois corpos inanimados

Lamparina antiga, deixada em oração,
Iluminaste quanto podias,
Mas nunca tão negro coração.


a epopeia dos sonhos leva-me longe, onde não há mestre ou estrela guia, numa perseguição infalível do que nunca posso agarrar

cerro os dentos e avanço, despedaço estilhaços e faço da terra chão circulante. das manhãs às noites, rios de gente que esperam, aguardam, reclamam e pedem um pouco de tom, um pouco de atenção, alarmantes as vozes que vagueiam entre choros e gargalhadas.

a minha atenção divide-se em mil pedaços, escoados entre vastos lagos de tempo e razão, amores perdidos e vontades conquistadas pela força do punho fechado.

não sou o monstro que me apareço, nem o anjo de asas desfraldadas.

há um pouco do que leva cada um, em mim, como em nós, um sopro de expectativa que ao longe, trazida por ecos, nos desperta em silêncio.

regressando hoje um dia a antes de ontem, as escolhas tomadas, incoerentes e certas, serão calhaus e pedras certeiras com a mira cega entre os olhos.

a manhã é assim mesmo, como a noite. o céu como a terra, a gente como a solidão. perpétuos ciclos elípticos, ilusórios como reais. e, de repente, não sei mais em que confiar.

no que vejo? no que sinto? no que ouço? no que espero? no que lembro? no que desconheço? no que sei e não mostro?

segunda-feira, março 07, 2011

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Épica Epopeia

As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!


II


E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas.
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!


III


Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano.
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.


IV


E vós, ninfas do Douro onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene

quinta-feira, setembro 16, 2010

Come Home

"O que me move é a vocação divina da palavra, que não apenas nomeia mas que inventa e produz encantamento.
Estamos todos amarrados aos códigos colectivos com que comunicamos na vida quotidiana. Mas quem escreve quer dizer coisas que estão para além da vida quotidiana."
Mia Couto

quarta-feira, agosto 18, 2010

My thought My mind My heart

The cruelty of life is not in being given no second chances but in having new ones permanentely offered back.

quarta-feira, julho 28, 2010

sábado, julho 10, 2010

a desculpa dos "porquê?", como se o "porque sim!" não bastasse

por vezes, gostaria de saber pensar como uma pessoa normal. não sei o que há de normal nas pessoas normais, mas gostava de pensar como tal, de conseguir conversar como tal, de encontrar e sentir interesses como tal. Tal e qual qualquer pessoa normal, sinto vontade de experimentar, de conhecer, de me exprimir, talvez, por vezes, com demasiada veemência - tanta, que parece até presunção inaudita ou desajustada à conversa que se proporciona. A proporção da conversa face ao momento ou ao tema conversado é, também, algo que me aflige - será que sei?, será que saberei? será que interesso ou me interessa, sequer, o que penso que sei? E, no entranto da hesitação, o risco de que o momento, a oportunidade se eclipse, sem mais nem porquê, parece de tal forma previsível que uma pessoa alvitra hipóteses ou interrogações, consciente de que as mesmas servem um propósito de saber, mas, adicionalmente, o de não deixar cair em saco roto a conversa com pessoas que nos interessa conhecer. Digo conhecer, não compreender, isso não acontece... por maior e mais legítimo o interesse, dificilmente acontecerá. Não me entendo a mim próprio, pelo como entender-te a ti também através de conversa de circunstância, ainda que descontextuada do padrão "normal" de conversa de café? Não respondo a tais questões; não ouso sequer fazê-lo, mas espero consegui-lo, algures num tempo que seja limitado ou delimitado pelo recorte dos programas e agendamentos pelos quais formatamos encontros e nos deixamos formatar. Digo deixamos pois acredito na supremacia última do ser e da vontade que sou em ser. Em afirmar-me através do espaço, em perpetuar-me através do tempo. A minha auto-imposição não carece de requerimentos nem de autorizãções, e quem me olha nos olhos, como que lendo linhas soltas, apercebe-se da revolta do sentir desmesuradamente e do grito permanentemente abafado. Mas o grito inaudível sou eu, também. Talvez até mais que a sonoridade da minha voz ou a irrespeitável pseudo-intelectualidade que me arrogo. Não que não afirme o que saiba; faço-o e com prazer, como que ensinando o que me foi ensinado e assim posso ser eu mesmo uma profecia autorrealizada. E embora o apego enfraqueça o espírito, o espírito prevalece sempre, mais além do que me prende aos ditames sociais e da sociabilização entre aparentes irrisórios iguais - como se a própria igualdade quisesse ou desejasse arrogar-se mais que o papel de mediana entre os extremos personificativos em que nos movemos. Os limites, máximo e mínimo, existem. São absolutos e intransponíveis quão instransponível é própria concepção e fé que destes fazemos, como se o nosso mundo, aquilo que somos, fosse por estes balizados e destes não se evadisse - o que é uma ideia ridícula e errada. O tecido que nos entrecruza é vivo, humano e sentimental. Sentimental porque sente, física e psicologicamente; vivo porque se desvanece e o deixa de ser. Se assim não fosse, nem sequer o seria. Acreditar no alpha e no ómega, no saber e no desconhecer, corrermos atrás do conhecimento ou em perseguissão da ignorância não passa disso mesmo: ir atrás. Sempre atrás e nunca à frente. É preciso esquecer o que somos e acreditar no que vamos ser, não pelo que seremos mas pelo que já somos na fé do que seremos. É esta a verdadeira essência de ser, a insustentável leveza que nos atormenta e da qual, desligados, nos acreditamos apartados e necessitados de maior busca que não seja apreender o que até nós é trazido, na ilusão de que aquilo que é trazido não somos também nós que trazemos sempre, por mais roupagens que vistamos.
 
All Rights Reserved and Protected by Copyright.