quarta-feira, julho 28, 2010
sábado, julho 10, 2010
a desculpa dos "porquê?", como se o "porque sim!" não bastasse
por vezes, gostaria de saber pensar como uma pessoa normal. não sei o que há de normal nas pessoas normais, mas gostava de pensar como tal, de conseguir conversar como tal, de encontrar e sentir interesses como tal. Tal e qual qualquer pessoa normal, sinto vontade de experimentar, de conhecer, de me exprimir, talvez, por vezes, com demasiada veemência - tanta, que parece até presunção inaudita ou desajustada à conversa que se proporciona. A proporção da conversa face ao momento ou ao tema conversado é, também, algo que me aflige - será que sei?, será que saberei? será que interesso ou me interessa, sequer, o que penso que sei? E, no entranto da hesitação, o risco de que o momento, a oportunidade se eclipse, sem mais nem porquê, parece de tal forma previsível que uma pessoa alvitra hipóteses ou interrogações, consciente de que as mesmas servem um propósito de saber, mas, adicionalmente, o de não deixar cair em saco roto a conversa com pessoas que nos interessa conhecer. Digo conhecer, não compreender, isso não acontece... por maior e mais legítimo o interesse, dificilmente acontecerá. Não me entendo a mim próprio, pelo como entender-te a ti também através de conversa de circunstância, ainda que descontextuada do padrão "normal" de conversa de café? Não respondo a tais questões; não ouso sequer fazê-lo, mas espero consegui-lo, algures num tempo que seja limitado ou delimitado pelo recorte dos programas e agendamentos pelos quais formatamos encontros e nos deixamos formatar. Digo deixamos pois acredito na supremacia última do ser e da vontade que sou em ser. Em afirmar-me através do espaço, em perpetuar-me através do tempo. A minha auto-imposição não carece de requerimentos nem de autorizãções, e quem me olha nos olhos, como que lendo linhas soltas, apercebe-se da revolta do sentir desmesuradamente e do grito permanentemente abafado. Mas o grito inaudível sou eu, também. Talvez até mais que a sonoridade da minha voz ou a irrespeitável pseudo-intelectualidade que me arrogo. Não que não afirme o que saiba; faço-o e com prazer, como que ensinando o que me foi ensinado e assim posso ser eu mesmo uma profecia autorrealizada. E embora o apego enfraqueça o espírito, o espírito prevalece sempre, mais além do que me prende aos ditames sociais e da sociabilização entre aparentes irrisórios iguais - como se a própria igualdade quisesse ou desejasse arrogar-se mais que o papel de mediana entre os extremos personificativos em que nos movemos. Os limites, máximo e mínimo, existem. São absolutos e intransponíveis quão instransponível é própria concepção e fé que destes fazemos, como se o nosso mundo, aquilo que somos, fosse por estes balizados e destes não se evadisse - o que é uma ideia ridícula e errada. O tecido que nos entrecruza é vivo, humano e sentimental. Sentimental porque sente, física e psicologicamente; vivo porque se desvanece e o deixa de ser. Se assim não fosse, nem sequer o seria. Acreditar no alpha e no ómega, no saber e no desconhecer, corrermos atrás do conhecimento ou em perseguissão da ignorância não passa disso mesmo: ir atrás. Sempre atrás e nunca à frente. É preciso esquecer o que somos e acreditar no que vamos ser, não pelo que seremos mas pelo que já somos na fé do que seremos. É esta a verdadeira essência de ser, a insustentável leveza que nos atormenta e da qual, desligados, nos acreditamos apartados e necessitados de maior busca que não seja apreender o que até nós é trazido, na ilusão de que aquilo que é trazido não somos também nós que trazemos sempre, por mais roupagens que vistamos.
terça-feira, julho 06, 2010
A Universal Philosophical Refutation
A philosopher once had the following dream.
First Aristotle appeared, and the philosopher said to him, "Could you give me a fifteen-minute capsule sketch of your entire philosophy?" To the philosopher's surprise, Aristotle gave him an excellent exposition in which he compressed an enormous amount of material into a mere fifteen minutes. But then the philosopher raised a certain objection which Aristotle couldn't answer. Confounded, Aristotle disappeared.
Then Plato appeared. The same thing happened again, and the philosophers' objection to Plato was the same as his objection to Aristotle. Plato also couldn't answer it and disappeared.
Then all the famous philosophers of history appeared one-by-one and our philosopher refuted every one with the same objection.
After the last philosopher vanished, our philosopher said to himself, "I know I'm asleep and dreaming all this. Yet I've found a universal refutation for all philosophical systems! Tomorrow when I wake up, I will probably have forgotten it, and the world will really miss something!" With an iron effort, the philosopher forced himself to wake up, rush over to his desk, and write down his universal refutation. Then he jumped back into bed with a sigh of relief.
The next morning when he awoke, he went over to the desk to see what he had written. It was, "That's what you say."
First Aristotle appeared, and the philosopher said to him, "Could you give me a fifteen-minute capsule sketch of your entire philosophy?" To the philosopher's surprise, Aristotle gave him an excellent exposition in which he compressed an enormous amount of material into a mere fifteen minutes. But then the philosopher raised a certain objection which Aristotle couldn't answer. Confounded, Aristotle disappeared.
Then Plato appeared. The same thing happened again, and the philosophers' objection to Plato was the same as his objection to Aristotle. Plato also couldn't answer it and disappeared.
Then all the famous philosophers of history appeared one-by-one and our philosopher refuted every one with the same objection.
After the last philosopher vanished, our philosopher said to himself, "I know I'm asleep and dreaming all this. Yet I've found a universal refutation for all philosophical systems! Tomorrow when I wake up, I will probably have forgotten it, and the world will really miss something!" With an iron effort, the philosopher forced himself to wake up, rush over to his desk, and write down his universal refutation. Then he jumped back into bed with a sigh of relief.
The next morning when he awoke, he went over to the desk to see what he had written. It was, "That's what you say."
Raymond Smullyan, 5000 B.C. and Other Philosophical Fantasies. St. Martin's Press, 1983
domingo, julho 04, 2010
Apologia do trabalho
"Causas do conflito
Em todo o caso, estamos persuadidos, e todos concordam nisto, de que é necessário, com medidas prontas e eficazes, vir em auxílio dos homens das classes inferiores, atendendo a que eles estão, pela maior parte, numa situação de infortúnio e de miséria imerecida. O século passado destruiu, sem as substituir por coisa alguma, as corporações antigas, que eram para eles uma protecção; os princípios e o sentimento religioso desapareceram das leis e das instituições públicas, e assim, pouco a pouco, os trabalhadores, isolados e sem defesa, têm-se visto, com o decorrer do tempo, entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça duma concorrência desenfreada. A usura voraz veio agravar ainda mais o mal. Condenada muitas vezes pelo julgamento da Igreja, não tem deixado de ser praticada sob outra forma por homens ávidos de ganância, e de insaciável ambição. A tudo isto deve acrescentar-se o monopólio do trabalho e dos papéis de crédito, que se tornaram o quinhão dum pequeno número de ricos e de opulentos, que impõem assim um jugo quase servil à imensa multidão dos proletários.
A solução socialista
Os Socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida, que os bens dum indivíduo qualquer devem ser comuns a todos, e que a sua administração deve voltar para - os Municípios ou para o Estado. Mediante esta transladação das propriedades e esta igual repartição das riquezas e das comodidades que elas proporcionam entre os cidadãos, lisonjeiam-se de aplicar um remédio eficaz aos males presentes. Mas semelhante teoria, longe de ser capaz de pôr termo ao conflito, prejudicaria o operário se fosse posta em prática. Pelo contrário, é sumamente injusta, por violar os direitos legítimos dos proprietários, viciar as funções do Estado e tender para a subversão completa do edifício social.
A propriedade particular
De facto, como é fácil compreender, a razão intrínseca do trabalho empreendido por quem exerce uma arte lucrativa, o fim imediato visado pelo trabalhador, é conquistar um bem que possuirá como próprio e como pertencendo-lhe; porque, se põe à disposição de outrem as suas forças e a sua indústria, não é, evidentemente, por outro motivo senão para conseguir com que possa prover à sua sustentação e às necessidades da vida, e espera do seu trabalho, não só o direito ao salário, mas ainda um direito estrito e rigoroso para usar dele como entender. Portanto, se, reduzindo as suas despesas, chegou a fazer algumas economias, e se, para assegurar a sua conservação, as emprega, por exemplo, num campo, torna-se evidente que esse campo não é outra coisa senão o salário transformado: o terreno assim adquirido será propriedade do artista com o mesmo título que a remuneração do seu trabalho. Mas, quem não vê que é precisamente nisso que consiste o direito da propriedade mobiliária e imobiliária? Assim, esta conversão da propriedade particular em propriedade colectiva, tão preconizada pelo socialismo, não teria outro efeito senão tornar a situação dos operários mais precária, retirando-lhes a livre disposição do seu salário e roubando-lhes, por isso mesmo, toda a esperança e toda a possibilidade de engrandecerem o seu património e melhorarem a sua situação.
Mas, e isto parece ainda mais grave, o remédio proposto está em oposição flagrante com a justiça, porque a propriedade particular e pessoal é, para o homem, de direito natural. Há, efectivamente, sob este ponto de vista, uma grandíssima diferença entre o homem e os animais destituídos de razão. Estes não se governam a si mesmos; são dirigidos e governados pela natureza, mediante um duplo instinto, que, por um lado, conserva a sua actividade sempre viva e lhes desenvolve as forças; por outro, provoca e circunscreve ao mesmo tempo cada um dos seus movimentos. O primeiro instinto leva-os à conservação e à defesa da sua própria vida; o segundo, à propagação da espécie; e este duplo resultado obtêm-no facilmente pelo uso das coisas presentes e postas ao seu alcance. Por outro lado, seriam incapazes de transpor esses limites, porque apenas são movidos pelos sentidos e por cada objecto particular que os sentidos percebem. Muito diferente é a natureza humana. Primeiramente, no homem reside, em sua perfeição, toda.a virtude da natureza sensitiva, e desde logo lhe pertence, não menos que a esta, gozar dos objectos físicos e corpóreos. Mas a vida sensitiva mesmo que possuída em toda a sua plenitude, não só não abraça toda a natureza humana, mas é-lhe muito inferior e própria para lhe obedecer e ser-lhe sujeita. O que em nós se avantaja, o que nos faz homens, nos distingue essencialmente do animal, é a razão ou a inteligência, e em virtude desta prerrogativa deve reconhecer-se ao homem não só a faculdade geral de usar das coisas exteriores, mas ainda o direito estável e perpétuo de as possuir, tanto as que se consomem pelo uso, como as que permanecem depois de nos terem servido.
Uso comum dos bens criados e propriedade particular deles
Uma consideração mais profunda da natureza humana vai fazer sobressair melhor ainda esta verdade. O homem abrange pela sua inteligência uma infinidade de objectos, e às coisas presentes acrescenta e prende as coisas futuras; além disso, é senhor das suas acções; também sob a direcção da lei eterna e sob o governo universal da Providência divina, ele é, de algum modo, para si a sua lei e a sua providência. É por isso que tem o direito de escolher as coisas que julgar mais aptas, não só para prover ao presente, mas ainda ao futuro. De onde se segue que deve ter sob o seu domínio não só os produtos da terra, mas ainda a própria terra, que, pela sua fecundidade, ele vê estar destinada a ser a sua fornecedora no futuro. As necessidades do homem repetem-se perpetuamente: satisfeitas hoje, renascem amanhã com novas exigências. Foi preciso, portanto, para que ele pudesse realizar o seu direito em todo o tempo, que a natureza pusesse à sua disposição um elemento estável e permanente, capaz de lhe fornecer perpetuamente os meios. Ora, esse elemento só podia ser a terra, com os seus recursos sempre fecundos. E não se apele para a providência do Estado, porque o Estado é posterior ao homem, e antes que ele pudesse formar-se, já o homem tinha recebido da natureza o direito de viver e proteger a sua existência. Não se oponha também à legitimidade da propriedade particular o facto de que Deus concedeu a terra a todo o género humano para a gozar, porque Deus não a concedeu aos homens para que a dominassem confusamente todos juntos. Tal não é o sentido dessa verdade. Ela significa, unicamente, que Deus não assinou uma parte a nenhum homem em particular, mas quis deixar a limitação das propriedades à indústria humana e às instituições dos povos. Aliás, posto que dividida em propriedades particulares, a terra não deixa de servir à utilidade comum de todos, atendendo a que não há ninguém entre os mortais que não se alimente do produto dos campos. Quem os não tem, supre-os pelo trabalho, de maneira que se pode afirmar, com toda a verdade, que o trabalho é o meio universal de prover às necessidades da vida, quer ele se exerça num terreno próprio, quer em alguma parte lucrativa cuja remuneração, sai apenas dos produtos múltiplos da terra, com os quais ela se comuta. De tudo isto resulta, mais uma vez, que a propriedade particular é plenamente conforme à natureza. A terra, sem dúvida, fornece ao homem com abundância as coisas necessárias para a conservação da sua vida e ainda para o seu aperfeiçoamento, mas não poderia fornecê-las sem a cultura e sem os cuidados do homem. Ora, que faz o homem, consumindo os recursos do seu espírito e as forças do seu corpo em procurar esses bens da natureza? Aplica, para assim dizer, a si mesmo a porção da natureza corpórea que cultiva e deixa nela como que um certo cunho da sua pessoa, a ponto que, com toda a justiça, esse bem será possuído de futuro como seu, e não será lícito a ninguém violar o seu direito de qualquer forma que seja."
Rerum Novarum - 1891
Em todo o caso, estamos persuadidos, e todos concordam nisto, de que é necessário, com medidas prontas e eficazes, vir em auxílio dos homens das classes inferiores, atendendo a que eles estão, pela maior parte, numa situação de infortúnio e de miséria imerecida. O século passado destruiu, sem as substituir por coisa alguma, as corporações antigas, que eram para eles uma protecção; os princípios e o sentimento religioso desapareceram das leis e das instituições públicas, e assim, pouco a pouco, os trabalhadores, isolados e sem defesa, têm-se visto, com o decorrer do tempo, entregues à mercê de senhores desumanos e à cobiça duma concorrência desenfreada. A usura voraz veio agravar ainda mais o mal. Condenada muitas vezes pelo julgamento da Igreja, não tem deixado de ser praticada sob outra forma por homens ávidos de ganância, e de insaciável ambição. A tudo isto deve acrescentar-se o monopólio do trabalho e dos papéis de crédito, que se tornaram o quinhão dum pequeno número de ricos e de opulentos, que impõem assim um jugo quase servil à imensa multidão dos proletários.
A solução socialista
Os Socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida, que os bens dum indivíduo qualquer devem ser comuns a todos, e que a sua administração deve voltar para - os Municípios ou para o Estado. Mediante esta transladação das propriedades e esta igual repartição das riquezas e das comodidades que elas proporcionam entre os cidadãos, lisonjeiam-se de aplicar um remédio eficaz aos males presentes. Mas semelhante teoria, longe de ser capaz de pôr termo ao conflito, prejudicaria o operário se fosse posta em prática. Pelo contrário, é sumamente injusta, por violar os direitos legítimos dos proprietários, viciar as funções do Estado e tender para a subversão completa do edifício social.
A propriedade particular
De facto, como é fácil compreender, a razão intrínseca do trabalho empreendido por quem exerce uma arte lucrativa, o fim imediato visado pelo trabalhador, é conquistar um bem que possuirá como próprio e como pertencendo-lhe; porque, se põe à disposição de outrem as suas forças e a sua indústria, não é, evidentemente, por outro motivo senão para conseguir com que possa prover à sua sustentação e às necessidades da vida, e espera do seu trabalho, não só o direito ao salário, mas ainda um direito estrito e rigoroso para usar dele como entender. Portanto, se, reduzindo as suas despesas, chegou a fazer algumas economias, e se, para assegurar a sua conservação, as emprega, por exemplo, num campo, torna-se evidente que esse campo não é outra coisa senão o salário transformado: o terreno assim adquirido será propriedade do artista com o mesmo título que a remuneração do seu trabalho. Mas, quem não vê que é precisamente nisso que consiste o direito da propriedade mobiliária e imobiliária? Assim, esta conversão da propriedade particular em propriedade colectiva, tão preconizada pelo socialismo, não teria outro efeito senão tornar a situação dos operários mais precária, retirando-lhes a livre disposição do seu salário e roubando-lhes, por isso mesmo, toda a esperança e toda a possibilidade de engrandecerem o seu património e melhorarem a sua situação.
Mas, e isto parece ainda mais grave, o remédio proposto está em oposição flagrante com a justiça, porque a propriedade particular e pessoal é, para o homem, de direito natural. Há, efectivamente, sob este ponto de vista, uma grandíssima diferença entre o homem e os animais destituídos de razão. Estes não se governam a si mesmos; são dirigidos e governados pela natureza, mediante um duplo instinto, que, por um lado, conserva a sua actividade sempre viva e lhes desenvolve as forças; por outro, provoca e circunscreve ao mesmo tempo cada um dos seus movimentos. O primeiro instinto leva-os à conservação e à defesa da sua própria vida; o segundo, à propagação da espécie; e este duplo resultado obtêm-no facilmente pelo uso das coisas presentes e postas ao seu alcance. Por outro lado, seriam incapazes de transpor esses limites, porque apenas são movidos pelos sentidos e por cada objecto particular que os sentidos percebem. Muito diferente é a natureza humana. Primeiramente, no homem reside, em sua perfeição, toda.a virtude da natureza sensitiva, e desde logo lhe pertence, não menos que a esta, gozar dos objectos físicos e corpóreos. Mas a vida sensitiva mesmo que possuída em toda a sua plenitude, não só não abraça toda a natureza humana, mas é-lhe muito inferior e própria para lhe obedecer e ser-lhe sujeita. O que em nós se avantaja, o que nos faz homens, nos distingue essencialmente do animal, é a razão ou a inteligência, e em virtude desta prerrogativa deve reconhecer-se ao homem não só a faculdade geral de usar das coisas exteriores, mas ainda o direito estável e perpétuo de as possuir, tanto as que se consomem pelo uso, como as que permanecem depois de nos terem servido.
Uso comum dos bens criados e propriedade particular deles
Uma consideração mais profunda da natureza humana vai fazer sobressair melhor ainda esta verdade. O homem abrange pela sua inteligência uma infinidade de objectos, e às coisas presentes acrescenta e prende as coisas futuras; além disso, é senhor das suas acções; também sob a direcção da lei eterna e sob o governo universal da Providência divina, ele é, de algum modo, para si a sua lei e a sua providência. É por isso que tem o direito de escolher as coisas que julgar mais aptas, não só para prover ao presente, mas ainda ao futuro. De onde se segue que deve ter sob o seu domínio não só os produtos da terra, mas ainda a própria terra, que, pela sua fecundidade, ele vê estar destinada a ser a sua fornecedora no futuro. As necessidades do homem repetem-se perpetuamente: satisfeitas hoje, renascem amanhã com novas exigências. Foi preciso, portanto, para que ele pudesse realizar o seu direito em todo o tempo, que a natureza pusesse à sua disposição um elemento estável e permanente, capaz de lhe fornecer perpetuamente os meios. Ora, esse elemento só podia ser a terra, com os seus recursos sempre fecundos. E não se apele para a providência do Estado, porque o Estado é posterior ao homem, e antes que ele pudesse formar-se, já o homem tinha recebido da natureza o direito de viver e proteger a sua existência. Não se oponha também à legitimidade da propriedade particular o facto de que Deus concedeu a terra a todo o género humano para a gozar, porque Deus não a concedeu aos homens para que a dominassem confusamente todos juntos. Tal não é o sentido dessa verdade. Ela significa, unicamente, que Deus não assinou uma parte a nenhum homem em particular, mas quis deixar a limitação das propriedades à indústria humana e às instituições dos povos. Aliás, posto que dividida em propriedades particulares, a terra não deixa de servir à utilidade comum de todos, atendendo a que não há ninguém entre os mortais que não se alimente do produto dos campos. Quem os não tem, supre-os pelo trabalho, de maneira que se pode afirmar, com toda a verdade, que o trabalho é o meio universal de prover às necessidades da vida, quer ele se exerça num terreno próprio, quer em alguma parte lucrativa cuja remuneração, sai apenas dos produtos múltiplos da terra, com os quais ela se comuta. De tudo isto resulta, mais uma vez, que a propriedade particular é plenamente conforme à natureza. A terra, sem dúvida, fornece ao homem com abundância as coisas necessárias para a conservação da sua vida e ainda para o seu aperfeiçoamento, mas não poderia fornecê-las sem a cultura e sem os cuidados do homem. Ora, que faz o homem, consumindo os recursos do seu espírito e as forças do seu corpo em procurar esses bens da natureza? Aplica, para assim dizer, a si mesmo a porção da natureza corpórea que cultiva e deixa nela como que um certo cunho da sua pessoa, a ponto que, com toda a justiça, esse bem será possuído de futuro como seu, e não será lícito a ninguém violar o seu direito de qualquer forma que seja."
Rerum Novarum - 1891
sexta-feira, julho 02, 2010
Vertigens
Por vezes encontramos encruzilhadas, linhas traçadas, entrelaçadas como meadas de lã tricotadas em formatos sempre originais e inovadores, que nos impedem de utilizar comportamentos padronizados, aprendidos e inculcados ao longo da nossa vida e por via das experiências reunidas.
Fosse a experiência verdadeiramente nossa e não uma mera ilusão passageira e fugaz, talvez se compreendesse o medo de perder aquilo que ridiculamente acreditamos possuir ou ter direito.
Somos navegadores em campo de mártires, procurando em redor por auxílio, apenas para olhar as costas dos desertores e as faces dos abatidos pregadas ao chão.
É neste momento que caímos, por dentro e por fora, de joelhos à terra e mãos ao rosto, mais que chorando, inquirindo e desafiando a força utópica dos destinos, entrecruzados como nós próprios nas teias que tecemos e nas quais nos deixamos adormecidademente enleados, suspensos à sombra do abismo que nos propomos escalar sem nunca o fazer. Não por medo. Apenas vertigens.
"Tinha uma vontade brutal de fazer qualquer coisa que a impedisse de voltar atrás. Tinha vontade de anular brutalmente os últimos sete anos da sua vida. Eram vertigens. Um inebriante, um incontrolável desejo de cair.
Poderia talvez dizer que ter vertigens é embriagarmo-nos com a nossa própria fraqueza. Temos consciência da nossa fraqueza, mas em vez de resistir-lhe, queremos ficar ainda mais fracos, cair por terra em plena rua à frente de toda a gente, ficar por terra, ainda mais abaixo do que a terra."
Fosse a experiência verdadeiramente nossa e não uma mera ilusão passageira e fugaz, talvez se compreendesse o medo de perder aquilo que ridiculamente acreditamos possuir ou ter direito.
Somos navegadores em campo de mártires, procurando em redor por auxílio, apenas para olhar as costas dos desertores e as faces dos abatidos pregadas ao chão.
É neste momento que caímos, por dentro e por fora, de joelhos à terra e mãos ao rosto, mais que chorando, inquirindo e desafiando a força utópica dos destinos, entrecruzados como nós próprios nas teias que tecemos e nas quais nos deixamos adormecidademente enleados, suspensos à sombra do abismo que nos propomos escalar sem nunca o fazer. Não por medo. Apenas vertigens.
"Tinha uma vontade brutal de fazer qualquer coisa que a impedisse de voltar atrás. Tinha vontade de anular brutalmente os últimos sete anos da sua vida. Eram vertigens. Um inebriante, um incontrolável desejo de cair.
Poderia talvez dizer que ter vertigens é embriagarmo-nos com a nossa própria fraqueza. Temos consciência da nossa fraqueza, mas em vez de resistir-lhe, queremos ficar ainda mais fracos, cair por terra em plena rua à frente de toda a gente, ficar por terra, ainda mais abaixo do que a terra."
A Insustentável Leveza do Ser
Milan Kundera
quarta-feira, junho 30, 2010
quinta-feira, junho 24, 2010
Directions
acho que te conheço de algum lugar, tão distante e perdido que esqueci por completo qual. não consigo perceber ou explicar, mas foste mais além do agora, mais acima do que és. mas não te entendo. não entendo o que te tornaste, do que vieste, para onde vais. nem tu fazes ideia, também. perdido, deambulando confuso, convencido do caminho e direcção. mas seguindo sempre. sempre. sempre. sempre.
"Alice: Would you tell me, please, which way I ought to go from here?
The Cat: That depends a good deal on where you want to get to.
Alice: I don't much care where.
The Cat: Then it doesn't much matter which way you go.
Alice: …so long as I get somewhere.
The Cat: Oh, you're sure to do that, if only you walk long enough."
"Alice: Would you tell me, please, which way I ought to go from here?
The Cat: That depends a good deal on where you want to get to.
Alice: I don't much care where.
The Cat: Then it doesn't much matter which way you go.
Alice: …so long as I get somewhere.
The Cat: Oh, you're sure to do that, if only you walk long enough."
Alice and the Cat – Quotes:
Alice in Wonderland
domingo, junho 20, 2010
Balança com Ascendente em Virgem
Virgem é um Signo que não se deixa influenciar facilmente, tem reacções lentas e duráveis, possui um espírito laborioso e crítico, mas é um pouco introvertido e egocêntrico. O nativo de Virgem leva demasiado a sério a vida, os seus acontecimentos e as responsabilidades. O nativo de Balança é um ser acima de tudo equilibrado, ponderado, elegante, evoluído, disposto a dar o coração totalmente. Ora tudo isto está muito longe do que Virgem proporciona. O indivíduo Balança que tem Virgem como Ascendente, tende a trabalhar com mais precisão, exactidão e minúcia. Perturba-o o facto de ser instintivamente extrovertido e sente-se coagido quando contacta o seu semelhante. Este indivíduo deve procurar modificar o seu carácter para resolver os seus problemas de comunicação e conviver com toda a confiança quando se trata da relação com os outros. Esta combinação Balança/Virgem favorece as faculdades perceptivas e confere habilidade nas questões que requeiram lucidez e percepções aguçadas. A sua natureza não é perseverante e por vezes vacila em atitudes e opiniões.
As finanças desempenham um papel de destaque na sua vida, mas enfrenta dificuldades e obtém pouco sucesso. Como é uma pessoa que se volta para os outros, a vida social e as uniões estão favorecidas. Gosta de ser prestável se isso não for contra os seus interesses. Tem sensibilidade aos cheiros e por vezes é um tanto maníaco, as coisas nunca estão em ordem, nem as pessoas suficientemente limpas. É sentimental, mas está sempre à defesa, podendo tropeçar, no entanto, nas armadilhas do amor.
Tem um temperamento hipersensível, estético e requintado, além de ser uma pessoa bastante amável, com senso prático e dotada de uma certa habilidade. Poderá vir a ser um excelente professor e pode ser atraído pela medicina alternativa ou pelos alimentos naturais. A horticultura, a agricultura e a enfermagem também estarão de acordo com o seu gosto. Poderá ter grande talento para o artesanato, para a cerâmica, por exemplo. Como gosta de trabalhar com afinco, isso fá-lo-á crescer. É natural que sinta atracção pelo Signo de Peixes.
As finanças desempenham um papel de destaque na sua vida, mas enfrenta dificuldades e obtém pouco sucesso. Como é uma pessoa que se volta para os outros, a vida social e as uniões estão favorecidas. Gosta de ser prestável se isso não for contra os seus interesses. Tem sensibilidade aos cheiros e por vezes é um tanto maníaco, as coisas nunca estão em ordem, nem as pessoas suficientemente limpas. É sentimental, mas está sempre à defesa, podendo tropeçar, no entanto, nas armadilhas do amor.
Tem um temperamento hipersensível, estético e requintado, além de ser uma pessoa bastante amável, com senso prático e dotada de uma certa habilidade. Poderá vir a ser um excelente professor e pode ser atraído pela medicina alternativa ou pelos alimentos naturais. A horticultura, a agricultura e a enfermagem também estarão de acordo com o seu gosto. Poderá ter grande talento para o artesanato, para a cerâmica, por exemplo. Como gosta de trabalhar com afinco, isso fá-lo-á crescer. É natural que sinta atracção pelo Signo de Peixes.
sábado, junho 19, 2010
"Friendship isn’t hard to spot.
It’s an action, a feeling, a way of being all at once.
It’s a perception and a reality that is exchanged without speaking.
It’s the comfortable white space between the words in conversation.
It’s the smile in the eyes of someone that says, “We just met, but I know who you are.”
It’s that “come out and play” kind of feeling.
You can recognize a friend, because no matter what happens, with that person you are someone you want to be."
Liz Strauss
It’s an action, a feeling, a way of being all at once.
It’s a perception and a reality that is exchanged without speaking.
It’s the comfortable white space between the words in conversation.
It’s the smile in the eyes of someone that says, “We just met, but I know who you are.”
It’s that “come out and play” kind of feeling.
You can recognize a friend, because no matter what happens, with that person you are someone you want to be."
Liz Strauss
quinta-feira, junho 17, 2010
o princípio da incerteza
crescemos e mudamos.
temos essa percepção, de que tudo e todos os que nos rodeiam crescem num ciclo de longos ritmos e tendências. à medida que de uns nos afastamos, outros há que de nós se aproximam (ou a estes nos aproximamos) com alguma consciência do que fazemos.
existe um sentimento grave de perda e frustação quando nos afastamos de um amigo querido, por nossa própria vontade ou por força das circunstâncias em que ambos nos vemos envolvidos. existe um sentimento de dúvida sobre os motivos para o afastamento de alguém que amamos ou que amámos num determinado momento; um sentimento que nunca conseguiremos apagar totalmente do nosso espírito, como se se tratasse de uma marca "kármica", um desafio que transportaremos, possivelmente, para uma nova vida terrena - como frequentemente se encontra referência em tantas filosofias orientais. e faz-se um esforço para avançar, apesar de este sentimento de profunda perda - tão semelhante àquele sentido na morte ou separação de um ente querido, guardado nas nossas memórias.
a vida e a morte misturam-se profundamente no sentido de uma amizade, quer disso tenhamos consciência ou não. isto porque a amizade parece transcender a dimensão física das coisas e, como tal, nunca poderá ser reconduzida ao alpha e ao ómega pelos quais nos regemos neste mundo - a vida e a morte, o bom e o mau, o sim e o não. o dualismo do nosso mundo físico não se adequa à natureza eternamente inteligível da amizade. por mais anos que vivamos e convivamos com o nosso amigo jamais conseguiremos saber tudo sobre ele - porque iniciar uma relação de amizade é como começar a ler pelo meio um livro sem princípio nem fim.
na alegria dos novos encontros, reacende-se na alma uma esperança de partilha, em que é permitido iniciar uma nova leitura e em que, por contrapartida, alguém nos lê também a nós - pelo meio, como é suposto ser, folheando páginas, por vezes, da direita para a esquerda e, noutros casos, em sentido contrário.
e, nesta dialéctica da leitura mútua, há uma influência recíproca. qual Heisenberg, a mera observação parece ser por si só suficiente para interferir com o objecto observado. é claro que, ao formular esta hipótese, Heisenberg procurava explicar matematicamente fenómenos no âmbito da física cartesiana e da quântica, mas quantas vezes um aluno num teste não se sentiu perturbado ou de alguma maneira influenciado apenas por sentir o olhar do professor sobre si? quantas vezes não adaptamos o nosso comportamento à presença de um amigo ou por estarmos despertos para a existência de uma câmera de segurança num elevador?
assim, estamos todos tão singela e poderosamente ligados que assumimos uma amizade como nossa muito antes de percebermos que existe um amigo a observar-nos, a nós e ao momento presente da nossa história. muitas vezes só disso ganhamos consciência quando este começa a folhear as páginas anteriores de nós próprios, questionando-nos sobre o que fomos ou interregando sobre o rumo que permanentemente vamos traçando e redefinindo para as páginas seguintes.
as pessoas que nos marcam - os amigos - têm este virtuosismo de querer conhecer o que somos, o que fomos e o que vamos ser, talvez como esperando - como tendo esperança - de que em nós se possam conhecer a si ou ao caminho para si próprias e para a realização do seu potencial humano.
algumas vezes, deixá-las entrar é um passo difícil que exige que nos tornemos vulneráveis e que deixemos vulneráveis quem connosco convive na maior intimidade - deixar alguém verdadeiramente entrar e escutar os nossos mais íntimos pensamentos transforma-se num verdadeiro acto de amor. Neil Gaiman descreveu bem o amor que liga as pessoas - quer estas sejam verdadeiros amantes ou pessoas que se apreciem mútua e respeitosamente através de uma amizade:
assim, sei dizer que tenho pelo menos um desejo para esta vida: não mais conseguir recordar como comecei a conhecer um amigo.
temos essa percepção, de que tudo e todos os que nos rodeiam crescem num ciclo de longos ritmos e tendências. à medida que de uns nos afastamos, outros há que de nós se aproximam (ou a estes nos aproximamos) com alguma consciência do que fazemos.
existe um sentimento grave de perda e frustação quando nos afastamos de um amigo querido, por nossa própria vontade ou por força das circunstâncias em que ambos nos vemos envolvidos. existe um sentimento de dúvida sobre os motivos para o afastamento de alguém que amamos ou que amámos num determinado momento; um sentimento que nunca conseguiremos apagar totalmente do nosso espírito, como se se tratasse de uma marca "kármica", um desafio que transportaremos, possivelmente, para uma nova vida terrena - como frequentemente se encontra referência em tantas filosofias orientais. e faz-se um esforço para avançar, apesar de este sentimento de profunda perda - tão semelhante àquele sentido na morte ou separação de um ente querido, guardado nas nossas memórias.
a vida e a morte misturam-se profundamente no sentido de uma amizade, quer disso tenhamos consciência ou não. isto porque a amizade parece transcender a dimensão física das coisas e, como tal, nunca poderá ser reconduzida ao alpha e ao ómega pelos quais nos regemos neste mundo - a vida e a morte, o bom e o mau, o sim e o não. o dualismo do nosso mundo físico não se adequa à natureza eternamente inteligível da amizade. por mais anos que vivamos e convivamos com o nosso amigo jamais conseguiremos saber tudo sobre ele - porque iniciar uma relação de amizade é como começar a ler pelo meio um livro sem princípio nem fim.
na alegria dos novos encontros, reacende-se na alma uma esperança de partilha, em que é permitido iniciar uma nova leitura e em que, por contrapartida, alguém nos lê também a nós - pelo meio, como é suposto ser, folheando páginas, por vezes, da direita para a esquerda e, noutros casos, em sentido contrário.
e, nesta dialéctica da leitura mútua, há uma influência recíproca. qual Heisenberg, a mera observação parece ser por si só suficiente para interferir com o objecto observado. é claro que, ao formular esta hipótese, Heisenberg procurava explicar matematicamente fenómenos no âmbito da física cartesiana e da quântica, mas quantas vezes um aluno num teste não se sentiu perturbado ou de alguma maneira influenciado apenas por sentir o olhar do professor sobre si? quantas vezes não adaptamos o nosso comportamento à presença de um amigo ou por estarmos despertos para a existência de uma câmera de segurança num elevador?
assim, estamos todos tão singela e poderosamente ligados que assumimos uma amizade como nossa muito antes de percebermos que existe um amigo a observar-nos, a nós e ao momento presente da nossa história. muitas vezes só disso ganhamos consciência quando este começa a folhear as páginas anteriores de nós próprios, questionando-nos sobre o que fomos ou interregando sobre o rumo que permanentemente vamos traçando e redefinindo para as páginas seguintes.
as pessoas que nos marcam - os amigos - têm este virtuosismo de querer conhecer o que somos, o que fomos e o que vamos ser, talvez como esperando - como tendo esperança - de que em nós se possam conhecer a si ou ao caminho para si próprias e para a realização do seu potencial humano.
algumas vezes, deixá-las entrar é um passo difícil que exige que nos tornemos vulneráveis e que deixemos vulneráveis quem connosco convive na maior intimidade - deixar alguém verdadeiramente entrar e escutar os nossos mais íntimos pensamentos transforma-se num verdadeiro acto de amor. Neil Gaiman descreveu bem o amor que liga as pessoas - quer estas sejam verdadeiros amantes ou pessoas que se apreciem mútua e respeitosamente através de uma amizade:
«Have you even been in love? Horrible, isn't it? It makes you so vulnerable. It opens your chest and it opens your heart and it means someone can get inside you and mess you up. You build up all these defences. You build up this whole armour, for years, so nothing can hurt you, then one stupid person, no different from any other stupid person, wanders into your stupid life...na maior parte das vezes, a grande dificuldade está em deixar essa pessoa partir, sobretudo quando o tempo e os eventos que passaram juntos são já tão maiores que a percepção individual que cada um teve deles, ao ponto de torna-se difícil sequer lembrar o "como" tudo começou.
You give them a piece of you. They don't ask for it. They do something dumb one day like kiss you, or smile at you, and then your life isn't your own anymore. Love takes hostages. It gets inside you. It eats you out and leaves you crying in the darkness, so a simple phrase like "maybe we should just be friends" or "how very perceptive" turns into a glass splinter working its way into your heart. It hurts. Not just in the imagination. Not just in the mind. It's a soul-hurt, a body-hurt, a real gets-inside-you-and-rips-you-apart pain. I hate love.»
assim, sei dizer que tenho pelo menos um desejo para esta vida: não mais conseguir recordar como comecei a conhecer um amigo.
segunda-feira, maio 24, 2010
spacetime continuum distortion times two
the universe is not expanding; it is, in fact, bending itself by way of a force produced by the density of parallel universes "behind" ours. they stretch it, bending it around their focus of tension, creating distortions in the spacetime continuum of our universe, determining that what is perceived as either a constant or variable speed at which the celestial bodies apart from / gather with each other may not have actual relation to either space and time at which they appear. that is because not only the massive bodies generate distortions in the spacetime continuum inside the universe, but also because further spacetime distortions to the universe come from its peers outside itself. it is expected that this universe itself influences the other universes in its horizon of events.
domingo, maio 23, 2010
quarta-feira, maio 19, 2010
segunda-feira, maio 17, 2010
sexta-feira, maio 07, 2010
The Strength of the Risen
What is your deepest thought?
The question may seem shallow or void of any sense and purpose, but within the effort you put in understanding it you have me accomplishing my goal. Don’t worry about the out coming answer. It is as right or as wrong as you admit it to be in the thought behind all the other thoughts crossing you mind this instance.
Which purpose am I talking about?
Well, first of all the believing process innate to every man and woman. My goal is challenging you to believe. In what?, you are asking. In whatever feeling you perceive as good. The scope of emotions tremble by the feeblest thought of doubt crossing your mind, as doubt is no emotion, although you may tend to intellectually react to it as if you could already feel the anguish and fear it inputs in your mind and body. Doubt, however, is a thought on its own and it does not depend on the circumstances of your surroundings, but on the perspective and intensity by which you look at them and let them having you influenced.
But I am sure you read it all in some book. In some spiritual or living guidance manual. I read them too. I devoured them as a rushing impulse for physical and psychological tranquility. Being sure that is also your case, I’ll leave you there, with no other introspective phrases or questions… no other, apart from this: what is your deepest thought?
Tell me your thought, your deepest thought about everything, anything. The most truthful true lying behind all your questions, fueling your dreams and doubts, nurturing your hopes and fears. Repeat it to yourself whenever you have a question: “What is my deepest thought?”. And you’ll be surprised by how frail and distorted the perception of yourself is.
The difficulty, as I am sure you have figured out by now, is the amount of questions racing your mind every second of every hour of everyday and the enormous, untamable speed they trail after each other. How can you know what you are truly after when your focus spreads like butter over hot bread?
When the old preached “truth” above all other values and virtues they were not referring on having you being truthful to others. Being truthful in your relationship with your peers occurs as a sub product of the real object to which you must keep truthful all the times, at all times: you.
Truth will set you free. I’m also sure you’ve heard this one before. But what meaning did you extract from it? Was it referring to you telling everyone else what your “lies” have been (strong word, lies, sounding almost like sin)? Certainly you have already confessed a small lie to your friend, one line such as “I had to tell him I was sick so I was not going out that night”, but probably this attempt to exonerate your guilt (another strong word) did not manage to, somehow, restore your feeling to its potential for permanent joy. You’d probably be feeling much better if you had told directly to that person “I am sorry, but on the other night I lied about being sick because I was not really in the mood for going out with you” and, in response, you’d get something like “Don’t fret about it. I totally understand it and I was feeling the same way, but I was afraid of letting you know”.
So, what is it one is truly after? Is it giving truth to others or, instead, receiving comprehension and forgiveness? The trick here, however, is that only those who cannot forgive and cannot comprehend themselves try finding forgiveness and comprehension on the outside world - on a person, on an action. The truth in that case is that you have betrayed yourself at some point, you have betrayed your deepest thought about a certain situation and as you do not realize it you cannot assess that the one who needs to forgive you is, in fact, you.
Truth will set you free seems now to be a rather incorrect statement, because when you’re truthful to yourself and to your deepest thought, the thought behind all other layers of thought, you can never, ever, become a prisoner craving for release. Truth does NOT set you free, but it is otherwise your very own guarantee of freedom.
The question may seem shallow or void of any sense and purpose, but within the effort you put in understanding it you have me accomplishing my goal. Don’t worry about the out coming answer. It is as right or as wrong as you admit it to be in the thought behind all the other thoughts crossing you mind this instance.
Which purpose am I talking about?
Well, first of all the believing process innate to every man and woman. My goal is challenging you to believe. In what?, you are asking. In whatever feeling you perceive as good. The scope of emotions tremble by the feeblest thought of doubt crossing your mind, as doubt is no emotion, although you may tend to intellectually react to it as if you could already feel the anguish and fear it inputs in your mind and body. Doubt, however, is a thought on its own and it does not depend on the circumstances of your surroundings, but on the perspective and intensity by which you look at them and let them having you influenced.
But I am sure you read it all in some book. In some spiritual or living guidance manual. I read them too. I devoured them as a rushing impulse for physical and psychological tranquility. Being sure that is also your case, I’ll leave you there, with no other introspective phrases or questions… no other, apart from this: what is your deepest thought?
Tell me your thought, your deepest thought about everything, anything. The most truthful true lying behind all your questions, fueling your dreams and doubts, nurturing your hopes and fears. Repeat it to yourself whenever you have a question: “What is my deepest thought?”. And you’ll be surprised by how frail and distorted the perception of yourself is.
The difficulty, as I am sure you have figured out by now, is the amount of questions racing your mind every second of every hour of everyday and the enormous, untamable speed they trail after each other. How can you know what you are truly after when your focus spreads like butter over hot bread?
When the old preached “truth” above all other values and virtues they were not referring on having you being truthful to others. Being truthful in your relationship with your peers occurs as a sub product of the real object to which you must keep truthful all the times, at all times: you.
Truth will set you free. I’m also sure you’ve heard this one before. But what meaning did you extract from it? Was it referring to you telling everyone else what your “lies” have been (strong word, lies, sounding almost like sin)? Certainly you have already confessed a small lie to your friend, one line such as “I had to tell him I was sick so I was not going out that night”, but probably this attempt to exonerate your guilt (another strong word) did not manage to, somehow, restore your feeling to its potential for permanent joy. You’d probably be feeling much better if you had told directly to that person “I am sorry, but on the other night I lied about being sick because I was not really in the mood for going out with you” and, in response, you’d get something like “Don’t fret about it. I totally understand it and I was feeling the same way, but I was afraid of letting you know”.
So, what is it one is truly after? Is it giving truth to others or, instead, receiving comprehension and forgiveness? The trick here, however, is that only those who cannot forgive and cannot comprehend themselves try finding forgiveness and comprehension on the outside world - on a person, on an action. The truth in that case is that you have betrayed yourself at some point, you have betrayed your deepest thought about a certain situation and as you do not realize it you cannot assess that the one who needs to forgive you is, in fact, you.
Truth will set you free seems now to be a rather incorrect statement, because when you’re truthful to yourself and to your deepest thought, the thought behind all other layers of thought, you can never, ever, become a prisoner craving for release. Truth does NOT set you free, but it is otherwise your very own guarantee of freedom.
terça-feira, maio 04, 2010
Sabe a diferença entre um foguetão espacial e um míssil balístico?
Apresentarei três cenários:
Cenário 1: cidadão A trabalha, ou seja, paga IRS (espera-se!), ou seja o Estado recebe;
Cenário 2: cidadão B reforma-se e deixa de trabalhar, ou seja, o Estado passa a receber menos IRS (porque a taxa é tendencialmente inferior) e, simultaneamente, passa a gastar mais (mais uma reforma a ser paga - e, diga-se, devidamente!);
Cenário 3: cidadão C reforma-se, mas continua a trabalhar. Não só paga (potencialmente) mais IRS (sobre a pensão e sobre os rendimentos "extra"), como fica também com mais rendimento disponível para despender, ou seja, rendimento para aplicar directamente na economia ou em poupança (sim, a poupança também é, grosso modo, um método de financiamento indirecto que, na maioria dos casos, compete aos bancos - "receber depósitos e conceder financiamento"). O Estado paga uma pensão, mas recebe, adicionalmente, mais receitas pelo trabalho "extra" do cidadão C, quando comparado à falta de actividade pós-reforma do cidadão B.
Analisados estes cenários, qual destes cidadãos está, afinal, a prestar maior serviço ao país?
A questão subjacente ao artigo a que respondo, parece-me, não se encontra no facto de um cidadão ser mais ou menos activo em termos economico-profissionais após o momento em que lhe seja reconhecido o direito a uma reforma.
A questão é outra e bem mais profunda, alicerçada num postulado ético do direito ao trabalho. Um postulado que deve verificar-se sempre que haja uma relacção entre pessoas (quer laboral ou não).
A pergunta que se coloca é, pois, a de saber se o trabalho ou serviço que aquele cidadão C continua a prestar encontra legítima e justa correspondência no rendimento que dela advém.
Um dia, há alguns anos, perguntaram-me a diferença entre um foguetão, desenhado para lançar os nossos satélites para o espaço, e um comum míssil de guerra, ao que respondi negativamente.
Pois a resposta a esta questão, disseram-me, é só uma e universal para qualquer questão sobre o Homem, incluindo a de saber se o cidadão C deve continuar a trabalhar.
Pois tanto o míssil de guerra, quanto o deslumbrante foguetão são em tudo semelhantes... excepto no seu propósito e intenção.
Cenário 1: cidadão A trabalha, ou seja, paga IRS (espera-se!), ou seja o Estado recebe;
Cenário 2: cidadão B reforma-se e deixa de trabalhar, ou seja, o Estado passa a receber menos IRS (porque a taxa é tendencialmente inferior) e, simultaneamente, passa a gastar mais (mais uma reforma a ser paga - e, diga-se, devidamente!);
Cenário 3: cidadão C reforma-se, mas continua a trabalhar. Não só paga (potencialmente) mais IRS (sobre a pensão e sobre os rendimentos "extra"), como fica também com mais rendimento disponível para despender, ou seja, rendimento para aplicar directamente na economia ou em poupança (sim, a poupança também é, grosso modo, um método de financiamento indirecto que, na maioria dos casos, compete aos bancos - "receber depósitos e conceder financiamento"). O Estado paga uma pensão, mas recebe, adicionalmente, mais receitas pelo trabalho "extra" do cidadão C, quando comparado à falta de actividade pós-reforma do cidadão B.
Analisados estes cenários, qual destes cidadãos está, afinal, a prestar maior serviço ao país?
A questão subjacente ao artigo a que respondo, parece-me, não se encontra no facto de um cidadão ser mais ou menos activo em termos economico-profissionais após o momento em que lhe seja reconhecido o direito a uma reforma.
A questão é outra e bem mais profunda, alicerçada num postulado ético do direito ao trabalho. Um postulado que deve verificar-se sempre que haja uma relacção entre pessoas (quer laboral ou não).
A pergunta que se coloca é, pois, a de saber se o trabalho ou serviço que aquele cidadão C continua a prestar encontra legítima e justa correspondência no rendimento que dela advém.
Um dia, há alguns anos, perguntaram-me a diferença entre um foguetão, desenhado para lançar os nossos satélites para o espaço, e um comum míssil de guerra, ao que respondi negativamente.
Pois a resposta a esta questão, disseram-me, é só uma e universal para qualquer questão sobre o Homem, incluindo a de saber se o cidadão C deve continuar a trabalhar.
Pois tanto o míssil de guerra, quanto o deslumbrante foguetão são em tudo semelhantes... excepto no seu propósito e intenção.
sexta-feira, abril 23, 2010
Crio e recrio, pois não sei ser sem o fazer. Porque da minha criação nasce nova ideia, inspiração, num processo interminável onde o tempo não tem poder. O mundo que habito é meu e único, criado e recriado vezes e vezes sem fim, como sem fim vivo eternamente sem apego ou gratidão pela vida que me é dada no silencioso fulgor da emoção.
Ao prelúdio insofismável da manhã, luz e cor, azul e prata, vida e ar, são telas brancas aguardando a tinta da tua e minha criação. E o horizonte declinante, abaixo, muito abaixo das ondas revoltas e brandas do mar, acorda-te no sonho que traz a alma, para sempre suspensa por fios etéreos e ondulantes, feitos de pó das estrelas e luar
segunda-feira, abril 19, 2010
Tempo e Direcção
Entre os aromas de laranjeira no quintal, recordações de infância e juventude comparam aos ouvidos de quase-adulto como uma interrogação incessante do que motiva e conduz cada passo por entre canteiros e desabafos de olhos aflitos.
Como responder sem desprezar? Como ensinar sem subjogar? Quanto mais tolera o homem-velho a condescendência do homem-novo a seu lado, olhando a esperança como uma promessa e o futuro como uma esperança?
Perdido fica o homem que segue sempre sem saber que se deixou para trás. O corredor ultrapassado pela própria sombra, perdido para o reflexo de si sem saber que por mais rápido que corra chega sempre em segundo lugar. Onde falte a direcção, precipita-se o não-devir pela lei da velocidade.
Ir contra o sol oculta o caminho, mas a sombra do que se é fica sempre para trás.
Como responder sem desprezar? Como ensinar sem subjogar? Quanto mais tolera o homem-velho a condescendência do homem-novo a seu lado, olhando a esperança como uma promessa e o futuro como uma esperança?
Perdido fica o homem que segue sempre sem saber que se deixou para trás. O corredor ultrapassado pela própria sombra, perdido para o reflexo de si sem saber que por mais rápido que corra chega sempre em segundo lugar. Onde falte a direcção, precipita-se o não-devir pela lei da velocidade.
Ir contra o sol oculta o caminho, mas a sombra do que se é fica sempre para trás.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
