terça-feira, maio 31, 2005

Camélia branca

"Coragem é sabermos que estamos vencidos à partida, mas recomeçar na mesma e avançar incondicionalmente até ao fim. Raramente se ganha, mas às vezes conseguimos."

Harper Lee


sábado, maio 28, 2005

Há quanto tempo...

Já lá vão umas boas semanas desde que escrevi alguma coisa aqui pela última vez. Não creio que isto tenha alguma relevância extrema, visto que também há nada que possa relatar, quer sobre mim, quer sobre os outros, que interessem a quem passe por este blog.

Mas na verdade, venho a descobrir que quando publico mais algum texto, mais alguma letra, mais alguma imagem, o faço por necessidade de falar.

Falar com mudez, para a surda leitura de quem lê o que aqui é escrito e que acabará por letargicamente empurrar para um espaço inactivo da memória.

Não me interessa que se lembrem, interessa-me, sim, que se esqueçam. Esquecer deveria ser tão simples como ligar ou desligar um interruptor.

Hoje quero-me esquecer das vírgulas e das regras de pontuação - de ortografia não. As pausas que faço e a forma como escrevo são-no porque eu assim quero. Também terei o direito a libertar-me das imposições formais que consomem a beleza do espontâneo.

A repressão que se auto-impõe num diálogo ou num não diálogo empurram-me para uma acomodação dolorosa, de onde quero sair mas à qual estou preso. Pela forma. Sempre a forma.

Amo o conteúdo, não a forma; desejo o ser, não o parecer. A forma aprisiona.

O mito do julgamento das almas, acredito ter um fundamento simples e lógico. Num plano abstracto e imaterial, em que só a consciência é ser; não existe o escudo da matéria para impedir que transpareça tudo o que pensamos e, consequentemente, - como pensamento - somos.

Mas não sei será preciso uma inexistência material para que o conteúdo surja; não creio que seja necessário eliminar a forma, para conhecer o conteúdo. É possível conhecer o verdadeiro rosto de cada um pelo abraçar da forma, como uma manifestação do conteúdo.

Contudo, não existe uma correspondência directa entre aquilo que somos e a forma como o mostramos e, por isso, é necessário deixarmo-nos envolver pelo sentido da descoberta de nós próprios através do contacto com os demais.

Um processo comparativo e gradativo. O que importa a cada um não será querer ser compreendido - como muitas vezes se deseja que aconteça - , mas antes deixar-se compreender. Só os mais atentos conseguirão. Conhecer quem são envolve uma comparação com o que acreditamos que somos; uma comparação com uma imagem mental de nós próprios; uma imagem mental não da forma, mas do conteúdo.

O processo comparativo é menos mutilante, uma vez que tem espaço para abarcar os raciocínios indutivo e dedutivo, deixando que se escolha entre eles consoante as características que estão em análise.

Por outro lado, a indução e dedução na descoberta dos outros, porque são realidades geometricamente opostas, surtem o mesmo efeito que a divisão tem face à multiplicação.

É possível confirmar se uma determinada divisão foi feita correctamente ao utilizar o quociente obtido e multiplicando-o pelo divisor - se o produto for correspondente ao número divido temos a certeza da correcta formulação da divisão. E vice-versa.

Assim actua, também, o raciocínio dedutivo face ao indutivo, no âmbito do processo comparativo e de construção de um conhecimento humano da personalidade.

Enquadra-se, genericamente, o sujeito num contexto vivencial padronizado, analisando as diversas variáveis que delimitam a sua actuação, através da motivação psicológica.

Simultaneamente, à medida que se reúnem todas essas informações, vão se atendendo aos pormenores que são inerentes ao sujeito - motivações, gostos, medos, humor, comportamentos reflexos.

A partir destas duas perspectivas - uma sobre o contexto geral, outra sobre comportamentos específicos - cria-se uma síntese para cada uma.

Em cada síntese, existe um grau elevado de incerteza que origina um conjunto de extrapolações conexas. Essas extrapolações especulativas têm por função criar potenciais pontos de ligação entre o raciocínio dedutivo (sobre a generalidade) e o indutivo (sobre as particularidades).

Com a comparação das duas sínteses e das extrapolações conexas de cada uma, o observador sentirá necessidade de afastar os pontos de conexão que não se articulam com os da síntese contrária.

O processo comparativo vai procurar integrar, com maior ou menor grau de distorção face à realidade efectiva, a síntese da análise das particularidades do sujeito, com a síntese decorrente da análise do contexto global (que não tem de ser meramente físico-social).

Com esta integração obtém-se uma perspectiva global, psicológica, da pessoa. Todavia, este processo não cessa.

Com o conhecimento de novas informações, novos dados, toda a visão global que se tem vai sendo adequada, reajustada e complementada - e assim se vai conhecendo o outro.

Mas este processo não é isolado. Contrariamente ao que aparenta, não se trata de uma análise em que existe uma equidistância entre quem analisa e quem é analisado. Assim como decorre do princípio da incerteza, a mera observação do comportamento da partícula subatómica condiciona a sua natureza (quanto à direcção e também quanto à velocidade).

O mesmo parece acontecer, em sentido inverso. Com a percepção de uma realidade existe uma troca de matéria e de imatéria. Assim como a partícula é afectada pela mera observação, também assim o observador vai ser afectado e condicionado pela percepção da realidade da partícula.

É uma consequência necessária do conhecimento de outro, que também sejamos afectados por esse conhecimento - nós, enquanto observadores, fomo-nos convertendo em partícula observada (quer por outro observador, quer por nós próprios). Tornamo-nos cobaias experimentais do que conhecemos.

Mas se de observador nos convertemos em observados, não deixando de ser observadores, existe uma fusão entre as duas realidades, que afinal são só uma.

A partir do momento em que existe um contacto, uma interacção, deixamos de ser o que éramos para ganharmos uma nova vida, que engloba uma parte do que fomos e um novo "eu" decorrente da ligação estabelecida, por muito fugaz que tenha sido.

No fundo somos uma parte de todos aqueles com quem contactamos. Mas, após tantas assimilações e sintetizações, qual é participação preponderante no conjunto? A parte original do que fomos está preenchida por novo conteúdo, mas continua a existir.

Não posso esquecer tudo o que me criou, como se ligasse ou desligasse um interruptor, não posso escolher o que já me integra, e dificilmente poderei escolher o que me vai completar ainda mais - não controlo quem conheço, nem desejo fazê-lo. Não desejo sufocar a espontaneidade mais que o necessário à convivência social. Mas não me remeterei à negatividade da inércia e da espera acomodada - levantemos a cabeça e inspiremos o sol nascente, a frescura da manhã.

Gosto do Verão e das tardes longas e até do pôr-do-sol abrasivo, vermelho e rosa, mas não permitirei que a acomodação e a indolência me afastem da aurora de um novo dia.

segunda-feira, maio 02, 2005

"Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.."

Pessoa
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quarta-feira, abril 27, 2005

Reborn


"The Phoenix bird symbolizes immortality, resurrection, and life after death. In ancient Greek and Egyptian mythology, it is associated with the sun god. According to the Greeks,the bird lives in Arabia, near a cool well. Every morning at dawn, the sun god would stop his chariot to listen to the bird sing a beautiful song while it bathed in the well. Only one phoenix exists at one time.When the bird felt its death was near, every 500 to 1,461 years, it would build a nest ofaromatic wood and set it on fire. The bird then was consumed by the flames.A new phoenix sprang forth from the pyre. It embalmed the ashes of its predecessor in anegg of myrrh and flew with it to Heliopolis, "City of the Sun," where the egg was depositedon the altar of the sun god."

 
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