sexta-feira, abril 23, 2010

Crio e recrio, pois não sei ser sem o fazer. Porque da minha criação nasce nova ideia, inspiração, num processo interminável onde o tempo não tem poder. O mundo que habito é meu e único, criado e recriado vezes e vezes sem fim, como sem fim vivo eternamente sem apego ou gratidão pela vida que me é dada no silencioso fulgor da emoção.
Ao prelúdio insofismável da manhã, luz e cor, azul e prata, vida e ar, são telas brancas aguardando a tinta da tua e minha criação. E o horizonte declinante, abaixo, muito abaixo das ondas revoltas e brandas do mar, acorda-te no sonho que traz a alma, para sempre suspensa por fios etéreos e ondulantes, feitos de pó das estrelas e luar

segunda-feira, abril 19, 2010

Tempo e Direcção

Entre os aromas de laranjeira no quintal, recordações de infância e juventude comparam aos ouvidos de quase-adulto como uma interrogação incessante do que motiva e conduz cada passo por entre canteiros e desabafos de olhos aflitos.

Como responder sem desprezar? Como ensinar sem subjogar? Quanto mais tolera o homem-velho a condescendência do homem-novo a seu lado, olhando a esperança como uma promessa e o futuro como uma esperança?

Perdido fica o homem que segue sempre sem saber que se deixou para trás. O corredor ultrapassado pela própria sombra, perdido para o reflexo de si sem saber que por mais rápido que corra chega sempre em segundo lugar. Onde falte a direcção, precipita-se o não-devir pela lei da velocidade.

Ir contra o sol oculta o caminho, mas a sombra do que se é fica sempre para trás.


terça-feira, dezembro 08, 2009

Quietness

She was the most beautiful girl he had ever seen. Her hair loose, falling on the side of her ear, waving above the shoulder. Her eyes tender chocolate brown sparkled by faint sprinkles of green. Legs crossed beneath her body, while she was sitting in the large chair in the front of the house reading some book. In the dime light of the early morning, she was the most beautiful sight he ever remembered seeing.

James stood still for an hour on the front porch of the old house. His feet wouldn’t move if he wanted them to. The coffee on his right hand untouched by his lips grew cooler as the steam raising up from the cup progressively vanished in the cold breeze blowing from Cadilac Mountain.

He followed the girl’s every move with his eyes, the way she scratched her noose and then composed her hair behind the ear. 'How cuter could it get?', James found himself thinking. As if listening to his thought, the girl slowly raised her eyes from the book on her lap back at James. He didn’t move or gazed away. For a moment in time, they were the only souls alive under the dawning skies.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Regina Spektor- The Call



It started out as a feeling

Which then grew into a hope
Which then turned into a quiet thought
Which then turned into a quiet word

And then that word grew louder and louder
'Til it was a battle cry

I'll come back
When you call me
No need to say goodbye

Just because everything's changing
Doesn't mean it's never been this way before
All you can do is try to know who your friends are
As you head off to the war

Pick a star on the dark horizon
And follow the light
You'll come back when it's over
No need to say goodbye

You'll come back when it's over
No need to say goodbye

Now we're back to the beginning
It's just a feeling and no one knows yet
But just because they can't feel it too
Doesn't mean that you have to forget

Let your memories grow stronger and stronger
'Til they're before your eyes

You'll come back
When they call you
No need to say goodbye

You'll come back
When they call you
No need to say goodbye

quinta-feira, setembro 03, 2009

Dreaming long before night comes
Prevents sleep to set on me,
Distractive from ancient thoughts

I'll be waking up soon,
Hoping you to be there,
By my side

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

os tambores da guerra começam a rufar, mas poucos ouvem o seu clamor. espreitadelas de soslaio sobre o direito de ver, como que vigiando ou inquirindo... e aos poucos morre o livre ser.

hoje sombrio manto se estende do oeste ao leste como véu. De penumbra e medo se cobre a terra verde, a vermelho tinge-se a ondulante cor do céu.

no clamor aflito de desejos, sonhos perdidos e naufragados despedaçam no rufo surdo a esperança do desesperado, salteador derrubado em fulgor intenso e beligerante. E do que é seu vê-se, por fim, o próprio cego apartado

sexta-feira, janeiro 02, 2009

O tuga comedido

estou num mundo aflito
onde tudo vende e tudo compra
e já nada faz sentido


vivo segundo a lei maldita,
escravidão desumana e desleal,
onde cada sonho gravita
ao sabor do mercado cambial


tempos duros e incertos,
desígnios de pobreza e ingratidão,
desespero desmedido e renegado
às euforias da eleição


deste país que deixamos,
pouco resta que aceitar
esconder que não se tem para comer
mostrar o jaguar que não se pode pagar


valham-nos as migalhas de pão
compradas com a pensão dos avós:
do pouco sobra-lhes sempre tostão,
pela reza multiplica-se-lhes os dons


são tempos curtos, espera-se,
estes de infortúnio e sofreguidão:
vá-se depressa o raio da crise,
venha de lá, de novo,
mais crédito ao cartão

quarta-feira, dezembro 10, 2008

toco o piano devagar, como que suspiro vão
longe o sino na imensidão
verde canto e bravo sonho
percorridas trevas e fulgurante luz
a ti me dou, eternamente,
por quanto de mim sou, dia esplêndido
incandescente e único

quinta-feira, agosto 07, 2008

não esquecerei esse momento
que eternizei para mim:
o teu olhar tão intenso,
brilhante como és afinal,
de tanta vida a transbordar,
tão feliz que me pareces irreal...

...e chama-me um dia louco,
que irrisório ou infantil
seria ainda tão pouco,
por não perder esta imagem:
os contornos do teu rosto,
sob luz fugidia em que o vi,
esbatidos na memória,
no que resta dessa miragem...


...e deixa-me só, assim,
perdendo para todos a razão,
porque não ver-te de novo
sabe tão menos que a pouco...
e por tentar,
por tentar ainda que em vão,
fazer de ti este meu sonho,
tão impossível e medonho,
haverei até de parecer,
dos loucos, o mais louco,
se não és, afinal, ilusão.

quarta-feira, julho 09, 2008

às vezes pergunto-me por onde me deixei ficar. Fui nada, depois tudo, depois pouco e hoje nada, outra vez. Não há elogio que me acalente ou apazigue, nem medo que me impeça de avançar.

Tive o mundo na palma da mão e deixei-o partir. O medo instalou-se não no que faço mas no que deixo de fazer.

Quero partir à aventura, recomeçar do zero, conquistar e ser conquistado. Porque a estagnação em que vivo desespera-me e enferruja-me o corpo, o pensamento, a astúcia. Não tenho desafios nem reviravoltas, possuo apenas aquilo que pedi... um ano de descanso e nada mais.

Foi-me concedido, e agora que o tenho desprezo-o. Desprezo o apaziguamento, parece que tudo se retrai como que esperando um grande acto, quem sabe final.

Para isso estou pronto e preparado, desejo de provar quem sou. Não tenho espectativas nem ambições nem plano de recurso. Estou aqui, só, nú, perante os números e as horas, que passam desde a manhã até à tarde.

Quero mudar o mundo da ponta do colchão, sem pisar em terra firme ou me aventurar pela selva. Cobardia, afinal, demonstro-a sempre a cada passo que dou, quando cada pedaço do corpo me dói. E deixo-me arrastar, sem falar ou desafiar quem quer seja.

Não quero ser herói, mas desejo a sua glória, como se de um beato canonizado me tratasse, reconhecido anos e séculos depois, por quem não tem em mim mão nem no meu poder e decisão.

Hoje abate-me esta crise de identidade, em que nem sei se vivo ou parei de viver. Quando o mundo desabrochou pela primeira vez, eu chorei, e hoje não choro mais.

Vi-o resplandecer e retrair, como se Ent fosse eu perante florestas mais velhas que a Terra. E a liberdade que sempre desejei, que nunca permiti recusar, foge-me todos os dias um pouco mais, onde caio sem escada de regresso, sem túnel ou vento que me guie e dê direcção.

Não reflicto nem respiro, não vejo nem acordo do sono pesado onde caí, há meses atrás. Recusei o irrecusável e hoje peço apenas uma nova mão que me solicite e convide a partir.

Prometo não olhar para trás, prometo deixar-me ir onde o destino, onde o amor me levar.

E partir, só partir e, quem sabe, um dia regressar a uma casa vazia, a uma vida sem sentido. Do futuro já não sei, e hoje só creio que posso partir, sem olhar para trás. Sem medo de cair, outra vez.

segunda-feira, junho 09, 2008

Desta pena que sou,
letras fugazes e repentinas,
entre ecos e rios e ondas e ar
juntos de novo ao mundo
deixado ficar

apertado na história
do teu rosto e beleza desigual,
em que cada segundo
parou e te viu voltar

deixou o tempo de correr,
e quieto, o mundo,
desapareceu, para
que nem o tempo
ou eu, te visse partir

domingo, maio 18, 2008

Quanta dúvida e hesitação, e ao fim do dia e do mês e deste ano que precedeu, valeu o fiz pelo que vivi, involuntário lá cheguei, de lá parti. Sem norte não há rumo a tomar. Sem sul, ou estrela que guie e oriente, não consigo voltar. Voltarei algum dia?

quarta-feira, abril 09, 2008

ao pé de ti um segredo perdido
ao longe um só sol poente e doce

de manhã perdi-me no olhar os prédios de baixo, as ruas de frente, entre os passos de perna curta na calçada hoje o dia é de sol e chuva um combinado de frutas e cores, sem tempo para chegar nem hora para partir uma eternidade vigorosa e debroada de risos...

...onde não mora alguém é casa despida,
sem o mar que alimenta preenche e me amansa
nem alma sã nem lugar sem fim do mundo te pode guardar
segredos de orvalhos matinais

se o teu abraço me prendesse
como que amparando as nuvens do céu
dormiria para sempre no teu regaço
pois o meu mundo terreno vem do alto ao chão

aqui não há telha ou parede soltas
este espaço sou eu e tu

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Dois anos e vários dias. De pedra não, não corre a água nem o sangue que me aquece. sou apenas eu.
aqui, nesta manhã de sonhos,
deixei um braço que fui,
uma mão com que escrevi,
traços que se apagarão...
e não há mal, nem juiz, nem razão,
és apenas a voz do mundo
que povoas entre recordações e amizades...
nesta terra que deixo
livre de pégadas e rastos
um só suspiro deixo escapar
já depois de mim um rio, um mar
depois de ti a rocha
depois de nós, pó.

terça-feira, junho 19, 2007

Fado do Encontro





Vou andando, cantando
Tenho o sol à minha frente
Tão quente, brilhante
Sinto o fogo à flor da pele
Tão quente, beijando
Como se fosses tu

Ao longe, distante
Fica o mar no horizonte
É nele, por certo
Onde a tua alma se esconde
Carente, esperando
Esse mar és tu

Pode a noite ter outra cor
Pode o vento ser mais frio
Pode a lua subir no céu
Eu já vou descendo o rio...

Na foz, revolta
Fecho os olhos, penso em ti
Tão perto, que desperto
Há uma alma à minha frente
Tão quente, beijando
Por certo que és tu

Pode a lua subir no céu
E as nuvens a noite toldar
Pode o escuro ser como breu
Acabei por te encontrar

Vou andando, cantando
Tive o sol à minha frente
Tão quente, brilhando
Que a saudade me deixou
Para sempre,
Por certo
O meu Amor és tu.

domingo, junho 10, 2007

sábado, junho 09, 2007





rain down mercy
for the lost and lonely child
for the liars and the losers
the reckless and the wild
there's no more use in pretending
I know I never fooled you
the deepest darkness I've ever known comes
from living like I do
but I swear I'm gonna knock on that gate
even if it's all in vain
I'll stand outside with my mouth wide open
and drink the pouring rain
I know there's some good left in this world
I've seen it shine in your eyes
rain down salvation
and keep my faith alive
the harder we fall, the closer we come
to finding our hearts and the damage we've done
darling, I've held the devil's dirty hand
but holding you now I know is heaven's last attempt
won't you walk beside me
you know I can't make it alone
here the fields are dark and the wind is hard
hard as stone
roll out the sky
oh, and let me come home, come home
I wanna come home

the harder we fall, the closer we come
to finding the light and the warmth of the sun
all that I've ever had I've let slip through my hands
but holding you now, I know is heaven
heaven

sexta-feira, junho 01, 2007

quero sair,
percorrer mundos e sonhos,
por momentos deixar-me para trás,
partir sem destino nem memória,
sem passado ou futuro ou história.

abraçar o ar, o vento,
a minha natureza de sentir desmedidamente,
sem repressão do que vejo,
do que sou.

um espírito livre que perdura no firmamento,
um fruto pendendo da árvore tão singular e verdejante
no seu restolhar ondulante.

quero amar para sempre,
perder-me em tempos e mundos distantes,
ouvir apenas vozes amigas da minha infância
e deixar-me levar.

e para sempre perdurar,
em flutuante movimento,
eternamente suspenso
entre o céu e o mar.
 
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