Contudo, apenas no 5.º ano de licenciatura, em 2007, a conheci com mais pormenor, ao estudar Filosofia do Direito - uma disciplina grandemente desvalorizada pelos alunos e ainda mais rapidamente esquecida assim que se abraça na prática qualquer profissão (não só as jurídicas).
A Regra de Ouro pode ser sumariada através de dois postulados éticos elementares:
1. Faz aos outros o que queres que te façam a ti;
2. Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.
Há poucos ensinamentos tão simples, tão óbvios e tão universalmente aceites.
Sendo assim, por que razão tantas vezes as pessoas que mais amamos e que também nos amam optam por um caminho de renovação interior que envolve uma vã tentativa de se esquecerem de quem são, de quem as ama incondicionalmente, de punição radical... de afastamento da Regra de Ouro?
A Regra de Ouro é um fundamento para o entendimento das mentes e dos corações e é tantas vezes atropelada.
Um amigo e eu perdemos-nos ambos um do outro. E isso levou-me a repensar o que sou e quem vou ser. Levou-me a olhar novamente para tudo o que soube e esqueci, sobre mim, sobre a história, sobre as relações humanas.
Faltou-nos compreensão, capacidade de perdão, e sobejou-nos fraqueza para falar sem armas apontadas ao outro.
O que nos faz falta é aplicar a regra de ouro à vida individual de cada um, em todos os momentos, e trazê-la para junto de nós quando for o tempo destinado.
No que toca às amizades, a Regra de Ouro faculta um guia sobre como ser amigo. Se queres alguém que se ria contigo, que se preocupe contigo e que esteja presente para ti, então tens de fazer e ser tudo isto para essa pessoa. E por que razão será isto tão difícil de alcançar? Se todos se guiassem por esta regra, não haveria conflito ou sentimentos magoados entre amigos.
Uma razão possível é que aquela pessoa nem sempre sabe como se tratar a si própria e, como resultado, trata os outros de forma pobre também. Talvez tenha tido provações grandes com a sua autoestima, ou faltou-lhe o amor e atenção incondicionais num momento essencial. Aprender a utilizar a Regra de Ouro já em adulto pode demorar e uma ou duas amizades podem acabar devido a comportamentos também eles pobres. Quando uma pessoa compreende o que é preciso para ser um verdadeiro amigo, o seu comportamento muda e fortes amizades podem ser construídas.
Uma outra razão pela qual a Regra de Ouro é ignorada é que a outra pessoa, muitas vezes, não vê o benefício em "dar" a outro alguém. Olha a generosidade do espírito como um custo emocional que não acredita que possa alguma vez ser pago de volta. Esta pessoa normalmente prefere ficar na posição de recebedor, mas não é recíproca.
E até quando dois amigos olham para argumentos ou para uma discussão sob o ponto de vista da Regra de Ouro, isso significa que tratas o teu amigo com respeito, mesmo quando estás zangado com ele. Não lhe envias um e-mail agressivo, nem tão pouco o expões em frente de outros amigos; mas antes esperas até que os dois estejam sozinhos e possam falar dos assuntos com calma ou, pelo menos, de forma privada.
Por vezes a pessoa tenta e manipula outros não envolvidos na discussão para tomarem o seu lado na querela com um amigo. Podem contar a sua versão dos factos num esforço para lograr simpatia e podem envolver outros sem que o amigo tenha hipótese de responder. Comportamentos deste tipo podem criar um ponto de foco para qualquer que fosse a contenda original e podem servir como um catalisador para terminar a amizade. Quando um amigo não consegue aplicar a Regra de Ouro à discussão, o outro amigo pode simplesmente afastar-se da relação por esta carecer de respeito.
Pára, antes de "rebentares" com um amigo ou do comprometeres com as tuas opções, e pensa sobre como gostarias que as coisas acontecessem se estivessem sentados no lugar um do outro. Gostavas que o teu amigo gritasse ou explodisse contigo online, num e-mail, ou até mesmo em pessoa? Pondera nisto por um momento enquanto aguardas, e pode ser que a resposta a que chegues seja suficientemente temperada para permitir-vos a ambos resolver as vossas questões.
O mesmo é verdade para combinar encontros ou escolher atividades. Gostarias de esperar por um amigo que chega sempre atrasado? Alguém que não pode nunca encontrar-se contigo a meio caminho? Ou que insiste em ser sempre ele a escolher a atividade? Quando o teu amigo está a passar por uma situação difícil, genuinamente rezas ou desejas do fundo do coração que os problemas dele se resolvam? Ou secretamente tiras algum prazer desse sofrimento ou, pelo menos, desejas que resolva os seus problemas apenas para não teres que aborrecer-te com eles?
No que toca à amizade, é preciso conseguir pensar sobre as vezes em que somos descuidados com as palavras que dizemos, com as ações que tomamos ou que podíamos ter tomado para ajudar genuinamente o amigo.
Não seria melhor se tudo decorresse desta forma?
