terça-feira, novembro 29, 2005
By the lake
Quando o vi parecia-me só mais um, entre tantos outros que dormiam ali perto. Descobri aos poucos, que não tinha a brancura de uns, nem o musgo de outros. Não era muito bicudo, ou demasiado redondo. Uns estavam molhados e escorregadios, outros tão ressequidos que se esfarelavam com uma simples passagem do olhar.
Ele esteve ali tanto tempo. Tanto tempo que nem suspeitei que me chamava, para que o levasse na palma daquela mão, pendida ao lado da anca. Aos poucos, debrucei-me sobre aquela pedrinha, moldada por aluviões e secas. Por rios e lamas. Há quanto tempo ali estaria? Quanto tempo e trabalho lhe tinham dado as ninfas e os zéfiros, para que estivesse ali, assim, diante os meus pés, tão fácil de calcar e passar por cima.
Aquela pedra, oval e macia, carente do toque da minha mão, mais não queria que passar despercebida, enquanto as eras lhe passavam acima do rosto. Inócua ao tempo, que parecia corroer as árvores e as águas em seu redor, e não a preocupava. Queria apenas ser uma pedra, pequena e viva, por dentro, e bastava-lhe saber que podia ancorar um barco, ou afundá-lo. Deixar que o amarrassem a si, ou atirar-se do seu mastro de veleiro com pavilhão índigo arrombando-lhe o casco.
E no entanto ali estava, apenas, sentada, junto ao lago, a olhar as águas paradas, a sonhar os dias em que se desprendeu da alta montanha e rolou, rolou e rolou, até se cansar de rolar. Cheia de sede, abeirou-se de uma levada da neve que descongelava no cume, e caiu. E deixou-se levar. E a levada foi um regato, e o regato um ribeiro que cresceu em rio. Precipitada entre o fundo e os leitos, parou ali, à tona, na margem entre a terra, o céu e a água, onde eu a encontrei.
Olhei-a de todos os lados. Pensei as suas propriedades geológicas. Não sedimentar, nem basáltica. Nem porosa. Era apenas macia e lisa, oval e cinzenta. E falava. Disso lembro-me perfeitamente. Falava, mas sem sons. Trauteava uma música que me era familiar, como se já a tivesse encontrado antes, e me tivesse cantado aquela mesma canção.
A letra não eram palavras, eram imagens e estórias que viveram muitos anos depois de si. As imagens eram contos, de estórias passadas há muitos anos atrás, um dia em que, ainda criança, visitei pela primeira vez aquele lago sem suspeitar que brincavas, escondida, nas suas margens. À espera. Simplesmente, à espera.
domingo, novembro 27, 2005
Quebrando promessas
A única que amei,
A única que me ergueu e destruiu,
A única que olhou,
A única em que pensei,
A única que sentiu,
A única que a vida escolheu,
A única que sem chegar partiu,
A única que não abracei,
A única morte que vivi,
Essa de te perder sem te ter
E encontrar-te ainda em mim.
And another West,
By the self-same winds that blow,
Tis the set of the sails
And not the gales,
That tells the way we go.
Like the winds of the sea
Are the waves of time,
As we journey along through life,
Tis the set of the soul,
That determines the goal,
And not the calm or the strife.
Uno
Certas vezes, nasce uma vontade súbita de expor em letras alguma ideia que nos preenche. No meu caso não sinto tanto o nascimento de um pensamento, mas, antes, encontro-me irrequieto por dentro, como se o meu corpo não conseguisse digerir uma refeição mais pesada, que durante horas, dias e semanas, circula no organismo. Nem sempre sei muito bem o que dizer, como agora, só me apetece escrever sem parar, letra após letra, após palavra, após frase. Enquanto o faço, vou alimentando o meu espírito de música, os meus olhos tornam-se pesados e o raciocínio lento. A passagem ao estado catatónico desperta-me, porém, a mente que desabrocha visualmente como uma flor de inverno. Passam em corrida a vastidão de imagens sobre os meus olhos semicerrados. Imagens de espaços e formas que reconheço, de pessoas que me acompanham e que não lembro de alguma vez ter conhecido. Sensações de estar ainda presente em locais onde já não me encontro, em que sinto os cheiros e, mais que isso, relembro as associações mentais de todo um ambiente físico e psicológico, preso ao momento em que o vivi.
Conhecem esta sensação que vos descrevo? É semelhante àquela de escutar uma música marcante. Uma música que nos transporta a um tempo que não é. Uma música que por si não significa muito, mas que está ligada a um momento psicológico que engloba um tempo, um espaço, uma causa-efeito, uma temperatura, uma reacção emocional. E em fracções de tempo revivemo-nos como a impressão que somos em nós mesmos.
É isso, creio. Somos num instante a impressão do que fomos, como se uma parte extradimensional de cada um se desdobrasse num infinito de si próprio perpetuáveis no tempo.
A quântica aceita, em parte, esta formulação da existência de uma pluralidade da universalidade, que se divide a cada passagem de tempo numa realidade efectiva.
Enquanto escrevia isto, iniciei uma conversa com um amigo meu que me dizia estar deprimido. Eu compreendo bem esse estado, e notei que a melhor forma de recuperarmos alguém dessa situação é mostrarmo-nos também assim. Foi algo que eu não soube fazer, em tempos, juntar-me onde quer que outro esteja, porque só assim acabamos com a diferença que nos faz sentir mal. Conseguir juntarmo-nos a alguém no sítio onde se encontra é fazermos com que deixe de estar só e a única forma de lhe demonstrar que não tem que continuar a esperar. Tentei explicar-lhe esta teoria, sob a minha própria perspectiva, e ele acabou por sentir-se melhor, achando que eu me encontro num estado mais preocupante que o seu.
Explico-lhe que nos somos unos, mas em cada fracção temporal divimo-nos no infinito das possibilidades existentes, gerando um novo universo real para cada um, o qual se torna também uno, e assim por diante. Ele questiona-me sobre as minhas bases para esboçar esta tentativa e quando pergunto se compreendeu alguma coisa, responde-me “mais ou menos”. O mais ou menos aparece-me como a medida do nada.
A realidade que vivemos é, não só aquela que resulta dos factos que ocorreram, mas também dos factos que não ocorreram, ou seja a inexistência desses factos cria-lhes uma universalidade própria que só pode derivar da existência do eu que não existe conjuntamente comigo, mas que existe em paralelo a mim e que, partilhando de parte daquilo que vivi e não vivi, tem a sua génese no afunilamento retroactivo da árvore genealógica da unidade absoluta. O que quero dizer? Talvez seja mais simples, quando o desmonte ao contrário.
Imagina uma árvore genealógica em que, a cada nascimento, surge um novo ramo que resulta de tudo aquilo que concorreu para lá se encontrar, e de tudo o que não concorreu, porque se tivesse concorrido não seria aquele ramo que ali se encontraria, mas outro com características diferentes, ou até com as mesmas, mas necessariamente outro.
Agora pensa que em cada unidade fraccional de tempo surge um novo rebento algures na arvore, pelo simples facto que pode surgir, por tudo o que concorreu para que pudesse surgir e para que não pudesse. Imagina que tu és 300º rebento. Imagina que além de teres surgido tu, surgiram simultaneamente uma infinidade de outros rebentos número 300, pelo simples facto de também poderem surgir, assim como contigo aconteceu. E agora imagina que num novo salto do tempo tu das origem a uma outra infinidade de rebentos 301º. Todos resultam de um mesmo tronco comum, e todos são expressão de uma existência em função da simples possibilidade de existir, e não da probabilidade da existência potencial. No mundo científico há uma corrente mais “liberal”, que costuma dizer que «se é possível, alguém o há-de vir a fazer, se não o tiver já feito.».
Onde quero chegar? Ao ponto de onde parti. A realidade que vivemos é não só aquela que resulta dos factos que ocorreram, mas também a que resulta dos factos que não ocorreram, ou seja a inexistência desses factos cria-lhes uma universalidade própria que só pode derivar da existência do eu que não existe conjuntamente comigo, mas que existe paralelamente comigo.
Nos somos unos, mas em cada fracção temporal divimo-nos no infinito das possibilidades existentes, gerando um novo universo real para cada um, o qual se torna também uno.
sexta-feira, novembro 25, 2005
quinta-feira, novembro 24, 2005
Art. 133º, CP - Homicídio Privilegiado
Pena
Espelho
Hoje já não tenho aquela necessidade de remexer o frigorífico, ou o sofá, à procura de alguém que costumava estar disponível. Hoje já sei que remexer o frigorífico, ou o sofá, são gestos inúteis. Hoje já sei que esta própria escrita é um gesto inútil. Não me interpretem mal, que não desejo que deixem de ler o que tenho vindo a partilhar convosco. Tenho uma noção precisa de quem visita este espaço. Ou são conhecidos, ou são desconhecidos. Os desconhecidos são bem vindos porque se interessam, um pouco, por alguém que nunca viram na vida, e mesmo assim lhes dão o seu tempo. Não me tomem por ingénuo, que também sei que se passam os olhos por estes textos, o fazem porque buscam aqui algo que identifiquem como vosso e consiga expressar em palavras aquilo que sentem, deixando, por momentos, à parte a solidão que é sermos donos únicos das nossas vidas, no seu sentido mais íntimo e intrincado da personalidade de cada um.
Os conhecidos, esses, eu sei quem são, quando lêem, quando ouvem, quantas vezes lêem e ouvem o que nos deixo. Digo "nos" porque o faço para mim. É um exercício de catarse, este de escrever. Muitas vezes, não exponho as coisas exactamente como gostava que fossem sentidas, simplesmente porque o medo mo impede de fazer, ou porque a forma como o fizer pode criar na mente dos que me são mais queridos uma imagem calculista.
É a mais pura verdade, que eu pondero cuidadosamente aquilo que publico tendo sempre em mente, não os desconhecidos, mas aqueles que sei quem são. E, como tudo aquilo que fazemos em conjunto com outros, para uma acção espera-se sempre um efeito. E, por vezes, ele tarda em chegar. Os efeitos que quero surtir? São aqueles que cada um lê nestas linhas. E cada um dos conhecidos o vai sentir como se eu falasse especialmente para si.
E falo. Falo sobre mim, sobre os outros; sobre as semanas em que me sinto bem, sobre as semanas que me sinto em baixo; falo sobre o que quero e não quero, sobre aquilo que não gosto e, sobretudo, sobre o que gosto. E quando gosto, gosto. E se gosto, gosto de falar sobre isso. Gosto de dizer que "sim", que "gosto" disto ou daquilo, daquela pessoa ou da outra. E não peçam para que vos dê razões para gostar, porque quando se gosta de alguma coisa não se gosta só de uma parte, é o conjunto que nos dá prazer observar, o bom e o mau, o bonito e o feio, o saudável e o prejudicial, o alegre e o triste, porque nada, nem ninguém, é só yin ou yang.
O que digo está tão certo e tão errado, conforme vocês assim o queiram, e o meu único papel é fazer-vos pensar, classificar e seleccionar a quota parte de verdade, a quota parte de mentira, a quota parte do que se refere a mim, a quota parte do que se refere a outra pessoa, a quota parte do que se refere a ti. A "quota parte" de tudo, é a quota parte da importância que damos às coisas, quer sejam nossas, de alguém, ou de ninguém.
A minha quota parte de responsabilidade é fazer-vos acreditar que conseguem saber aquilo que estou a dizer, quando nem eu sei o que digo. Ou talvez saiba, mas prefira acreditar que não sei.
terça-feira, novembro 22, 2005
Quotation Mood II
Quote Mood
You give them a piece of you. They don't ask for it. They do something dumb one day like kiss you, or smile at you, and then your life isn't your own anymore. Love takes hostages. It gets inside you. It eats you out and leaves you crying in the darkness, so a simple phrase like "maybe we should just be friends" or "how very perceptive" turns into a glass splinter working its way into your heart. It hurts. Not just in the imagination. Not just in the mind. It's a soul-hurt, a body-hurt, a real gets-inside-you-and-rips-you-apart pain. I hate love.»
The second crossed
segunda-feira, novembro 21, 2005
"O frio é psicológico e a chuva não molha!!"
Acabadinho de regressar, não haverá, à partida, muito que contar sobre mais um país que, por pertencer à união europeia, se quer europeu. A Holanda, contudo, é um fenómeno raro em que, embora estejamos em solo europeu, parece que nos encontramos numa realidade autónoma, com regras e costumes extremamente diferentes daqueles a que estamos habituados nos restantes países da União.
Não sei muito bem como explicar, mas parece que o padrão de vida da Europa ocidental-central é desajustado ao estilo de vida holandês.

Comecemos por aquilo que salta à vista de imediato. Circulação rodoviária. Os carros são pouquíssimos, quando comparando com os que circulam nas principais cidades de cada país. A rede de transportes é extremamente coerente com as necessidades sociais e bem organizada, ainda que com um custo elevado. A bicicleta prolifera como se de uma praga se tratasse. Não há holandês que não tenha sua querida bicicleta pasteleira e que não a leve de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Hierarquicamente têm prioridade: as bicicletas sobre os tram (eléctricos), os tram sobre os carros, os carros sobre os peões. Se somos peões, o melhor a fazer é atravessar depressa antes que sejamos atropelados por um ciclista em sprint, ou calcinados por um tram. Nunca cedem passagem aos peões. Atravessar uma rua releva-se, por isso, uma tarefa complexa que envolve um elevado grau de risco, visto que as passadeiras são escassas, e uma qualquer estrada ou rua é composta na seguinte ordem: ciclovia, via para automóveis, carris de tram, via para automóveis, ciclovia. Isto implica, por isso, olhar para cada lado da rua uma média de 10 vezes, antes que se consiga atingir a outra margem.

Quanto aos horários, estes são bizarros e com certas nuanças dificilmente explicáveis. O comércio, serviços e todo o resto do conjunto de actividades citadinas (à excepção dos transportes) começam às 10 horas da manhã e terminam às 18 horas da tarde. Impreterivelmente. A partir das 18 horas as ruas (que já durante o dia têm pouquíssima gente) ficam completamente desertas. Duas excepções: Às 5ªs-Feiras, por algum motivo que não consegui apreender, mas que deve existir, as lojas fecham apenas às 21 horas; aos Domingos, os restaurantes (apenas) abrem às 13 horas.

Outra coisa um tanto bizarra é o sistema de recolha do lixo, que só é realizado 1 vez por semana, o que implica guardar em casa (devido à inexistência, prática, de contentores de rua) o lixo que se vai acumulando ao longo de uma semana.
Um ponto positivo... toda a gente fala inglês fluentemente. Desde o pessoal do aeroporto, ao simples varredor de ruas (que não me consta que existam por lá, a julgar pela quantidade de dejectos canídeos e pastilhas que atapetam o chão).

Arquitectura. Tradicionalmente, existem casas revestidas a tijolo tipo burro, uma espécie de tijoleira vermelha, com telhados inclinados. As janelas são amplas e ocupam uma grande área das paredes exteriores, não tendo estores, mas apenas cortinas. Quase todas as casas estão equipadas com bons sistemas de aquecimento, que contrastam com as temperaturas baixas que se fazem sentir nas ruas. O planeamento urbanístico é excelente e rege-se por um critério de funcionalidade, tentando eliminar ao máximo a permanência fora de casa. Por este motivos, as cidades holandesas são cidades desoladoras e sem vida, em que um planeamento tão rigoroso faz delas autênticas maquetas - cidades-modelo, mas que não se destinam preferencialmente ao encontro dos cidadão em sede de re publica. As cidades tornam-se meras fontes de rendimento para as pessoas, em vez de espaços de vida e convívio.

Os holandeses, como sociedade, são extremamente racistas, ainda que parte do consumo interno e consequente taxação seja realizado pelas extensas comunidades árabes e negras do país. Costumávamos dizer, a título de (alguma, mas não total) brincadeira que os holandeses são uma minoria que está em casa.
A língua... não é bem uma língua... como alguém que conheço costuma dizer.... «Dutch is not a language... it's a throat disease.»
As cidades são megalómanas. Na construção, na decoração e na instrumentalização. Um exemplo dito é Roterdão. Destruída com a II Guerra Mundial, as linhas de reconstrução fundaram-se num estilo vanguardista, característico das grandes metrópoles americanas. Edifícios altíssimos com um planeamento milimétrico de espaços e funções disponibilizadas aos transeuntes. Roterdão tem o maior porto náutico do mundo, com um tráfego anual de cerca de 40.000 mil navios, e cuja área será cerca de 10 vezes superior à da cidade terrestre de Roterdão (que é já a 2ª maior da Holanda, após Amsterdão).

A alimentação é pobre em diversidade. Alimentam-se diariamente de pé, nas ruas, às horas de almoço, e quase exclusivamente à base de fritos e pão. O pequeno-almoço comum de um holandês, parece-nos, a nós, adeptos da torradita e do iogurte, que se esbate num único alimento - batatas fritas. Assim como o almoço, o lanche e o jantar. E elas existem de todas as formas, tamanhos e feitios. Existem pequenas, média e grandes, compridas e curtas, em palitos, em espiral, em rodelas, em círculos, em bolas, etc etc etc.. Proliferam os McDonalds, os Burger King, e os KFC, sempre cheios de gente, e em quantidades de 3 e 4 restaurantes por rua.
O clima é húmido nas zonas baixas, onde chove de cerca de meia em meia hora, durante cerca de 10 minutos, uma espécie de chuva que não molha. As temperaturas são baixas, mas suportáveis. Por isso, acabámos por concluir que naquelas terras estranhas "O frio é psicológico, e a chuva não molha!". Foi a nossa máxima. O que eles não fariam se tivessem metade do nosso sol.
Não obstante tudo isto, têm das melhores colecções de arte (sobretudo pintura) da europa e alguns dos nomes mais sonantes da história das artes têm aquela nacionalidade e estão nos seus museus.

Ali ao lado, Bruxelas, e novamente entramos na europa a que estamos habituados.
sábado, novembro 12, 2005
Nightswimming

Nightswimming deserves a quiet night.
The photograph on the dashboard, taken years ago,
Turned around backwards so the windshield shows.
Every streetlight reveals the picture in reverse.
Still, it's so much clearer.
I forgot my shirt at the water's edge.
The moon is low tonight.
Nightswimming deserves a quiet night.
I'm not sure all these people understand.
It's not like years ago,
The fear of getting caught,
Of recklessness and water.
They cannot see me naked.
These things, they go away,
Replaced by everyday.
Nightswimming, remembering that night.
September's coming soon.
I'm pining for the moon.
And what if there were two
Side by side in orbit
Around the fairest sun?
That bright, tight forever drum
Could not describe nightswimming.
You, I thought I knew you.
You I cannot judge.
You, I thought you knew me,
this one laughing quietly underneath my breath.
Nightswimming.
The photograph reflects,
Every streetlight a reminder.
Nightswimming deserves a quiet night, deserves a quiet night.



