sexta-feira, novembro 04, 2005

O medo

O medo da vida suplanta mil vezes o da morte.

Sobre o controlo...

Há livros que são um conjunto de muitas pontas soltas das nossas vidas. Conseguem chegar perto do que somos, ou de onde estamos, mas só raramente o conseguem tocar, de leve. E quantas vezes não ficamos a desejar que uma determinada expressão, uma determinada ideia, estivesse naquele lugar, daquele texto, em vez daquilo que lá vem escrito. É uma injustiça para os autores, será, praticamente, uma asfixia do mundo de cada escritor, e uma violentação do seu espírito. A verdade é que cada um escreve por si, vive por si, sente por si. E quando um estranho entra nesse mundo tão pessoal só tem duas opções: ou aceita, de onde decorre alguma identificação, ou frustra-se. Pode não se frustrar na globalidade, pode identificar-se na generalidade. Mas sempre que não se identificar com o mais pequeno pormenor ou se insurge, ou ignora, ou despreza. E quantas vezes não dou por mim a desejar que tivesse sido eu a escrever o que leio, para que pudesse apenas ter mudado uma palavra. E tudo faria sentido. E tudo seria o meu sentido.
acerca de «contos para pensar».

Primeira Página...

«No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrários às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóvel tão frequentes em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar. A passagem do ano não tinha deixado atrás de si o habitual e calamitosos regueiro de óbitos, como se a velha átropos da dentuça arreganhada tivesse resolvido embainhar a tesoura por um dia. Sangue, porém, houve-o, e não pouco. Desvairados, confusos, aflitos, dominando a custo as náuseas, os bombeiros extraíam da amálgama dos destroços míseros corpos humanos que, de acordo com a lógica matemática das colisões, deveriam estar mortos e bem mortos, mas que, apesar da gravidade dos ferimentos e dos traumatismos sofridos, se mantinham vivos e assim eram transportados aos hospitais, ao som das dilacerantes sereias das ambulâncias.»
in «Intermitências da Morte», José Saramago

Maybe I have!!!

You're ordinarily so considerate, compromising and accommodating when you speak that your friends and family are actually beginning to wonder if you haven't been abducted by an alien.

http://astrology.yahoo.com/astrology/general/dailyoverview/libra/20051104

quinta-feira, novembro 03, 2005

Pela mão...


“Dreams are my inspiration. My one true destination."

SuAnne Sexton

Sinopse

Maggie (Cameron Diaz) e Rose (Toni Collette) são duas irmãs que não têm nada em comum. Apesar de melhores amigas, estão em pólos opostos quando toca a valores, objectivos e estilos pessoais.
Maggie é divertida e irresponsável, mal terminou o ensino secundário e troca de empregos como quem muda de meias. Para ela, o seu maior dom é a beleza e a arte de escolher os acessórios e roupa perfeitos para qualquer ocasião.
Rose é licenciada em Princeton e advogada numa das maiores firmas de Filadélfia, que luta constantemente para manter o peso e tem uma vida social inexistente devido à sua baixa auto-estima.
Quando Maggie vai viver para o apartamento de Rose, as duas irmãs entram numa estrada calamitosa de conflitos, que só tem salvação graças à ligação com a avó que pensavam já ter falecido: Ella (Shirley MacLaine).
Baseado num livro de Jennifer Weiner.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Hugging

Às potenciais mamãs do mundo...



Este é o resultado final... vejam aqui o processo.

terça-feira, novembro 01, 2005

Pink mood

Quando acordares uma manhã e sentires que o mundo é perfeito na sua imperfeição, porque respira ao mesmo compasso a que bate o coração, estás em sintonia com o teu próprio universo. E o pestanejar dos teus olhos será mais lento e doce acompanhando essa dança elementar. E os gestos que desferires no ar do teu quarto serão o perfeito acorde de uma musicalidade primordial. Provarás o café na ponta da língua e sentirás viva a terra. O seu aroma envolver-te-á nas suas memórias e sentes que fazes parte de uma grande festa, feita especialmente para ti. És só tu num abraço de ternura infinda.

Preparando o Diwali


Uma mulher da comunidade Hindu acende "diyas", lamparinas de azeite em barro, preparando o "Diwali", conhecido pelo festival das luzes, em Bangladore. De acordo com a mitologia Hindu, a celebração do Diwali marca o regresso de Rama, da sua mulher Sita e do seu irmão Laxman, de 14 anos de exílio.

From Darkness Into Light

Take my hand and I'll lead you home
I'm right here beside you, you're not alone
Now darkness surrounds you, as the smoke billows up
But soon you'll see clearly, and drink from my cup
So be not afraid, this promise I've made before
That I'm the way, the truth, and the life
You'll need nothing more
Right now the world is watching you, in shock and disbelief
Their hearts are filled with fear, with pain, anger and grief
But I will bear their burden and lighten their load
Though the journey for peace, will be a long winding road
And for your family whom you love, your concern is so high
How will they handle this, how will they get by?
The answer to this question, lies within me
It will take time, but I'll set their hearts free
I'll send all the angels to be by their side
To watch over them, protect them, and act as their guide
So struggle no more, with concerns of this life
For where you are going, there's no worry or strife
It's time to come home now, your last breath you have taken
As you lay down in peace, your soul I will awaken
It's then you'll bear witness, to a truly amazing sight
It's then you'll know I've taken you,
From darkness into light.

Sean O'Brien

Not sure...

«There is nothing enlightened about shrinking so that other people won't feel insecure around you. We are all meant to shine, as children do.(...) And as we let our own light shine, we unconsciously give other people permission to do the same.»

Jack Johnson - 13 Março, Pavilhão Atlântico


segunda-feira, outubro 31, 2005

domingo, outubro 30, 2005

Momentos

«Há momentos na vida em que sentes a falta de alguém que até gostarias de tirar dos teus sonhos e abraçá-lo! Sonha o que quiseres sonhar, vai até onde quiseres ir, sê o que tu quiseres ser. Porque só tens uma vida e uma oportunidade para fazer todas as coisas que quiseres fazer.
Que tenhas...
...suficiente felicidade para seres doce
...suficientes provas para seres forte
...suficiente dor para seres humano
...suficiente esperança para seres feliz.

Coloca-te sempre no lugar dos demais. Se te dói é provável que doa também à outra pessoa. As pessoas mais felizes não têm necessariamente o melhor de tudo no seu caminho.
A felicidade aguarda...
...aqueles que choram
...aqueles que sofrem
...aqueles que se esforçam

Porque só essas pessoas podem apreciar a importância daqueles que deixam marcas nas suas vidas. O Amor nasce com um sorriso, cresce com um beijo e acaba com uma lágrima. O futuro mais brilhante se faz quando não se valoriza demais o passado, pois não vencerás se não deixares para trás os teus fracassos e tristezas.»

não teria trazido este texto
se não tivesse sido escrito por uma grande amiga minha,
cuja sensibilidade vai tão além do que mostra
Y.

sábado, outubro 29, 2005

Catrapuz

Sinto-me na corda bamba e não sei bem para que lado cair, mas lá que caio.. caio!

sexta-feira, outubro 28, 2005

O país que não merece ser desenvolvido

Portugal fez tudo errado, mas correu tudo bem. Esta é a conclusão de um relatório internacional recente sobre o desenvolvimento português. Havia até agora no mundo países desenvolvidos, subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Mas acabou de ser criada uma nova categoria: os países que não deveriam ser desenvolvidos. Trata-se de regiões que fizeram tudo o que podiam para estragar o seu processo de desenvolvimento e... falharam.
Hoje são países industrializados e modernos, mas por engano. Segundo a fundação europeia que criou esta nova classificação, no estudo a que o DN teve acesso, este grupo de países especiais é muito pequeno. Alias, tem mesmo um só elemento: Portugal.
A Fundação Richard Zwentzerg (FRZ), iniciou há uns meses um grande trabalho sobre a estratégia económica de longo prazo. Tomando a evolução global da segunda metade do século XX, os cientistas da FRZ procuraram isolar as razões que motivavam os grandes falhanços no progresso. O estudo, naturalmente, pensava centrar-se nos países em decadência. Mas, para grande surpresa dos investigadores, os mais altos índices de aselhice económica foram detectados em Portugal, um dos países que tinham também uma das mais elevadas dinâmicas de progresso.
Desconcertados, acabam de publicar, à margem da cimeira de Lisboa, os seus resultados num pequeno relatório bem eloquente, intitulado: "O País Que Não Devia Ser Desenvolvido - O Sucesso Inesperado dos Incríveis Erros Económicos Portugueses".
Num primeiro capítulo, o relatório documenta o notável comportamento da economia portuguesa no último meio século. De 1950 a 2000, o nosso produto aumentou quase nove vezes, com uma taxa de crescimento anual sustentada de 4,5 por cento durante os longos 50 anos. Esse crescimento aproximou-nos decisivamente do nível dos países ricos. Em 1950, o produto de Portugal tinha uma posição a cerca de 35 por cento do valor médio das regiões desenvolvidas. Hoje ultrapassa o dobro desse nível, estando acima dos 70 por cento, apesar do forte crescimento que essas economias também registaram no período. Na generalidade dos outros indicadores de bem-estar, a evolução portuguesa foi também notável.
Temos mais médicos por habitante que muitos países ricos. A mortalidade infantil caiu de quase 90 por mil, em 1960, para menos de sete por mil agora. A taxa de analfabetismo reduziu-se de 40 por cento em 1950 para dez por cento.
Actualmente a esperança de vida ao nascer dos portugueses aumentou 18 anos no mesmo período. O relatório refere que esta evolução é uma das mais impressionantes, sustentadas e sólidas do século XX. Ela só foi ultra passada por um punhado de países que, para mais, estão agora alguns deles em graves dificuldades no Extremo Oriente. Portugal, pelo contrário, é membro activo e empenhado da União Europeia, com grande estabilidade democrática e solidez institucional. Segundo a FRZ, o nosso país tem um dos processos de desenvolvimento mais bem sucedidos no mundo actual. Mas, quando se olha para a estratégia económica portuguesa, tudo parece ser ao contrário do que deveria ser. Segundo a Fundação, Portugal, com as políticas e orientações que seguiu nas últimas décadas, deveria agora estar na miséria. O nosso país não pode ser desenvolvido. Quais são os factores que, segundo os especialistas, criam um desenvolvimento equilibrado e saudável? Um dos mais importantes é, sem dúvida, a educação.
Ora Portugal tem, segundo o relatório, um sistema educativo horrível e que tem piorado com o tempo. O nível de formação dos portugueses é ridículo quando comparado com qualquer outro país sério. As crianças portuguesas revelam níveis de conhecimentos semelhante às de países miseráveis. Há falta gritante de quadros qualificados. É evidente que, com educação como esta, Portugal não pode ter tido o desenvolvimento que teve. Um outro elemento muito referido nas análises é a liberdade económica e a estabilidade institucional. Portugal tem, tradicionalmente, um dos sectores públicos mais paternalista, interventor e instável do mundo, segundo a FRZ.
Desde o "condicionamento industrial" salazarista às negociações com grupos económicos actuais, as empresas portuguesas vivem num clima de intensa discricionariedade, manipulação, burocracia e clientelismo. O sistema fiscal português é injusto, paralisante e está em crescimento explosivo. A regulamentação económica é arbitrária, omnipresente e bloqueante.
É óbvio que, com autoridades económicas deste calibre, diz o relatório, o crescimento português tinha de estar irremediavelmente condenado desde o início. O estudo da Fundação continua o rol de aselhices, deficiências e incapacidades da nossa economia. Da falta de sentido de mercado dos empresários e gestores à reduzida integração externa das empresas; da paralisia do sistema judicial à inoperância financeira; do sistema arcaico de distribuição à ausência de investigação em tecnologias. Em todos estes casos, e em muitos outros, a conclusão óbvia é sempre a mesma: Portugal não pode ser um país em forte desenvolvimento.
Os cientistas da Fundação não escondem a sua perplexidade. Citando as próprias palavras do texto: "Como conseguiu Portugal, no meio de tanta asneira, tolice e desperdício, um tal nível de desenvolvimento? A resposta, simples, é que ninguém sabe.
Há anos que os intelectuais portugueses têm dito que o País está a ir por mau caminho. E estão carregados de razão. Só que, todos os anos, o País cresce mais um bocadinho. "A única explicação adiantada pelo texto, masque não é satisfatória, é a incrível capacidade de improvisação, engenho e "desenrascanço" do povo português. "No meio de condições que, para qualquer outra sociedade, criariam o desastre, os portugueses conseguem desembrulhar-se de forma incrível e inexplicável."
O texto termina dizendo: "O que este povo não faria se tivesse uma estratégia certa?".
por João César das Neves

A aprender a viver

No universo de cada um há um equilíbrio dourado, que se mantém por si mesmo.
Recebemos quando pedimos, recebemos sem o fazer. Damos quando nos pedem, damos sem saber que o fazemos. E temos a capacidade de multiplicar o que chega até nós e redistribuí-lo. Confidenciamos num momento e logo de seguida somos confidentes. Soltamos os nossos lamentos e ouvimos os lamentos dos outros.
E o alento que os amigos nos dão, quer saibam que o estão fazendo, quer ignorem os efeitos que despertam, torna-se a fonte de alento que doaremos novamente.
No espaço de uma hora, passei o que recebi e tornei-me mais rico. Vejo uma corrente, um circulo de pureza.

quinta-feira, outubro 27, 2005

Um pouco mais de sul

«Há uns tempos, o Zé Carlos escrevia que ninguém se deve despedir com lágrimas nos olhos, porque havendo-as não há justa causa para uma despedida. Antes deve valer tudo, desde urros a humilhação, passando por insultos, ou não há motivo para a despedida. É preciso votar o outro ao desprezo e matar o que quer que seja necessário matar. Não assim, aqui, n'Um Pouco Mais de Sul. As lágrimas existem nesta despedida e ter a consciência de fechar esta porta implica voltar costas a algo que foi bom ao longo destes dois anos; mas por vezes as palavras escapam-nos, crescem, autonomizam-se e adquirem significados e interpretações que não foram por nós queridas e atingem aqueles por quem nutrimos a mais sentida estima. E escrever é um acto de liberdade que não pode ser cuidado nos seus limites nem nos significados, porque de outra forma deixa de ser um prazer.»

quarta-feira, outubro 26, 2005

Chained

Está qualquer coisa em bruto, cá dentro, e quer sair. Mas não deixo. Não assim, porque se o permitisse seria demasiado devastador. Tenho que lhe dar uma forma, limitar-lhe a energia. Tenho que deixar que as ameias do meu peito absorvam os seus embates, a ferocidade das investidas. Deixar que os murros e pontapés que se desfiram contra mim, esperando que se acalme. Se o soltasse agora destruir-me-ia e a todos os que sentisse. Um fulgor bestial carregado em sangue e lágrimas. Carregado em vida e morte. Mata por dentro, lentamente e com prazer, alimentando-se ruidosamente. Não posso soltá-lo. Já não.
 
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