
terça-feira, novembro 01, 2005
Preparando o Diwali

From Darkness Into Light
I'm right here beside you, you're not alone
Now darkness surrounds you, as the smoke billows up
But soon you'll see clearly, and drink from my cup
So be not afraid, this promise I've made before
That I'm the way, the truth, and the life
You'll need nothing more
Right now the world is watching you, in shock and disbelief
Their hearts are filled with fear, with pain, anger and grief
But I will bear their burden and lighten their load
Though the journey for peace, will be a long winding road
And for your family whom you love, your concern is so high
How will they handle this, how will they get by?
The answer to this question, lies within me
It will take time, but I'll set their hearts free
I'll send all the angels to be by their side
To watch over them, protect them, and act as their guide
So struggle no more, with concerns of this life
For where you are going, there's no worry or strife
It's time to come home now, your last breath you have taken
As you lay down in peace, your soul I will awaken
It's then you'll bear witness, to a truly amazing sight
It's then you'll know I've taken you,
From darkness into light.
Not sure...
segunda-feira, outubro 31, 2005
domingo, outubro 30, 2005
Momentos
Que tenhas...
...suficiente felicidade para seres doce
...suficientes provas para seres forte
...suficiente dor para seres humano
...suficiente esperança para seres feliz.
Coloca-te sempre no lugar dos demais. Se te dói é provável que doa também à outra pessoa. As pessoas mais felizes não têm necessariamente o melhor de tudo no seu caminho.
A felicidade aguarda...
...aqueles que choram
...aqueles que sofrem
...aqueles que se esforçam
Porque só essas pessoas podem apreciar a importância daqueles que deixam marcas nas suas vidas. O Amor nasce com um sorriso, cresce com um beijo e acaba com uma lágrima. O futuro mais brilhante se faz quando não se valoriza demais o passado, pois não vencerás se não deixares para trás os teus fracassos e tristezas.»
não teria trazido este texto
se não tivesse sido escrito por uma grande amiga minha,
cuja sensibilidade vai tão além do que mostra
Y.
sábado, outubro 29, 2005
sexta-feira, outubro 28, 2005
O país que não merece ser desenvolvido
Hoje são países industrializados e modernos, mas por engano. Segundo a fundação europeia que criou esta nova classificação, no estudo a que o DN teve acesso, este grupo de países especiais é muito pequeno. Alias, tem mesmo um só elemento: Portugal.
A Fundação Richard Zwentzerg (FRZ), iniciou há uns meses um grande trabalho sobre a estratégia económica de longo prazo. Tomando a evolução global da segunda metade do século XX, os cientistas da FRZ procuraram isolar as razões que motivavam os grandes falhanços no progresso. O estudo, naturalmente, pensava centrar-se nos países em decadência. Mas, para grande surpresa dos investigadores, os mais altos índices de aselhice económica foram detectados em Portugal, um dos países que tinham também uma das mais elevadas dinâmicas de progresso.
Desconcertados, acabam de publicar, à margem da cimeira de Lisboa, os seus resultados num pequeno relatório bem eloquente, intitulado: "O País Que Não Devia Ser Desenvolvido - O Sucesso Inesperado dos Incríveis Erros Económicos Portugueses".
Num primeiro capítulo, o relatório documenta o notável comportamento da economia portuguesa no último meio século. De 1950 a 2000, o nosso produto aumentou quase nove vezes, com uma taxa de crescimento anual sustentada de 4,5 por cento durante os longos 50 anos. Esse crescimento aproximou-nos decisivamente do nível dos países ricos. Em 1950, o produto de Portugal tinha uma posição a cerca de 35 por cento do valor médio das regiões desenvolvidas. Hoje ultrapassa o dobro desse nível, estando acima dos 70 por cento, apesar do forte crescimento que essas economias também registaram no período. Na generalidade dos outros indicadores de bem-estar, a evolução portuguesa foi também notável.
Temos mais médicos por habitante que muitos países ricos. A mortalidade infantil caiu de quase 90 por mil, em 1960, para menos de sete por mil agora. A taxa de analfabetismo reduziu-se de 40 por cento em 1950 para dez por cento.
Actualmente a esperança de vida ao nascer dos portugueses aumentou 18 anos no mesmo período. O relatório refere que esta evolução é uma das mais impressionantes, sustentadas e sólidas do século XX. Ela só foi ultra passada por um punhado de países que, para mais, estão agora alguns deles em graves dificuldades no Extremo Oriente. Portugal, pelo contrário, é membro activo e empenhado da União Europeia, com grande estabilidade democrática e solidez institucional. Segundo a FRZ, o nosso país tem um dos processos de desenvolvimento mais bem sucedidos no mundo actual. Mas, quando se olha para a estratégia económica portuguesa, tudo parece ser ao contrário do que deveria ser. Segundo a Fundação, Portugal, com as políticas e orientações que seguiu nas últimas décadas, deveria agora estar na miséria. O nosso país não pode ser desenvolvido. Quais são os factores que, segundo os especialistas, criam um desenvolvimento equilibrado e saudável? Um dos mais importantes é, sem dúvida, a educação.
Ora Portugal tem, segundo o relatório, um sistema educativo horrível e que tem piorado com o tempo. O nível de formação dos portugueses é ridículo quando comparado com qualquer outro país sério. As crianças portuguesas revelam níveis de conhecimentos semelhante às de países miseráveis. Há falta gritante de quadros qualificados. É evidente que, com educação como esta, Portugal não pode ter tido o desenvolvimento que teve. Um outro elemento muito referido nas análises é a liberdade económica e a estabilidade institucional. Portugal tem, tradicionalmente, um dos sectores públicos mais paternalista, interventor e instável do mundo, segundo a FRZ.
Desde o "condicionamento industrial" salazarista às negociações com grupos económicos actuais, as empresas portuguesas vivem num clima de intensa discricionariedade, manipulação, burocracia e clientelismo. O sistema fiscal português é injusto, paralisante e está em crescimento explosivo. A regulamentação económica é arbitrária, omnipresente e bloqueante.
É óbvio que, com autoridades económicas deste calibre, diz o relatório, o crescimento português tinha de estar irremediavelmente condenado desde o início. O estudo da Fundação continua o rol de aselhices, deficiências e incapacidades da nossa economia. Da falta de sentido de mercado dos empresários e gestores à reduzida integração externa das empresas; da paralisia do sistema judicial à inoperância financeira; do sistema arcaico de distribuição à ausência de investigação em tecnologias. Em todos estes casos, e em muitos outros, a conclusão óbvia é sempre a mesma: Portugal não pode ser um país em forte desenvolvimento.
Os cientistas da Fundação não escondem a sua perplexidade. Citando as próprias palavras do texto: "Como conseguiu Portugal, no meio de tanta asneira, tolice e desperdício, um tal nível de desenvolvimento? A resposta, simples, é que ninguém sabe.
Há anos que os intelectuais portugueses têm dito que o País está a ir por mau caminho. E estão carregados de razão. Só que, todos os anos, o País cresce mais um bocadinho. "A única explicação adiantada pelo texto, masque não é satisfatória, é a incrível capacidade de improvisação, engenho e "desenrascanço" do povo português. "No meio de condições que, para qualquer outra sociedade, criariam o desastre, os portugueses conseguem desembrulhar-se de forma incrível e inexplicável."
O texto termina dizendo: "O que este povo não faria se tivesse uma estratégia certa?".
A aprender a viver
Recebemos quando pedimos, recebemos sem o fazer. Damos quando nos pedem, damos sem saber que o fazemos. E temos a capacidade de multiplicar o que chega até nós e redistribuí-lo. Confidenciamos num momento e logo de seguida somos confidentes. Soltamos os nossos lamentos e ouvimos os lamentos dos outros.
E o alento que os amigos nos dão, quer saibam que o estão fazendo, quer ignorem os efeitos que despertam, torna-se a fonte de alento que doaremos novamente.
No espaço de uma hora, passei o que recebi e tornei-me mais rico. Vejo uma corrente, um circulo de pureza.
quinta-feira, outubro 27, 2005
Um pouco mais de sul
«Há uns tempos, o Zé Carlos escrevia que ninguém se deve despedir com lágrimas nos olhos, porque havendo-as não há justa causa para uma despedida. Antes deve valer tudo, desde urros a humilhação, passando por insultos, ou não há motivo para a despedida. É preciso votar o outro ao desprezo e matar o que quer que seja necessário matar. Não assim, aqui, n'Um Pouco Mais de Sul. As lágrimas existem nesta despedida e ter a consciência de fechar esta porta implica voltar costas a algo que foi bom ao longo destes dois anos; mas por vezes as palavras escapam-nos, crescem, autonomizam-se e adquirem significados e interpretações que não foram por nós queridas e atingem aqueles por quem nutrimos a mais sentida estima. E escrever é um acto de liberdade que não pode ser cuidado nos seus limites nem nos significados, porque de outra forma deixa de ser um prazer.»quarta-feira, outubro 26, 2005
Chained
Está qualquer coisa em bruto, cá dentro, e quer sair. Mas não deixo. Não assim, porque se o permitisse seria demasiado devastador. Tenho que lhe dar uma forma, limitar-lhe a energia. Tenho que deixar que as ameias do meu peito absorvam os seus embates, a ferocidade das investidas. Deixar que os murros e pontapés que se desfiram contra mim, esperando que se acalme. Se o soltasse agora destruir-me-ia e a todos os que sentisse. Um fulgor bestial carregado em sangue e lágrimas. Carregado em vida e morte. Mata por dentro, lentamente e com prazer, alimentando-se ruidosamente. Não posso soltá-lo. Já não.Céu
Cada vez mais longe de mim, vou subindo e subindo, ao céu de azul, onde tudo é etéreo e familiar. As nuvens são sempre iguais umas às outras, onde quer que estejas. Na Holanda, ou na China, em Marrocos ou em Cuba, nos Estados Unidos ou na Rússia. São sempre as mesmas. As que transportam chuva são negras, como em qualquer outra parte. As brancas algodoais têm sempre as mesmas formas. E um céu sem nuvens é sempre um céu sem nuvens.Este céu é sempre o mesmo. Para mim ou para ti. Não difere em nada do outro céu de há meses atrás, porque o que se passa lá em cima é grande demais para que percebamos cá em baixo. Subimos, para ver melhor, porque em perspectiva nunca havemos de estar longe o suficiente para ter a visão do todo.
É grande demais. Tão grande que quatro braços estendidos não chegam para o abraçar pela metade. Qualquer coisa que peça mais que quatro braços estendidos deve ser imensurável. Quatro braços estendidos deviam ser o máximo que se podia exigir para medir o céu. E qualquer um que fosse além disso devia ser retirado da cartografia.
Céus há muitos. Há o céu dos pássaros, o céu das moscas, o céu de Deus, o céu de cada um, o céu que dá toucinho, o céu da terra, o céu das nuvens, o céu da lua, o céu do sol, o céu estrelado, o céu dos prédios altos, o céu dos aviões, o céu de tempestade, o céu azul.
Não há o céu dos homens porque, esse, ou é, já, o céu de cada um, ou é o céu de Deus. Se calhar, não fomos feitos para ter um céu só nosso.
Ou, então, não. Se calhar, foi um só um lapso e, apenas, ainda não se lembraram de fazer um céu só para nós.
domingo, outubro 23, 2005
sábado, outubro 22, 2005
Espectro de mim
In Nomine Rei
sexta-feira, outubro 21, 2005
Amorphophallus titanum
quinta-feira, outubro 20, 2005
Milagres
sábado, outubro 15, 2005
Rain and Warmth

quinta-feira, outubro 13, 2005
Carreiros na Lua
Uma manta de malhas entrecruzadas no espaço de um lençol, o seu esvoaçar num estendal, sendo levada pelo vento e caindo no chão. Naquela erva verde, rebolando sobre si mesma, dobrando-se e amarrotando-se contra o seu próprio corpo, acariciando o pasto dos rebanhos.
É trabalho das mãos hábeis e frias de alguém que não lembra o dia em que nasceu. Aquela carcaça enrugada, presa em xailes que já se confundem com a pele. Levou os rebanhos vezes sem conta para os montes frescos e o vento cortou-lhe o rosto, cavou-lhe os traços dos olhos, cerrou-lhe as sobrancelhas, de tanto que franziu o cenho.
Não consegue contar em números de gente as horas, os dias, os meses. É a Lua que a rege, a Lua que lhe dita os jeitos do mundo, das árvores, das criações e do próprio cabelo, atado numa burleta preta.
Deita os ovos às galinhas quando a noite é mais escura, coisas de gente que não fala os dialectos do mundo. Lá, onde as noites iluminam o céu das nuvens em tons de fogueira, chamam-lhe, as pessoas, nova, à Lua. Mas, esses, não sabem aquele palavreado de gente, que é gente porque não lembra a idade.
Vive o mundo no que sente, incerta se aquele carreiro que percorre desemboca no mesmo sítio de dias anteriores. Os carreiros mal marcados e pouco vagueados têm destas coisas, mudam de noite os seus destinos, só para se divertirem quando as velhas cegas e decrépitas se perdem em lugar estranho. Elas, velhas carcomidas pelos anos que não contam, olham as árvores, baças, a seus olhos já vesgos, esperando reconhecer-lhes o tronco por alguma marca talhada a canivete, por algum resto de resina, por algum cheiro de outros tempos. Cheiro dos tempos de luz em que as terras lhes pareciam novas, ou novidade.
Rodopia, trémula, sobre si e bate com as costas num tronco, como numa parede que a ampare. Prostra-se com a cara gelando contra o manto de caruma e húmus daquele chão, lavado de chuvas novas. As mãos erguidas ao céu de um Deus que nunca viu mas sempre lhe disseram que existia. Solta-se-lhe uma lágrima que compreende a solidão onde se acha, o abandono a que se votou nos seus séculos de clausura. Está só em sangue e alma, num chão húmido e repleto de vida que a recebe e consome, perdida de si na irmandade de um mundo que lhe escapou entre os dedos.

World Press Photo 2005, 1st prize
quarta-feira, outubro 12, 2005
O Orgulho de Ser Português

Homem de espírito científico, vastíssima cultura e rara sensibilidade, bibliófilo notável, coleccionador criterioso e grande filantropo, deixou impresso neste livro de pedra a visão de uma cosmologia, síntese de memória espiritual da humanidade, cujas raízes mergulham na Tradição Mítica Lusa e Universal.
A arquitectura e a arte do palácio, capela e demais construções foram cenicamente concebidas no contexto de um jardim edénico, salientando-se a predominância dos estilos neo-manuelino e renascentista.
O Jardim, representação do microcosmo, é revelado pela sucessão de lugares imbuídos de magia e mistério. O paraíso é materializado em coexistência com um inferius - um dantesco mundo subterrâneo - ao qual o neófito seria conduzido pelo fio de Ariadne da iniciação. Concretiza-se com estes cenários a representação de uma viagem iniciática, qual vera peregrinatio mundi, por um jardim simbólico onde podemos sentir a Harmonia das Esferas e perscrutar o alinhamento de uma ascese de consciência que viaja pelas grandes epopeias. Nele se vislumbram referências à mitologia, ao Olimpo, a Virgílio, a Dante, a Camões, à missão templária da Ordem de Cristo, a grandes místicos e taumaturgos, aos enigmas da Arte Real, à Magna Obra Alquímica.

Nesta sinfonia de pedra - cinzelada pelas mãos de construtores de Templos , imbuídos num verdadeiro espírito de Tradição - revela-se a dimensão poética e profética de uma Mansão Filosofal Lusa.
Aqui se fundem o Céu e a Terra numa realidade sensível, a mesma que presidiu à teoria do Belo, da Arquitectura e da Música, que a concha acústica o Terraço dos Mundos Celestes permite propagar pelo infinito.»
terça-feira, outubro 11, 2005
segunda-feira, outubro 10, 2005
Primeira Página...
Só não te dou o que não serei.
PEDRO TAMEN
1. Não basta morrer para conhecer o sorriso de Deus - mesmo que, como foi o meu caso, se tenha vivido abismada nele uma vida inteira. Quando o pior acontecia, aquele sorriso descia às minhas trevas com um soluço de baloiço, um gingar de gonzos arrancado às cordas da infância. Eu sentava-me nele e subia, balouçando até à luz. O pior aconteceu-me cedo, tive sorte. Deus procura primeiro os que sofrem antes do conhecimento específico da dor, talvez porque os outros sabem demasiado para poderem ser salvos.
Tu dizias que era ao contrário: que Deus nasce da ignorância própria dos sofrimentos prematuros. Mas tu, meu aluno dilecto, cedo te deixaste povoar pelo excesso do saber. Deus não sabia nada do Universo quando o criou. Imagino que se sentiria só. Imagino que num momento impreciso essa solidão se terá tornado maior do que Ele próprio, estourando numa gigantesca flor de luz. E imagino-O, depois, tentando dar um sentido particular a cada uma das pétalas dessa luz dispersa. Agora que saí do corpo que fui - para me tornar pólen, poeira nos teus olhos, pura imaginação de mim - imagino-o melhor ainda, ébrio de luz, lúcido, encandeado por um Lúcifer oculto e criador incrustado no seu próprio se, em estado de paixão com a história desencadeada pela sua omnipotente solidão. E balouço no Seu sorriso outra vez, a vez definitiva porque o meu corpo está lá em baixo, num caixão, contemplado e lembrado e chorado pela última vez.
Não me levantarei da cama amanhã depois de Lhe pedir em surdina que dê um impulso maior ao balouço, que o empurre com força até que os pés me voem para fora do calor aterrado dos lençóis. Ninguém mais vai estar à minha espera, não terei de me disfarçar de desculpas, não voltarei a iludir ou desiludir ninguém. Não voltarei a morrer no corpo do único homem que me abriu no corpo a passagem secreta para a morte. Não voltarei à desilusão do renascimento. Sobretudo não voltarei a desiludir-te a ti, o descrente que ensinou a crer melhor, o meu pequeno e velho Deus de algibeira, o meu amigo.
Despojada de corpo é-me mais fácil transformar-me no próprio balouço, na luz dançante de que ele é feito. Num murmúrio de vento peço-Lhe que não me empurre tão depressa para esse lugar iluminado que é a Sua Carne, peço-Lhe que me deixe matar saudades desse mundo que deixei tão de repente. Matar saudades de ti. Ou matar-te, como fazem as crianças, para recomeçar uma outra história, no balouço quotidiano do teu sorriso.
Só o teu riso dura. Mostrei-te o mar.
LUIS FILIPE CASTRO MENDES»
Inês Pedrosa
sábado, outubro 08, 2005
Reminiscências
Fui transportado até aqui, como se viajasse numa nuvem alta, ao som da música dos Counting Crows. Era a isto que os antigos clássicos chamavam "reminiscência", parece-me. «Ao veres Símias, lembras-te de Cebes». O Fédon, Platão.
Serra da Estrela, 27/02/05
quinta-feira, outubro 06, 2005
Amigo
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!
segunda-feira, outubro 03, 2005
Luar
sábado, outubro 01, 2005
sexta-feira, setembro 30, 2005
quinta-feira, setembro 29, 2005
A última que aqui te deixarei
Soon the leaves will fall
I'll watch the lonely moon in the sky
And when the dawn breaks I'll listen for your heartbeat
But what I'll hear is your last goodbye
The saddest song of all.
We'll meet again, we'll stare and then
We'll smile and speak as strangers do
And all I'll be to you
Is someone you once knew.
I know every line
The way your eyes shine in the dark
You'll take your fire, your tenderness, your strenght
And the mem'ries here in my heart
Are all you'll leave behind
We'll meet again, we'll stare and then
You'll wave and as you turn to go I'll know it's true
All I can be to you
Is someone you once knew.
quarta-feira, setembro 21, 2005
A Facilidade...
Quero que me aconselhes sempre que perca o rumo
Quero que confies em mim para que confie em ti
Quero que me ajudes para que te possa ajudar
Quero que estejas presente quando mais precisar
Quero que olhes para mim e me vejas como sou
Quero que me abraces sempre que o desejares fazer
Quero que me dês um sorriso quando te puder animar
Quero que me perdoes quando não te conseguir valer
Quero que contes os teus segredos e me deixes escolher os que quero aceitar e os que não voltarei a lembrar
Quero que compreendas que sou só um rapaz a aprender a deixar o medo
Quero que saibas… que sempre contei contigo e que também quero que contes sempre comigo.
in me
terça-feira, setembro 20, 2005
sleepin' each other’s mind
I wish we were safe
from fears and pain
I wish we were right,
about the answers we give and take
I wish we were simple,
at mind and heart
I wish we were bold,
speakin’ it out loud
I wish we were nowhere
we didn’t want to be
I wish we weren’t just
blood and flesh
I wish we were cold
sand and glass, instead.
I wish we weren’t some
madness that hits and pass us by
I wish we were hope
walking a straight line
I wish we were glad
to meet once more
I wish we weren’t sorry
I haven’t wished this before.
segunda-feira, setembro 19, 2005
domingo, setembro 18, 2005
sábado, setembro 17, 2005
Sequóia
sexta-feira, setembro 16, 2005

É uma terra seca, como os ventos sudões que a assolam, uma ilha velha, segundo os geólogos, que sofreu uma grande erosão, apresentando-se, por isso, maioritariamente plana. Esta sua forma potencia, ainda mais a existência da seca, porque a água não tem por onde se infiltrar, acabando no mar.
É uma terra de sol tórrido, como o sol africano, que se encontra numa posição mais vertical, mas suportável, com relativa facilidade, por nativos e turistas (após um período de um dia ou dois de habituação).
É uma terra salgada, de onde lhe advém o nome de Ilha do Sal, porque aí se exploravam, dentro da cratera do vulcão, já extinto, vastas salinas que permitem banhos em águas vermelhas de sulfatos, onde, como acontece no mar morto, os corpos são impulsionados até à tona pela imensa densidade da água, repleta de cloreto de sódio.

É uma terra de emigrantes de países costeiros, guineenses e senegaleses, que tentam a sobrevivência através da exploração dos turistas, a quem vendem os seus colares feitos com "pedras da ilha do fogo", "dentes e ossos de tubarão", pulseiras para dar sorte, ou evitar males maiores, dançarinas de "funaná", a dança tradicional, esculpidas em madeira de Ébano, os batuques, os quadros de areia, as trancinhas para o cabelo, as águas de coco, os lenços para a cabeça, e toda uma parafernalia de outras bugigangas e acessórios de, dita, beleza que, em muitas das vezes, acabam apreendidos e os seus vendedores presos, por um dia ou dois.
Não quer isto dizer que a polícia seja muito eficiente, tentando controlar este fluxo de emigrantes clandestinos, apenas se tornou mais um negócio. A polícia prende estes vendedores, que atacam as praias e os turistas, assediando as pessoas de 5 em 5 minutos para adquirirem os seus produtos a preços fantásticos, exigindo uma caução de 10.000$, cerca de 100 euros, mas não sem, antes, lhes dar umas valentes tareias de cacetete mesmo à frente de quem quer que esteja na praia. Vejam bem que até nas agressões gratuitas são honestos.
Os turistas, esses que vão assistindo a tudo, limitam-se a esconder, entre as espreguiçadeiras e as toalhas, os objectos da venda, que eles deixam para não serem apreendidos, e os próprios vendedores, enroscados no chão, protegidos por um escudo de corpos, meio avermelhados, dos portugueses, de coração mole, que os escondem da brutalidade policial.
Mesmo esses vendedores chatos são gente extremamente afável, simpática e simples, que fugiram dos seus países para, pelo menos conseguirem ter meio centímetro de carne entre a pele e os ossos.
Apresento-vos, de seguida, e como me foi apresentado a mim, o Luís Bamba. O Luís Bamba é guineense e está legalizado no país. Sei disto, não só porque ele mo disse, mas também porque nunca o vi a fugir quando a polícia aparecia. O Luís Bamba ganha a vida convidando os turistas a visitarem a "fábrica de artesanato" da sua família, no centro da vila de Santa Maria, dando, em troca, um pequeno colar esculpido em madeira, ou composto de pequenas pedras e búzios, como aliciante. No meu penúltimo dia, reconheceu os meus pais, que passeavam pela vila, sozinhos, sem que nunca tivesse estado com eles antes, e apresentou-se como "o Luís Bamba", amigo do Miguel, o que lhe logrou uma bela Coca-cola, à conta dos meus pais. Convém esclarecer que a amizade com o Luís Bamba se travou no dia da chegada, quando me dirigia sozinho à praia, e que a conversa durou 2 minutos, o tempo suficiente para receber o tal colar e ser convidado a visitar a tal "fábrica de artesanato". Depois disso só o encontrei no último dia.

A vila de Santa Maria é considerada a capital económica da ilha, não porque exista grande fonte de rendimento para as gentes locais, mas porque, aí, se encontram a maior parte dos complexos turísticos que existem na ilha e um porto de pesca, decadente, deixado por portugueses. Diariamente, percorrem a ilha cerca de 4.000 turistas, e nela residem a título permanente cerca de 15.000 pessoas, tendo duplicado comparativamente com os 5 anos anteriores. 5.000 em Santa Maria, 7.000 em Espargos, e os restantes 3.000 dividem-se pelas 2 restantes localidades que se chamam Palmeira e Pedra Lume. As praias de Pedra Lume são caracterizadas pela imensa quantidade de tubarões existentes nas águas mais quentes. Já Espargos, a capital política da ilha, onde existe o Liceu (do 7º ao 12º anos) e a Câmara Municipal (o órgão político mais baixo na hierarquia político-administrativa do país), recebe o nome de se relatar que, quando chovia, surgiam espargos naquela região. Como se pode ver, a própria toponímia é tão simples e singela nas suas origens, como os habitantes daquela ilha o são nos seus hábitos e na sua vida.
Vestem-se se tiverem roupa, comem se tiverem fome, ou algo para comer, tomam banho se têm calor, e riem e dançam independentemente do que têm ou não têm. É nesta alegria na pobreza que reside a verdadeira beleza de Cabo Verde, que conquista, não quem visitar o país, mas quem visitar as pessoas.

As pessoas que deixam entrar quem for a passar na rua simplesmente porque a porta da sua casa está aberta, e os recebem sempre com um sorriso.
Cabo Verde é, antes de tudo, o país das portas abertas para o coração dos homens.
Gente desta terra
quarta-feira, setembro 07, 2005
terça-feira, setembro 06, 2005
segunda-feira, setembro 05, 2005
domingo, setembro 04, 2005
Desculpar-me-ão a insistência neste estilo de música, que teimosamente publico, mas faz bem, de vez em quando, para iluminar o espírito. lol
In my hands
A legacy of memories
I can hear you say my name
I can almost see your smile
Feel the warmth of your embrace
But there is nothing but silence now
Around the one I loved
Is this our farewell?
Sweet darling you worry too much, my child
See the sadness in your eyes
You are not alone in life
Although you might think that you are
Never thought
This day would come so soon
We had no time to say goodbye
How can the world just carry on?
I feel so lost when you are not at my side
But there is nothing but silence now
Around the one I loved
Is this our farewell?
Sweet darling you worry too much, my child
See the sadness in your eyes
You are not alone in life
Although you might think that you are
So sorry your world is tumbling down
I will watch you through these nights
Rest your head and go to sleep
Because my child, this is not our farewell.
This is not our farewell.
sábado, setembro 03, 2005
sexta-feira, setembro 02, 2005
quinta-feira, setembro 01, 2005
Voltando de férias, nesta mesma tarde, não posso contrariar a vontade que tenho de dedilhar, um pouco mais, pelo teclado, actualizando este meu blog, às vezes, tão decrépito e abandonado. Mas como se sabe, nem sempre é fácil encontrar a inspiração e paciência necessárias, metendo ao caminho os cinco dedos, com os quais costumo escrever.
Apesar do, já, adiantado da hora, tive que vir escrever qualquer coisa, nem que fosse só para dizer que ainda não sucumbi às terríveis areias algarvias, ou, nem mesmo, àquela gulosa doçaria, de açúcares, amêndoas e doces de ovos, que caracterizam a região e engordam os turistas, mais ou menos, acidentais.
Já não me recordava, desde as últimas férias que passei fora de casa, durante o período das festividades pascais, também em terras de mouros, a falta que me fazia este estúpido aparelho a que me afeiçoo, mais até que à generalidade das pessoas. É mais um dos vícios que, bem vistas as coisas, só o é porque o podemos ter. Quero com isto dizer que, ao final do segundo dia de férias já passei tão bem sem computador como se nunca lhe tivesse mexido anteriormente, ignorando a sua completa existência. Se pensar bem no caso, reparo, até, que na maior parte das vezes, o que torna mais divertido um computador é premir o botão que o liga e desliga, porque nas restantes horas em que permanece ligado fico, impávido e sereno, olhando para o ecrã, observando quem entra e quem sai, sem dirigir palavra a ninguém, excepto aqueles casos raros, das pessoas com quem podemos sempre falar e dizer todos os disparates que quisermos, iniciando uma conversa sem dizer "olá" ou "oi".
São circunstancialismos castradores, parece-me, e que demonstram como não estamos tão descontraídos com determinadas pessoas como com outras. Na vida física, do dia a dia, por ventura, também sucede a mesma coisa. Contudo, na internet sempre temos a possibilidade de seleccionar os nossos contactos ou, pelo menos, decidir com quem queremos, ou nos apetece conversar de tudos e nadas.
Agora, que olho para a minha lista de contactos (muito mais pequena que o fora há algum tempo atrás), apercebo-me que, afinal, as pessoas com quem consigo começar uma conversa sem ser, imperativamente, por um "oi" ou por um "ola" se resumem aquelas mesmas pessoas com quem posso falar em qualquer instante, sem necessitar de internet para nada.
Isto leva-me a acreditar que os computadores, nestas funções corriqueiras no nosso dia-a-dia doméstico, mais não são que meros caprichos de uma necessidade de comunicação permanente e já satisfeita.
Por esse motivo, deu-me muito mais prazer pegar no telemóvel e conversar alegremente com uma boa amiga durante quase 20 minutos, arruinando metade do saldo disponível.
Agora, que voltei a embrenhar-me por este amontoado de rotinas cibernéticas, de onde me desprendi para dar execução às "Férias em Família - Parte I", começo aos poucos a pensar como terá sido possível afastar-me tanto tempo deste blog ranhoso e deste computador peçonhento, adereçado por um rato fedorento... (e assim se conservem por muitos e bons anos, devo acrescentar).
Falando, ainda, destas férias familiares, que correram melhor do que aquilo que estava à espera, interrogo-me se terei um espírito de mártir, de masoquista, como já me disseram, ou se serei, simplesmente, parvo por completo e desde a nascença. Sinceramente, não me consigo decidir. Quando me encontro em casa, num dos muitos fins-de-semana, durante o decurso das aulas, parece que me afogo num tédio e num desejo de me libertar da tutela do poder parental. Não que seja obrigado a fazer alguma coisa contra a minha vontade, porque isso nunca resultou em mim. Na verdade, a sensação de claustrofobia vem de todas as perguntas que me fazem, e de todos os cenários que traçam para tentar descobrir aquilo que eu não lhes quero contar. Não que se trate de algo grave ou importante, mas simplesmente, porque me reprime e lança num mundo tão só meu que mesmo quando quero mostrar um pouco dele a alguém não o consigo fazer.
É tão impenetrável essa solidão que os silêncios geram embaraços, em que ausência de sons precipita uma qualquer revelação involuntária. Adoro, por isso estar rodeado de pessoas, deixando-as falar, entre si, e intervindo, apenas, quando for seguro, evitando expor o que penso, evitando perguntas a que teria que dar respostas fundamentadas, à pressa, em coisas que não acredito, só para não revelar, verdadeiramente, as convicções que tenho, e que só partilho com quem tiver legítimo interesse em querer saber e se esforçar minimamente para isso. É uma forma, como qualquer outra, de me defender do resto do mundo. Preciso, talvez, de mais tempo que a maioria das pessoas para conseguir confiar nos outros, e confiar-lhes os segredos, que não são preciosos, mas que são meus. E para isso, reciprocamente, tenho que conseguir sentir, ou tenho que acreditar, que o interesse dos outros está em mim e não naquilo que digo, penso, mostro ou escondo.
As férias permitem-nos pensar em muitas coisas, porque o ócio é grande, e as ocupações são reduzidas e pouco desgastantes. Pelo que dá para nos deitarmos na cama, de barriga para o ar a pensar... pensar... pensar... e, na maioria das vezes, sem chegar a qualquer conclusão ou resultado - coisa que é normal em quem pensa muito e faz pouco.
Até que me apetecia continuar, mais um pouco, a escrever nesta carta aberta tudo o que me dá na telha, mas a verdade é que já tou nisto há mais de uma hora, e amanhã tenho que ir desenterrar a vaca da dentista que me esmifrou um dente há duas semanas, e me está a provocar uma dorzinha aguda, incomodativa e irritante que só pode derivar em asneirada delirante, que viria a publicar neste blog.






























