sábado, agosto 20, 2005

O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
in «Poesias Inéditas», Fernando Pessoa
O Amor é Uma Companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeeiro
Piscando o olho a quem passa.

sexta-feira, agosto 19, 2005

Those Sweet Words

What did you say?
I know I saw you singing
But my ears won't stop ringing
Long enough to hear
Those sweet words
What did you say?

End of the day
The hour hand has spun
But before the night is done
I just have to hear
Those sweet words
Spoken like a melody

All your love
Is a lost balloon
Rising up through the afternoon
'Til it could fit on the head of a pin
Come on in
Did you have a hard time sleeping?
Cuz the heavy moon was keeping
Me awake, and all I know is
I'm just glad to
See you again

See my love's
Like a lost balloon
Rising up
Through the afternoon, and
Then you appeared

What did you say?
I know what you were singing
But my ears won't stop ringing
Long enough to hear
Those sweet words
And your simple melody

I just have to hear
Those sweet words
Spoken like a melody

I just want to hear
Those sweet words

terça-feira, agosto 16, 2005

Há quanto tempo...

Há quanto tempo não assistia eu ao nascer de um novo dia. Agora, às 6 horas da manhã ainda é noite escura. Já se nota, por isso, que o mês de Agosto vai por meio, quando em meados de Julho já havia claridade por esse tempo.

A primeira luz surge, somente, por volta da 6 e 15 e como é bonito observar esse momento, em que ainda quase tudo dorme. Estar sozinho, numa janela e olhar para a rua em frente, onde as luzes permanecem acesas, ou para as nuvens, que começam, aos poucos, a ganhar contornos visíveis.

De noite só sabemos que elas estão no céu se a luz da lua, ou das cidades, incidir sobre aquele algodão aparente, ou se as estrelas estão desaparecidas, como se lhes tivesse sido cortado o abastecimento de electricidade.

É um momento especial, aquele em que também nós despertamos, com o vento que bate no rosto, arrefecido pela noite. Ao longo desse período nocturno, o vento vai, aos poucos, ficando mais frio, mais frio... até aquela hora. As 6 e 15, em que surge de novo o sol.

O último momento que antecede o despontar da primeira luz da aurora é para o vento o limite marginal; o último ápice em que ainda pode arrefecer um pouco mais.

Assim, como o vento que precede a luz da aurora, também eu sinto que vivemos, por vezes, momentos marginais em que ficamos o mais frio e gelado que alguma vez venhamos a ficar, perante aquelas mesmas circunstâncias. É o último momento que precede a fase em que luz recomeça a aquecer.

Todos os dias há novas auroras. Todos os dias o vento volta a gelar e volta a aquecer. É o ciclo natural das coisas. Não há muito por onde escolher. E felizmente, assim, que há coisas das quais não podemos tomar conta.

sexta-feira, agosto 12, 2005


A Ring Of Endless Light

«The World

I

I saw Eternity the other night like a great Ring of pure and endless light,
All calm, as it was bright, and round beneath it, time is hours, days, years
Driven by the spheres like a vast shadow moved, in which the world
And all her train were hurled; the doting lover in his quaintest strain
Did there complain, near him, his lute, his fancy, and his flights,
Wites sour delights, with gloves, and knots the silly snares of pleasure
Yet his dear treasure all scattered lay, while he his eyes did pour
Upon a flower.

II

The darksome statesman hung with weights and woe
Like a thick midnight fog moved there so slow
He did nor stay, nor go; condemning thoughts (like sad eclipses) scowl
Upon his soul, And clouds of crying witnesses without
Pursued him with one shout. Yet digged the mole,
and lest his ways be found
Worked under ground, where he did clutch his prey, but one did see
That policy, churches and altars fed him, perjuries
Were gnats and flies, it rained about him blood and tears, but he
Drank them as free.

III

The fearful miser on a heap of rust sat
pining all his life there, did scarce trust
His own hands with the dust,
but would not place one piece above, but lives
In fear of thieves. Thousands there were as frantic as himself
And hugged each one his pelf,
the downright epicure placed heaven in sense
And scorned pretnece while others slipt into a wide excess
Said little less; the weaker sort slight, trivial wares enslave
Who think them brave, and poor, despised truth sat counting by
Their victory.

IV

Yet some, who all this while did weep and sing,
And sing, and weep, soared up into the Ring,
But most would use no wing. O fools (said I,) thus to prefer dark night
Before true light, to live in grots, and caves, and hate the day
Because it shows the way, the way which from the dead and dark abode
Leads up to God, a way where you might tread the Sun, and be
More bright than he. But as I did their madness so discuss
One whispered thus, "This Ring the Bridegroom did for none provide
But for his bride."»
Henry Vaughn (1621-1695)

quinta-feira, agosto 11, 2005


«The past took lessons from the present,
reorganazing itself, to fit our needs in the present.»


terça-feira, agosto 09, 2005

A Estrada

Em cada pedra por que passo,
Em cada passo dado em frente e ao lado,
Recolho a lembrança por onde passei.

Por cada metro recuado,
Fica o sonho das terras
Por onde, perdido, te achei.

E por cada pedra, por cada passo
dado em frente e ao lado,
por cada metro avançado,
lembra-me a luz, com que te vi.

Aquele momento distante,
Tão estranho e vago,
Em que, por fim, me encontrei
E, de novo, me perdi.

domingo, agosto 07, 2005



Train-whistles, a sweet clementine
Blueberries, dancers in line
Cobwebs, a bakery sign

Ooooh - a sweet clementine
Ooooh - dancers in line
Ooooh ...If living is seeing
I'm holding my breath
In wonder - I wonder
What happens next?
A new world, a new day to see
I'm softly walking on air
Halfway to heaven from here
Sunlight unfolds in my hair

Ooooh - I'm walking on air
Ooooh - to heaven from here
Ooooh ...If living is seeing
I'm holding my breath
In wonder - I wonder
What happens next?
A new world, a new day to see
«New World», Bjork

Cem Anos de Solidão

«Só quando começou a desmontar a porta do quartinho é que Úrsula se atreveu a perguntar-lhe por que o fazia, e ele respondeu-lhe com uma certa amargura: «Já que ninguém se quer ir embora, vamos nós sozinhos.» Úrsula não se alterou.

- Não vamos - disse. - Ficamos aqui porque aqui tivemos um filho.
- Ainda não temos um morto - disse ele. - Não se é de parte nenhuma enquanto não se tiver um morto enterrado.»

Gabriel García Márquez

domingo, julho 31, 2005

«Vanilla Sky», Monet

sexta-feira, julho 29, 2005



Chuva

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir

Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder

Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
(...)

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade


Mariza,
letra de Jorge Fernando
O Olho de Hórus e a Flôr de Lotus



"Quando o sofrimento já quase a fazia transpor o limiar da loucura, Ísis vislumbrou diante de si uma mulher popular pelos seus dons de magia, que prontamente examinou o seu filho, proclamando Seth alheio ao mal que o atormentava. Na realidade, Hórus ( ou Harpócrates, Horpakhered- “Hórus menino/ criança”) havia sido simplesmente vítima da picada de um escorpião ou de uma serpente. Angustiada, Ísis verificou então a veracidade das suas palavras, decidindo-se, de imediato, e evocar as deusas Néftis e Selkis (a deusa- escorpião), que prontamente ocorreram ao local da tragédia, aconselhando-a a rogar a Ré que suspendesse o seu percurso usual até que Hórus convalescesse integralmente. Compadecido com as suplicas de uma mãe, o deus solar ordenou assim a Toth que salvasse a criança. Quando finalmente se viu diante de Hórus e Ísis, Toth declarou então: “ Nada temas, Ísis! Venho até ti, armado do sopro vital que curará a criança. Coragem, Hórus! Aquele que habita o disco solar protege-te e a protecção de que gozas é eterna. Veneno, ordeno-te que saias! Ré, o deus supremo, far-te-á desaparecer. A sua barca deteve-se e só prosseguirá o seu curso quando o doente estiver curado. Os poços secarão, as colheitas morrerão, os homens ficarão privados de pão enquanto Hórus não tiver recuperado as suas forças para ventura da sua mãe Ísis. Coragem, Hórus. O veneno está morto, ei- lo vencido.

No limiar da maturidade, Hórus tomou a resolução de vingar o assassinato de seu pai, reivindicando o seu legítimo direito ao trono do Egipto, usurpado por Seth. Ao convocar o tribunal dos deuses, presidido por Rá, Hórus afirmou o seu desejo de que seu tio deixasse, definitivamente, a regência do país, encontrando, ao ultimar os seus argumentos, o apoio de Toth, deus da sabedoria, e de Shu, deus do ar. Todavia, Ra contestou-os, veementemente, alegando que a força devastadora de Seth, talvez lhe concedesse melhores aptidões para reinar, uma vez que somente ele fora capaz de dominar o caos, sob a forma da serpente Apópis, que invadia, durante a noite, a barca do deus- sol, com o fito de extinguir, para toda a eternidade, a luz do dia.

Escoado algum tempo, Ísis foi incapaz de refrear a sua apreensão e criou um arpão, que lançou no local, onde ambos haviam desaparecido. Porém, ao golpear Seth, este apelou aos laços de fraternidade que os uniam, coagindo Ísis a sará-lo, logo em seguida. A sua intervenção enfureceu Hórus, que emergiu das águas, a fim de decapitar a sua mãe e, acto contíguo, levá-la consigo para as montanhas do deserto. Ao tomar conhecimento de tão hediondo acto, Rá, irado, vociferou que Hórus deveria ser encontrado e punido severamente. Prontamente, Seth voluntariou-se para capturá-lo. As suas buscas foram rapidamente coroadas de êxito, uma vez que este nem ápice se deparou com Hórus, que jazia, adormecido, junto a um oásis. Dominado pelo seu temperamento cruel, Seth arrancou ambos os olhos de Hórus, para enterrá-los algures, desconhecendo que estes floresceriam em botões de lótus. "
O Olho de Hórus, sempre representado no singular, torna-se mais poderoso, no limiar da perfeição, devido ao processo curativo, ao qual foi sujeito. Por esta razão, o Olho de Hórus surge na mitologia egípcia como um símbolo da vitória do bem contra o mal, que tomou a forma de um amuleto protector.
Esta flor, que nasce da lama e se eleva para o céu por meio de um caule compridíssimo, é o símbolo da pureza no Oriente.

Just I

«Tough, you think you've got the stuff
You're telling me and anyone
You're hard enough

You don't have to put up a fight
You don't have to always be right
Let me take some of the punches
For you tonight

Listen to me now
I need to let you know
You don't have to go it alone

And it's you when I look in the mirror
And it's you when I don't pick up the phone
Sometimes you can't make it on your own

We fight all the time
You and I...that's alright
We're the same soul
I don't need...I don't need to hear you say
That if we weren't so alike
You'd like me a whole lot more

Listen to me now
I need to let you know
You don't have to go it alone

And it's you when I look in the mirror
And it's you when I don't pick up the phone
Sometimes you can't make it on your own

I know that we don't talk
I'm sick of it all
Can - you - hear - me - when - I -
Sing, you're the reason I sing
You're the reason why the opera is in me...

Where are we now?
I've got to let you know
A house still doesn't make a home
Don't leave me here alone...

And it's you when I look in the mirror
And it's you that makes it hard to let go
Sometimes you can't make it on your own
Sometimes you can't make it
The best you can do is to fake it
Sometimes you can't make it on your own»

"Sometimes you can't make it on your own", U2

quinta-feira, julho 28, 2005

Ainda da Felicidade

«No mais fundo do nosso íntimo desejamos a felicidade, ambicionamos uma benfazeja harmonia com aquilo que nos é exterior. Essa harmonia é alterada logo que a nossa relação com qualquer coisa é outra que não seja de amor.
Não somos obrigados a amar; apenas existe a obrigação de ser feliz.
Essa é a única razão para a nossa presença no mundo.
E com toda essa obrigatoriedade, toda essa carga moral e todos esses mandamentos só raramente nos fazemos felizes uns aos outros, já que com tudo isso nem para nós somos capazes de obter felicidade. O ser humano só pode ser "bom" quando é feliz, quando há harmonia no seu interior: Ou seja, quando ama.»

Hermann Hesse

Zodíaco: Balança

«Balança é o sétimo signo, onde se inicia a segunda metade da roda zodiacal. Como tal representa uma mudança de enfoque do indivíduo, inicialmente voltado somente para si. Balança é o ponto de contacto com o outro. Trata-se de relações mais profundas. De Carneiro a Virgem, temos um processo de crescimento que se inicia no nascimento e desemboca no início da vida profissional. Cada signo comporta um simbolismo que reflecte primariamente uma determinada fase da vida. No caso de Balança, o significado dominante inclui o casamento, a divisão de tarefas, a necessidade de conciliação, a fundação da vida familiar.

A entrada do Sol neste signo corresponde à sua passagem pelo equinócio, e também com o meio do ano nos antigos calendários europeus. O signo possui assim o sentido de divisão e mediação. Na verdade, os balança adoram contactos sociais, festas e calor humano.

Ao tomar uma decisão, consideram demoradamente suas alternativas. O balança sabe, como poucos, o quanto a realidade comporta interpretações conflituantes e como é fácil deixar-se levar pelo preconceito e pelo pré-julgamento. A própria noção de antecipar um resultado com base em expectativas pessoais causa-lhes horror.

O símbolo mitológico é a balança, o instrumento usado para pesar e equiparar. É também o que os deuses de muitas mitologias usam na hora em que decidem se a alma de um mortal foi predominantemente boa ou má, e se merece a vida eterna ou não. O nativo deste signo estará a todo instante pondo as coisas na balança, e não dará um passo enquanto ela não pender claramente para um lado. Tanta preocupação assim traz suas desvantagens.

A busca pelo equilíbrio muitas vezes foge-lhes do controle. A vida pode trazer escolhas tão complicadas para a mente do balança, que ele vai ficar paralisado diante delas.
O balança não poderia viver sem a companhia de outras pessoas. Todo o sentido mesmo do seu senso de justiça parece voltar-se para a construção e manutenção de uma convivência pacífica com o próximo.»

quarta-feira, julho 27, 2005

"Carta Para Ti"

«Fico
Para ti
Como sou

Aqui espero
Desespero
Como era
Sou quem era

Foi assim
Foi no tempo que passou
Foi sentir o teu olhar
Por mim fica quem já me chamou
Assim

Era
Para ti
Como sou

É o tempo
Que lamento
Vou esperar
Não vou esquecer

Foi assim
Que o tempo parou
Num lugar em mim
Que p'ra ti ficou

Estou aqui
No desejo
Do que vi
Do que vejo

Quero saber de ti
P'ra voltar a ver
Em mim o que vi
E não vou esquecer

Estou aqui
No desejo
Do que vi
Do que vejo

Fico
Para ti
Como sou»

Madredeus

sábado, julho 23, 2005

Tudo aquilo por que passamos ajuda a compreender não só quem somos, mas, sobretudo, como nos comportamos diante de cada face da vida. E ficamos extremamente satisfeitos quando, ao olhar para trás, mantemos, sem qualquer esforço, um sorriso de tranquilidade, por não nos envergonharmos daquilo que fizemos. Poder seguir em frente, de cara erguida e corpo recto.

Não há arrogância em estarmos satisfeitos connosco mesmos, quando admitimos as nossas falhas e as entendemos como alicerces para o que nos espera. Certamente, não sou arrogante quando me orgulho de quem sou e reconheço que são as minhas raízes que me suportam e tornam forte mas, ao mesmo tempo, vulnerável.

Descobrir as nossas fraquezas, nos pequenos desvios de percurso, dá-nos a faculdade de recuperar, mais rapidamente, dos maiores rombos. Conhecê-las, e saber como são superadas, é uma arma mais eficiente que repelir o que nos afecta.

Por mais inseguro que seja nas atitudes que tome, tenho que garantir que não contrario a minha formação humana ensinada e aprendida. Até este momento, sinto que não tenho qualquer assunto inacabado, porque ponho todo o meu empenho em tudo o que acredito, em tudo o que me estimula e torna reactivo ao que me rodeia. Abraço a derrota em que me reconheço exausto de recursos.

O meu equilíbrio, a minha estabilidade, não pode estar dependente de alguma coisa perecível. Tem que viver dentro de mim próprio, ainda que, por vezes, seja preciso parar tudo à volta para redescobrir que é em cada fibra do que somos que se encontra toda a força, toda a paixão, que precisamos para agarrar a vida e nos levantarmos.

É naquilo que sou que encontro a certeza que vai correr tudo bem. E, nos momentos mais escuros, em que todas as luzes parece que se apagam, brilha, ainda, essa luz interior, nutrida pela esperança, que nos diz, exactamente, o que fazer para assegurar a nossa liberdade face à culpa, à desilusão e à angústia.

É no que somos que nos mantemos, mas é com a esperança que depositamos uns nos outros que evoluímos e nos tornamos melhores.

Miguel V.

quarta-feira, julho 20, 2005

«For the morning sun in all it's glory
greets the day with hope and comfort too
You fill my life with laughter
and somehow you make it better
ease my troubles that's what you do...»

terça-feira, julho 19, 2005

 
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